↫─Capítulo 188
— …….
O museu foi tomado por um breve silêncio. Vários olhares oscilantes percorriam calados Do-Heon e Cheongyeon, lado a lado.
Mas Cheongyeon não se importava com os olhares sobre eles. Ele se assustou por um instante com aquela fala inesperada, mas logo os cantos da boca escondidos sob a máscara subiram, retorcidos.
Ha, o quê. Era isso? Devia ter dito antes.
— Basta eu tirar.
Cheongyeon baixou a máscara até abaixo do queixo e sorriu com os olhos apertados para Do-Heon, como quem pergunta se agora está bom. Então Do-Heon sorriu de volta e assentiu.
— Assim está ótimo.
Uma curva nítida, rara, se desenhou em sua boca. Foi apenas um instante, mas era um sorriso magnífico o bastante para iluminar tudo ao redor.
Cheongyeon pensou que ultimamente ele andava sorrindo com bastante frequência.
— Cheongyeon-ssi. Você não daria um autógrafo?
Nisso, um dos membros do bando, de quem ele mal conhecia o rosto, se aproximou de Cheongyeon.
— Na verdade, quando eu te vi na série pela primeira vez, eu fiquei em dúvida se era mesmo alguém que eu conhecia. Porque combinava demais com o personagem. Já que a gente se encontrou, um autógrafo só…
— Claro. Tem caneta e papel?
Quando Cheongyeon perguntou olhando de propósito nos olhos de Jeon Junho, o rosto dele se contorceu.
— E eu vou saber?
Do-Heon fez um sinal com os olhos para uma funcionária que estava na entrada do corredor. Entendendo o significado, ela trouxe rapidamente caneta e papel e os estendeu a Cheongyeon.
— Então eu também queria um…
Quando Cheongyeon começou a assinar, outra pessoa atrás dele abriu a boca, hesitante.
Como não era nada difícil, Cheongyeon assentiu tranquilamente. Quando o primeiro a pegar o autógrafo pediu também uma foto, Jeon Junho, a alguns passos dali, soltou um suspiro.
Espiando Do-Heon de canto de olho, Jeon Junho transferiu o olhar e fuzilou Cheongyeon, que posava para as fotos.
O clima era bem diferente do de antes, quando ele parecia sempre acuado diante dele. Agora parecia muito mais natural e à vontade. Estava até com o semblante mais luminoso do que na última vez em que se encontraram no museu.
Nesse meio-tempo ele se tornou um ator famoso, cujo nome todos conheciam, então talvez fosse natural que tivesse ganhado confiança, mas Jeon Junho achou desagradável e incômoda aquela imagem desconhecida de Cheongyeon.
Mesmo tendo cruzado olhares uma vez no meio, Cheongyeon apenas sorriu de leve, sem mais se desconcertar ou se esquivar.
Desviando o olhar primeiro pela primeira vez, Jeon Junho olhou para Do-Heon. Ele continuava sendo um alfa perfeito como uma obra de arte. Superior e belo, como se sua mera existência provasse ser dominante. Por isso combinava mais que qualquer um com um museu de arte.
E o olhar desse Do-Heon não se desgrudava de Cheongyeon. Nem uma vez sequer, enquanto Cheongyeon assinava e tirava fotos.
— Vamos indo então.
Cheongyeon, que já tinha terminado até as fotos, se aproximou de Do-Heon. Ele, que esperava com as mãos atrás das costas, voltou a sorrir e começou a caminhar no ritmo de Cheongyeon.
— Você não queria ficar mais?
— Deu fome de repente. Você não está com fome?
Jeon Junho contemplou as costas dos dois se afastando, contendo a duras penas a boca que se torcia.
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Cheongyeon não conseguia esconder o rosto desconcertado enquanto olhava para os pratos vazios diante de si.
— …….
Ele sozinho tinha esvaziado nada menos que três pratos. O problema era que ainda assim tinha a impressão de que conseguiria comer mais.
Com uma expressão aturdida, Cheongyeon baixou a mão sob a mesa e apalpou a própria barriga.
O que é isso? Eu estava com tanta fome assim? Ou será que, como andei comendo tão mal, agora estou compensando tudo de uma vez?
É claro que um homem robusto poderia esvaziar dois ou três pratos, mas, sabendo qual era sua quantidade habitual de comida, Cheongyeon não podia deixar de ficar confuso.
Talvez tivesse exagerado sem perceber por ser um restaurante ao qual voltava depois de tanto tempo. Concluindo que a sensação de saciedade viria logo se esperasse um pouco, Cheongyeon limpou a boca com o guardanapo.
— Você come bem. Quer mais alguma coisa?
Do-Heon também devia estar achando que Cheongyeon comera mais que o normal, porque perguntou olhando os pratos vazios.
Mesmo sabendo que o certo seria dizer que estava bem, Cheongyeon não conseguiu responder de imediato e ficou em conflito.
— …Você já terminou?
— Para mim isto é suficiente. Não se preocupe com a minha refeição, se quiser comer mais, peça.
— Estranhamente hoje a comida desce muito bem. Até de manhã eu não tinha apetite nenhum…
— Se você andou comendo mal esse tempo todo, é natural. Vou ter que dar uma gorjeta ao chef.
Do-Heon respondeu como quem já sabia que ele tinha comido mal nos últimos dias.
— …Stalker.
— Não vou negar.
No meio da conversa, um funcionário do restaurante se aproximou dos dois com um vinho. Cheongyeon, que ia dizer alguma coisa, fechou a boca e ergueu os olhos para o funcionário, como quem pergunta o que houve.
— A refeição foi satisfatória? Como faz tempo que não nos visitam e hoje não pediram vinho, o chef está oferecendo como cortesia. Posso deixá-lo na mesa?
— Ah, obrigado.
Quando Cheongyeon assentiu, o funcionário abriu a rolha e serviu o vinho nas taças diante dos dois.
Olhando o vinho tinto que preencheu a taça transparente, Cheongyeon estalou os lábios. Melhor mesmo pedir mais um prato.
— Então tenham uma boa noite. Se precisarem de mais alguma coisa, sintam-se à vontade para chamar.
— Ah, eu poderia ver o cardápio de novo?
— Claro. Trago imediatamente.
Assim que o funcionário se virou, Cheongyeon ergueu a taça. Como de costume, levou-a à boca para sentir primeiro o aroma, mas, diferente do que esperava, veio um cheiro estranhamente ácido.
— …….
Estancando antes de beber, Cheongyeon pousou a taça.
— O que foi. Não gostou?
— Não está diferente do que a gente costuma beber?
Vendo a reação de Cheongyeon, Do-Heon sentiu o aroma do vinho e tomou um gole.
— Está bom.
— É? Acho que eu comi demais. Meu estômago…
Ao sentir de repente um enjoo, Cheongyeon franziu o cenho e parou de falar.
Ao mesmo tempo, seu estômago começou a revirar. A boca do estômago se contraiu num instante e, de repente, os cheiros da comida e do vinho à sua frente lhe pareceram repugnantes.
— Por que… isso agora.
Cheongyeon pressionou o peito tentando conter a ânsia, mas algo continuava subindo em ondas.
— Cheongyeon-a?
— Eu, estou com dor de barr… Uk!
No fim, cobrindo às pressas a boca com o guardanapo, Cheongyeon se levantou de um salto. E, sem tempo nem de explicar os sintomas, foi rapidamente na direção do banheiro.
— Senhor, aqui está o cardápio…
Cheongyeon passou direto, sem sequer responder ao funcionário que lhe falava. Assim que entrou correndo no banheiro, foi para a cabine com o vaso sanitário.
— Uk… hng.
Desabando diante do vaso, Cheongyeon começou imediatamente a ter ânsia de vômito.
Era como se toda a comida que pouco antes descia suavemente por sua garganta refluísse grudenta, feito uma massa de sujeira.
Do-Heon se aproximou às pressas por trás de Cheongyeon, que gemia de sofrimento.
— Yoo Cheongyeon? Cheongyeon-a, o que houve de repente.
Ele também devia estar assustado, porque se curvou e quase se ajoelhou nos azulejos do banheiro acompanhando Cheongyeon. E, ao vê-lo colocando tudo para fora, tirou um lenço e limpou o canto de sua boca.
— Ah, espera… haa. Está sujo.
— Como é a dor de barriga? Me explica.
Cheongyeon o empurrou e virou o rosto. Mas Do-Heon sustentou teimosamente seu corpo e limpou o líquido ácido que escorria pelo queixo.
— Uhng…!
Mesmo tendo saído pouca coisa, o estômago que se agitava como se ele estivesse enjoado começou a se acalmar um pouco.
— Está com o estômago ruim? Ou foi indigestão?
Do-Heon perguntou olhando para Cheongyeon com uma expressão para além do susto, um tanto pálida.
Então a cabeça de Cheongyeon ficou confusa.
Pensando bem, ultimamente, mesmo sem fazer questão de tomar supressor, quase não saía feromônio. Como não era algo que ele estivesse tentando controlar de propósito, não era um fenômeno natural.
Seis meses antes, quando os efeitos colaterais se agravaram por tomar supressor e anticoncepcional ao mesmo tempo, foi exatamente assim: perdeu o apetite e teve problemas temporários no controle do feromônio.
Mesmo depois de encerrar completamente a relação com Do-Heon e parar o anticoncepcional, vários efeitos colaterais ocorreram simultaneamente por um tempo.
Felizmente, antes de piorar, ele fez tratamento hospitalar continuamente por alguns meses e os sintomas foram gradualmente aliviados. O médico dissera que ele não precisava mais retornar e fazia tempo que estava tranquilo, então ele achava que agora estava tudo bem…
Será que os sintomas daquela época recomeçaram? Mesmo sem ele ter tomado anticoncepcional desta vez?
— Efeito colateral…
Cheongyeon murmurou consigo mesmo, agarrando a barra da roupa de Do-Heon .
— Efeito colateral? Que efeito colateral?
Do-Heon devolveu a pergunta com o rosto endurecido, como quem não entende do que se trata.
— Uk…!
Mas, sem tempo nem para responder, Cheongyeon tapou a boca com a mão diante da ânsia que voltou a subir.
Por um breve instante lhe ocorreu que pudesse ser gravidez, mas os sintomas eram parecidos demais com os efeitos colaterais da vez anterior.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna