↫─Capítulo 189
A luz da manhã se infiltrava pelas frestas da persiana.
Cheongyeon, que passara a noite deitado na cama como um morto, conferiu o celular assim que abriu os olhos. Passava pouco das oito.
Alguns segundos depois, ao ver seu próprio rosto abatido refletido na tela apagada, Cheongyeon se levantou.
— Huu.
Assim que se moveu, o enjoo subiu como que por magia. Cheongyeon se apoiou na cabeceira da cama para sustentar o corpo e respirou devagar.
Braços e pernas não tinham força alguma. Não era para menos: desde que voltara de Seongsu-dong com Do-Heon, ele quase não fizera uma refeição decente.
Tudo o que Cheongyeon comera nesse tempo foi bebida e um pouco de fruta. Além de não ter apetite, tudo o que comia lhe revirava o estômago.
“Eu, eu só quero… ir para casa agora. Acho que comi rápido demais e me deu indigestão. Você pode me ajudar a levantar?”
Naquele dia, Do-Heon aparentemente lhe dirigira a palavra sem parar enquanto ele estava caído diante do vaso, mas ele não se lembrava direito. Na hora, ele só pensava em se deitar em algum lugar e descansar logo.
No fim, Do-Heon atendeu ao pedido de Cheongyeon, saiu imediatamente do restaurante e o levou até em casa. O encontro terminou naquele clima conturbado.
Depois disso, sua condição melhorava e piorava várias vezes por dia.
Mas naquele dia ele já acordou mal. A tontura estava especialmente forte e o estômago ardia.
Saindo para a sala, Cheongyeon conferiu de novo, por hábito, o celular que tinha na mão.
Desde cedo tinham chegado mensagens da roteirista, do empresário e de Kim Jihan. Como não era nada urgente, Cheongyeon apenas leu o conteúdo sem responder.
Mais do que isso, era estranho que não houvesse contato de Do-Heon. Desde o dia em que foram juntos a Seongsu-dong, Do-Heon perguntava por ele primeiro todos os dias. Por algum motivo, naquela manhã havia silêncio.
— …Deve estar ocupado.
Ele pensou em ligar primeiro, mas logo mudou de ideia. Como tinha acabado de acordar, sua voz estava rouca demais. Melhor entrar em contato à tarde, quando estivesse melhor.
Naquele dia ele justamente não tinha compromissos, então pretendia ir ao hospital.
Cheongyeon, que vinha aguentando na esperança de melhorar com alguns dias de descanso, sentia o corpo chegando ao limite. Àquela altura, fosse efeito colateral ou o que fosse, parecia que só melhoraria com tratamento médico.
Depois de ficar um tempo sentado à toa numa cadeira, Cheongyeon se levantou para se arrumar e sair.
Mas, antes mesmo de dar alguns passos, sentiu a ilusão de que tudo girava diante de seus olhos e as pernas perderam a força.
— Caramba, isso é sintoma clássico de ressaca.
Cheongyeon zombou dos próprios movimentos ridículos e voltou a se sentar. E, regulando a respiração, ponderou.
No fim, alguns minutos depois, ligou para Kim Jihan.
— O que foi.
Como esperado, Kim Jihan devia estar sem nada para fazer, porque atendeu de imediato.
— O que você está fazendo.
— Estou ocupado. Jogando.
— Você está numa lan house desde de manhã?
O som do teclado se misturava à voz de Kim Jihan.
— Não, jogo em casa. Hoje em dia tem muita gente que me reconhece na rua, então nem posso ir muito à lan house.
— Enfim, quer dizer que você não está ocupado. Então vem até a minha casa.
— Por quê.
— Dirige para mim.
Diante do pedido abrupto de dirigir, houve um breve silêncio.
— Dirigir…? Você pegou uma doença de celebridade das bravas, hein. Ei, seu desgraçado, com um empresário perfeitamente disponível, por que você fica mandando o irmão mais velho, que é como um céu para você, ir e vir desde de manhã?
— É que estou muito mal do estômago. Só me leva até a frente do hospital.
Ele poderia chamar o empresário, mas aí a notícia chegaria em tempo real aos ouvidos de Do-Heon, e ambulância chamaria atenção demais. Ultimamente ele estava especialmente sensível ao feromônio alheio, então pegar táxi também não era conveniente naquele momento.
Naquele instante, dirigir ele mesmo seria o mais seguro, mas seu estômago revirava tanto que era impossível segurar um volante.
— Por quê, por quê. Está doente?
— Parece que sim.
— Ei, eu falei para você maneirar na bebida. Eu tenho gravação à tarde.
Kim Jihan reclamou, socando o teclado como se fosse quebrá-lo.
— Gravação à tarde? Falando nisso, você anda aparecendo bastante na TV.
— Nem me fale. Entrei como fixo em alguns programas de variedades e estou enlouquecido.
— E graças a quem você acha que conseguiu esses fixos?
Cheongyeon se gabou, com os fones sem fio no ouvido e a cabeça deitada sobre a mesa.
— Isso seria… graças ao mestre Yoo Cheongyeon…
Uma voz azeda veio do outro lado da linha.
Kim Jihan entrara algumas vezes nos termos mais buscados depois que, no documentário em que Cheongyeon apareceu, saíram também imagens do DEX e sua atuação atual como streamer ficou conhecida.
Depois disso, como aquela agitação peculiar que ele escondia na época de Idol ficou bem aproveitada nos programas de variedades, ele passou recentemente a participar como fixo em alguns programas.
— Exato. Então vem logo para o estacionamento da minha casa.
— Está muito ruim?
— Meio?
— Haa. Tá bom. Deixa eu lavar o rosto e eu vou, espera. Ah, é verdade, eu também tinha uma coisa para te falar, que bom.
— O que é.
— Dá preguiça de falar por telefone, eu conto quando chegar.
— Quanto tempo você leva para chegar?
— Uma hora?
— …Não dá para ser mais rápido? O empresário vem em vinte minutos quando eu chamo…
— Eu sou seu empresário? Que engraçadinho.
— Tá bom, mas vem logo.
Diante do “uma hora”, Cheongyeon voltou a se deitar sem forças na cama e fechou os olhos.
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— Feromônio e níveis hormonais estão todos normais. E não há alterações no exame de sangue também. Ah, o feromônio está dentro do normal, mas a concentração está um pouco baixa, não é?
O médico folheava o prontuário conferindo os resultados dos exames.
— Por acaso o senhor tomou supressor antes de vir ao hospital?
— Não.
Cheongyeon balançou a cabeça e olhou para o médico com expressão séria. O médico voltou às páginas anteriores do prontuário e começou a reler o conteúdo.
— Vejamos… Recentemente houve perda de apetite e enjoos recorrentes. E também vômito.
— Sim.
— E antes houve efeitos colaterais pelo uso simultâneo de anticoncepcional para ômegas e supressor de feromônio.
— Isso. Será que isso virou problema de novo? Os sintomas são parecidos com os daquela época.
— Para dizer que os efeitos colaterais voltaram… os números dos exames não indicam grandes problemas.
O médico falava comparando com o registro dos exames anteriores de Cheongyeon exibido na tela.
— Então por que estou assim? Já faz algumas semanas.
— …….
— …….
Como o médico se calou com os olhos fixos no monitor, o consultório foi tomado pelo silêncio.
— Por ora não parece ter grande relação com efeitos colaterais. Como outra possibilidade…
— …Como outra possibilidade?
Cheongyeon engoliu em seco encarando o médico.
— É delicado perguntar, por sua profissão ser artista, mas… o senhor tem alguém com quem se encontra regularmente?
— Como?
Quando Cheongyeon devolveu a pergunta, surpreso, o médico limpou a garganta.
— Se tiver, nosso hospital tem também um centro para ômegas, então recomendo que passe primeiro por lá.
— C-centro para ômegas, por quê…?
Interpretando a reação desconcertada de Cheongyeon como confirmação de que havia alguém, o médico começou a redigir o encaminhamento.
— Vamos conversar novamente depois que fizer os exames adicionais no centro para ômegas.
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Graças aos exames já concluídos na clínica geral, o exame seguinte terminou felizmente rápido.
— Hmmm.
No monitor do consultório havia, de novo, registros médicos que Cheongyeon não sabia interpretar.
O médico do centro para ômegas estava sentado com o queixo apoiado na mão, olhando atentamente para Cheongyeon.
Tendo visto seu rosto na consulta e com o nome nos dados do paciente, não havia como não reconhecê-lo.
Cheongyeon achou aquele olhar incômodo, enterrou o boné na cabeça e desviou os olhos.
Ele já ia perguntar se era tão grave assim a ponto de o médico não conseguir falar, quando o médico finalmente abriu a boca.
— Só com um ultrassom detalhado dá para saber exatamente de quantos meses, mas parabéns. É gravidez.
— Como?
— Gravidez. Como ainda está no início, é bom tomar cuidado especial.
Como quem já previa a reação de Cheongyeon, o médico prosseguiu com calma.
Diante daquelas palavras estranhas que rondavam seus ouvidos, Cheongyeon ficou um bom tempo aturdido. E só depois de remoer várias vezes o que ele dissera conseguiu compreender totalmente o sentido.
Mesmo tendo vagamente considerado a possibilidade de gravidez antes, ao enfrentar o resultado na realidade, não era fácil acreditar.
— Não pode ser. Eu… antigamente recebi um diagnóstico, de infertilidade…
— Como não há esse parecer no prontuário, parece não ter sido um diagnóstico feito em nosso hospital. E, mesmo com diagnóstico de infertilidade, não significa que a possibilidade seja nula.
— Então…
— Os desconfortos que o paciente Yoo Cheongyeon vinha sentindo parecem ter sido sintomas da gravidez.
— …….
— Se possível, seria bom retornar junto com o pai da criança. Fazendo exames detalhados de traço e feromônio de ambos os pais, fica mais fácil prever antecipadamente o estado de saúde do feto. Hoje eu recomendo que faça também o ultrassom antes de ir.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna