↫─Capítulo 184
— É o único boné que temos.
O secretário Shim baixou a cabeça, como quem não tem desculpa.
Ao redor havia apenas prédios residenciais e comerciais enfileirados; nem procurando com lupa se acharia uma loja de roupas onde comprar um boné novo.
— Se o senhor puder aguardar um instante, eu vou até a estação e compro um boné…
— Deixa. A Moon Heejin já parece estar aqui, então vamos logo entrar.
Do-Heon cortou a fala do secretário Shim, que parecia pronto para correr até a avenida principal a qualquer momento.
E, enterrando o boné na cabeça, olhou de esguelha para o estacionamento do primeiro andar do estúdio. O carro conhecido de Moon Heejin estava estacionado ali.
As pupilas do secretário Shim oscilaram um pouco ao ver Do-Heon de boné. Mas ele logo recompôs a expressão e assentiu.
— Então eu o levo até o estúdio…
— O secretário fica aqui.
— Como? O senhor pretende ir sozinho?
O secretário Shim ergueu a cabeça, desconcertado.
— Dois alfas dominantes do tamanho de uma montanha andando juntos não chamariam atenção demais?
— Isso…
Sinceramente, com aquele boné, dava na mesma se Do-Heon andasse sozinho ou acompanhado — foi o que rondou a boca do secretário Shim. Mas ele não podia fazer uma observação tão irreverente ao seu superior.
— Fique aguardando.
Enquanto o secretário Shim escolhia as palavras, Do-Heon fez um gesto para que ele entrasse no carro.
— …Entendido.
Sem alternativa, o secretário concordou. Ajeitando o boné bem enterrado, Do-Heon caminhou sozinho em direção ao prédio.
Ao se aproximar do prédio, viu pessoas com cara de equipe circulando apressadas por toda parte.
— Chefe! O figurino acabou de chegar, onde eu ponho?
— Sobe com as roupas, pendura nos cabides na ordem da filmagem e tira foto.
— Ah, sim.
Pelo visto, todos os andares daquele prédio eram estúdios. Equipes que filmavam em outros andares se misturavam, e escadas e elevadores viviam cheios.
Ao contrário do que ele previra — que seria preciso verificar a identidade com documento, como numa empresa —, a entrada no prédio era livre.
Além disso, como cada um estava enlouquecido com seu próprio trabalho, ninguém prestou atenção em Do-Heon. O clima era tal que, mesmo se ele tivesse vindo com o secretário Shim, não teriam chamado atenção.
Segurança frágil. Pensando isso, Do-Heon subiu ao segundo andar para procurar Cheongyeon.
Ali também estavam em plena preparação, e o barulho era tanto que ninguém saberia dizer quem entrava ou saía.
— Ah, quem foi que não guardou isto? Está de brincadeira?
— Acho que o pessoal do horário anterior tirou fotos e deixou aí.
— O quê? Eles enlouqueceram? Venderam a educação onde?
— O-o que a gente faz?
— Liga para o administrador. Pede o contato de quem usou no horário anterior. E, por ora, desmonta isto aqui e tira logo da frente.
— Sim!
Várias vozes estridentes ecoavam dentro do estúdio. Os membros da equipe carregavam coisas rapidamente.
— Que loucura. A pele do Yoo Cheongyeon é ótima demais. Ao vivo é ainda melhor.
— Você viu? Quando? Como?
— Fui ao camarim conferir o figurino agora há pouco e vi.
— Ah, e não me levou junto. Seu traidor.
Os assuntos eram desconexos e dispersos, mas talvez por trabalharem com transmissão, Do-Heon pensou que eles tinham bom olho para pessoas.
— Ei.
Enquanto Do-Heon escutava havia um tempo as conversas da equipe, alguém lhe deu uns toques.
— Leva isto aqui para o depósito e volta.
Ao virar a cabeça, um homem que ele nunca vira empurrou de repente uma caixa enorme de objetos de cena para Do-Heon.
— Vai ficar aí parado por quê? Você até parece forte. Faz jus ao tamanho.
— …….
Fazer jus ao tamanho? Diante daquela grosseria, as sobrancelhas densas de Do-Heon se contorceram.
Mas não havia necessidade de causar confusão ali. Talvez fosse até melhor parecer um membro da equipe.
Do-Heon recebeu a caixa em silêncio e se virou. Estava olhando ao redor tentando adivinhar onde ficaria o depósito quando o homem que acabara de falar com ele tocou de novo seu ombro.
— Ei. Nem cumprimenta?
— …….
— Poxa, hoje em dia é preciso ensinar até o básico para a molecada.
Do-Heon baixou a cabeça a contragosto, num cumprimento.
— JT Eletrônicos… Diretor Executivo? Que boné mais engraçado.
Depois de ler as letras no boné de Do-Heon, o homem soltou uma risada de escárnio.
— Isso, sonhar grande é sempre bom.
O homem se virou às gargalhadas e saiu em direção à entrada.
Do-Heon ficou parado por um tempo, olhando na direção em que o homem sumira.
— Boné engraçado…?
Os cantos de sua boca se torceram levemente enquanto murmurava baixinho consigo mesmo.
Diante daquela humilhação inédita em toda a sua vida, a mão de Do-Heon apertou a caixa.
— Com licença, dá para liberar a passagem um instante?
Sem tempo nem para mergulhar naquela sensação desagradável, alguém apontou que Do-Heon estava bloqueando o caminho e passou.
Do-Heon se afastou para o lado e começou a procurar apressadamente o camarim onde estaria Cheongyeon.
O que o homem dissera sobre levar a caixa ao depósito já estava apagado de sua cabeça.
Dentro do estúdio havia várias salas. Diante da porta da mais afastada, estava de pé uma mulher de terno, algo destoante daquele ambiente. Convencido de que ela era assistente de Moon Heejin, Do-Heon caminhou rapidamente naquela direção.
Como previsto, na parede ao lado da porta havia uma placa escrito “camarim”.
— No momento há uma visita, não é possível entrar.
Nisso, a mulher de terno o barrou.
Ela devia ter concluído que ele, de boné enterrado e segurando uma caixa, era um membro da equipe.
Não dava para ouvir com clareza, mas de dentro do camarim vinha o zumbido de vozes.
O fato de a assistente de Moon Heejin estar guardando a porta significava que Moon Heejin já estava a sós com Cheongyeon.
Do-Heon ficou aflito. Sem perceber, esqueceu que não devia causar confusão e largou a caixa no chão como quem a joga.
— Eu disse que não pode entrar!
A assistente tentou barrá-lo, mas antes disso Do-Heon girou a maçaneta por conta própria.
— O que é isso? Eu falei para não deixar ninguém entrar! Você não me entendeu?
Assim que ele entrou no camarim, ressoou o grito estridente de Moon Heejin.
— Des-desculpe, presidente. Eu disse para ele não entrar, mas este homem abriu a porta por conta própria…
Do-Heon viu Cheongyeon e Moon Heejin de pé, frente a frente, com uma mesa entre eles.
O problema era que Cheongyeon estava de cabeça baixa, enxugando os olhos com a mão.
O rosto de Do-Heon se franziu de uma vez.
— Por que você está chorando. Aconteceu alguma coisa?
Ele perguntou com voz baixa enquanto avançava a passos largos até Cheongyeon.
— Ué? Senhor diretor?
— …Moon Do-Heon?
Cheongyeon e Moon Heejin ergueram os olhos ao mesmo tempo para Do-Heon de boné, com expressões de quem não sabe se acredita. Os dois estavam surpresos, quase pasmos.
— O que o senhor diretor faz aqui…
— Do-Heon, o que você veio fazer aqui… Espera, que trajes são esses?
Moon Heejin examinou Do-Heon de cima a baixo.
— O que você disse ao Cheongyeon.
Do-Heon interrogou Moon Heejin, rosnando.
Moon Heejin ficou sem palavras por um instante, tentando entender a situação.
Apesar de ser horário de trabalho, Do-Heon estava em roupas casuais e leves. Havia poeira aqui e ali na camisa, como se ele tivesse carregado peso em algum lugar. E ainda de boné com uma frase estranha.
— E a empresa? Não me diga que você está fazendo bico aqui? O Cheongyeon-ssi mandou? Inacreditável!
— Não muda de assunto. Que absurdo você falou para o menino chorar assim.
Do-Heon tirou o boné e passou a mão bruscamente pelo cabelo.
— Absurdo o quê! Eu ainda não disse nada, quando é que eu fiz ele chor…
— Ah, senhor diretor.
No instante em que Cheongyeon, surpreso com a aparição repentina de Do-Heon sem aviso, ia abrir a boca, um funcionário do estúdio enfiou a cabeça dentro do camarim.
— Ator…? Desculpe interromper a conversa, mas o senhor precisa ir para a filmagem agora.
Percebendo que o clima no camarim não era dos melhores, o funcionário anunciou o início da gravação com um fio de voz.
— Ah… Sim.
Cheongyeon, que justamente ia explicar que só tinha esfregado os olhos por causa de poeira, olhou de relance para a expressão desconcertada de Moon Heejin. Depois transferiu o olhar para Do-Heon, que erguia os olhos gelados na direção dela.
Ele não sabia como Do-Heon e Moon Heejin tinham surgido ali ao mesmo tempo, mas uma coisa era certa: ele precisava ir gravar.
— Bom, então eu vou indo.
— Espera, aonde você vai? Se for, se explica antes!
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna