↫─Capítulo 186
Cheongyeon fechou e abriu os olhos com força várias vezes, achando que estava vendo coisas. E a cada vez Do-Heon continuava ali, no mesmo lugar.
Ele estava curioso para saber como ele chegara em casa antes dele, mas naquele momento não tinha energia para apontar cada detalhe insignificante.
Depois de olhá-lo de relance, Cheongyeon passou direto por ele para destravar a fechadura.
— Vamos conversar um pouco.
Do-Heon se aproximou rapidamente.
— Agora eu não quero.
— Cheongyeon-a.
Com medo de que ele segurasse seu braço ou entrasse atrás dele, Cheongyeon entrou às pressas assim que a porta se abriu.
Ao contrário do que temia, mesmo diante daquela ignorada explícita, Do-Heon permaneceu ali, plantado, até a porta se fechar.
— …….
Ele esperava que ele batesse na porta ou tocasse a campainha pedindo para abrir, mas, mesmo depois de um bom tempo, o interior da casa permaneceu em silêncio.
— Haa.
Por algum motivo, seu estômago revirou de novo. Cheongyeon regulou a respiração e levou até a cozinha a marmita de frutas que o empresário lhe dera.
Já estava com a disposição no chão e, ainda por cima, os nervos ficaram à flor da pele por causa do que ouvira no camarim.
Mesmo querendo comer algo, continuava sem apetite e só sentia enjoo.
A transferência de Do-Heon, os efeitos colaterais do anticoncepcional, a tontura, o enjoo.
Várias situações e fenômenos se misturavam e lhe reviravam o estômago. Ele tinha certeza de que não estava num estado normal, mas se sentia frustrado por não saber o que fazer de imediato.
Cheongyeon guardou as frutas na geladeira e lavou o rosto no banheiro.
Mas toda a sua atenção continuava voltada para o lado de fora da porta.
No fim, sem aguentar nem alguns minutos, Cheongyeon foi até a porta, abriu-a uma fresta e olhou para fora.
— Por que você não foi embora?
Assim como quando ele entrou, Do-Heon continuava parado exatamente no mesmo lugar.
— Porque, se eu esperar, você pode sair.
— …….
— Foi assim nos Estados Unidos.
Do-Heon respondeu com naturalidade, sem repreender Cheongyeon por estar agindo de forma estranha de repente. Cheongyeon achou bom ele não ter perguntado nada.
Ele devia ter trocado de roupa na empresa nesse meio-tempo, porque, diferente do estúdio, agora Do-Heon estava com gravata e paletó impecáveis.
— E se eu não tivesse saído?
— Eu esperaria até você sair.
— …….
Diante daquela resposta dócil, Cheongyeon ficou sem palavras. Com Do-Heon tão obediente, ele não conseguia se acostumar.
— Não sei por que você está com raiva, mas eu gostaria pelo menos de ter a chance de conversar.
— Você não tem nada a me dizer?
— Dizer o quê.
Quando Do-Heon devolveu a pergunta como quem não sabe de nada, Cheongyeon ficou confuso.
Ele não veio dizer que vai transferir o local de trabalho para o exterior? Então veio por quê?
Seria simplesmente um mal-entendido dele? Afinal, ele não ouvira da boca de Do-Heon que ele se mudaria.
A mão de Cheongyeon na maçaneta foi apertando cada vez mais. De tão tenso, sua palma parecia suar.
Na hora de perguntar diretamente se ele ia deixar a Coreia, sua boca não se abria.
— …Não é nada.
— Por que a Moon Heejin estava lá? Ela disse alguma coisa para você?
Do-Heon parecia ter concluído que Cheongyeon estava estranho por causa de Moon Heejin. Rigorosamente falando, foi por causa do que ela dissera que sua cabeça ficou barulhenta, então era verdade.
— Entra um pouco.
Cheongyeon recolheu a cabeça da fresta da porta, abriu-a por completo e fez sinal para Do-Heon.
Ele entrou imediatamente, antes que Cheongyeon mudasse de ideia. E, mantendo o rosto impassível, girou os olhos explorando a casa.
Era um mistério por que, toda vez que entrava no espaço dele, Do-Heon observava cada canto de forma exagerada, como quem procura as diferenças entre duas figuras.
Quando Cheongyeon fechou a porta, ele voltou a olhar para Cheongyeon. Era o gesto de quem cobra: conta logo o que a Moon Heejin disse.
Diante disso, Cheongyeon relembrou o momento em que Moon Heejin aparecera de surpresa enquanto ele se preparava para a gravação.
Do-Heon parecia convicto de que, como antes, ela tinha implicado com Cheongyeon ou o ameaçado, mas foi quase o contrário.
Como ficara muito surpreso ao ver Moon Heejin naquele momento, ele não lembrava com exatidão o que ela dissera, mas parece que ela explicou primeiro por que tinha ido ali naquele dia. Que tinha um motivo legítimo, como pessoa ligada à loja de departamentos.
Em seguida, Moon Heejin sustentou o argumento de que, pensando bem, a relação dela com Cheongyeon não tinha sido tão péssima assim. Era a primeira vez que Moon Heejin tratava Cheongyeon com tanto cuidado.
Depois de um tempo despejando amenidades vazias, Moon Heejin estava dizendo algo com a insinuação de que “parece que o Do-Heon acha que nossa relação é ruim, então não seria melhor desfazer esse mal-entendido?” quando Do-Heon irrompeu no camarim.
Portanto, com Moon Heejin, na prática não tinha acontecido nada.
— No camarim não aconteceu nada mesmo. Eu me assustei porque apareceram duas visitas sem avisar, mas só isso.
É claro que Do-Heon não parecia acreditar.
— Você estava chorando.
— Entrou poeira no meu olho.
— Não sei o que ela disse, mas, se te incomodou, eu peço desculpas em nome dela. Eu disse para ela nunca mais falar com você.
Cheongyeon, que brincava com a própria gola, estancou.
— Você disse isso mesmo?
— Disse.
— …….
— Por quê. Você queria ser amigo dela e eu atrapalhei?
— Que é isso. É difícil acreditar que o senhor diretor tenha dito uma coisa dessas.
— Mas é verdade.
Sem encontrar o que responder, Cheongyeon apenas assentiu de leve.
Um breve silêncio se instalou entre os dois.
— Parece que você anda muito ocupado. É difícil te ver.
Do-Heon puxou conversa primeiro. Antigamente era ele que não suportava o silêncio e o quebrava, mas ultimamente parecia ter sido o contrário.
— …Pois é.
— Você sabia? Quando não vem a mensagem que a gente espera, a gente passa a suspeitar de forma irracional que o celular quebrou.
— Ah, desculpa por não conseguir entrar em contato direito. Ando enlouquecido mesmo…
Cheongyeon se justificou de forma atrapalhada.
— Sinceramente, não é agradável.
— …….
— Mas, quando penso que antes você é que sentia isso, prefiro ser eu a esperar.
Por que minha garganta fecha assim. Sentindo a boca secar de tensão, Cheongyeon umedeceu o lábio inferior com a língua.
— E, se tiver algo de que você não goste, me diz.
Aquela mudança dele, dobrando o orgulho sem hesitar, ainda era estranha, e Cheongyeon com frequência ficava desconcertado.
Era uma emoção inédita, mas, se fosse para classificar, estava mais para agradável.
— Não tem nada disso.
— Então por que você entrou direto ao me ver agora há pouco?
— Sei lá. De repente eu não quis ver a sua cara.
— …….
— Às vezes acontece quando eu vejo o senhor diretor.
Dizendo isso com um sorriso brincalhão, Cheongyeon percebeu que os cantos de sua boca já estavam erguidos.
Pouco antes tudo parecia precário e sem fundo.
Desde o momento em que começou a conversar com Do-Heon, o humor sombrio, a visão embaçada e o estômago revirado ficaram todos bem. Como se nada jamais tivesse estado instável.
Os nervos, que havia dias estavam à flor da pele a ponto de ser insuportável, também se arredondaram, e as emoções relaxaram. A ansiedade de que ele fosse embora de repente também evaporou sem que ele percebesse.
Diante daquela mudança inédita, Cheongyeon se sentiu estranho consigo mesmo.
— Mas, hã… por que você foi ao set mais cedo?
Percebendo que Cheongyeon estava de algum modo diferente do habitual, Do-Heon abriu a boca observando seu semblante.
— Por causa da Moon Heejin.
— E como você acabou usando aquele boné esquisito?
— …Boné esquisito é exagero. Foi feito para o workshop da empresa.
Do-Heon recitou exatamente o que o secretário Shim dissera, para deixar claro que não era nada esquisito.
— Você deve ter gostado dele.
— Não. Eu sei que é péssimo, mas era o único que eu tinha para usar.
Então ele usou mesmo sabendo, com toda a cara de pau.
— Eu já pensava nisso antes, mas o senhor diretor é meio carente de atenção.
— Carente de atenção?
Uma das sobrancelhas de Do-Heon se ergueu, como quem pergunta o que é isso.
— Existe isso, sim. Acho que agora eu entendo o que o senhor diretor sentia quando criticava a minha roupa…
Cheongyeon murmurou com voz grave, lembrando-se do boné escrito “Diretor Executivo da JT Eletrônicos ^^”.
— Curiosamente, eu tive um dia em que acho que entendi o que você sente ao ser criticado.
Do-Heon sorriu de canto e olhou para Cheongyeon.
O peito, que tinha se acalmado, pareceu revirar de novo, e Cheongyeon desviou o olhar sem perceber.
— Hum. Enfim, você quer um chá? Ou umas frutas…
Virando-se desajeitadamente, Cheongyeon foi para a cozinha como quem foge.
— Que tal a gente sair. Chá dá para tomar fora.
— Por quê?
— Porque, se continuarmos em casa, acho que não vou conseguir te deixar em paz.
Do-Heon conferiu o relógio de pulso e soltou aquela frase constrangedora com toda a naturalidade.
— A gente se vê depois de tanto tempo e só rolar pelados na cama é um desperdício.
— Isso…
Cheongyeon sentiu o rosto esquentar e limpou a garganta.
Seu coração batia tão rápido que ele achou que o som chegaria até os ouvidos de Do-Heon.
Quem estava se agarrando era Do-Heon, então era injusto que só ele ficasse aflito.
Ainda assim, não era exatamente ruim: era uma emoção difícil de explicar.
— Se você não se importa de ficar só na cama, para mim é melhor ainda.
Do-Heon, que sem que ele percebesse tinha se aproximado por trás, sussurrou baixo em seu ouvido. Seu hálito quente tocou a nuca de Cheongyeon e arrepiou seus pelos.
Naquele dia, o feromônio de Do-Heon parecia especialmente doce. A ponto de ele querer fechar os olhos, enterrar o rosto no corpo dele e implorar por mais.
— Então, que tal irmos a Seongsu-dong depois de tanto tempo?
No instante em que Do-Heon pousava a mão na cintura de Cheongyeon, este falou rapidamente.
— Seongsu-dong? Ótimo.
Sem esconder a decepção na voz, Do-Heon beijou de leve os cabelos de Cheongyeon.
Em algum momento, sempre que ele fazia esses contatos triviais, cada canto do corpo de Cheongyeon formigava.
— Quando saímos?
— Uns cinco minutos?
Ele pretendia trocar de roupa, porque não gostou da que vestia desde o estúdio. Diante da resposta de Cheongyeon, Do-Heon assentiu e se sentou numa cadeira da mesa. E murmurou, como quem conhece bem:
— Vai levar vinte minutos.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna