↫─Capítulo 178
Ele achou que o corpo estivesse todo pegajoso, mas, aparentemente Do-Heon tinha feito a limpeza enquanto ele dormia, porque estava mais limpo do que imaginava.
Nesse meio-tempo, Do-Heon abriu o grande armário ao lado da cama e vestiu um roupão. Ao conferir por acaso as roupas penduradas dentro do armário, os olhos de Cheongyeon se arregalaram.
— Isto, como você fez? Mandou consertar?
O figurino de filmagem que Do-Heon destruíra estava pendurado no cabide, intacto.
— Eu disse. Que eu compraria outro.
Ele respondeu como se fosse coisa sem importância e tirou mais um roupão, colocando-o sobre Cheongyeon.
Cheongyeon fez uma expressão aturdida, mas ajustou o roupão que recebera.
— É bom, mas por que é que você destrói a roupa das pessoas?
— Foi para você não conseguir fugir, mas eu não sabia que você ia pegar outra roupa qualquer e fugir. Da próxima vez vou confiscar só o celular.
— Eu-eu não fugi. É que eu estava preocupado com outras coisas…
Cheongyeon não conseguiu concluir a frase e soltou um suspiro.
Olhando pela janela, o sol já estava se pondo. Ou seja, ele tinha passado um dia inteiro com Do-Heon.
Lembrando-se das coisas que teria de resolver depois, ficou aflito. Como não conferia o celular desde ontem, precisava de uma desculpa convincente para dar a Jeong Soeun e aos outros membros da equipe.
— Preocupado com que coisas.
— Nada… Só fico pensando como acabou dando nisso de novo.
Não era o que se devia dizer logo depois de passar a noite com alguém, mas Cheongyeon respondeu com sinceridade.
Agora que a bebedeira passara e o ciclo de cio também, ficava ainda mais nítida a realidade de que ele e Do-Heon não podiam ser aquilo.
Diante da ideia de que precisavam voltar cada um à sua realidade como se nada tivesse acontecido, a boca do estômago doía.
O apego que ele não conseguira esvaziar o atormentava.
Como se seis meses evitando desesperadamente as lembranças de Do-Heon tivessem sido esforço em vão, tudo desabou em uma única noite.
Logo Cheongyeon ficou triste e vazio.
— …….
Cheongyeon brincou com o cinto do roupão que Do-Heon lhe pusera e ergueu a cabeça.
O interior desarrumado do quarto começou a lhe entrar tardiamente pelos olhos.
Roupas espalhadas e feromônio denso entrelaçado, roupa de cama com fluidos secos, um clima constrangedor.
De repente, um sentimento de vergonha o invadiu.
Encontrar Do-Heon em Nova York foi surpreendente, mas dormir com ele foi puramente fruto do impulso. O certo teria sido afastar aquele impulso, não se deixar arrastar por ele.
Ontem, quando Do-Heon o acompanhou até a porta do quarto, ele devia tê-lo deixado ir. Ou, ao menos, se ele tivesse trazido o supressor certo ao vir para os Estados Unidos… o resultado teria sido diferente do atual?
Ele se decepcionava consigo mesmo por perder a razão com tanta facilidade diante dele. Agora nem dava mais para usar o contrato como desculpa.
Os pensamentos eram muitos, mas apenas rodopiavam de forma confusa dentro de sua boca, sem que uma frase organizada lhe ocorresse. Cheongyeon se sentiu frustrado por não conseguir expressar concretamente o que sentia naquele momento.
Não, talvez ele é que não quisesse admitir.
— Cheongyeon-a, olha para mim.
— Senhor diretor.
Cheongyeon inspirou fundo, como quem tomou uma decisão, e ergueu a cabeça que mantinha baixa. E olhou para Do-Heon.
— Não vai haver uma próxima vez entre a gente.
— O quê?
Cheongyeon sentiu a necessidade de traçar direito um limite naquele ponto. Do contrário, sentia que voltaria a ser arrastado por ele.
— Você disse agora há pouco. Que da próxima vez confiscaria o celular.
Cheongyeon repassou o mais calmamente possível a relação entre eles.
— Mas não vai haver essa próxima vez. E o senhor diretor também não tem esse direito.
— …É verdade.
Do-Heon admitiu com um compasso de atraso.
— Eu me excedi.
Diante daquela voz impassível, Cheongyeon sentiu a garganta esquentar.
Os dois ficaram um tempo em silêncio, olhando para direções diferentes.
Nesse momento, ouviu-se um som de vibração vindo de algum lugar. O olhar de Cheongyeon, que pairava no ar, se voltou para a direção do som.
Sobre a mesinha de cabeceira ao lado da cama, o celular que Cheongyeon procurava desesperadamente estava tocando.
Cheongyeon apanhou o celular às pressas antes que a ligação caísse.
— Vovó.
O remetente que aparecia na tela era uma pessoa inesperada. Cheongyeon lançou um olhar rápido para Do-Heon.
Como já tinha trocado mensagens com a avó uma vez antes de vir filmar nos Estados Unidos, não era surpresa, mas ele não queria fazer questão de contar isso a Do-Heon.
Pensando em ligar de volta mais tarde, Cheongyeon apertou por ora o botão de encerrar a chamada.
— Acho que eu preciso tomar banho e sair.
Preciso sair e encontrar o empresário ou alguém da equipe.
Nesse meio-tempo a agenda de filmagem podia ter mudado de novo e, sem contato até agora, Jeong Soeun certamente estaria preocupada.
— Eu me lavo primeiro, então o senhor diretor pode… se vestir.
Cheongyeon espiou de esguelha Do-Heon, que continuava de pé ao lado da cama, na mesma posição de quando conversavam.
Só depois de vê-lo assentir de leve, ele pegou as roupas e entrou no banheiro.
Como Do-Heon também podia querer se lavar, tomou um banho rápido.
Quando terminou de se vestir às pressas e saiu do banheiro, Do-Heon já estava de pé, num terno novo. Parecia que o assistente tinha passado ali de novo enquanto ele tomava banho.
Ao ver Do-Heon impecável como sempre, a noite anterior lhe pareceu distante como um sonho.
Depois de lançar-lhe um olhar rápido, Cheongyeon sacudiu o cabelo molhado e tirou uma jaqueta do armário para vestir.
— Vai sair agora mesmo?
Do-Heon perguntou a Cheongyeon, que estava diante do espelho.
— Preciso ir.
— Entendo.
Diante daquela resposta seca, Cheongyeon sentiu como se o próprio peito também ficasse ressecado.
Os dois eram como uma fagulha que se acende depressa e logo se apaga. Como se as chamas tivessem se dissipado rapidamente e restassem apenas as cinzas, o ar dentro do quarto estava sufocante.
Por isso Cheongyeon queria sair logo dali.
— …Eu vou primeiro. O senhor diretor pode se preparar com calma e voltar.
— Cheongyeon-a.
Do-Heon segurou o braço de Cheongyeon, que ia partir.
Caminhando em direção à porta, Cheongyeon o olhou com os olhos arregalados.
— …….
— …….
A mão que agarrava seu braço apertava e afrouxava, várias vezes. Como quem hesita entre continuar segurando ou soltar.
— Eu já vi você quando era criança. Você não deve lembrar.
Depois de hesitar alguns segundos, Do-Heon de repente trouxe um assunto do nada.
— Você tinha mais ou menos esta altura. Foi no hospital.
Ele pôs a outra mão na altura da própria cintura, como quem estima.
— O que é que isso…
— Você era fofo.
— …….
— Você até me contou que presente queria ganhar de aniversário antes de ir embora.
Cheongyeon inclinou a cabeça, intrigado.
— Quando te vi de novo no velório, fiquei curioso para saber se você tinha ganhado todos aqueles presentes.
— …….
— E acho que também pensei que gostaria que você não chorasse.
Sem entender por que diabos ele contava aquilo, Cheongyeon puxou o braço preso e recuou.
— Foi por isso que eu me casei com você.
— …O quê?
— Porque pensei que, se naquela época você não tivesse ganhado os presentes, eu poderia te dar. E tinha confiança de que conseguiria fazer com que você não chorasse mais.
Cheongyeon tinha dificuldade em acompanhar o raciocínio de Do-Heon. Mas era a primeira vez que ele próprio mencionava o primeiro encontro dos dois, então, ao mesmo tempo em que era estranho, dava uma sensação peculiar.
— Por que você está falando disso?
— Você disse da última vez. Que tinha curiosidade de saber por que eu tinha casado com você.
Ele tinha dito algo assim. Mas era coisa do passado.
Cheongyeon já não passava noites em claro remoendo aquele motivo. Até mesmo o fato de ter tido essa curiosidade lhe parecia remotíssimo.
Então ele não deveria se abalar. Não deveria. Mas não sabia por que seu íntimo se agitava tanto.
Cheongyeon fechou o punho com força para esconder a mão trêmula.
— …Mas então, por que contar isso só agora? Devia ter contado antes do divórcio.
— Pois é. Acabei de perceber que a pessoa fala demais quando fica desesperada.
Ao contrário da palavra “desesperado”, a expressão de Do-Heon continuava impassível. Por isso, ele até parecia estar zombando dele.
— É que eu não quero te deixar ir, então estou tentando qualquer coisa. Lembrei que você disse que tinha curiosidade.
— Você fala de um jeito tão fluido, como se tivesse preparado um roteiro.
— Deu para notar?
— …Você fez isso de verdade?
— Não posso…?
Cheongyeon franziu o cenho.
Ele está brincando? O clima não é para isso. Mas, para ser sério, o conteúdo era absurdo demais.
Vendo a expressão confusa de Cheongyeon, Do-Heon o encarou com firmeza.
— Eu já disse. Que estou desesperado.
— Se você me conhecia desde tanto tempo atrás… por quê. Por que nunca me contou nem uma vez?
Depois de mexer os lábios algumas vezes, Cheongyeon perguntou.
— É covarde, mas eu queria ser seu salvador.
— …….
— Não que eu pensasse em você de vez em quando e que você tenha me vindo à mente na hora em que se falou do casamento. É que o pretexto de estar cuidando de alguém que perdeu a família é mais vantajoso dentro da relação.
Haveria resposta mais típica de Moon Do-Heon?
Diante daquela resposta sincera demais, um riso vazio escapou dos lábios de Cheongyeon.
— No fim, a escolha do senhor diretor foi acertada. Porque eu vivi três anos com a sensação de estar em dívida.
— Não. Eu estou dizendo que me arrependo daquela escolha.
— …….
— Eu me arrependo até a loucura, Cheongyeon-a.
A voz de Do-Heon, seca esse tempo todo, tremia levemente. Cheongyeon duvidou dos próprios ouvidos por um instante.
Ergueu a cabeça e olhou para ele, mas justamente naquele momento ele estava de costas para o pôr do sol da janela, e uma sombra densa cobria sua expressão, impedindo-o de vê-la bem.
— Você disse. Que existem coisas no mundo que não se compram com dinheiro.
— …Disse mesmo.
— Você estava certo.
Do-Heon deu um passo em direção a Cheongyeon.
— Também entendo que eu estava completamente errado. E sei que, por melhores que sejam as condições que eu ofereça, isso não vai mudar o que você sente.
Logo ele baixou a cabeça, enterrou a testa no ombro de Cheongyeon e murmurou.
Perplexo, Cheongyeon congelou sem conseguir dizer nada.
— Agora eu sei disso, sem dúvida… mas, se não é com uma negociação, eu não sei como conseguir.
Enquanto Cheongyeon hesitava se devia ou não empurrá-lo, aquela voz suplicante escorreu para dentro de seu ouvido.
— Então, por favor, me ensina, Cheongyeon-a.
Era uma voz em que a frieza que ele sempre envergava pelo corpo inteiro, rigorosa como uma máscara, tinha ruído por completo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna