↫─Capítulo 190
Ao sair do consultório, ele viu Kim Jihan sentado na área de espera jogando no celular. Cheongyeon tirou de novo a máscara que guardou durante a consulta e a colocou.
Só então, sentindo a presença, Kim Jihan bocejou longamente e ergueu a cabeça.
— Oh, saiu? E aí, qual é o problema?
— …….
— Aliás, alfas e ômegas se consultam num lugar desses? Tem um centro só para isso? Que curioso.
Achando que suas pernas cederiam se continuasse de pé, Cheongyeon caminhou lentamente até o assento ao lado de Kim Jihan e se sentou.
Kim Jihan olhou uma vez para o aturdido Cheongyeon e voltou a fixar os olhos no celular. Efeitos sonoros animados e barulhentos do jogo chegavam aos ouvidos dele.
— Por que não fala nada. Aliás, você não tem que atender? Seu telefone está tocando.
Cheongyeon conferiu tardiamente o celular que vibrava. Aturdido, ia apertar o botão de atender por hábito, mas estancou ao ver o remetente.
Ele achou que fosse Do-Heon, mas era o irmão ligando, do nada.
Justamente naquele dia ele tinha esquecido de carregar o celular e restava pouca bateria. Não sabia qual era o assunto, mas, pela experiência acumulada, ele certamente não ligava para dizer coisa boa.
Naquela situação, ele não queria desperdiçar bateria com o irmão.
— Tudo bem. Não preciso atender.
Achando que bastaria ligar de volta para o irmão quando voltasse para casa, Cheongyeon colocou as notificações no silencioso.
Só então Kim Jihan observou com atenção Cheongyeon, que agia de forma estranha desde que saíra do consultório.
— O que foi que você ouviu lá dentro para estar tão fora do ar? Desde a ligação de manhã sua voz já estava esquisita. O quê, deu alguma inflamação?
— …….
— Inflamação é só tomar remédio e pronto. Nem um dia leva para se recuperar. Um cara que eu conheço também…
— É gravidez.
— É, hoje em dia gravidez também não é nada dema… Hã?
Kim Jihan, que tagarelava, sentiu que havia algo estranho e congelou. E, alguns segundos depois, virou o corpo e olhou para Cheongyeon como se tivesse ouvido errado.
— O que você disse agora?
— Você ouviu. Gravidez.
Assim que Cheongyeon terminou de falar, Kim Jihan olhou às pressas ao redor, verificando se não havia ninguém.
— É brincadeira, né? …É sério? Espera, um cara que só trabalhava feito louco, de onde saiu um filho de repente…?
Com o rosto vermelho do choque, Kim Jihan arregalou os olhos.
— Não me diga que você voltou com o moon Do-Heon?
— …….
— Enlouqueceu. Ai, sério. Ei, vamos para o carro conversar.
Interpretando o silêncio como confirmação, Kim Jihan se levantou de um salto e puxou Cheongyeon para o estacionamento.
Mesmo saindo do centro e entrando no elevador, ele continuava cochichando sem parar com Cheongyeon, incrédulo com a situação.
— Você voltou mesmo com aquele cara?
— Voltei.
— Mas por quê? Depois de terem chegado ao divórcio, vocês também são… Ha. Mais que isso, você está bem? E a carreira agora?
— Pois é. Isso também é um problemão.
Naquele momento, o que Kim Jihan perguntava soava distante para Cheongyeon, como assunto de outra pessoa. Sua mente estava turva, como se estivesse sonhando.
— “Pois é”? Você consegue dizer “pois é” agora? Onde está com a cabeça?
Depois de despejar perguntas como quem está prestes a enlouquecer, Kim Jihan soltou um longo suspiro.
O elevador logo chegou ao subsolo e, quando pessoas entraram no campo de visão, Kim Jihan parou de falar. Coçando a cabeça com força, frustrado, ele caminhou rápido até a área onde o carro estava estacionado.
Assim que entraram no carro, Kim Jihan retomou.
— Sério, um filho que não veio quando vocês eram casados vem depois do divórcio? E você, o que você acha?
Cheongyeon hesitou e logo balançou a cabeça.
— Nem eu sei ainda.
— Puxa. Que situação de enlouquecer.
Kim Jihan murmurou segurando o volante. O clima era tão ambíguo que ele não sabia se devia dar os parabéns ou consolar.
Depois de olhar de esguelha para o banco do carona onde Cheongyeon estava, Kim Jihan ligou o carro.
— Enfim, vamos para a sua casa.
— …Sim.
“E você, o que você acha?”
No carro silencioso a caminho de casa, a pergunta que Kim Jihan lhe fizera rondava sem descanso a cabeça de Cheongyeon.
Cheongyeon teve de se perguntar várias vezes, porque era difícil definir seu estado de espírito numa única palavra.
Quando ouviu do médico pela primeira vez, ficou aturdido e, por outro lado, com medo. Quando confirmou a gravidez pelo ultrassom, sua cabeça estava só escura e indefinida, como a imagem escura na tela do aparelho.
E, quanto mais repetia a pergunta de Kim Jihan, mais a confusão se dissipava e ele era tomado por uma emoção peculiar. Se fosse definir, estava mais para contentamento.
Uma cócega estranha que começou nas pontas dos pés logo se estendeu até o alto da cabeça.
Não dava para dizer que o momento era perfeito, mas a alegria que veio depois cobriu todas as preocupações.
Ele sabia que, como Kim Jihan temia, ainda restavam coisas a resolver. Mas isso não era um grande problema.
Ele queria tanto ter um filho. Aquele dia em que se desesperou ao receber o diagnóstico de infertilidade parecia um sonho.
Como será que Do-Heon vai reagir?
Assim que esse pensamento surgiu, seu coração começou a bater tão rápido que o peito doía.
— Ei, ei. Eu falei que tinha uma coisa para te contar.
Kim Jihan parou o carro diante de um sinal vermelho, como quem lembra de repente.
Mergulhado em pensamentos, Cheongyeon assentiu com um compasso de atraso.
— …O que é.
— Ouvi uma coisa de um jornalista de entretenimento ontem durante a gravação e o teor me deixou meio incomodado.
— O que você ouviu?
— Ah, será que eu devia contar isso agora…
Kim Jihan revirou o cabelo, como quem só agora pondera. Irritado num instante, Cheongyeon virou a cabeça bruscamente para o banco do motorista e o fuzilou.
— Está de brincadeira? Você não sabe que deixar alguém curioso e não contar dá processo?
— Não. Pensando bem, acho que não era tão importante assim…
— Então é só contar.
— …Ontem um jornalista de entretenimento do Daydays disse que corre a história de que a família de um cantor famoso anda aplicando golpes usando o nome do cantor.
— Não me diga que é sua irmã?
— Não. Não é sobre mim; parece que o familiar desse cantor é estudante de medicina. Não sei se é irmão ou irmã.
— O quê?
— Seu irmão é estudante de medicina, né. Como não é um caso comum, depois que eu ouvi fiquei incomodado.
Mesmo não havendo mais ninguém ouvindo além de Cheongyeon, Kim Jihan baixou a voz e sussurrou, como quem conta um segredo enorme.
— M-mas o jornalista disse que há grande chance de ser boato. Disse que quem afirma ser vítima aparentemente ainda não processou nem apresentou provas para levar a coisa adiante…
— …….
— Ah, eu não devia ter falado mesmo. Na frente de alguém que acabou de saber que está grávido. Essa minha bocarra.
Diante do clima que esfriou, Kim Jihan arrancou os próprios cabelos e suspirou.
Cheongyeon ficou pensativo por um instante, lembrando-se das ligações do irmão que chegaram o tempo todo enquanto estava no hospital.
— Não. Não faz mal saber antes.
— Né…? Já disse antes, mas tem grande chance de ser boato. Deixa passar. Ah, não. Considera puro papo furado. Esquece o que você acabou de ouvir.
— Enfim, chegamos, então eu vou indo. Entra e descansa. Está meio atrasado, mas… enfim, parabéns?
— …….
— Que foi. O quê. É verdade, né. É motivo de parabéns.
— É, obrigado.
Cheongyeon coçou a bochecha, sem jeito. Kim Jihan soltou o cinto e, quando ia descer do carro, estancou por um instante.
— Ei, mas. Ainda não se sabe como as coisas vão ficar, mas, se você tornar a criança pública, não vai acabar entrando em programa de criação de filhos? Aí, como convidado, o tio Jihan tem que…
— Para de papo furado e cai fora logo para os seus compromissos.
— Eu te trouxe até aqui e ainda levo desaforo. Que grávido é esse?
Resmungando diante da reação cruel de Cheongyeon, Kim Jihan o deixou em frente a casa e partiu às pressas, dizendo que tinha gravação à tarde.
O estacionamento em que Cheongyeon ficou sozinho estava silencioso por todos os lados, naquele horário ambíguo da tarde. Mesmo sabendo que precisava voltar para casa, por algum motivo seus pés não se moviam.
Depois de vagar um pouco pelas redondezas do elevador, Cheongyeon tirou com cuidado do bolso a foto do ultrassom que recebera no hospital.
— …….
Sentindo o estômago revirar de novo, Cheongyeon expeliu uma respiração longa. Depois de hesitar por um tempo, em vez de entrar em casa, Cheongyeon ficou ali mesmo e ligou para Do-Heon.
— A chamada não pode ser completada, após o sinal você será encaminhado à caixa postal…
— Deve estar em reunião…
Depois de um longo toque, veio a mensagem informando que a chamada não podia ser atendida.
Ele estava tão curioso para ver a reação de Do-Heon. Justo naquele momento não conseguir contato fez a frustração e a ansiedade rastejarem até ele. Cheongyeon mordeu o lábio inferior e baixou os olhos para a foto do ultrassom em sua mão.
Olhando aquele ponto tênue que o médico dissera ser o saco gestacional, no meio do fundo preto, uma lembrança antiga lhe surgiu à revelia.
“Isto o titio Do-Heon também vai usar.”
“Obrigado. Vou usar bastante.”
“Titio, você não gostou?”
“Não. Gostei muito.”
A cena em que Do-Heon, olhando nos olhos da criança, recebia e colocava de bom grado a tiara com orelhinhas de gato ficara marcada em sua memória com muita nitidez. Não sabia bem por quê.
Ele estava muito curioso para saber como Do-Heon trataria uma criança bem menor do que aquela que encontraram na época. Seria seco? Ou um pouco mais carinhoso do que o normal? Ele não conseguia imaginar.
Repassando esses e outros pensamentos, ele queria logo dar a notícia a ele. E queria ver que expressão Do-Heon faria.
— …….
Pouco depois, tendo tomado uma decisão, Cheongyeon guardou a foto no bolso e simplesmente saiu para a avenida principal e pegou um táxi.
Se não conseguia contato, bastava ir até ele. Ele poderia esperar algumas horas, mas naquele momento era um desperdício deixar escapar até aquele curto tempo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna