↫─☫ Extra 7
↫─☫ Extra 7
Ao amanhecer, seus olhos se abriram naturalmente. Pisca, pisca. Seo Gyu-ha, que piscava lentamente com o cenho franzido, esticou os braços com as mãos entrelaçadas e deu uma longa espreguiçada.
A luz brilhante do sol entrava pela fresta da cortina, aberta por cerca de dois palmos. O lugar ao seu lado estava vazio. Ao verificar o celular, passava um pouco das 8h da manhã.
Para alguns, esse seria o horário de estar a caminho do trabalho ou de já ter começado a rotina do dia, mas para Seo Gyu-ha ainda era cedo. Ele pensou em fechar os olhos e dormir mais um pouco, mas logo mudou de ideia e se levantou. Provavelmente a porta do quarto se abriria em breve, então, já que estava acordado, achou que seria bom sair primeiro hoje.
— Uhmm…
Enquanto se levantava e fazia um alongamento leve, o som da porta se abrindo quebrou o silêncio absoluto.
Seu olhar se moveu instintivamente. O riso veio logo em seguida. Ao caminhar a passos lentos, surgiu o espaço decorado como uma sala de recepção do lado de fora do quarto e, como esperado, viu Gyu-young entrando.
— Papai!
Assim que seus olhos se encontraram, Gyu-young correu com um sorriso radiante. Abaixando o corpo, Seo Gyu-ha ergueu a criança que vinha correndo e a segurou em seus braços.
— Dormiu bem?
— Sim!
Como ele ainda era lento pela manhã, a ajudante ficava responsável por preparar Gyu-young para o jardim de infância. Após a refeição e a escovação dos dentes, Gyu-young costumava ir ao quarto dos pais, acordar o papai com um beijo na bochecha e se despedir dizendo que estava indo. Como isso geralmente acontecia por volta das 8h20, ele estava prestes a sair para ver o filho primeiro, já que havia despertado.
Hoje, Gyu-young não usava o uniforme xadrez marrom, mas sim um agasalho esportivo amarelo como um pintinho. Isso porque era o dia da gincana familiar que acontecia todo outono e primavera.
Logo, um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Gyu-ha. Ele ainda não gostava particularmente de crianças, mas, obviamente, Gyu-young era a exceção. Talvez por ser seu próprio filho, ou como Lee Cha-young havia garantido certa vez, ele era a cópia fiel de quando eram pequenos, extremamente refinado e adorável.
— Comeu?
— Sim.
— O que você comeu?
— Comi ovo, kimchi e iogurte também!
— Muito bem.
Ao abrir a porta do quarto e sair, encontrou a ajudante que segurava a mochila da escola. Ela fez uma expressão levemente surpresa, como se fosse inesperado, mas logo falou sorrindo:
— Já acordou?
— Sim — respondeu ele brevemente, antes de encontrar novamente o olhar da criança em seu colo.
— Vá indo na frente. O papai vai daqui a pouco.
Um sorriso como uma flor desabrochou no rosto de Gyu-young.
— Sim! Venha logo!
— Está bem.
— Papai, beijo.
Diante da palavra dita com valentia e sem esquecer, Seo Gyu-ha deu um risinho e inclinou levemente o rosto. Após retribuir o gesto e colocá-lo no chão, Gyu-young despediu-se energicamente com um “Estou indo!” e saiu de casa com a ajudante.
— Haaam…
Deixado sozinho, Seo Gyu-ha soltou um longo bocejo e foi para o banheiro. Se bem se lembrava, os pais deveriam chegar às 10h; em vez de tentar cochilar por um tempo incerto, parecia melhor se preparar com calma desde já.
Cerca de uma hora depois, Seo Gyu-ha saiu de casa. Seus passos se dirigiram ao estacionamento. Passando pelo Cooper que costumava usar, ele apertou a chave inteligente diante de um sedã preto estacionado mais ao fundo. O design era antigo, do tipo que senhores de idade costumariam dirigir, e não fazia seu estilo, mas ele o usava porque Gyu-young gostava por ser um “carro grande”.
Depois de colocar no banco de trás a lancheira que a ajudante havia preparado com todo esmero, ele inseriu o destino no GPS. A gincana de primavera havia sido em local fechado, mas desta vez, como o tempo estava bom, recebeu o aviso de que o evento seria realizado em um campo esportivo ao ar livre alugado previamente.
E, de fato, o tempo estava ótimo. Condizente com a estação de outono, o céu estava azul límpido e o sol brilhava forte, ideal para atividades externas.
Após algumas paradas e partidas, o carro chegou ao destino. No estacionamento, já havia muitos carros parados. Seo Gyu-ha não esqueceu de pegar a lancheira e caminhou em direção à entrada do campo.
A partir de certo momento, começou a ouvir canções infantis de melodia alegre. Ao entrar, viu o posto de coordenação montado no lado oposto e, ao longo das bordas do campo, tendas de lona brancas e azuis perfiladas.
Um riso escapou. As crianças e os professores estavam reunidos na arquibancada à esquerda, sombreada por trepadeiras, e Gyu-young certamente estaria lá com os olhos brilhando, atento às palavras da professora.
Em seguida, Seo Gyu-ha caminhou para a tenda que tinha um papel impresso em letras grandes com o nome “Turma do Cervo”. Mesmo chegando com folga, já havia vários pais presentes. Seus olhos se encontraram com os de um deles, que o cumprimentou primeiro com um sorriso receptivo.
— Olá, pai do Gyu-young.
— Olá.
Seo Gyu-ha também vestiu seu sorriso social e trocou cumprimentos com os pais.
O fato de ele, no corpo de um homem, ter dado à luz Gyu-young era algo que apenas algumas pessoas próximas sabiam por anos, mas a situação mudou quando Gyu-young entrou no jardim de infância.
Certa noite, Lee Cha-young, com uma expressão séria, chamou-o dizendo “vamos conversar” e tocou no assunto com cuidado. Ele perguntou se Gyu-ha conseguiria assumir a responsabilidade sozinho, já que, como pais, teriam que contatar os professores e, às vezes, ir pessoalmente até lá.
Após um momento, Seo Gyu-ha respondeu àquela fala: — Você está dizendo que não vai fazer nada? — Ao questionar com o cenho franzido, Lee Cha-young soltou um longo suspiro, dizendo que não era isso. Então, com um rosto incomumente sombrio, continuou:
— Se formos nós dois, vai ficar claro para o Gyu-young que ele tem dois pais. …Isso já é conhecido por alguns, mas ouvir rumores é completamente diferente de vivenciar a realidade.
Seo Gyu-ha observou por um tempo o sujeito que manteve o olhar baixo durante toda a fala. Ele detestava rodeios e não tinha talento para perceber intenções ocultas, mas, por algum motivo, sentiu que entendeu imediatamente o que Lee Cha-young queria dizer ao levantar aquele ponto.
Um silêncio raro se instalou. Quebrando o silêncio um tanto pesado, Seo Gyu-ha abriu a boca após um momento.
— Se descobrirem que eu dei à luz o Gyu-young, tem algo que te prejudique?
— Não. Nada disso.
— Então qual é o problema? É só dizer as coisas como elas são.
Lee Cha-young poupou a resposta. Diante do rosto que revelava claramente sentimentos complexos, Seo Gyu-ha soltou um riso curto.
Ele sentia que sabia o que o outro queria dizer só de olhar para sua expressão. Certamente haveria pessoas fofocando ou cochichando pelas costas, e ele queria perguntar se Gyu-ha conseguiria suportar isso.
— Pelo que você disse, quem tem que saber já sabe, então fingir que sou o único pai agora seria ainda mais ridículo. E olhe para o Gyu-young. Ele é a sua cara cuspida e escarrada, o que você vai fazer quanto a isso?
— …É verdade.
Como se nunca tivesse estado sério, Lee Cha-young acariciou o canto da boca com o rosto levemente relaxado. Que pai coruja.
— Eu não me importo particularmente. Mas não admito, de jeito nenhum, que o Gyu-young saia ferido. Se alguém zombar ou disser algo, eu não vou deixar barato, nem que seja uma criança.
— Com certeza. Eu cuido disso.
Lee Cha-young garantiu com convicção e, alguns dias depois, Gyu-young, que entrou no jardim de infância, estava se divertindo, dizendo que gostava muito da professora e dos amigos, ao contrário das preocupações.
Ao que parecia, aquele jardim de infância pertencia a uma fundação privada onde algum parente de Lee Cha-young ocupava o cargo de diretor, um lugar frequentado principalmente por crianças de famílias ricas. A maioria dos pais era composta por executivos de empresas conhecidas ou profissionais liberais de prestígio e, talvez por isso, independentemente do que pensassem por dentro, todos pareciam extremamente educados por fora.
Graças a isso, Seo Gyu-ha ia sem hesitação sempre que precisava ir ao jardim de infância, e sua atitude era sempre confiante. Falando francamente, ele não tinha cometido crime algum, então não havia razão para se sentir intimidado ou se importar com o que os outros pensavam.
Após frequentar o lugar algumas vezes, ele já conhecia o rosto de vários pais. Um deles, um homem com uma aparência bondosa e sorridente, convidou-o ativamente para sentar ao seu lado.
— Sente-se aqui.
Era o pai de uma criança chamada Hee-su, o melhor amigo de Gyu-young. A mãe de Hee-su, vestida com roupas esportivas confortáveis, mas sofisticadas, também falou com um sorriso amigável:
— É uma sorte que o tempo esteja tão bom.
— É verdade.
— O vice-presidente não vem hoje?
— Não, ele está ocupado com o trabalho na empresa. Vejo que vocês dois vieram.
— O Hee-su implorou tanto para que o papai e a mamãe viessem juntos… mas ele terá que voltar logo.
Com razão o pai de Hee-su estava de terno; parecia que ele só passaria para dar um oi e voltaria. Após cumprimentar brevemente os outros pais, Seo Gyu-ha voltou seu olhar para a arquibancada oposta. No entanto, como a distância era grande e havia muitas crianças reunidas, não era fácil encontrar Gyu-young.
Acabou desistindo e tirou o celular do bolso de trás. Como não tinha nada para fazer, ficou apenas mexendo na tela, quando a ponta de um sapato preto entrou subitamente em seu campo de visão voltado para baixo.
— O que está fazendo?
Ao levantar a cabeça, um homem alto estava parado ali, vestindo apenas uma camisa social sem gravata e com o cabelo impecavelmente penteado no estilo pomada. Era ninguém menos que Yoon Byung-chul.
Se Yoon Byung-chul estivesse sozinho, ele teria indicado o lugar ao lado com um gesto do queixo, mas, infelizmente, ele tinha companhia. Ao ver Im Hyung-bin parado ao lado dele, Seo Gyu-ha desligou a tela do celular e se levantou por educação.
— Você veio, Hyung?
— Faz tempo que não nos vemos, Gyu-ha.
— Pois é.
— Eu nem entro no seu campo de visão?
— Se eu não visse esse seu tamanho, meus olhos estariam estragados.
— Ei, fale direito.
Yoon Byung-chul indicou algum lugar com o olhar. Ao seguir a direção, viu que a barriga de Im Hyung-bin estava visivelmente proeminente.
Desde que viu Gyu-young ainda bebê, ele vivia dizendo que também queria ter um herdeiro e, no ano seguinte, tornou-se pai de verdade; recentemente, eles esperavam o segundo filho.
— Por que veio aqui?
A filha dos dois, Su-bin, era um ano mais nova que Gyu-young. Como tinham idades diferentes, as turmas também eram diferentes, e a tenda deles estava montada separadamente ao lado.
— Eu vim ver se você estava vi… quer dizer, vivendo bem. Qual o problema?
— Problema nenhum.
Eles haviam trocado conversas banais no grupo de mensagens ontem mesmo; parecia que ele não tinha muito o que fazer. Yoon Byung-chul sentou Im Hyung-bin primeiro no lugar vazio e continuou a falar enquanto se sentava ao lado dele.
— E o Cha-young?
— Não pôde vir por causa do trabalho.
— Ele deve estar decepcionado por não ver a gincana do Gyu-young. Vou tirar muitas fotos e vídeos depois.
— Faça como quiser.
De fato, ele havia acabado de ouvir, hoje cedo, o pedido para tirar muitas fotos do Gyu-young enquanto ele o acordava suavemente. Com as mãos frouxamente entrelaçadas, ele olhava para a frente sem pensar em nada, quando ouviu a voz de Im Hyung-bin ao lado.
— Vou ao banheiro rapidinho.
— Quer que eu vá junto?
— Não precisa. Fique sentado.
Ao ver o amigo se levantar num pulo e se sentar novamente de forma desajeitada, Seo Gyu-ha estalou a língua mentalmente. Que sujeito idiota. Ele já sabia que ele era o maior coruja de todos os tempos, mas ver esse tipo de palhaçada diante de seus olhos o fazia sentir calafrios.
— Pare de encarar. Vai queimar as costas do Hyung, seu moleque.
— É porque estou preocupado.
— Você é quem é mais preocupante.
— Quer brigar de novo?
Yoon Byung-chul, que respondia sem se dar por vencido, subitamente levantou um canto da boca e deu um sorriso cínico. Ao ver aquela expressão, Seo Gyu-ha franziu a testa imediatamente. Quando Yoon Byung-chul fazia aquela cara de insuportável, era cem por cento de certeza que viria algum comentário para irritar ou provocar os outros.
Como esperado, um nome indesejado saiu da boca do sujeito.
— O Cha-young também não é brincadeira, hein?
— Cale a boca.
Assim que ouviu, teve a certeza de que ele falaria algo desvantajoso ou embaraçoso. Por isso, deu a ordem para ele se calar imediatamente, mas Yoon Byung-chul continuou tagarelando.
— Ele presta atenção em cada movimento seu e cuida de você com uma doçura… uau, eu realmente não conseguiria chegar nem aos pés dele. O Hyung ficou elogiando tanto o Cha-young por causa disso que eu quase morri de ciúme.
Como era um comentário que não o afetava tanto quanto esperava, Seo Gyu-ha limpou o ouvido com uma expressão indiferente. Provavelmente ele se referia a um jantar em família que tiveram no mês passado ou no anterior.
Em seguida, ele soltou uma risada de deboche. — Parece que ele nem lembra do que ele mesmo faz.
Cruzando as pernas longas com arrogância, Yoon Byung-chul continuou com o assunto desagradável.
— Gyu-ha, você não pensa em ter um segundo filho?
— Não.
A resposta saiu sem um pingo de hesitação.
Como ele havia batido o pé desde o início dizendo que “não haveria segundo filho”, Lee Cha-young nunca tocava no assunto. Claro, às vezes ele falava em tom de brincadeira ou fazia pedidos descarados durante o sexo, mas bastava ignorar.
No entanto, outras pessoas às vezes o incomodavam com essa questão. Quando ia à casa principal, seu pai soltava comentários perguntando se ele não pensava em dar um irmãozinho ao Gyu-young, e quando ia à casa de Lee Cha-young, o pai deste também mencionava isso de vez em quando. Sinto muito, mas o que os dois diziam ele também ouvia por um ouvido e deixava sair pelo outro, e na verdade continuava agindo assim.
— Nem ouse mencionar nada sobre irmãos na frente do Gyu-young.
— Eu tenho esse tato, seu idiota.
Pouco depois, Im Hyung-bin retornou e, no momento exato, o som da música que saía de cada alto-falante diminuiu drasticamente enquanto o coordenador pegava o microfone.
Yoon Byung-chul, que voltou o olhar para o palanque no centro do campo, levantou-se em seguida.
— Vou indo. Vamos almoçar juntos depois.
— Tá.
Seo Gyu-ha, que finalmente recuperou sua liberdade, ligou a tela do celular novamente. Nesse meio tempo, havia uma mensagem de Lee Cha-young.
[Chegou bem?]
Um riso escapou. Ele disse que estaria ocupado hoje, mas parece que ainda tem tempo para mandar mensagens.
[Sim]
Logo após enviar a resposta, uma nova mensagem apareceu.
[Tire muitas fotos do nosso filho para que ele saia bem. Levou o almoço?]
[Sim, a ajudante preparou a lancheira]
[O que ela preparou?]
[Não sei, só abrindo para saber –]
[Entendi. Divirta-se]
[Sim]
Desta vez, ele também enviou apenas a confirmação breve e tocou no grupo de mensagens do jardim de infância. Havia o cronograma das atividades que a professora do Gyu-young tinha postado ontem e, ao ampliar, viu que a palavra “Cerimônia de Abertura” estava escrita no topo.
Com razão a diretora estava falando no microfone há pouco. Felizmente, o discurso não foi muito longo e, pouco depois, o mestre de cerimônias com outro microfone deu continuidade à programação com voz alegre.
— …Então, peço uma salva de palmas!
Assim que o anúncio terminou, as crianças correram para o campo. Uma canção infantil animada começou a tocar, e as crianças apresentaram uma coreografia fofa seguindo a professora que dançava à frente. Vendo-os pular no ritmo e se moverem em uníssono, parecia que todos haviam treinado bastante.
Enquanto observava relaxado, encostado no banco, Seo Gyu-ha subitamente ligou a câmera do celular diante de uma cena que chamou sua atenção.
O alvo era Yoon Byung-chul. Ele estava agachado à frente, compenetrado em tirar fotos de sua filha, e Seo Gyu-ha capturou aquela imagem de Yoon Byung-chul. Ele já sabia há muito tempo que ele era um pai coruja incurável com a família, mas vê-lo, com aquele tamanho e aquele rosto, sorrindo de orelha a orelha como se tivesse perdido o juízo, era uma comédia à parte.
Click, click, click—
Após tirar fotos em sequência, ele conferiu as imagens e ficou satisfeito. Poderia servir como uma arma útil caso precisasse de uma negociação algum dia.
A coreografia das crianças terminou com o movimento de acenar as mãos pequeninas. O mestre de cerimônias continuou conduzindo com habilidade, incentivando a reação dos pais. Ele também fazia comentários engraçados nos momentos certos, o que arrancava risos contidos de Seo Gyu-ha.
Após três ou quatro atividades, a próxima era a corrida das crianças da turma de 6 anos. Ao ouvir o anúncio, Seo Gyu-ha se levantou pela primeira vez do banco onde estivera sentado confortavelmente. Era para gravar um vídeo de Gyu-young correndo e mostrar para Lee Cha-young.
Para não atrapalhar, ele não se aproximou muito, parando a cerca de quinze passos de distância. Observou as costas das crianças sentadas em fila. Comparado a quando estava sob a trepadeira, a distância era bem menor e o número de crianças era reduzido, então ele pôde encontrar Gyu-young rapidamente.
— …!
Seria telepatia? Gyu-young, que estava sentado olhando para frente, de repente olhou ao redor como se estivesse procurando algo. Seo Gyu-ha levantou a mão instintivamente e a agitou, o que fez com que seus olhos se encontrassem rapidamente com os do filho.
Com um movimento labial que dizia claramente “Papai!”, Gyu-young sorriu de forma radiante. O canto da boca de Seo Gyu-ha também se elevou. — Realmente, de quem é esse filho para ser tão lindo?
Enquanto isso, as corridas prosseguiam e, finalmente, chegou a vez do grupo de Gyu-young. A professora, vestindo roupas esportivas, conduziu as crianças e as posicionou na linha de partida.
Seo Gyu-ha não esqueceu o propósito de estar ali e rapidamente pegou o celular. Mudou para o modo de vídeo e ajustou o ângulo para que Gyu-young ficasse no centro da tela.
Um momento depois.
Bang—!
Com o som do tiro de largada, as crianças começaram a correr. A distância aumentou rapidamente. Gyu-young disparou desde o início e estava no pelotão da frente, disputando pau a pau com uma menina de duas raias ao lado.
— Oh, ooh. Ele está indo bem.
Junto com a admiração, sua voz saiu carregada de riso. Na tela, o olhar de Gyu-young estava focado inteiramente no ponto de chegada. Seus pequenos lábios estavam bem apertados, mostrando para qualquer um que ele estava cheio de competitividade.
Gyu-young não se parecia com Lee Cha-young apenas na aparência. Segundo a professora, Gyu-young era muito elogiado por se dar bem com todos na classe e por saber ceder, mas até mesmo o temperamento de não gostar de perder era idêntico ao do pai.
A linha de chegada já estava próxima. Intimamente, ele esperava que Gyu-young chegasse primeiro, mas, infelizmente, ele cruzou a linha em segundo lugar, logo após a menina.
Ao ver a professora conduzindo as crianças novamente após todos cruzarem a linha, Seo Gyu-ha se virou. Assim que se sentou em seu lugar, deu o play no vídeo que acabara de gravar.
Embora sua própria voz gravada o incomodasse um pouco, o resultado ficou razoavelmente bom. Novamente, ele soltou risos contidos. Com os punhos cerrados e os lábios apertados, a imagem dele correndo com todo o empenho era, mais uma vez, a imagem de Lee Cha-young.
Vrrr— Vrrr—
Naquele momento, uma pequena janela pop-up surgiu e ele viu de relance uma mensagem enviada por Lee Cha-young. Pensando que ele realmente aparecia sempre que falavam dele, verificou imediatamente.
[O que está fazendo?]
[Sentado na sombra. Acabei de gravar o vídeo do Gyu-young correndo]
[É mesmo? Ele correu bem, sem cair?]
[Sim, ficou em 2º lugar. Te mostro depois kkkk]
— Com licença, pai do Gyu-young.
Enquanto respondia com empenho, ouviu uma voz chamando ao seu lado. Ao virar a cabeça, viu a mãe de Hee-su olhando para ele.
— Estão chamando os pais da Turma do Cervo, você não vai?
No momento exato, um novo anúncio ecoou pelos alto-falantes.
— Teremos agora a competição de estourar a cabaça, pedimos que os pais das Turmas do Cervo e do Coelho venham ao campo.
“Por que estão chamando de novo? Que incômodo.”
O descontentamento transpareceu em seu cenho. Se fosse apenas participação dos pais, ele teria ficado sentado ignorando, mas como as crianças também participariam, ele teve que se levantar.
A cabaça que a Turma do Cervo deveria estourar era a azul, à esquerda. Talvez para facilitar para as crianças, a altura era baixa, mas o tamanho era de uma melancia gigante.
“É grande pra caramba.” Mesmo tendo feito no ano passado, ele havia esquecido completamente e caminhou resmungando internamente, quando Gyu-young o viu primeiro e gritou animado:
— Papai!
Gyu-young correu com todas as forças e abraçou Seo Gyu-ha com força, como uma cigarra em um tronco de árvore, olhando para cima com olhos brilhantes.
— Papai, eu fiquei em 2º lugar na corrida!
— É. Você foi bem.
— Eu me esforcei, mas não fiquei em 1º.
— O 2º lugar também foi muito bom. O papai…
— O papai o quê?
— Nada. Só que você foi muito bem mesmo.
Seo Gyu-ha mudou de assunto naturalmente e acariciou a cabeça do filho com orgulho. Ele não precisava dizer que, quando corria, só o fazia de qualquer jeito, e que sua fama de preguiçoso era bem conhecida.
Enquanto segurava a mão do filho, outro anúncio soou. Seguindo as instruções, ele pegou um saquinho de feijão que estava espalhado e um longo silvo de apito marcou o início do jogo.
— Então, começaremos agora o jogo de estourar a cabaça!
Com o início, bolas arremessadas de todos os lados voaram em direção à cabaça. Para elevar o espírito de luta, canções infantis de ritmo alegre voltaram a tocar, e o mestre de cerimônias no microfone narrava a situação de ambos os lados com um exagero de outro mundo.
No meio do espaço que lembrava um campo de batalha, apenas Seo Gyu-ha jogava o saquinho de feijão para cima e o pegava, expressando seu descontentamento internamente.
“Que tédio… hein?”
Seu olhar, que vagava sem pensar em nada, parou no rosto de Gyu-young. Ao contrário de seu pai preguiçoso, Gyu-young, que já havia arremessado a primeira bola, pegou outra próxima e a lançou com afinco em direção à cabaça. Com os lábios apertadinhos e concentrado, ele estava igual a quando correu há pouco. Era nítido que, se a cabaça do time adversário estourasse primeiro, ele ficaria decepcionado e começaria a choramingar.
Não tem jeito.
Após soltar um leve suspiro, Seo Gyu-ha lançou pela primeira vez a bola que segurava com toda a força em direção à cabaça. O alvo era a fenda central onde a fita adesiva estava colada.
Poc—!
— O som foi bom.
Como era incômodo pegar uma por uma, ele agarrou um punhado de cinco ou seis bolas e começou a atingir repetidamente apenas aquela parte específica. Ao seu lado, Gyu-young também se esforçava ao máximo para lançar as bolas.
— Pais de ambos os times, é muito bom ver o empenho de vocês! A cabaça azul está balançando muito. E logo após eu dizer isso, a cabaça branca também parece ter se aberto um pouco!
Ao olhar de relance para o time adversário, todos, tanto adultos quanto crianças, estavam lançando as bolas com força. Estimulado por aquilo, Seo Gyu-ha focou novamente na parte da emenda. Como outros pais usaram a mesma estratégia, a cabaça, que foi atingida por um bom tempo, finalmente começou a se abrir aos poucos.
“Só mais um pouco.”
Poc! Poc!
De repente, Seo Gyu-ha estava totalmente concentrado. O descontentamento de “por que chamam os adultos se é para as crianças fazerem” tinha sumido completamente. A cada arremesso forte, ele sentia o estresse sendo liberado e, ao ver a cabaça se abrindo gradualmente, sentia um senso de conquista.
Pouco depois, a cabaça, que já estava partida ao meio, finalmente se abriu por completo, e os confetes de papel que estavam dentro explodiram para fora. Uma faixa também se desenrolou, revelando as palavras: “Bom apetite!”.
— Uau, abriu!
Gyu-young pulava de tanta alegria. — Papai! Nosso time venceu! — Ao vê-lo tão feliz com todo o rosto, Seo Gyu-ha deu um risinho e ergueu Gyu-young com um braço. Ele se sentiu um pouco envergonhado por ter se concentrado tanto sem querer, mas como o filho estava tão feliz, pensou “que mal tem?”.
Um momento depois, a cabaça branca também estourou com uma mensagem semelhante, e Seo Gyu-ha voltou para o seu lugar com Gyu-young no colo. Pelo sistema de som, o anúncio do horário de almoço estava sendo feito.
— Papai, quero limpar as mãos.
Assim que o sentou, Gyu-young estendeu as mãozinhas. — Ah, espere um pouco. — Ao abrir a lancheira apressadamente torcendo para encontrar algo, viu que a ajudante tinha incluído lenços umedecidos. Após limpar as mãos do filho e puxar mais alguns lenços, Yoon Byung-chul apareceu, conforme o combinado, carregando sua filha no colo.
— Oi, Gyu-young.
— Olá! Oi, Su-bin!
Como se conheciam desde bebês, Gyu-young cumprimentou-os com um sorriso largo, sem timidez. Im Hyung-bin, sentado, tirou as vasilhas da lancheira e abriu as tampas uma por uma. Diante disso, Seo Gyu-ha não poupou elogios.
— Uau, Hyung, foi você quem fez?
A resposta veio da boca de Yoon Byung-chul.
— Ele acordou de madrugada para fazer por causa do dia da gincana. Não é incrível?
— Foi você quem fez? — perguntou Gyu-ha.
— Não, foi o Hyung.
— Então por que você está aí todo orgulhoso como se tivesse sido você?
— É porque eu sinto orgulho.
— Que sujeito coruja.
— Deixe-me ver a lancheira da sua casa também.
Quando Seo Gyu-ha finalmente tirou as vasilhas, Yoon Byung-chul deu uma olhada e soltou um breve “Oh!”.
— É talento da ajudante, não é?
— Com certeza.
Era uma pergunta que nem precisava de resposta. O kimbap em formato de cachorrinho que Gyu-young gostava, ovos de codorna em formato de cabeça de galinha que ele não fazia ideia de como foram feitos, salsichas em formato de polvo e até uma sobremesa de frutas com decoração caprichada; era uma lancheira de três andares que parecia estar em um nível impossível de alcançar nesta vida, a menos que ele morresse e nascesse de novo.
“Ela se dedicou bastante. Quando será que fez tudo isso?”
Ele conhecia bem o talento culinário da ajudante, mas era surpreendente que se pudesse fazer uma lancheira tão bonita em casa. Parecia algo que só empresas especializadas fariam.
Logo começaram a refeição em uma atmosfera amigável. Como se ela fosse uma irmãzinha mais nova, Gyu-young dizia: “Coma isto aqui, Su-bin”, espetando o kimbap e a salsicha com o garfo e entregando para ela. Toda vez, Yoon Byung-chul olhava para Gyu-young com uma expressão de extrema satisfação.
— Veja só o Gyu-young cuidando da nossa Su-bin, mesmo sendo ainda um bebê. A quem será que ele puxou para ser tão bondoso e lindo?
— A mim, é claro — disse Gyu-ha.
— É uma sorte ele ter puxado o Lee Cha-young.
— Quer morrer?
— Ei, olha o linguajar de novo!
Eles moviam os pauzinhos freneticamente enquanto trocavam provocações. O almoço da ajudante não era apenas visualmente bonito. Embora o tempero fosse um pouco suave para agradar ao paladar infantil, comer com os acompanhamentos tornava tudo simplesmente delicioso.
— O que vão fazer à noite?
— Não sei.
— Nós vamos levar a Su-bin para ver um filme, querem ir junto?
— Logo após a gincana? Acho que vai ser cansativo.
— Cansativo por quê? Você só ficou sentado assistindo… hein?
Yoon Byung-chul, que falava sem parar, de repente parou e olhou para algum lugar. Gyu-ha continuou focado na comida sem dar importância, mas o comentário que se seguiu foi inesperado.
— Aquele ali não é o Cha-young?
A mão que ia em direção ao copo de papel parou. Ele engoliu a comida que estava na boca e só então se virou lentamente. Realmente, viu um homem entrando pelo acesso do campo esportivo.
Imediatamente, uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Seo Gyu-ha. Embora houvesse uma distância considerável, ele tinha certeza de que era Lee Cha-young. A menos que existisse outra pessoa com aquelas proporções físicas e aquele rosto que se destacavam mesmo de longe.
Trrr— Trrr—
O toque familiar do celular soou. Após olhar por um instante para a tela onde piscava o nome “Lee Cha-young”, Seo Gyu-ha atendeu o telefone com atraso.
— Oi.
— Onde você está?
— Onde mais estaria? No campo.
Enquanto respondia, seu olhar permanecia fixo no mesmo lugar. Naturalmente, Lee Cha-young também estava com o celular no ouvido. Ao vê-lo olhar ao redor, parecia que ele estava procurando por ele.
— Em que lado você está? Na verdade, acabei de chegar ao campo.
Como esperado, ele não tinha visto errado. Embora estivesse atordoado com a aparição repentina, respondeu prontamente.
— Está vendo a tenda escrita “Turma do Cervo”? À direita.
— Sim, estou vendo.
— Venha para cá. Estou almoçando na arquibancada atrás da tenda.
— Entendi.
Assim que desligou o telefone, Yoon Byung-chul perguntou:
— É o Cha-young mesmo?
— É. Como você o viu?
— Ele simplesmente saltou aos olhos. É a glória de ter 2.0 de visão em ambos os olhos.
— Glória é o caramba.
Enquanto voltavam a se provocar, ouviu Gyu-young gritando com voz firme:
— Papai!
Ao virar o rosto, Lee Cha-young estava parado bem na frente deles. Como a distância da entrada até ali era razoável, ele devia ter caminhado com bastante agilidade. Lee Cha-young, com Gyu-young nos braços, acomodou-se em um lugar vazio sem precisar de convite.
— Olá.
Ao vê-lo cumprimentando com um rosto sorridente, Seo Gyu-ha perguntou com uma expressão atônita:
— Como veio parar aqui? Você não disse que tinha uma reunião hoje?
— Não era uma reunião de negócios, era uma reunião interna, mas eu a adiei para amanhã. Achei que o Gyu-young ficaria triste se eu não viesse de novo.
— Você já comeu?
— Não. Saí a tempo de comermos juntos aqui.
Ao ver o rosto sorridente dele, Seo Gyu-ha também soltou uma risadinha. O gosto dele por surpresas bobas, como sair do trabalho cedo sem avisar ou aparecer no café, continuava o mesmo.
A lancheira parecia volumosa por ser grande e ter três andares, mas com mais uma boca para alimentar, o kimbap desapareceu rapidamente. Enquanto colocava kimbap na boca de Gyu-young de vez em quando, Lee Cha-young conversava sorridente com Yoon Byung-chul. Yoon Byung-chul também continuava a conversa fingindo ser culto com sua filha no colo; pareciam bem próximos, já que haviam se encontrado algumas vezes antes.
Perto do fim da refeição, Gyu-young, que estava calmamente no colo do pai, olhou para cima como se tivesse lembrado de algo e disse:
— Papai, eu fiquei em 2º lugar na corrida!
— É mesmo? Muito bem, meu filho.
“Lá vem eles de novo, lá vem.”
Enquanto comia uma maçã de sobremesa, Seo Gyu-ha entortou o lábio. Era uma cena que ele via até cansar desde que o filho nasceu, mas, ainda assim, às vezes parecia estranho e novo.
Como era mesmo? Ele lembrava de ter ouvido em algum lugar que quanto mais dominante um ser, maior o seu desejo reprodutivo e a fixação pela linhagem sanguínea; ao ver aquele sujeito de aparência fria com a criança no colo fazendo “mimo”, parecia que o ditado não estava totalmente errado.
A ajudante cuidadosa também havia enviado café em uma garrafa térmica para tomarem após a refeição. Graças a isso, enquanto tomavam o café quente, o som das canções infantis diminuiu drasticamente e a voz do mestre de cerimônias ecoou.
Com o anúncio convocando todos os alunos, Gyu-young levantou-se num pulo e calçou os tênis. Esperou Su-bin calçar os sapatos e os dois pequenos caminharam de mãos dadas amigavelmente em direção ao centro do palco. Pouco depois, Yoon Byung-chul e Im Hyung-bin também se retiraram, e logo os dois ficaram sozinhos.
— Haaam…
Com a barriga cheia, o bocejo veio naturalmente. Enquanto Seo Gyu-ha esticava as pernas e descansava confortavelmente, Lee Cha-young preparava a câmera que tirou de sua maleta.
Ao vê-lo trazer até a câmera, parecia que ele estava decidido a tirar fotos de qualidade. Dava para imaginar que a melhor delas acabaria em um porta-retratos decorando a sala.
Como ele bocejou repetidamente, Lee Cha-young olhou para ele e deu um risinho.
— Está cansado?
— Não, é porque estou cheio. Acho que comi demais.
— Então você vai ter que se exercitar bastante depois.
— Hoje vou descansar. Já peguei pesado ontem.
Embora tivesse uma personalidade sem persistência e que enjoava fácil das coisas, ele continuava praticando musculação com constância. Como diziam que não era bom fazer todos os dias, ele ia dia sim, dia não; ao ouvir a resposta, Lee Cha-young sorriu maliciosamente, levantando o canto da boca.
— Não desse jeito.
— O quê? — Ao se virar para olhar, Lee Cha-young sussurrou com voz baixa no ouvido de Seo Gyu-ha:
— Aquele exercício que se faz na cama. Comigo.
— Ficou louco?
Ele percebeu o sentido da frase imediatamente e sentiu repulsa, mas Lee Cha-young apenas sorria como alguém que perdeu o juízo. Após aplicar uma cotovelada como punição, ele voltou o olhar para o campo.
Viu as crianças pequenas como sementes rolando bolas que eram várias vezes maiores que seus próprios corpos. Mesmo no tédio, o programa avançava ritmadamente, e outro anúncio soou alto.
— A próxima atividade é o que podemos chamar de a flor da gincana! Teremos a corrida de revezamento dos pais, então pedimos que os pais que desejam participar se reúnam na arquibancada à esquerda.
A voz do mestre de cerimônias era muito estridente, mas Seo Gyu-ha mal prestava atenção. Se ele nunca tinha corrido direito nem nos testes de aptidão física da escola, não havia chance de participar de algo como um revezamento de pais… hein?
Sentindo um movimento, ele virou a cabeça e viu Lee Cha-young, que tirava fotos incansavelmente, de pé. Seo Gyu-ha falou logo sem dar importância:
— Vai ao banheiro?
— Não, vou correr.
Seo Gyu-ha, que estava com a cabeça apoiada na mão de forma torta, tirou o braço sem perceber e perguntou surpreso:
— Correr? Não me diga que é isso que acabaram de anunciar?
— Sim. Você quer vir também?
— De jeito nenhum.
Respondeu com aversão e, apoiando a cabeça novamente, fez uma contraproposta:
— Apenas fique sentado e assista. Não faça nada para chamar atenção sem necessidade.
Ele jamais diria isso na frente dele nem que sua boca rasgasse, mas mesmo agora, no início dos seus 30 anos, a beleza de Lee Cha-young continuava intacta. Se quando jovem ele era simplesmente bonito de forma clássica, agora ele exalava uma presença avassaladora apenas por estar parado, com a maturidade e o ar de tranquilidade adicionais. Além disso, não se sabia se ele passava perfume a cada instante, mas bastava estar perto dele para sentir um cheiro tão bom que às vezes fazia seu coração palpitar sem querer.
Mesmo que não fosse por isso, entre as pessoas presentes ali, não devia haver ninguém que não soubesse que Lee Cha-young era o vice-presidente da JM Eletrônicos. Em suma, era algo que ele não conseguiria evitar mesmo que não quisesse chamar atenção, mas, infelizmente, Lee Cha-young não parecia disposto a mudar de ideia. Pelo contrário, ele até dobrou as mangas da camisa e disse com tom confiante:
— Tenho que mostrar um lado legal na frente do meu filho.
— Você nem tem tênis. Se você cair, vai ser uma vergonha tremenda, sabia?
A cena se desenhou naturalmente em sua mente. Se ele corresse e, por acaso, tropeçasse e se estabacasse no chão… se ele se levantasse e houvesse um buraco no joelho da calça social… só de pensar nisso, Seo Gyu-ha sentiu um calafrio de vergonha alheia e tremeu.
— Eu já disse para você ficar aqui.
Mas, ironicamente, naquele momento soou novamente o anúncio procurando pais para participar da corrida. Lee Cha-young deu uma olhada rápida e deu um passo à frente de Seo Gyu-ha, fazendo uma proposta inesperada.
— Ou você quer apostar comigo?
— ? Que aposta.
— Como é revezamento, acho que será por equipes; se a equipe em que eu correr ficar em 1º lugar, você realiza um desejo meu.
Seo Gyu-ha entendeu perfeitamente e fez uma expressão tentada.
— E se ficar em 2º ou abaixo disso, você realiza um desejo meu?
— Isso mesmo.
— Fechado.
Não era algo que exigia muita reflexão. No revezamento, pelo menos algumas equipes correriam simultaneamente, então a probabilidade de ficar em 1º lugar seria de, na melhor das hipóteses, cerca de 20%. A própria modalidade também era desvantajosa. Mesmo que Lee Cha-young corresse como um atleta nacional, se houvesse um único ponto fraco na mesma equipe, o jogo estaria perdido.
— Nada de mudar de ideia depois.
— Veja se você não vai sumir com a promessa. Boa sorte.
Ao enviar um incentivo sem alma, Lee Cha-young deu um risinho e começou a caminhar. Após observar as costas dele por um instante, Seo Gyu-ha mudou-se para a cadeira da primeira fila.
O campo estava limpo e, pouco depois, um grupo de pessoas que claramente pareciam ser pais saiu caminhando. Lee Cha-young estava entre eles. Seo Gyu-ha endireitou a postura que estava encostada no encosto da cadeira e inclinou o corpo para frente sem perceber.
Não sabia se era por causa da aposta boba, mas sentiu uma tensão desnecessária, apesar de não ser ele quem ia correr. Quando viu o juiz levantar lentamente a arma para o alto, a tensão dobrou.
— Bang!
Com o som estrondoso do tiro, a corrida começou. Ao ver as pessoas correndo ora à frente, ora atrás, a admiração surgiu espontaneamente.
— Não é brincadeira.
Talvez por pensarem que seus filhos estavam assistindo, todos corriam em velocidade máxima com os dentes cerrados e expressões distorcidas. Seus olhos se moviam rapidamente acompanhando as pessoas que davam voltas na pista. Parecia que apenas pessoas que já tinham corrido bem no passado haviam saído, pois a sensação de suspense era incomparavelmente maior do que quando as crianças corriam.
— Os pais das Turmas do Cervo e do Coelho estão em uma disputa acirradíssima!
Conforme o comentário do mestre de cerimônias proferido com excitação, a guerra psicológica entre os dois homens que corriam na liderança era notável. Mesmo que alguém tentasse ultrapassar por dentro vindo de trás, o homem que carregava no peito um papel impresso com “Turma do Coelho” em vez de um número de participante jamais cedia a liderança.
No entanto, infelizmente, o embate não durou muito. O bastão passou para o próximo corredor e, pouco depois, gargalhadas explodiram de vários lugares.
— Que loucura. Quem é aquela pessoa?
Um riso absurdo também escapou da boca de Seo Gyu-ha. O causador do riso era o segundo corredor da Turma do Cervo. Pela expressão, ele parecia tão solene quanto um atleta participando das Olimpíadas, mas, por algum motivo, sua velocidade era terrivelmente lenta, como se tivessem aplicado um efeito de câmera lenta apenas nele.
Uma pessoa, depois outra, os que corriam atrás o ultrapassaram calmamente. O pai da Turma do Cervo, cuja expressão era digna de um atleta da seleção nacional, caiu do 2º lugar para o último em um piscar de olhos, e a distância para os líderes aumentou a ponto de ser irrecuperável.
— Acabou.
A essa altura, era como se ele já tivesse vencido a aposta com Lee Cha-young. O que ele deveria pedir? Enquanto tinha esse dilema feliz, o bastão passou para o próximo corredor.
Felizmente, o terceiro homem parecia ter pés bem rápidos, mas diminuir a distância que já havia se alargado tanto não era tarefa fácil. Mesmo assim, ele correu com afinco e, quando estava prestes a completar o retorno, Lee Cha-young finalmente se posicionou na linha e olhou para trás.
“Será que ele vai cair de verdade por correr com ganância?”
A ideia de que, se isso acontecesse, ele poderia zombar dele por pelo menos cem anos o deixava extremamente alegre. Enquanto se divertia com um sorriso largo, o bastão azul finalmente passou para as mãos de Lee Cha-young e, pouco depois, a expressão de Seo Gyu-ha começou a mudar gradualmente.
— Nossa…
Uma exclamação com uma nuance completamente diferente da anterior escapou. Lee Cha-young, que recebeu o bastão, começou a correr como um verdadeiro louco.
Embora fosse a primeira vez que o via correndo em velocidade máxima, ele sentiu um dejà vu familiar. Lembrou-se de ter visto em um filme um detetive obstinado perseguindo um suspeito que ele esperava há muito tempo, correndo daquele jeito com todas as suas forças.
Olhando de novo, ele também parecia um touro bravo avançando com toda a raiva. Ao vê-lo ultrapassar duas pessoas em um instante, Seo Gyu-ha ficou impressionado. Se alguém fosse pego por um sujeito desses, nem os ossos sobrariam.
— O pai que é o último corredor da Turma do Cervo é realmente incrível! Todos, enviem uma salva de palmas de incentivo bem forte!
— Vai, pai do Gyu-young!!!
— Vai!!!
Entre os pais entusiasmados na mesma tenda, havia quem se levantasse e enviasse um incentivo caloroso. Contagiado por aquela atmosfera, Seo Gyu-ha também esperou uma virada internamente, mas, no fim, ele não conseguiu ultrapassar o líder e cruzou a linha de chegada em segundo lugar.
Como Gyu-young era da Turma do Cervo, ele sentiu uma leve pontinha de decepção. Se aquele homem de antes tivesse corrido um pouco melhor, poderiam ter ficado em 1º lugar. Não, mas afinal, com que confiança aquele sujeito se dispôs a correr?
Ao rir de novo achando graça daquilo, Lee Cha-young retornou ao seu lugar pouco depois. Seo Gyu-ha não pôde deixar de rir repetidamente. Pela gravata levemente torta e pelo cabelo bagunçado, estava claro que ele havia corrido com cem por cento de sinceridade.
Após cumprimentar com rosto acanhado os outros pais que o recebiam como se ele fosse um filho voltando com glória, Lee Cha-young foi para onde Seo Gyu-ha estava e sentou-se pesadamente em um lugar vazio.
— Você correu com os dentes cerrados pra caramba, hein?
A provocação astuta continuou, mas o perdedor não tinha o que dizer. Mesmo falando aquilo, Seo Gyu-ha entregou uma garrafa de água; após saciar a sede, Lee Cha-young virou a cabeça para o lado.
— Gyu-ha.
— O quê.
— Me leve no colo quando formos para casa.
— O quê?
— Acho que não vou conseguir caminhar porque minhas pernas estão tremendo.
Diante do tom de voz carregado de drama, Seo Gyu-ha riu com os lábios tremendo.
— Eu já sabia, desde quando você começou a correr como um louco.
— Você vai me levar no colo?
— Acha mesmo que eu faria isso? E o desejo, sou eu quem deve dizer.
— É só você dizer que seu desejo é me levar no colo.
— Ficou louco?
Enquanto trocavam provocações infantis, Seo Gyu-ha fez uma promessa interna. Eles costumavam fazer apostas bobas às vezes, mas ele decidiu que jamais deveria fazer algo que envolvesse esforço físico ou força.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna