↫─Capítulo 185
Mesmo diante do grito afiado de Moon Heejin, Cheongyeon saiu do camarim sem olhar para trás. Porque temia que as pessoas percebessem a confusão e se aglomerassem ali.
Depois de fuzilar por um instante a porta fechada, o olhar de Moon Heejin logo se voltou para Do-Heon.
Ela examinou mais uma vez, com atenção, os trajes de Do-Heon. Por mais que olhasse, não era o de sempre, que insistia em ternos formais de forma quase obtusa.
Ainda por cima, de boné ridículo, ajudando no set de gravação de um mero ator. O que teria acontecido nesse tempo?
— Todo mundo já sabe que você vai ser transferido para a filial no exterior em breve, que vento te deu na cabeça para estar aqui brincando de servir ator?
Moon Heejin achava que Do-Heon, enfeitiçado por Cheongyeon, acabaria sujando o nome da família.
— Ah. É para ver bastante o rosto do Cheongyeon-ssi antes de ir?
Ela perguntou de braços cruzados, com um olhar afiado, como quem não entende nada.
— E você, por que está aqui.
— Eu vim por causa de assuntos da loja de departamentos. Responde o que eu perguntei. Indo para os Estados Unidos ou para a Europa, você sabe que é perda de tempo ficar aqui numa temporada movimentada por causa da transferência.
— O que você disse ao Cheongyeon.
— Eu já falei que não disse nada!
Moon Heejin gritou, irritada.
— Eu posso citar vários motivos para estar aqui, mas e você? Não me diga que, com esse seu temperamento, você vai largar aquele desempenho todo para ficar perseguindo o Yoo Cheongyeon o dia inteiro.
Do-Heon deu de ombros, como quem não tem paciência para continuar a conversa.
— Se você não disse nada, é melhor continuar de boca fechada.
— O quê…?
— Se você não for boba, deve saber. Que eu ainda estou aguentando muita coisa.
— Deve haver algum mal-entendido, mas eu vim aqui sem segundas intenções, foi por causa da loja de depart…
— Não importa por que motivo você veio.
Interceptando a fala, Do-Heon sacudiu a poeira da roupa e olhou de cima para Moon Heejin.
Apesar de estar visivelmente com aparência de um mero assistente de equipe, ele continuava exalando um ar autoritário e gélido.
Moon Heejin recuou sem perceber e se calou.
— Você pode aparecer aos meus olhos, mas não aos do Cheongyeon.
Do-Heon advertiu.
— Ele…
Diante daquela profunda humilhação, o lábio inferior de Moon Heejin tremeu.
— Ele mandou você fazer isso?
— Mandou.
Do-Heon disse aquela mentira com toda a naturalidade.
— E daqui em diante eu pretendo fazer até de morto se o Cheongyeon mandar.
— …….
— Só que o Cheongyeon disse que está de saco cheio das pessoas desta família. Então viva quietinha, como quem não existe. É meu último aviso.
— Você, você…
Sem palavras, Moon Heejin apertou a mão que segurava a bolsa e apenas mexeu os lábios.
— Ao menos preserve a posição que você tem agora.
Do-Heon falou como se pudesse tomá-la a qualquer momento, se quisesse. E, pela experiência dos últimos meses, Moon Heejin sabia que aquilo não era brincadeira.
Era a primeira vez que Do-Heon demonstrava tão abertamente hostilidade contra a família. Ele nunca misturava questões pessoais à gestão da empresa. Sempre pusera o lucro à frente das emoções.
Mas agora ele estava colocando sentimentos pessoais à frente como nunca. E por isso parecia haver ainda menos margem para negociação.
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— Ei! Por que você está indo para esse lado?
Logo depois do fim da gravação, Min Hyerin avistou Cheongyeon prestes a sair e se aproximou.
— Você precisa tirar a maquiagem antes de ir. O camarim é no segundo andar.
Ela achou que Cheongyeon tivesse esquecido a mudança de andar no meio da gravação, já que filmaram circulando por vários sets do prédio.
— Não, vou trocar de roupa no banheiro daqui mesmo e já ir embora.
— E a maquiagem?
— Tiro no carro com lenço demaquilante. E não tenho nada para pegar lá em cima.
Na verdade, ele se sentia constrangido pela possibilidade de Do-Heon e Moon Heejin ainda estarem plantados lá, do jeito que estavam quando ele saiu do camarim.
Felizmente, os outros membros da equipe pareciam não saber de nada. Cheongyeon queria, na medida do possível, sair do estúdio em silêncio.
— Ah, tá! Então eu aviso o empresário que você já está saindo.
— Sim, obrigado.
Cheongyeon tirou uma roupa qualquer das peças de reserva na arara.
— Ator, obrigado pelo trabalho.
— Vá com cuidado.
No caminho até o banheiro, com a roupa na mão, membros da equipe que ele cruzava o cumprimentavam.
Cheongyeon retribuía baixando a cabeça e, ao entrar no banheiro, foi até uma das cabines.
Só quando finalmente ficou sozinho o sorriso que ele mantinha a duras penas sumiu de seu rosto. Porque lhe voltou nítida a frase que ouvira do lado de fora da porta do camarim.
“Todo mundo já sabe que você vai ser transferido para a filial no exterior em breve, que vento te deu na cabeça para estar aqui brincando de servir ator?”
“Ah. É para ver bastante o rosto do Cheongyeon-ssi antes de ir?”
Pouco antes de entrar em cena, assim que saiu às pressas do camarim, Cheongyeon percebeu que tinha deixado lá o impresso com o conceito.
Ele ia entrar de novo e chegou a segurar a maçaneta, mas, no instante em que ouviu a voz de Moon Heejin, seu corpo congelou.
Cheongyeon sentiu um choque como se tivesse levado uma paulada na nuca.
Vai ser transferido para a filial no exterior? Assim, de repente?
“Ator. Precisamos entrar em cena agora…”
“…Ah, sim, sim. Já vou.”
Quando o membro da equipe se aproximou e sussurrou, Cheongyeon recobrou o juízo com um compasso de atraso e assentiu.
Em seguida, pareceu-lhe que as vozes de Do-Heon e Moon Heejin se alternavam, mas foram encobertas pela insistência do funcionário e ele não conseguiu ouvir o teor.
Se dependesse de sua vontade, teria aberto a porta na hora e exigido saber o que era aquilo. Mas, sob qualquer ângulo, não era uma situação em que ele pudesse fazer isso.
Se ele agisse de forma impulsiva e chamativa naquele momento, havia a possibilidade de alguém reconhecer Do-Heon, e ele não podia atrasar a gravação por causa disso.
E assim ele entrou de imediato diante das câmeras, mas, sinceramente, sua memória estava tão embaçada que ele nem sabia como terminou as gravações daquele dia.
Mesmo sabendo que era importante, por ser um anúncio que ficaria na fachada externa da loja Hwamyeong, Cheongyeon perdeu a concentração várias vezes e sofreu.
— Ei, já trocou de roupa? O empresário está esperando lá embaixo.
— Entendi. Você também pode ir para casa.
— Sim! Bom trabalho.
Quando ele terminou de se trocar e saía, Do-Heon começou a ligar.
Cheongyeon olhou em silêncio para o celular vibrando e, em vez de atender, apertou o botão de encerrar. E, em vez de ir ao camarim do estúdio no segundo andar, onde Do-Heon provavelmente esperava, foi direto para o estacionamento.
Ele não tinha como ter certeza baseado apenas no que ouvira de passagem de Moon Heejin, mas naquele momento não tinha coragem de encará-lo.
Se perguntasse se ele ia mesmo para a filial no exterior e ouvisse um sim, não saberia como reagir.
Não me diga. Será que ele veio pessoalmente ao set hoje justamente para falar disso?
Quando o pensamento chegou ali, seu estômago revirava a cada passo. O corpo não tinha força e ele parecia prestes a desabar no chão a qualquer momento.
— Ator, vai direto para casa?
O empresário cumprimentou Cheongyeon com simpatia ao vê-lo entrar na van e ligou o carro.
— Sim. Vou para casa.
— Como me disseram que o senhor quase não comeu no café da manhã hoje também, comprei salada e uma marmita de frutas. Coma quando chegar em casa. Dieta é bom, mas a saúde vem primeiro.
O empresário parecia achar que Cheongyeon estava de dieta por causa da série que gravaria em breve. Antes fosse isso: ultimamente ele não tinha apetite nenhum e nem sentia fome direito.
Mesmo quando decidia comer, a comida não descia, como se sua garganta estivesse obstruída.
Seriam os efeitos colaterais de tomar supressor e anticoncepcional ao mesmo tempo, como da outra vez? Os sintomas eram parecidos, o que lhe dava um mau pressentimento.
Será que eu devia arrumar tempo e ir ao hospital? Faz um bom tempo que parei o anticoncepcional…
Cheongyeon engoliu um suspiro olhando para o copo com frutas da estação já cortadas.
No caminho para casa, ao pesquisar na internet, viu que realmente choviam matérias sobre o investimento concentrado da JT Eletrônicos nas filiais no exterior.
Pensando bem, Do-Heon tinha experiência de trabalho na filial americana antes do divórcio, então Moon Heejin não estava dizendo um absurdo.
Além disso, mesmo ele, que não entendia nada de negócios, via que havia boas notícias vindo do exterior; Do-Heon, tão ambicioso nos negócios, não perderia essa chance.
Então talvez ele tivesse mesmo ido hoje ao set para falar disso…
Mas então por que ele se declarou nos Estados Unidos? Não seria para pedir que eu largue o trabalho e vá junto para o exterior? Ou então…
— …Ator.
— …….
— Ator? Está tudo bem?
— Hã?
Cheongyeon, mergulhado em pensamentos sombrios, despertou de repente com o empresário chamando.
A van já estava em frente à casa dele.
— Ah… Eu estava distraído, não ouvi.
— O senhor anda com a aparência ruim. Se a agenda estiver pesada demais, quer que a gente tente ajustar?
— Não é isso. Hoje eu vou entrar e comer direito.
— A Hyerin deixou remédios de emergência no banco de trás, se sentir alguma coisa toma conforme o sintoma. Acho melhor entrar e descansar.
— Sim. O senhor também vá para casa logo.
Cheongyeon pegou suas coisas às pressas e desceu da van.
O empresário sempre saía do estacionamento só depois de vê-lo entrar no prédio, então ele abriu a porta a passos largos, entrou e apertou o botão do elevador.
Ultimamente ele sofria porque não conseguia entender o próprio estado. Passava o dia inteiro com sono e de repente ficava tão sensível que não pregava o olho à noite; e ficava sem apetite, a ponto de o cheiro de comida lhe causar repulsa.
Depois de voltar para a Coreia, ele achou que teria mais tempo para pensar a fundo sobre sua relação com Do-Heon, mas o corpo não colaborava em nada. Por ora, já era pesado o bastante dar conta da agenda de cada dia.
E, ainda por cima, ouvir que Do-Heon talvez transferisse seu local de trabalho para o exterior fez o humor, já baixo, afundar sem fim.
Nem tinha ouvido dele que estava confirmado, e ainda assim seus olhos ardiam só de pensar.
Cheongyeon não queria mostrar a Do-Heon que estava tão abalado.
— Você está chegando agora?
Assim que as portas do elevador se abriram, uma voz familiar ecoou pelo corredor. Cheongyeon, de cabeça baixa, ergueu os olhos, sobressaltado.
E encontrou o olhar de Do-Heon, de pé diante da porta de casa.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna