↫─Capítulo 187
Cheongyeon protestou dizendo que era absurdo dizer que levaria vinte minutos, mas, como Do-Heon previra, foram exatos vinte minutos até os dois saírem pela porta.
O próprio Do-Heon não pareceu se importar, mas Cheongyeon se sentia injustiçado, e ele tinha lá seus motivos.
Precisou pentear o cabelo de novo, a roupa que tirou para vestir tinha as mangas amassadas e não lhe agradou, então teve de escolher outra, e ainda precisou separar uma bolsa para carregar boné e máscara. Além disso, houve mais atraso porque ele atendeu no meio a ligação de um colega ator.
E, finalmente, quando ia sair, descobriu que as meias eram descombinadas e teve de voltar ao quarto para trocar.
Do-Heon esperou com calma, sem o menor sinal de impaciência, cada vez que Cheongyeon esquecia alguma coisa. Como se fosse algo previsto.
— Ah, sério. Foi por causa das coisas estranhas que o senhor diretor falou que eu demorei para me arrumar.
Depois de conferir cuidadosamente se não havia ninguém observando ao redor, Cheongyeon entrou no carro e culpou Do-Heon à toa.
— Vinte minutos foi bem rápido.
Do-Heon consolou Cheongyeon enquanto ligava o carro.
— Normalmente eu me arrumo e saio em cinco minutos.
— Cinto de segurança.
— Mas você saiu do trabalho? Não está ocupado?
— Tirei meio período.
— …….
Cheongyeon, que colocava o cinto conforme ele dissera, estancou.
Por que era tão absurdo toda vez que ele fingia, com essa naturalidade, ser um assalariado comum?
Resmungando por dentro, Cheongyeon riu baixinho.
Ao se lembrar do cardápio do restaurante em Seongsu-dong que visitava de vez em quando com Do-Heon, logo ficou com fome. Era estranho, porque havia dias que não tinha apetite.
Como era a primeira visita depois do divórcio, ele também estava curioso para saber se a decoração e o menu continuariam iguais.
Era um lugar pequeno, que não recebia grupos, e os assentos eram mais acolhedores que os de outros restaurantes. Graças a isso ele podia sentar-se perto de Do-Heon e desfrutar de uma refeição tranquila, coisa de que Cheongyeon gostava especialmente. E não tinha pratos com crustáceos, que ele detestava.
— Ah. Não precisa reservar?
— Para quê?
Não? Ele achava que antigamente eles ligavam antes.
Cheongyeon inclinou a cabeça. Mas logo afastou a dúvida.
Como não havia como Do-Heon estar errado, achou que sua memória é que devia estar equivocada.
— Ué…?
Mas o destino a que chegaram não era o restaurante, e sim um museu de arte.
Cheongyeon olhou para o prédio que via pela janela do carro e depois voltou o olhar para Do-Heon.
— O que foi?
Do-Heon parecia não entender qual era o problema. Só então Cheongyeon percebeu que os pensamentos dos dois tinham se desencontrado.
Toda vez que vinham àquele bairro, passavam primeiro pelo museu e depois iam ao restaurante, então, de certo modo, aquela era a ordem mais natural.
Talvez por estar com fome, Cheongyeon presumira sem perceber que iriam direto ao restaurante, mas Do-Heon aparentemente interpretou “vamos a Seongsu-dong” como o antigo roteiro de encontro deles.
— Faz tempo que não venho, mudou muita coisa.
Em vez de pedir para dar meia-volta, Cheongyeon decidiu, já que estavam ali, dar ao menos uma volta rápida por dentro.
Como era um lugar de acesso restrito a associados, havia sempre pouca gente, então era um bom local para caminhar sem pressa.
Quando o carro parou no estacionamento aberto em frente ao prédio, Cheongyeon pôs o boné e a máscara. Nesse meio-tempo, Do-Heon desceu e abriu a porta do lado de Cheongyeon.
— Uau, que escultura é essa? Por que é tão grande? Acho que nunca vi nenhuma dessas.
— Pois é.
Cheongyeon olhava ao redor, curioso, para o paisagismo modificado.
Assim que viu a entrada do museu, lembrou-se de Jeon Junho.
Será que ele está bem? Aquele sujeito era insuportável, mas o orgulho que tinha pela arte era genuíno. Lembrou-se vagamente de ter visto, havia pouco, uma matéria em alguma revista elogiando-o como o jovem diretor da nova geração, que abarcava tanto a arte contemporânea quanto as belas-artes.
Ao entrar no museu, cujo prédio formava uma simetria perfeita, quadros enormes estavam expostos imponentemente nas duas paredes.
— Ah, senhor diretor, olá. Faz tempo que o senhor não vem. Precisa do serviço de curadoria?
— Não é necessário.
O funcionário do museu, sem sequer conferir o rosto de Cheongyeon, que o acompanhava, orientou a entrada assim que viu Do-Heon.
Os dois começaram a caminhar lado a lado pela galeria, como quem conhece bem o caminho.
Cheongyeon não sabia apreciar ou estudar pinturas como Jeon Junho, mas ir ao museu com Do-Heon era, para ele, sinceramente prazeroso.
Era bom olhar as obras juntos, e o fato de Do-Heon, sempre de passos rápidos, ajustar o ritmo ao dele ao menos naquele lugar fazia seu coração acelerar.
Ao contrário do exterior, onde Do-Heon era requisitado o tempo todo, dentro do museu, aberto apenas a um número reduzido de pessoas, quase não havia ninguém, então podiam ter um tempo só deles.
— Ah. Eu vou começar a gravar uma série em breve.
Cheongyeon disse parando, como quem lembra de repente.
— Vai ficar ocupado.
— Provavelmente. Sabe qual é o gênero?
— Sei lá. Drama jurídico?
…Como ele adivinhou?
Assustado, Cheongyeon ergueu depressa os olhos para Do-Heon. Aquela expressão estranhamente tranquila o incomodou, e ele teve vontade de fazer uma brincadeira.
— Não é jurídico. É romance. Estão discutindo agora se lançam como impróprio para menores ou se baixam um pouco o nível.
Só então o cenho de Do-Heon se franziu. Ele, que passava os olhos pela descrição do quadro, virou a cabeça bruscamente na direção de Cheongyeon.
— É brincadeira, né?
O clima era de que, se ele dissesse que era verdade, o barraco estaria armado.
— Na verdade é jurídico, sim. Mas como você adivinhou?
— Chutei.
— …….
Como é que alguém chuta e acerta que é um drama jurídico? Nem é um tema tão comum. Estava definitivamente suspeito.
— Quando começam as gravações?
— No mês que vem, mas a agenda exata só saindo. Nessa época eu posso não conseguir atender suas mensagens direito. …Ah, só de pensar em ir e voltar do set já me dói a cabeça.
— Mas as gravações são em Seul, não são?
— E isso você soube como? Chutou de novo?
— Isso.
— Francamente.
Àquela altura, Cheongyeon teve certeza de que Do-Heon já sabia da agenda de sua série.
— Se você sabe de tudo, por que finge não saber? Que temperamento estranho.
— Se eu disser que já sei, pareço um stalker.
— Você é um stalker mesmo.
— Eu apenas tenho muito interesse no ator Yoo Cheongyeon.
— Mas, senhor diretor. Por que você está me olhando desse jeito desde agora há pouco? Tem alguma coisa no meu rosto?
Sentindo de repente um olhar particularmente fixo, Cheongyeon piscou.
— Não. Nada.
— Mentira.
Do-Heon negou balançando a cabeça.
Enquanto trocavam essas bobagens e voltavam a caminhar, o celular vibrou no bolso. Era o empresário.
Ligando a essa hora, será que finalmente saiu a agenda de filmagem?
— Eu vou atender rapidinho e já volto.
Cheongyeon pediu licença a Do-Heon apontando o celular com a tela piscando.
Justamente então avistou uma porta que levava ao terraço externo e atendeu enquanto saía.
— Alô?
— Ator, desculpe incomodá-lo no descanso. Recebi um aviso de que o senhor esqueceu os fones de ouvido e um casaco azul no camarim do estúdio de hoje.
— Ah. Eu esqueci mesmo.
— Eu vou lá amanhã buscar. Avisei para o senhor não achar que perdeu.
— Obrigado. Ah, é verdade, e a agenda de gravação ainda não saiu, né?
— Ainda não. Assim que confirmar eu aviso imediatamente!
A ligação terminou mais cedo do que ele esperava. Cheongyeon guardou o celular no bolso e ergueu a cabeça. Nesse momento, através do vidro, as pessoas que estavam lá dentro entraram em seu campo de visão.
Sem que ele soubesse quando tinham aparecido, Jeon Junho e alguns de seus conhecidos caminhavam pela galeria.
Cheongyeon costumava chamá-los intimamente de “o bando dos filhinhos de papai”. Desde que entrara ali, ele tinha considerado a possibilidade de encontrá-los, mas, quando de fato aconteceu, ficou desconcertado.
Comparado ao quanto ele mesmo tinha mudado, o bando dos filhinhos de papai, ao menos por fora, parecia igual a antes.
Eles usavam roupas de grifes cujos logos não apareciam e passavam o dia inteiro falando dos negócios que herdaram dos pais, de viagens e de itens de coleção.
E pesquisavam de que forma traçar limites e humilhar pessoas que, como Cheongyeon, ascenderam socialmente por sorte.
Era um mistério por que antes ele morria de vontade de se enturmar com eles.
Cheongyeon ficou observando por um instante enquanto eles riam e conversavam do outro lado do vidro. Então, ao ver Jeon Junho se aproximando da direção onde Do-Heon estava, voltou às pressas para dentro do museu.
Jeon Junho andava tão rápido que já estava grudado ao lado de Do-Heon.
— O que o senhor faz por aqui? Desde a última vez, em Apgujeong, eu não tinha notícias e estava curioso. Veio de novo por causa de alguma obra? Falando nisso, parece que o senhor diretor sempre vem sozinho quando vê obras.
Já tendo se encontrado com ele diversas vezes antes, ele o cumprimentou com entusiasmo e despejou assuntos que só os dois conheciam.
Apesar de ele ter se aproximado bastante, com boné e máscara, eles não pareciam reconhecer Cheongyeon.
Aliás, “de novo”? Quanto e até onde ele andou por aí sozinho esse tempo todo? Um sujeito que nem tem interesse em arte.
— Não. Hoje foi só uma visita.
— Que interessante encontrá-lo aqui. Já que nos vimos depois de tanto tempo, quer jantar conosco mais tarde?
— O jantar…
— Uau, faz tempo mesmo!
No instante em que Do-Heon ia abrir a boca, Cheongyeon se meteu de repente. Então os olhares do bando dos filhinhos de papai se voltaram para ele.
— E este é quem…
Diante do olhar azedo de Jeon Junho, que o examinava de cima a baixo com a boca estranhamente rígida, Cheongyeon puxou a máscara e a baixou por um instante até abaixo do queixo.
— Ah… Yoo Cheongyeon… -ssi?
Quando ele finalmente reconheceu quem era, Cheongyeon abriu um sorriso e voltou a colocar a máscara.
Jeon Junho fez uma expressão de “por que você está saindo daí?”.
Ao ver aquele rosto tomado de surpresa, ele de repente se irritou com a atitude de Do-Heon, que conversava com Jeon Junho como se nada fosse.
— Quem deixou você entrar aqui? Não é qualquer um que entra.
Mesmo o museu não sendo dele, Jeon Junho se exaltou como da última vez. Era um ser impressionantemente constante.
— O senhor diretor gosta muito de arte, antes e agora. Toda vez que a gente se encontra é num museu.
— E, na mesma medida em que gosto, não costumo abrir a qualquer um.
— Justamente porque me disseram que não é qualquer um que vem, hoje eu vim com o Do-Heon-ssi.
— …Vocês dois juntos?
Só então, percebendo o motivo de Cheongyeon ter conseguido pôr os pés ali, Jeon Junho olhou alternadamente para os dois.
— Vocês dois… estão namorando de novo?
Alguém de rosto bastante familiar, do bando afastado alguns passos, puxou conversa.
Diante daquela pergunta direta, Cheongyeon estancou por um instante, sem saber o que responder.
— Ainda não…
— Estamos numa fase de cortejo da minha parte.
Enquanto Cheongyeon escolhia as palavras, Do-Heon respondeu como quem intercepta.
E conferiu o relógio de pulso, como se algo o desagradasse.
— Vamos indo?
— Já? A gente chegou faz pouco…
Cheongyeon achou que Do-Heon estava mudando de assunto de propósito por causa de Jeon Junho. Do contrário, não haveria razão para propor de repente sair de um museu em que tinham entrado havia apenas uns vinte minutos.
Então devia ter acontecido alguma coisa entre ele e Jeon Junho nesse meio-temp…
— Por causa da máscara.
— Como?
— Porque é uma pena não poder ver seu rosto o tempo todo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna