↫─Capítulo 175
Cheongyeon fechou os punhos com força sem perceber, diante da sensação de formigamento nas pontas dos dedos.
A primeira coisa que veio foi o desconcerto.
Que estranho. Do-Heon não diria uma coisa dessas para ele.
Será que ele também estava bêbado, como ele? Ele tinha esse tipo de comportamento quando bebia?
— Senhor diretor.
— O que foi.
— Você não está bêbado, né?
— De jeito nenhum.
— …….
Cheongyeon, que duvidava da sanidade de Do-Heon, dessa vez duvidou dos próprios ouvidos.
A voz dele sempre foi assim tão carinhosa? Era sem dúvida o Moon Do-Heon que ele conhecia, mas o jeito de falar e de agir pareciam estranhamente diferentes de antes. E não só isso: a voz, o olhar…
Ou será que era ele, bêbado, que estava interpretando e exagerando as palavras e atitudes dele ao seu bel-prazer?
— Por que desvia os olhos? Você não disse que sentiu minha falta.
Quando Cheongyeon não conseguiu sustentar o olhar e ficou girando os olhos de um lado para o outro, Do-Heon segurou seu queixo e o fixou para que olhasse para ele. E deu um beijo leve na ponta de seu queixo.
Diante daquele estalo constrangedor, as orelhas de Cheongyeon ficaram vermelhas.
Encarar Do-Heon era vergonhoso a ponto de fazer parecer que ele nunca tinha acabado de confessar que sentira sua falta.
Não era para menos: durante o casamento, mesmo quando ele voltava depois de semanas fora em viagem de trabalho, Cheongyeon nunca ouvira de Do-Heon esse tipo de conversa constrangedora.
O máximo que acontecia era Cheongyeon rondar por perto e, com cuidado, ser o primeiro a se aproximar e perguntar se a viagem tinha sido boa.
Era irônico que só depois do divórcio eles trocassem o tipo de conversa que um casal teria.
— Hã?
Do-Heon beijou dessa vez a bochecha de Cheongyeon, exigindo que respondesse logo. E chegou até a lambê-la com a língua.
Antes, ele teria deixado passar como se fosse normal, mas, por algum motivo, naquele dia ele fazia perguntas insignificantes com uma insistência enorme e exigia respostas insignificantes.
— É que eu estou meio, envergonhado… Ah! Senhor diretor. Na, na boca não pode!
Quando Do-Heon tentou beijá-lo nos lábios, Cheongyeon o empurrou às pressas.
Porque se lembrou de que, pouco antes, tinha lambido e chupado aquilo dele com a própria boca. E não só isso: não tinha até engolido o sêmen?
— Por quê.
Diante da recusa do beijo, a expressão generosa de Do-Heon endureceu.
— Porque agora há pouco eu, c-comi… aquilo do senhor diretor com a boca.
— E daí. É meu mesmo.
— Ainda assim.
Ao se dar conta de repente de que não estava num estado limpo, tudo em si mesmo passou de súbito a incomodar Cheongyeon.
O corpo suado, a parte de baixo encharcada de todo tipo de fluido, o cabelo em que ainda restava spray de maquiagem.
Recobrando o juízo, era inacreditável que tivesse se deitado com Do-Heon naquele estado como se nada fosse.
— Posso tomar um banho antes? Não consegui me lavar depois da filmagem, posso estar cheirando mal.
Comparado a Do-Heon, de quem, como sempre, só vinha um cheiro bom, ele se sentiu injustiçado.
Será que ele estava cheirando mal?
De tão distraído com o feromônio, tinha esquecido do estado do próprio corpo.
— Cheiro? Não tem cheiro nenhum.
Do-Heon enterrou o nariz em sua nuca e inspirou. Quando Cheongyeon o empurrou de novo, horrorizado, ele ergueu as sobrancelhas, insatisfeito.
— Você vai tomar banho agora? Falando sério?
Ele próprio achava o raciocínio estranho, mas o que podia fazer se, de repente, o fato de não ter se lavado o incomodava tanto?
— É que eu não consegui tomar banho depois da filmagem, estou me sentindo muito sujo. É, é nojento.
Mesmo tendo se lavado de manhã, ele tinha rolado o dia inteiro no set e estava imundo; não havia como o estado dele ser igual ao de Do-Heon, que ficara no escritório e só se locomoveu em um carro dirigido pelo motorista.
— …Não sei o que exatamente você acha que está sujo. Mas, enfim, se você quer se lavar, não posso impedir.
Do-Heon parecia contrariado, mas, diante da postura irredutível de Cheongyeon, acabou se levantando.
Com isso, o pênis que estava dentro de Cheongyeon naturalmente saiu, raspando as paredes internas.
— Hng…
— Espera. Vou encher a banheira.
Assim que o pênis saiu, o sêmen acumulado dentro pingou sobre o lençol da cama. Ele tentou instintivamente contrair o orifício, mas, por ter ficado aberto por muito tempo, não fechava com facilidade.
Cheongyeon também tentou se levantar sozinho de algum jeito, mas não tinha força no corpo. O interior do ventre, em especial, ardia e latejava como se tivesse apanhado.
Longe de conseguir ficar de pé, era penoso até fazer força no orifício.
Ao contrário de Cheongyeon, que corava sem saber o que fazer, Do-Heon parecia tão impassível quanto sempre.
Do pênis de Do-Heon, que desceu da cama, um fluido de que ele nem sabia a origem escorria pela coluna até o chão.
Depois de limpar o pênis molhado com uma toalha qualquer que viu por ali, ele se dirigiu ao banheiro.
— …….
Cheongyeon espiou de esguelha suas costas, calado. Como ele não vestia nada, dava para ver com muitos detalhes a forma e o movimento dos músculos.
A linha do pescoço longa e reta e os ombros angulosos; os músculos das nádegas, que se contraíam com firmeza a cada passo, e as coxas robustas.
Visto assim, ele parecia um espírito saído de uma mitologia. Só que agora com uma ereção a mais.
— …Ahem.
Constrangido à toa, Cheongyeon virou o rosto para o lado oposto, como quem nunca espiou nada.
Aliás, Do-Heon não tem vergonha? Por mais que os dois tivessem acabado de rolar juntos, ele não conseguiria andar por aí naquele estado.
Pouco depois de Do-Heon desaparecer no banheiro, começou a se ouvir o som da banheira enchendo.
Seria por causa do ciclo de cio? Shaaa. O som forte da água incomodava estranhamente seus ouvidos naquele dia. O barulho da água batendo também soava obsceno…
Poucos instantes antes ele estava largado, sem forças, e de repente o baixo-ventre voltava a formigar.
— Já encheu.
Algum tempo depois, Do-Heon voltou até a cama, tirou o edredom com que Cheongyeon se cobria e o ergueu nos braços de uma vez.
— Ei, eu consigo andar sozinho.
Cheongyeon agitou os braços pedindo que o pusesse no chão, mas Do-Heon ignorou aquilo e caminhou até o banheiro.
Ele desceu Cheongyeon com cuidado na banheira, onde a água ondulava rasa. Quando ele se moveu tentando se equilibrar sozinho, as pernas cederam e ele escorregou algumas vezes.
— Aaah!
— Cuidado.
Vendo Cheongyeon mergulhar de forma escandalosa e ruidosa na banheira, Do-Heon estalou a língua.
Cheongyeon limpou a água que respingava em seu rosto e acalmou o susto. Mesmo assim, as mãos com que esfregava o rosto tremiam minimamente.
Observando aquelas mãos que tremiam de leve, fora de seu controle, ele sentiu tardiamente o perigo.
Não era hora de ficar espiando o corpo nu de Do-Heon e se excitar.
O estado do corpo já estava daquele jeito; se forçasse ainda mais, poderia acabar rastejando pelas ruas de Nova York dali a alguns dias.
Pensando bem, o feromônio de Do-Heon já tinha sido tão denso quanto naquele dia? Naquele nível, era claramente coisa de ciclo de rut…
Espera. Ciclo de rut?
— Senhor diretor, não me diga que você está em rut?
— Só percebeu agora?
— Por que só me conta agora?
— Não sabia que era preciso falar para você perceber.
Do-Heon baixou os olhos para Cheongyeon como se, pelo contrário, achasse aquilo absurdo.
De tão concentrado no próprio ciclo de cio, ele não tinha sequer cogitado a possibilidade de um ciclo de rut em Do-Heon.
“Você não aguenta o meu ciclo de rut.”
De repente, o aviso que Do-Heon lhe dera antes ecoou em seus ouvidos com uma nitidez de mau agouro. E ele sentiu medo de imediato.
Daquele jeito, ele não acabaria com toda a agenda cancelada e trancafiado no quarto? Ainda tinha compromissos de filmagem nos Estados Unidos.
Nesse momento, Cheongyeon, que estava quietinho e encolhido, ouviu um som de água atrás de si. Quando virou a cabeça, assustado, viu que Do-Heon já estava entrando na banheira.
— Se-senhor diretor, por que você entrou?
— Eu também preciso me lavar.
Como ele se acomodou atrás de Cheongyeon, este acabou, sem querer, sentado entre suas pernas.
Cheongyeon estremecia os ombros de susto a cada vez que o pênis ainda ereto de Do-Heon cutucava suas nádegas e a região da cintura.
— Ah, hng…
Parecia que, se quisesse, Do-Heon poderia empurrá-lo para dentro a qualquer momento.
Mas ele achou perigoso continuar colado a Do-Heon daquele jeito.
Não bastava ele estar no ciclo de cio; Do-Heon ainda estava em rut.
“Então eu… posso engravidar?”
“Para ser mais preciso, é mais próximo de existir a possibilidade de você não ser infértil.”
As palavras do médico dizendo que ele poderia não ser infértil saltaram de repente da memória que ele tinha enterrado.
— Senhor diretor, agora não dá muito, ah.
Cheongyeon interrompeu o pensamento por um instante, por causa de Do-Heon, que o provocava por trás.
— Por quê. Não quer?
Quando ele sussurrou baixo em seu ouvido, sua nuca se arrepiou.
— Não é isso, haa… É que estou cheio…
Cheongyeon balançou a cabeça, bloqueando com a mão o pênis que tentava se enfiar entre suas nádegas dentro da água.
— Cheio? …Ah.
Percebendo tardiamente o sentido, Do-Heon riu de leve. Como quem compreendeu, mordiscou de leve a orelha de Cheongyeon e ergueu sua cintura.
As nádegas de Cheongyeon emergiram acima da superfície rasa da banheira e Do-Heon, em vez do pênis, enfiou os dedos no orifício.
— Hng… hnn!
Quando os dedos longos revolveram a carne escorregadia, o sêmen acumulado em abundância dentro de seu ventre pingou na banheira.
O orifício de Cheongyeon se remexeu, apertando e mordendo os dedos. Olhando a cor das pregas avermelhadas, era como ver os lábios de Cheongyeon.
De vez em quando, o orifício expelia aos poucos o sêmen esbranquiçado que Do-Heon tinha deixado ali.
— Eu tinha alargado, mas ficou estreito de novo.
Do-Heon murmurou enquanto pressionava o interior daquela mucosa úmida.
— Está sujo… então para…
Cheongyeon murmurou de olhos bem fechados, como quem implora.
— Não está sujo. Está bonito, isso sim.
— Não fica falando coisa estranha, ah. …Por favor.
— É sério. Vem cá.
Do-Heon fez com que ele erguesse ainda mais as nádegas alvas e percorreu com os dedos a região ao redor da entrada, que pulsava.
Para não cair para a frente, Cheongyeon se agarrou com força à banheira e aguentou firme, com apenas as nádegas erguidas diante dele.
Logo o indicador e o médio de Do-Heon voltaram a entrar no orifício.
— Hng. Haat, hnn!
Quando ele revolveu fundo e raspou de leve as paredes internas amolecidas e relaxadas, Cheongyeon moveu a cintura em pequenos movimentos e soltou gemidos.
Como ainda restava sêmen lá dentro, a cada vez que Do-Heon agitava os dedos e os retirava, um líquido esbranquiçado e viscoso escorria por suas coxas.
Ao mesmo tempo, sentiu o pênis rígido de Do-Heon estremecer. A coluna cutucava seu baixo-ventre de forma ameaçadora, como se fosse penetrá-lo ali mesmo.
A cena seguinte se desenhou naturalmente na cabeça de Cheongyeon.
Naquele ritmo, era evidente que ele não só passaria a noite em claro como ficaria preso a Do-Heon sem poder se mexer o dia seguinte inteiro.
E isso era um problema.
— Se-senhor diretor. Espera um pouco.
Cheongyeon chamou Do-Heon às pressas, expelindo uma respiração curta.
— O que foi.
Do-Heon retirou a mão do orifício com ar de decepção.
Cheongyeon engoliu em seco. Se pensasse com um mínimo de razão, os motivos para não rolar com Do-Heon naquele hotel eram mais que suficientes.
Começando pela possibilidade de gravidez, passando pela agenda, pelo risco de escândalo, pelas mudanças e variáveis na futura relação entre eles e pelas consequências que teria de assumir por causa disso…
Cheongyeon ignorou como pôde o pênis pesado que cutucava sua coxa e fez a cara mais lamentável possível.
— Eu… estou com muita sede. …E acho que estou com febre, de repente minha cabeça também dói…
— Está com dor de cabeça?
— Deve ser porque bebi demais. Estou meio tonto… e enjoado também.
— Tonto como? Explica direito.
Talvez preocupado com a voz abatida de Cheongyeon, Do-Heon tocou sua testa e fez uma expressão séria.
Como ele parecia estar levando as palavras dele a sério demais, Cheongyeon sentiu por um instante um peso na consciência, mas desviou o olhar e continuou.
— Não é uma tontura forte… Enquanto eu tomo banho, você não podia comprar um chá quente e um remédio para ressaca?
Mas será que existe remédio para ressaca nos Estados Unidos?
Ele teve uma dúvida momentânea, mas, como ali também era um lugar habitado por gente, imaginou que deveria haver algo parecido.
— Aí eu acho que melhoro rápido…
Cheongyeon girou os olhos, medindo a reação de Do-Heon.
— Espera. Vou comprar agora mesmo. Ou então vamos a um hospital.
— P-primeiro vamos tentar o remédio.
Do-Heon se levantou de um salto e começou a se vestir às pressas.
Como ele pareceu sinceramente perturbado com a notícia de que ele não estava bem, um canto de seu coração ficou pesado.
Mas também não dava para simplesmente passar o tempo com Do-Heon ali até que os dois ciclos, o de cio e o de rut, terminassem.
Era melhor se afastar rápido enquanto ainda tinha, ainda que por pouco tempo, algum juízo.
— Volto rapidinho, então descansa.
— …Sim. Pode ir com calma.
Em menos de trinta segundos Do-Heon estava completamente vestido e saiu do quarto.
Ao ouvir o som da porta abrindo e fechando, Cheongyeon inclinou a cabeça devagar e conferiu com atenção se ele realmente não estava mais no quarto.
O interior estava vazio e não se ouvia som algum.
Só então Cheongyeon se levantou de um salto, enxaguou o corpo às pressas no chuveiro e secou a umidade com uma toalha. Graças ao sal de banho dissolvido na banheira, o corpo ficou razoavelmente limpo.
Andando a duras penas com as pernas bambas, Cheongyeon apanhou a roupa de baixo caída no chão do quarto, vestiu-a depressa e olhou ao redor.
Como a roupa que Do-Heon rasgara parecia irrecuperável, ele tirou uma peça qualquer da mala e a vestiu.
— Celular. Onde está o celular?
Aliás, tinha compromisso amanhã? E se o empresário tivesse ligado e ele não tivesse atendido?
Cheongyeon se movia agitado, revirando cada canto do quarto. Pretendia primeiro achar o celular e depois sair do quarto de hotel para trocar de hospedagem ou algo assim.
Pensando bem, era melhor voltar para a Coreia e conversar num estado racional do que passar o tempo em Nova York com Do-Heon por impulso. Uma situação como aquela não passava de uma repetição de tudo o que já tinham feito até ali.
— Droga. Onde diabos eu deixei o celular.
Cheongyeon revirava impaciente as roupas rasgadas e o edredom. Ainda assim, o celular não apareceu até o fim.
Onde foi que eu larguei quando entrei no quarto? A gente se beijou logo de cara e se deitou na cama e…
Cheongyeon passou a mão pelo cabelo molhado, ansioso. E refez cuidadosamente o trajeto de quando entrara no quarto.
— É isto que você procura?
Nesse momento, a voz de Do-Heon surgiu de repente atrás dele.
— Aaah!
Assustado, Cheongyeon soltou um grito e ao mesmo tempo caiu sentado no chão.
Sem que ele soubesse quando tinha voltado ao quarto, Do-Heon estava parado diante da porta.
Segurando com toda a tranquilidade o celular que Cheongyeon procurava desesperadamente, e balançando-o no ar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna