↫─Capítulo 183
Fosse problema de condição física ou qualquer outra coisa, ele só poderia perguntar se conseguisse contato. Como sabia que era por causa da agenda, não podia reclamar, e na verdade não estava em posição de dizer nada a Cheongyeon.
Do-Heon terminou o champanhe que restava na taça e conferiu de novo o celular. Sabia que naquele curto intervalo não haveria como Cheongyeon ter entrado em contato, mas sua mão se movia à revelia.
“Do-Heon-ssi. Hoje você saiu cedo do trabalho, né? Já jantou?”
Sem que percebesse, a voz de Cheongyeon o recebendo ao voltar do trabalho ecoou nitidamente em sua cabeça.
Pensando bem, Cheongyeon sempre vinha recebê-lo até a entrada com uma expressão contente quando ele voltava do trabalho.
Naquela época, Cheongyeon sentia o mesmo que ele agora? Ficava aflito imaginando quando viria uma mensagem, conferindo o celular a cada minuto, para então recebê-lo quando ele chegasse?
— …….
Se fosse realmente assim, ele nunca seria perdoado.
Dado o que ele fez no passado, não podia apressá-lo. Do jeito que as coisas estavam, só lhe restava esperar que, como um milagre, Cheongyeon mudasse de ideia, o perdoasse e voltasse.
— Moon Do-Heon?
Nesse momento, alguém o chamou. Do-Heon, que acabara de pegar um novo champanhe e se sentar, virou a cabeça na direção do som.
— Nossa, eu estava em dúvida, mas é você mesmo? Quanto tempo.
O homem que se aproximava acenando com simpatia era um colega do ensino médio.
Eles nunca tinham conversado muito, mas mesmo depois da formatura se encontravam de vez em quando em vários eventos.
— Pois é. Quanto tempo.
Do-Heon ergueu a mão e o cumprimentou com moderação.
O colega olhava com curiosidade e olhos brilhantes para Do-Heon, sentado sozinho a uma mesa bebericando num salão já esvaziado.
Não era para menos: o Do-Heon de sempre não era do tipo que permanecia muito tempo em eventos. Ficar sozinho com um Do-Heon remanescente daquele jeito era algo raro.
— Não vejo nem o secretário. E o fã-clube que costuma andar em bando ao seu redor também não está.
O colega riu, pegando uma taça de champanhe como Do-Heon.
— Ora, você sabe. Aqueles ranzinzas que acham que negócio só se faz com alfa dominante. Ah. Bom, no seu caso, como tudo em que você põe a mão dá resultado, é natural que os ranzinzas andem atrás.
— …….
— Mas, afinal, por que você está aqui até esta hora?
— Porque tenho algo em que pensar.
Palavras que normalmente ele não diria saíram sozinhas da boca de Do-Heon.
— Nada a ver com você. Deve ser algo importante.
— Extremamente importante.
O colega demonstrou interesse e ergueu e baixou as sobrancelhas, como quem pede que continue.
Mesmo sendo alguém que o conhecia pessoalmente, ele sabia que Do-Heon não se alongava em conversas que não fossem de trabalho, então achava aquela situação simplesmente curiosa.
— O que foi. Tem algum negócio que não está andando?
Do-Heon encarou o colega, que se sentou à sua frente com naturalidade.
As informações que Do-Heon tinha sobre ele eram poucas. Beta, filho mais velho de uma empresa de médio porte e, pelo menos, alguém que não causava problemas nem saía por aí falando demais.
Andava sempre com amigos de temperamento calmo como o dele, e a reputação recente era de alguém bastante ativo e diligente ao aprender sobre os negócios.
— Ouvi dizer que vocês atraíram até a fábrica de semicondutores da JT Eletrônicos para o exterior; qual é o problema? O mundo inteiro sabe que tanto a UE quanto os EUA estão em cima de vocês. Está com um problema bom de se ter?
Achando naturalmente que se tratava de uma questão de negócios, o colega enumerou boas notícias num tom brincalhão.
Do-Heon, por outro lado, estava remoendo algumas vezes a palavra “bom” que o colega usara, porque lhe soara muito estranha.
Era irônico que, mesmo não podendo estar mais azarado, para os outros ele parecesse afortunado.
Como o silêncio de Do-Heon se prolongava, o colega esfregou o canto da boca, sem jeito.
— Parabéns pelo casamento.
E, depois de um bom tempo, Do-Heon trouxe à tona um assunto do nada.
Porque de repente lhe ocorreu que o colega tinha se casado havia pouco.
— O quê? …Faz tempo que eu casei.
— Só lembrei agora.
— Falando nisso, você foi ao meu casamento. Achei que não fosse, e ainda deixou um envelope gordo.
O colega coçou o pescoço, como se achasse estranho ter esse tipo de conversa com Do-Heon, com quem sempre foi distante.
— Aquele dia estava livre na minha agenda, então fui.
— Ei, por que você diz as coisas desse jeito. Bastava dizer que veio para me parabenizar. Você continua o mesmo. Bom… e você, nenhuma novidade nessa área?
O colega, que sabia que Do-Heon tinha se divorciado, perguntou com cautela.
— Nem tanto.
— É? Bom, a gente ainda tem só trinta e dois anos. É a idade de aproveitar.
— E você. Como é a vida de casado. É boa?
Do-Heon perguntou enquanto esvaziava a segunda taça de champanhe.
— É boa, estamos em lua de mel. Se continuar sempre como agora, eu não tenho mais o que pedir.
Os cantos da boca do colega se rasgaram largamente para os lados ao falar da vida de recém-casado.
Do-Heon observou fixamente o rosto risonho do colega.
— Que inveja.
— Inve… Ei. Você está bêbado? Que coisa mais estranha de se dizer.
O colega logo apagou o sorriso e examinou Do-Heon com olhos desconcertados.
— Foi de inveja de verdade.
— Você também pode conhecer alguém novo. Hoje em dia divórcio não é nada. Um cara íntegro como você, por que fala assim, dá até estranheza.
— Se eu fosse íntegro, teria sido largado?
Diante da voz autodepreciativa de Do-Heon, o colega estancou.
— Não me diga que você ainda sente saudade?
— …….
— Então o Moon Do-Heon é humano mesmo. Uau.
Como quem não esperava nada disso, o colega soltou uma pequena exclamação.
— Ah, não que eu ache bom nem nada, é curiosidade. Você entende, né?
— Entendo. Eu também não sabia que ficaria patético assim.
Diante daquela admissão franca, o colega pensou que talvez Do-Heon estivesse bêbado mesmo.
— …Se ainda sente saudade, tenta conquistar de novo. Você disse que é ator, né? O Yoo Cheongyeon.
— …….
— Você sabe, eu sou beta e não entendo bem os outros traços, mas o rosto dele é realmente… bonito, isso é fato.
Do-Heon, que esse tempo todo olhava para o celular sobre a mesa, ergueu os olhos e fuzilou o colega.
Diante daquele olhar ameaçador, o colega recuou por um instante.
— Não é que eu tenha interesse, é objetivamente falando, objetivamente.
O colega ergueu as duas mãos, explicando-se como quem pede calma.
— Eu não sabia, mas o seu estado é meio grave.
— Não vou negar.
Desfazendo o olhar afiado, Do-Heon passou a mão pelo pescoço. E então hesitou por um tempo, como quem pondera algo.
— E se eu conquistar e ele disser que não quer morar comigo?
— Aí você se agarra até conseguir. Nem que seja na barra da calça.
— E se eu tentar e não der certo.
— Aí… você se agarra de outro jeito. Ajoelhar e implorar, deitar no chão e mandar pisar em você. …Muito rastejante?
— Infantil, no mínimo.
Do-Heon murmurou com um riso.
— Então o quê, você acha que isso funciona como um contrato, com condições ajustadas direitinho? A gente se agarra até morrer.
— E se me agarrar não adiantar, e aí?
— Uau, você persegue com ainda mais desespero, a ponto de pensar “preciso chegar a esse ponto?”. Nem que seja segurando a manga da camisa.
— Você fala como quem já fez.
— Você sabe, casamento não acontece sozinho.
O colega deu risadinhas, como se achasse engraçado até para ele o que estava dizendo.
— E você, o que fez? Foi mesmo se agarrar na manga da camisa?
Do-Heon ouvia atentamente o colega, com bastante interesse.
Antes ele achava que histórias banais de romance eram conversas inúteis. Mas, ao passar por uma experiência parecida, ficou curioso para saber como os outros teriam agido na mesma situação.
Então é por isso que todo mundo se empolga com a vida amorosa alheia.
— Eu também briguei feio antes do casamento e me ajoelhei implorando. No fim das contas foi por isso que virei homem casado em segurança.
— Devo insistir mesmo quando a pessoa diz que não quer?
— Se ficar contando esses detalhes um por um, outro cara leva. Não sei do que se trata, mas força a barra.
— …….
— O que um alfa como você não conseguiria indo direto ao ponto?
O colega deu um tapinha no ombro de Do-Heon, como quem diz que ele se preocupa à toa.
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— Enquanto o senhor estiver na reunião da manhã, subirei imediatamente os documentos para aprovação, incluindo o conteúdo da reunião. E à tarde está prevista a visita de um enviado especial da MLL de Cingapura. Separei e imprimi apenas os perfis relacionados para facilitar a consulta.
— Há mais algo a reportar?
Como de costume, assim que ele chegou ao trabalho, veio o relatório do secretário Shim. Do-Heon folheava os documentos recebidos enquanto ouvia o briefing.
— Não é uma notícia relacionada ao trabalho, mas há um ponto atípico.
— Ponto atípico?
— Obtive a informação de que amanhã o senhor Yoo Cheongyeon fará uma sessão de fotos de moda num estúdio localizado em Gangnam. Para constar, o estúdio fica a quinze minutos do prédio da JT Eletrônicos.
Do-Heon, com a caneta na mão, apoiou o cotovelo no braço da cadeira e ergueu os olhos para o secretário Shim. Queria dizer: em que isso é atípico.
Desde que Cheongyeon começou a atuar, ele recebia informes sobre a agenda dele quase todos os dias, então aquilo não lhe soava nada extraordinário.
— O ensaio de amanhã será estampado na fachada principal do prédio da loja de departamentos Hwamyeong, unidade Apgujeong.
— Ah, sim.
— E, por meio de um contato da Hwamyeong, fui informado de que há alta probabilidade de a presidente Moon Heejin comparecer.
— A Moon Heejin?
Uma das sobrancelhas de Do-Heon, até então impassível, se contorceu.
Moon Heejin devia estar sofrendo pressão de todos os lados por causa da queda nas ações provocada pela questão da separação das subsidiárias. Se ela não fosse boba, não haveria motivo para, encurralada, mexer com a área publicitária, que nem tinha relação direta com a gestão.
E, ainda que fosse só para não desagradar Do-Heon, ela não conseguiria rescindir por conta própria o contrato publicitário de Cheongyeon.
Havia grande probabilidade de que ela fosse até lá para atrapalhar um pouco as filmagens ou, como sempre fizera, despejar bobagens em cima de Cheongyeon.
— Não se sabe o motivo da visita?
— Até esse ponto não fui informado.
Não parecia haver um grande esquema por trás, mas nunca se sabe. Cheongyeon parecia não apenas antipatizar com Moon Heejin, mas ter medo dela, e ela podia usar isso para forçá-lo de algum modo à sua vontade.
— A que horas é a sessão?
— Ouvi que é à tarde. Precisarei confirmar novamente para saber a hora exata.
— Eu teria alguma justificativa para ir ao set?
Do lado de Moon Heejin, sendo uma campanha que ficaria exposta na loja Hwamyeong, havia justificativas de sobra a se inventar; mas Do-Heon não tinha a menor relação com aquela sessão. Era um contrato fechado exclusivamente pela competência do ator Yoo Cheongyeon.
Era motivo de orgulho, mas, por outro lado, estava fora do alcance de sua influência, o que o incomodava.
— Não é impossível criar um motivo de visita, mas prevejo que o processo seria complicado.
O secretário Shim, também sem certeza, deu uma resposta vaga com expressão constrangida.
Ele chegou a pensar que era melhor não ir do que aparecer com um pretexto malfeito e gerar boatos, mas deixar Cheongyeon sozinho com Moon Heejin o incomodava.
Cheongyeon dissera que, durante todo o casamento, ouvira absurdos dos membros daquela família desgraçada.
“Desde quando a Moon Heejin fala com você desse jeito.”
“Des-desde que a gente casou, sempre foi assim.”
Ao se lembrar da voz e da expressão trêmulas e desoladas daquele dia, ele não conseguia ficar parado.
Do-Heon fechou a pasta que abrira, como quem toma uma decisão, e ergueu a cabeça.
— Cancele minha agenda de amanhã à tarde e me reporte assim que reorganizar.
— Sim, senhor diretor. Então o senhor visitará o estúdio pessoalmente?
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No dia seguinte.
— Chegamos. É o prédio cinza à esquerda, segundo andar.
O secretário Shim estacionou o carro a alguns quarteirões do prédio do estúdio e abriu a porta do banco de trás.
Do-Heon desceu do carro e examinou os arredores. Devia haver muitos estúdios por perto, porque pessoas com cara de equipe circulavam pelos becos carregando equipamentos de câmera e objetos de cena.
No fim, Do-Heon não encontrou uma justificativa que convencesse todos os presentes no set.
Criar em um dia um motivo plausível para um ex-marido aparecer no set de um ator famoso não era nada simples.
Então ele simplesmente foi até lá, sem mais. Sabia que aquilo não era típico dele, mas não havia outro jeito.
E, nessas circunstâncias, achou que o terno chamaria ainda mais atenção, então foi só de camisa, sem paletó nem gravata.
Mas como entraria no prédio ainda era uma incógnita.
Do-Heon não era da equipe de filmagem, nem da equipe de Cheongyeon, e estava longe de ser alguém ligado ao prédio.
Mergulhado em reflexões, Do-Heon observou em silêncio o prédio cinza indicado pelo secretário Shim.
Seria melhor entrar em contato diretamente com Cheongyeon? Mas isso equivaleria a revelar que ele conhecia a agenda dele como um stalker, com grande chance de causar desconforto. E deixar um ex-marido entrar de repente no set também não fazia sentido nenhum.
— Secretário Shim. Você tem um boné?
Com a intenção de simplesmente entrar no prédio sem plano nenhum, Do-Heon fez um gesto com a cabeça para o secretário.
Então o secretário Shim hesitou por um instante, desconcertado.
Não havia motivo para um funcionário de escritório andar com um boné, então era uma reação natural.
— Não posso garantir, mas vou procurar.
Entrando rapidamente no carro, o secretário vasculhou o veículo de ponta a ponta. E, pouco depois, desceu com um boné na mão e uma expressão constrangida.
— Senhor diretor. Boné até tem, mas o estado…
— O estado não importa.
Do-Heon arrancou o boné da mão do secretário Shim e desamassou a parte enrugada. Ao ir colocá-lo, viu que havia letras estranhas na aba.
— Diretor Executivo da JT Eletrônicos ^^
— O que é isto?
— Foram feitos em grupo pelos funcionários no último workshop… parece que incluíram itens para a diretoria também. Achei que o senhor não usaria se eu entregasse, então mantive guardado no carro…
— …….
— É o único boné que temos.
O secretário Shim baixou a cabeça, como quem não tem desculpa.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna