↫─Capítulo 182
— Cheongyeon-ssi. Que vinho é esse? Nossa, incrível.
Último dia de filmagem.
Assim que entrou no quarto, Jeong Soeun avistou o vinho que Cheongyeon ganhou da avó e demonstrou interesse.
— É difícil até de encontrar, de onde saiu uma preciosidade dessas? Então era por isso que você sumiu sozinho na folga!
Talvez tivesse esquecido que passara ali para explicar o conceito antes das filmagens; ela pegava as garrafas uma a uma e conferia com atenção o que estava escrito nos rótulos.
Então outro membro da equipe que estava ao lado se aproximou discretamente e espiou.
— O que foi, o que foi? O que é isso?
— Isso aqui custa no mínimo quatro milhões de wones a garrafa.
— Qua-quatro milhões?
— Hã? É sério?
Cheongyeon, que estava sentado na cadeira lendo rapidamente o conceito impresso, ergueu a cabeça, sobressaltado.
— Você não sabia? Achei que tinha comprado você mesmo.
— Foi presente. Mas é sério que custa alguns milhões cada garrafa? A Soeun-ssi deve estar enganada.
— Se não for falsificado, custa mesmo quatro ou cinco milhões. Nesse nível, a declaração na alfândega vai ser complicada…
Ah. Então foi por isso que ela me deu dinheiro do nada, dizendo que era para eu usar?
Cheongyeon só agora entendia o sentido do que a avó dissera com indiferença quando ele saía da casa de campo em Nova Jersey: “Isto é a mesada que a vovó está dando. Use como quiser.”
Mas, afinal, era tão caro assim?
Cheongyeon apanhou, incrédulo, a garrafa que Jeong Soeun manuseava.
Era um vinho que ele bebia com frequência quando morava com Do-Heon, então tinha aceitado sem pensar muito. Então aquilo que ele bebia sozinho em casa antigamente também era tudo dessa faixa de preço?
Sempre que a adega começava a esvaziar, ela era logo abastecida com coisas parecidas, então nunca lhe ocorreu procurar os preços. Ele apenas achava normal e consumia alegremente.
Somando tudo, dava quanto? Ele estava despejando alguns milhares por mês só em vinho.
— Ator. Em dez minutos vamos para o local da filmagem. Se precisar de algo antes, me avise. Eu providencio.
O empresário se aproximou e avisou o horário de partida.
Cheongyeon assentiu, sem conseguir apagar a expressão de choque. E pousou o vinho que segurava sobre a mesa com o cuidado de quem manuseia um bebê.
Os membros da equipe que cochichavam sobre o vinho também já circulavam agitados pelo quarto e pelo corredor, dizendo que precisavam arrumar as coisas.
Ao contrário deles, atarefados, Cheongyeon não tinha nada a preparar. Quando o burburinho ao redor se acalmou, as lembranças de dias atrás começaram naturalmente a invadir sua mente vazia.
Depois de beijar Do-Heon no banco, ele não sabia como o tempo tinha passado. Por mais que esfregasse os lábios com o dorso da mão, parecia que o calor de Do-Heon continuava ali.
Eu devia ter empurrado? Não é como se eu tivesse decidido aceitá-lo de volta. Por que fiquei parado ali?
Com Do-Heon, que sempre agia como se não sentisse nada por ele, de repente tão ativo, ele não sabia como se orientar. Não queria negar que ainda sentia o coração acelerar ao vê-lo, mas na mesma medida vinha uma grande ansiedade.
Do-Heon também devia ter percebido, ao menos vagamente, o quanto ele estava abalado. Por isso, sentia-se ao mesmo tempo vencedor e perdedor, uma sensação estranha.
Naquele dia, quando ele acabava de se culpar tardiamente por ter agido de forma vaga ao voltarem do passeio para a casa de campo, Do-Heon se ausentou para atender uma ligação de trabalho.
Assim que ele saiu por um instante, a avó puxou conversa com Cheongyeon.
“Você deve estar ocupado, obrigada pelo trabalho de vir até aqui hoje.”
Por algum motivo, a voz da avó pareceu mais pesada que o normal.
“Que é isso. Eu também me diverti. No passeio eu vi que o bairro é lindíssimo.”
“Ai, com esse temperamento mole demais… Obrigada por dizer isso. Considere que chamar você junto com o Do-Heon foi uma brincadeira desta velha e leve na esportiva.”
“Ah…”
“É que não dava para ficar de braços cruzados vendo aquele menino abatido o tempo todo, tão diferente dele. Sangue é mais grosso que água… Mas agora isso não vai mais acontecer. Sei que não é justo com você.”
Diante da voz visivelmente arrependida da avó, Cheongyeon hesitou, sem saber o que responder.
Depois de ter saído e até beijado o outro, ouvir aquilo o fazia sentir que estava enganando a avó, e ele ficou muito desconfortável.
“O Do-Heon, mesmo parecendo esse menino sem afeto desde sempre, viu com os próprios olhos a mãe que o pariu pegar uma mala de dinheiro e abandoná-lo.”
“Como?”
“Ele nunca demonstrou, mas como não devia estar por dentro…”
A avó estalou a língua e soltou um longo suspiro. E olhou para a porta por onde Do-Heon saíra.
Sobre a mãe dele, Cheongyeon só tinha ouvido de passagem alguma coisa, então ficou remoendo com atenção o que a avó acabara de dizer.
Ele sabia que a mãe recebera uma compensação adequada, mas era a primeira vez que ouvia que o pequeno Do-Heon assistira a todo o processo.
“Na frente do Do-Heon-ssi?”
“Isso. Enchendo aquela mala enorme de maços de dinheiro e indo embora sem uma palavra de despedida. Era uma mulher dura, capaz de cortar de uma vez dez anos de convivência diante do dinheiro. Nem um cachorro de estimação se abandona desse jeito.”
“E depois disso ele nunca mais a viu?”
Depois de um breve silêncio, Cheongyeon falou. A avó balançou a cabeça.
“Quando o presidente Moon o trouxe no começo, ele quase não dormia à noite. Ele não dizia nada, mas como aquele menino não devia estar se consumindo por dentro. Devia ter uns onze anos. Ele me perguntou quanto a mãe dele tinha recebido. Disse que ganharia de novo aquele dinheiro e a traria de volta…”
“…….”
“O maior problema é aquele desgraçado do pai que trouxe o menino desse jeito. Foi do meu ventre que ele saiu, mas não sei como o caráter ficou desse jeito.”
A imagem de Do-Heon dizendo que ganharia sozinho o valor que a mãe levara e a reencontraria se desenhou à revelia em sua cabeça.
Ele nunca vira aquilo, mas só de imaginar era uma cena desagradável e triste.
“ Também entendo que eu estava completamente errado. E sei que, por melhores que sejam as condições que eu ofereça, isso não vai mudar o que você sente.”
“ Agora eu sei disso, sem dúvida… mas, se não é com uma negociação, eu não sei como conseguir.”
Ao descobrir que tudo o que ele confessara com tanto desespero, dizendo não saber o que fazer, era sincero, o peito de Cheongyeon doeu de um jeito difícil de descrever.
Sem perceber, Cheongyeon franziu o cenho e cerrou os molares.
“Enquanto eu for viva, eu queria ensinar ao Do-Heon que existe algo mais precioso que aquele maldito dinheiro. Por isso fiquei intimamente feliz quando ele disse que ia se casar com alguém que é o oposto dele. Pensei que talvez, por você, ele descobrisse algo novo…”
A avó murmurou com amargura.
“Vendo agora, acho que era ganância de velha.”
Cheongyeon apenas mexeu os lábios sem parar, sem saber o que dizer. Mas não encontrou palavras adequadas e teve de se calar.
“ Então, por favor, me ensina, Cheongyeon-a.”
Por mais que tentasse afastar, as palavras que Do-Heon dissera na noite anterior se repetiam sem parar em sua cabeça.
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— Foi um prazer conhecê-lo nesta oportunidade, senhor diretor. Se surgir a chance, talvez nos vejamos da próxima vez pelo projeto de construção da fábrica de semicondutores.
Ao fim de uma longa conversa, o homem de terno fechou os botões do paletó, que estavam abertos, e estendeu a mão para o cumprimento final com Do-Heon.
Ele parecia ter no mínimo dez anos a mais que Do-Heon, mas curvou-se sem o menor constrangimento.
— Meu secretário entrará em contato novamente.
— Então eu aguardo. Obrigado por permanecer até tarde. Rá, rá.
Diante daquilo, Do-Heon conferiu o relógio de pulso. Já haviam se passado quatro horas desde que chegara ao evento.
Nesse meio-tempo as outras pessoas já tinham resolvido seus assuntos e saído, porque o salão estava vazio.
Só então Do-Heon reparou nos canapés e no champanhe espalhados pelas mesas.
— …….
Se fosse vinho tinto, o Cheongyeon teria gostado.
Um pensamento absurdamente desconectado da situação se infiltrou à revelia. Ultimamente, todos os seus raciocínios seguiram esse rumo sem nexo.
Depois de confirmar que o homem com quem conversava saíra do salão, Do-Heon pegou uma taça de champanhe e se sentou numa cadeira.
Ao tomar um gole, conferiu o celular por hábito. O contato de Cheongyeon, tão esperado, não veio.
Vendo apenas e-mails e mensagens acumuladas sobre assuntos triviais de trabalho, suspiros sucessivos lhe escaparam, algo nada típico dele.
Desde que encontrou Cheongyeon em Nova York e voltou à Coreia, a relação dos dois vinha se mantendo assim.
Não trocavam mensagens com regularidade, mas de vez em quando perguntavam um pelo outro.
Os dois mal mantinham uma distância ambígua e não conseguiam se aproximar mais que isso.
Ele implorou por uma chance, mas Cheongyeon não lhe deu uma resposta clara sobre isso.
Mesmo quando ele entrava em contato, era comum não conseguirem coincidir os horários por causa das agendas ocupadas de cada um. E, quando por acaso o contato acontecia na hora certa, o cansaço na voz era tão evidente que era difícil insistir para que ele reservasse um tempo.
Fazia algumas semanas que voltara de Nova York, mas tudo o que conseguiu foi ir até a frente da casa dele e vê-lo rapidamente algumas vezes. E em todas elas o semblante de Cheongyeon estava sombrio, então ele não conseguia prendê-lo por muito tempo.
“Houve relatos de que a agenda do senhor Yoo Cheongyeon anda tão carregada que ele parece especialmente tenso. A quantidade de refeições também diminuiu, e soube que ele tem procurado uma dieta basicamente à base de frutas. O empresário disse estar cuidando dele com atenção especial, mas não sei até que ponto isso tem efeito.”
Relembrando o relatório que recebera dias antes, ele apertou a gravata. E ajeitou também as abotoaduras, cujo ângulo se desalinhava com o movimento.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna