↫─☫ Extra 4
↫─☫ Extra 4
↫─☫ Ordinary days
Seo Gyu-ha acordou sentindo uma pressão repentina. Tateando o próprio corpo, ele logo percebeu o motivo. Uma mão grande, que não era a sua, envolvia sua cintura por trás como se o estivesse prendendo. Para completar, sentia o hálito quente diretamente em sua nuca.
Ele franziu o cenho instintivamente. Ao dormir, Gyu-ha costumava ficar deitado de barriga para cima ou de um jeito que não houvesse toque, mas sempre que acordava sentindo-se sufocado, Lee Cha-young inevitavelmente o estava usando como travesseiro de braço ou abraçando-o pelas costas, mesmo sem ninguém ter pedido.
— Ah, de novo…
O resmungo carregado de irritação veio em seguida. Sentindo algo escorrer em gotas pela ponta do peito, Gyu-ha franziu o rosto em uma careta e enfiou a mão por baixo da camiseta. Assim que tocou o peito, sentiu algo úmido.
“Dizer que ômega homem não produz leite é o caralho.”
Tanto o obstetra quanto os livros sobre gravidez que ele folheou diziam claramente que “ômegas do sexo masculino têm baixa produção de leite materno e o período é relativamente curto”, então ele acreditou nisso. No entanto, após dar à luz, Gyu-ha percebeu que essa regra não se aplicava a ele.
O primeiro sinal apareceu cerca de três dias após o parto. Quando sentiu o peito inchado e dolorido como se a carne estivesse empedrada, Lee Cha-young o abraçou por trás e o massageou com cuidado até que o colostro finalmente saiu. A partir dali, um “portão do inferno” inesperado se abriu. O leite fluía tão rápido que até o médico ficou surpreso, dizendo ser uma exceção. Como o bebê ainda estava na incubadora lutando para crescer, cada dia era um suplício.
De qualquer forma, a sensação de algo vazando aos poucos enquanto dormia, sem aviso prévio, era tão desconfortável e desagradável quanto ter uma polução noturna na adolescência. Como a quantidade havia diminuído após três meses, ele engoliu o orgulho e descartou os absorventes de seios que usava, mas ocasionalmente, como hoje, passava pelo constrangimento de vazar durante o sono.
“Deveria ter comido mais antes de dormir”, resmungou ele enquanto se sentava. Sentindo o movimento de ser empurrado, Lee Cha-young também acordou. Ao vê-lo sentado de forma desajeitada, percebeu imediatamente o motivo.
— Molhou a roupa?
— É. Ah, porra…
— Vou pegar a bombinha.
Após ligar a luminária de cabeceira, Cha-young se abaixou e pegou a bomba de tirar leite na última gaveta do criado-mudo. Com uma habilidade que não parecia de alguém que acabou de acordar, ele terminou a montagem e fez uma massagem no peito de Gyu-ha com uma toalha umedecida em água morna. Gyu-ha, sentado meio zonzo de sono, sentiu o bocal da bomba encostar e murmurou:
— Faz fraco.
— Tá bom. Relaxa e fica tranquilo.
Após o término do processo, a limpeza também ficou por conta de Cha-young. Quando terminou de lavar e organizar tudo e voltou para o quarto, Gyu-ha já tinha caído de lado e adormecido.
Cha-young ia apagar a luz e deitar ao lado dele, mas mudou de ideia e subiu em cima de Gyu-ha. Girou levemente o corpo dele para ficar de frente, subiu devagar a camisa que ele acabara de trocar e abocanhou o mamilo exposto. Quase instantaneamente, ouviu uma voz resmungando acima de sua cabeça.
— …O que você tá fazendo?
— Pra não molhar de novo.
— Eu acabei de tirar.
— Tô limpando o resíduo. Dorme tranquilo.
Mesmo sentindo-o tentar se mexer em meio ao sono, Cha-young o segurou com as duas mãos para impedi-lo e continuou o que estava fazendo.
Após umedecer a protuberância com a ponta da língua, ele sugou com força, fazendo com que o leite restante saísse aos poucos. Para ser sincero, o gosto era insosso e ralo, não era bom. No entanto, Gyu-ha gostava quando ele sugava seus peitos, e o fato de saber que a produção de leite era temporária o deixava melancólico, tornando aquilo quase uma obsessão. Ele sabia que ter um segundo filho era algo fora de cogitação.
— Uhm…
Os pulsos de Gyu-ha, que Cha-young pressionava levemente com as palmas das mãos, tremeram com mais intensidade. Ao afastar os lábios e olhar para baixo, notou que o centro da calça do pijama estava visivelmente erguido. Ao tocar, sentiu a rigidez pulsante.
Como não seria educado recusar um banquete já preparado, Cha-young não hesitou em abaixar sua calça e cueca para libertar o pênis. Como se estivesse reagindo desde o momento em que ele abocanhou o peito de Gyu-ha, seu membro estava completamente ereto e com a ponta úmida.
No momento em que ia empurrar o quadril entre as pernas abertas, Gyu-ha, que ele pensou estar dormindo, se mexeu e abriu frestas dos olhos.
— …Se for fazer, só esfrega.
— Vamos fazer só uma vez. Eu limpo tudo depois.
— Cai fora. Nem pense em enfiar.
Por causa do bebê, que expressava todas as suas necessidades chorando, era comum acordar duas ou três vezes por noite. A qualidade do sono já era péssima, e se ele se deixasse levar agora, certamente passaria uma ou duas horas num piscar de olhos.
— Se não quiser, sai de cima.
— Tá bom. Vou só esfregar.
Empurrando o quadril novamente, Cha-young segurou os dois membros simultaneamente e começou a movê-los. No escuro, seu olhar brilhante fixou-se no rosto de Gyu-ha.
Embora sua obsessão e apego por objetos queridos fossem fortes, ele nunca teve uma pessoa como alvo desse sentimento até então. Geralmente, o interesse esfriava naturalmente após algumas noites, mas Seo Gyu-ha era a única exceção. Em termos de tempo, já fazia mais de um ano, mas em vez de enjoar ou perder o interesse, ele ficava ansioso para transar todos os dias.
— Hng, ah…
Cha-young puxou a mão de Gyu-ha para que ele segurasse o membro. Apenas o calor do toque na pele fez a excitação subir bruscamente, e o fluido pré-ejaculatório começou a escorrer. Com sua mão sobre a dele, ele moveu com força e rapidez. Movendo o quadril conforme a sensação de ápice subia, os dois atingiram o orgasmo com pouca diferença de tempo.
— Haa…
O sêmen expelido com vigor saltou até o peito de Gyu-ha, deixando rastros. Enquanto esfregava a substância esbranquiçada — sem saber de quem era — no mamilo de Gyu-ha, Cha-young relaxou os músculos das costas e curvou o tronco novamente.
No momento em que ia selar seus lábios nos dele, que soltavam um hálito doce…
— Uáááá-!
— …!
Ao ouvirem o som vindo fracamente pela fresta da porta, ambos pararam como se tivessem combinado. Uma risada curta e sem fôlego escapou logo depois. Se servia de consolo, era bom que o bebê tivesse acordado logo após eles gozarem.
— Já volto.
Cha-young se levantou, vestiu a calça do pijama às pressas e saiu do quarto. Entrou no quarto do bebê logo ao lado — cuja porta ficava sempre entreaberta à noite —, ligou a luminária de parede em formato de lua e se aproximou do berço.
— Acordou?
Depois de retirar a manta fina decorada com animais fofos, Cha-young verificou a fralda primeiro. Ao sentir que estava úmida, ele o pegou no colo e o levou para o tapete no chão.
— O papai vai trocar sua fralda rapidinho. Fica quietinho.
— Uuu…
— Bom menino.
Colocando a chupeta na boca dele e um pequeno chocalho na mão que estava sem a luvinha, Cha-young trocou a fralda com movimentos ágeis. Ele sempre teve facilidade em aprender as coisas e, como ficava praticamente encarregado do bebê desde que chegava do trabalho até a hora de sair no dia seguinte, era impossível não ter prática.
A missão foi cumprida rapidamente, mas em vez de colocar Gyu-young de volta no berço, Cha-young inclinou o corpo para aproximar o rosto. Retirou a chupeta usada para acalmar e deu leves toques nos dedinhos gordinhos que seguravam o chocalho; o bebê abriu um sorriso lindo.
— Gostou?
Um sorriso também surgiu no rosto de Cha-young. No fundo, ele desejava que o bebê se parecesse com Seo Gyu-ha, mas, como ele previra antes, infelizmente o menino era a cópia fiel de suas próprias fotos de infância. Até hoje, sempre que Cha-young se oferecia para dirigir nas idas ao médico ou para vacinas, o doutor ria dizendo que o bebê era a cara do pai.
De qualquer forma, toda vez que olhava para Gyu-young, sentia uma gratidão espontânea. Ele se preocupou muito quando o bebê recebeu alta pesando menos que o normal e sendo tão pequeno, mas felizmente Gyu-young mamava bem e seguia as etapas de desenvolvimento com firmeza, crescendo visivelmente a cada dia.
— Não está com fome?
— Uu. Baa.
Toda vez que ele falava, Gyu-young mexia os lábios minúsculos e mostrava sorrisos que derretiam qualquer um. Por isso, embora recebesse broncas de Seo Gyu-ha dizendo “o que você espera de uma criança que nem sabe responder?”, ele não conseguia evitar puxar assunto.
Segurando Gyu-young novamente, Cha-young o posicionou como se fosse amamentar e deu tapinhas leves na barriguinha dele. O bebê ria e fazia gracinhas toda vez que seus olhares se cruzavam, até que, de repente, abriu a boca e bocejou.
Uma risada escapou. Mesmo tendo crescido muito, ele ainda era tão pequeno que não chegava ao comprimento do seu antebraço, e era simplesmente fascinante vê-lo abrir a boca e bocejar porque estava com sono.
Seu olhar transbordava ternura. Como tinha o sono leve e invariavelmente acordava duas vezes por noite para a amamentação, seu corpo estava cansado, mas ao lembrar de quando o bebê era prematuro e ele queria segurá-lo mas não podia, até o choro de manha era uma alegria e uma felicidade.
Quanto tempo se passou? Ao ver que os olhos de Gyu-young estavam completamente fechados, Cha-young usou a força das pernas para se levantar lentamente. Colocou-o no berço com cuidado para não acordá-lo e recolocou a luvinha que havia tirado para dar o chocalho.
Mesmo após terminar de colocá-lo para dormir, Cha-young não saiu imediatamente. Com os braços apoiados na grade do berço, ficou observando o rosto da criança adormecida por um longo tempo.
***
A cada respiração, um som ofegante saía naturalmente. “55, 56, 57”. Contando mentalmente enquanto corria na esteira, Seo Gyu-ha apertou o botão de parar sem hesitar assim que o número que subia lentamente mudou para 40:00.
— Haa, haa…
Correr por 40 minutos sem parar, apenas variando a velocidade, fazia seu peito parecer que ia explodir. Após beber água para molhar a garganta e recuperar o fôlego, Gyu-ha limpou a boca úmida e caminhou para o chuveiro. O instrutor, que vinha na direção oposta, o abordou com um sorriso profissional.
— Já terminou?
— Sim.
— Completou os 40 minutos, certo?
— Sim.
— Bom trabalho. Até amanhã.
Após um breve aceno de cabeça, Gyu-ha continuou andando. Talvez fosse impressão, mas sentiu um olhar em suas costas e coçou a nuca.
Logo que começou a treinar, sempre que a corrida ficava difícil e ele tentava diminuir a velocidade ou o tempo, o instrutor aparecia como um fantasma e apertava os botões dizendo: “Você precisa fazer pelo menos isso”, sempre com um sorriso no rosto. Não adiantava demonstrar cansaço. Diziam que ele era famoso e até aparecia na TV; havia um motivo para sua reputação.
Depois do banho, sentiu-se revigorado. Secou o cabelo, terminou de se arrumar e saiu da academia com passos leves.
O sol estava brilhando e o tempo estava tão bom que chegava a ofuscar os olhos. Estava bom demais para convidar aqueles idiotas dos seus amigos para casa.
Há alguns dias, enquanto trocavam conversas inúteis como sempre, Park Chan-woong do nada começou a fazer cena, dizendo: “Como pode meu sobrinho ter nascido há meses e eu ainda não ter visto o rosto dele?”. Como se estivessem esperando por isso, as mensagens dos outros caras reclamando também começaram a subir, então decidiram se encontrar todos hoje na casa dele.
*Bip-bip-bip-bip—*
Assim que abriu a porta da frente, não demorou para a babá aparecer com o som de chinelos. Ela trazia Gyu-young no colo.
— Você voltou?
— Paa!
Assim que viu o pai, Gyu-young disparou um sorriso carregado de fofura. Rindo junto, Seo Gyu-ha estendeu os braços e pegou o filho no colo.
— Brincou direitinho sem chorar?
— Paa! Uuu.
A pronúncia era incerta, mas parecia que ele estava respondendo que sim. “Que criança inteligente, de quem será que puxou?”, pensou Gyu-ha. Enquanto o ninava alegremente, Gyu-young, que estava com as palminhas das mãos juntas como se batesse palmas, de repente olhou para as próprias mãos com uma expressão de quem via algo extraordinário. Logo em seguida, o indicador direito foi direto para a boca.
— Não chupa o dedo, é sujo.
Indo direto para o quarto do bebê, Gyu-ha colocou a chupeta na boca de Gyu-young. Infelizmente, esqueceu de limpar o dedo molhado de saliva e sentou-se de pernas cruzadas no tapete com o filho no colo. Era hora de cumprir a cota de brincadeiras da manhã.
Enquanto balançava preguiçosamente um brinquedo que fazia barulho, o celular no bolso de trás da calça tocou ruidosamente. Ao olhar, viu o nome “Filhote de Urso”.
— O que foi?
Assim que atendeu, veio uma pergunta do nada.
— Ei, qual a altura do Gyu-young?
— O quê?
— A altura dele. Ele tem uns 60 cm?
Para um chute aleatório, foi uma suposição precisa. Na última vez que foram ao hospital, ele media 60,7 cm. Mimando o pequeno que se remexia em seu colo, Gyu-ha continuou:
— Por que perguntou a altura dele do nada?
— O Byeong-cheol sugeriu comprarmos uma roupinha de bebê antes de ir, então paramos aqui rapidinho.
— Eu disse pra vocês virem sem nada.
Seu olhar se voltou involuntariamente para o armário. O outro cara que forneceu os genes vivia comprando de tudo na volta do trabalho, então o armário e as gavetas já estavam explodindo.
— Ele é nosso primeiro sobrinho, não podemos chegar de mãos vazias. Enfim, qual a altura dele?
Gyu-ha acabou rindo. Ao ouvir a pergunta insistente, lembrou-se de uma história.
— Por quê? Se eu disser 60 cm, você vai comprar uma que diz 6m (metros)?
— Como você sabia? Porra, você realmente é pai!
— Cala a boca, seu idi…
Ele ia xingar, mas ao sentir o peso sólido em seu colo, mudou o tom.
— Aquilo não é altura, é o mês. 3m é para 3 meses, 6m é para 6 meses.
Como bons amigos que eram, eram igualmente lerdos para certas coisas. Claro, como não queria passar vergonha, decidiu manter em segredo que ele também tinha se confundido no início.
— Se faz tanta questão de comprar, traz uma de 6 meses.
— Caramba, o Gyu-young é um bebê gigante?
— Gigante é a sua cabeça.
— Então por que pediu de 6 meses? Ele ainda não tem tudo isso.
— É porque as roupas para usar agora estão sobrando. Se trouxer um tamanho maior, eu guardo para depois.
— Ok, ok.
Com a resposta ruidosa, a ligação caiu. Ao guardar o celular no bolso, um suspiro escapou. Bastou pouco mais de um minuto de conversa para ele se sentir exausto.
Cerca de 30 minutos depois.
Três homens com aparências desleixadas — mesmo no outono — invadiram a casa. Park Chan-woong, que entrou na frente, abriu um sorriso de orelha a orelha assim que viu o bebê no colo de Seo Gyu-ha.
— Gyu-young! Os tios chegaram!
— Eu sou invisível agora?
Gyu-ha riu e mandou que fossem lavar as mãos primeiro. Os três homens obedeceram como crianças bem-educadas e fizeram fila para usar o banheiro. Ao saírem, Kim Gang-san, que venceu um Jokenpô improvisado, perguntou com expectativa:
— Posso segurar o bebê?
— Cuidado para não deixar cair.
— É claro.
Gyu-ha passou Gyu-young cuidadosamente para os braços de Kim Gang-san. Embora tivesse dito para ter cuidado, ele não estava realmente preocupado. Como esperado de alguém que fazia tudo bem, a postura de Gang-san ao segurar o bebê era bem estável.
— Oi, Gyu-young.
Ao ouvir o cumprimento e trocar olhares, o bebê soltou uma gargalhada. Um leve sorriso também surgiu no rosto de Gang-san.
— Ele é muito mansinho. Nem estranha as pessoas.
— Pois é, a babá até diz que…
— Hahahaha!
Uma risada repentina interrompeu a resposta. O dono da risada escandalosa era Park Chan-woong.
— Nossa, que demais. Você vive assim agora?
O olhar de Chan-woong estava fixo na sala. Mais precisamente, em um quadro enorme na parede que mostrava dois homens de terno. Era a foto tirada em estúdio antes do casamento.
Além dessa, a casa estava cheia de porta-retratos de todos os tipos. A maioria era de fotos solo de Gyu-young, mas também havia algumas de Gyu-ha e Gyu-young dormindo lado a lado. Sem dúvida, obras de Lee Cha-young.
“Merda, esqueci de tirar aquilo.”
Suas orelhas ficaram vermelhas de vergonha. Escondendo o que sentia, Gyu-ha respondeu com o pescoço rígido:
— Se está com inveja, é só falar.
— Eu nunca admitiria isso. Vou guardar a inveja só para mim.
Yoon Byeong-cheol, que esperava sua vez, soltou uma verdade ácida:
— Então ele deve estar com muita inveja.
— Cala a boca.
— Olha esse vocabulário na frente do bebê.
— Ca… fica quieto, porra.
Logo, Park Chan-woong abriu os braços para o bebê com um grande sorriso.
— Vem com o tio também!
— Cuidado.
Adicionando um comentário como se fosse o pai da criança, Kim Gang-san passou Gyu-young para Park Chan-woong. Assim que o segurou, o cheiro característico de leite de bebê subiu. O sorriso de Chan-woong, que já estava radiante, pareceu subir até as orelhas.
— Gyu-young, é o tio Chan-woong. Tenta falar “tio”.
— Uu, uuu.
— O tio é bonito? Tão novinho e já tem bom gosto.
“Olha só para ele.” Gyu-ha olhava incrédulo quando seus olhos encontraram os de Chan-woong.
— Mas ele é realmente dócil. Ri à toa. Será que é porque puxou o Lee Cha-young?
— Do que você está falando? É porque puxou a mim.
— Se tivesse puxado a você, ele teria começado a berrar assim que entramos, seu mané. Não é, Gyu-young?
Era irritante, mas não havia argumento. Sempre que levava o bebê para a casa dos pais ou quando eles vinham visitar, não paravam de se maravilhar com o quão dócil a criança era.
Para ser sincero, Seo Gyu-ha pensava o mesmo. Era quase inacreditável que metade daqueles genes fossem seus, de tão bonzinho que o menino era. Ele entendia por que Lee Cha-young ficava maluco toda vez que via o filho.
— Ei, me dá ele um pouco.
Yoon Byeong-cheol, que esperava sua vez, apressou-os com uma expressão ansiosa. Quando Chan-woong entregou Gyu-young, a expressão de Byeong-cheol se desfez em um sorriso bobo, como se estivesse sob efeito de drogas.
— U-hu-hu, achou!
— Uuu…
— Fala “tio Byeong-cheol”. Vai?
— Uu, uu…
Mas a felicidade durou pouco. Assim que foi para o colo de Byeong-cheol, o sorriso de Gyu-young desapareceu, seus lábios começaram a tremer e, em seguida, ele soltou um choro monumental.
— Me dá ele aqui.
Gyu-ha rapidamente pegou o filho de volta. Park Chan-woong, que assistiu a tudo de camarote, começou a rir alto para provocar Byeong-cheol.
— Hahaha! Que comédia. Ele chorou só de ver a cara do Yoon Byeong-cheol, não foi?
— O Gyu-young sabe reconhecer as pessoas.
— O quão feia deve ser a sua expressão para…
— Calem a boca, seus merdas.
Enquanto isso, Gyu-ha entrou no quarto do bebê com ele no colo. “Shh, bom menino. Parou, tá? Hein?”. Ele deu tapinhas nas costas e tentou acalmá-lo, mas o choro soluçante não parava. Enquanto limpava as lágrimas que caíam com a ponta dos dedos, sentindo-se inquieto, ouviu uma batida na porta.
— Posso entrar?
— Sim.
A porta se abriu e o rosto da babá apareceu. Apenas ver aquele semblante sereno trouxe paz de espírito, como se tivesse encontrado um salvador.
— Deixe comigo. Eu cuido dele.
Ao pegar Gyu-young, a babá começou a niná-lo carinhosamente, dizendo: “Ah, foi isso, meu anjinho?”. O efeito foi imediato. Quando o choro começou a diminuir, ela gesticulou para Gyu-ha apenas com os lábios:
“Acho que ele vai dormir logo. Eu o coloco para descansar.”
“Obrigado.”
Gyu-ha agradeceu da mesma forma silenciosa e saiu do quarto fechando a porta suavemente. Limpou o suor frio da testa com as costas da mão. Embora soubesse que comer, dormir e chorar fizessem parte da rotina de um bebê, mesmo após três meses, ele ainda ficava tenso toda vez que ouvia o choro do filho.
Ao voltar para a sala, viu os amigos sentados lado a lado no sofá.
— E o bebê?
— A babá está colocando ele para dormir.
— Não tem jeito. Vamos ter que proibir a entrada do Yoon Byeong-cheol.
— Cala a boca, sério.
Gyu-ha levou os dois que riam e o que estava deprimido para o quintal dos fundos. Graças à babá, que já havia deixado a churrasqueira preparada, o churrasco começou imediatamente.
Onde há carne, deve haver álcool, e Gyu-ha abriu uma lata de cerveja. Como diziam que uma dose era aceitável durante a amamentação se o intervalo de tempo fosse respeitado, ele ocasionalmente bebia com Lee Cha-young uma ou duas vezes por semana.
— Essa carne está boa demais.
— Quando abri o pacote, vi que era wagyu A5.
— Nossa, você se empenhou porque a gente vinha. Vamos nos encontrar aqui toda semana?
— Cai fora.
Após responder rispidamente, Gyu-ha continuou virando a lata de cerveja. Apesar das palavras rudes, sua expressão era boa. Vendo aqueles caras conversando barulhentamente, sentiu que fez bem em convidá-los, mesmo que tardiamente.
Na verdade, ele ainda tinha momentos em que se sentia desanimado ou sufocado. Achou que tudo ficaria bem depois de dar à luz, mas na prática percebeu que o parto não era o fim, mas um novo começo.
Infelizmente, Kim Mo-ran estava apenas metade certa. Embora tenha recuperado o peso rapidamente ao voltar aos exercícios, os músculos não pareciam querer se firmar na barriga que agora carregava uma longa cicatriz da cirurgia.
Havia outro motivo para sua melancolia. Toda vez que olhava para o bebê que sorria inocentemente para ele — sem imaginar o processo que o trouxe ao mundo —, sentimentos pesados como “culpa” ou “responsabilidade” bagunçavam sua mente. Ele sempre viveu sem planos, seguindo seus impulsos… O fato de agora ter um cônjuge legalmente vinculado e um bebê pelo qual seria responsável pelos próximos 20 anos às vezes parecia esmagador.
Mesmo assim, graças à ajuda das pessoas ao redor, ele estava aguentando bem até agora. Como a vida é imprevisível e ninguém sabe o que acontecerá amanhã, ele sentia um otimismo incomum de que as coisas continuariam dando certo.
— Onde foi o Lee Cha-young?
Ao ouvir a pergunta súbita de Yoon Byeong-cheol, Gyu-ha soltou um risinho.
— Demorou para perguntar.
— Ele saiu para não nos deixar desconfortáveis?
— A gente não se importa se ele ficar junto.
Ouvindo-os conversar entre si, Gyu-ha apenas riu. “Sair por desconforto? O caralho.”
Quem expulsou o homem que queria ficar em casa foi o próprio Gyu-ha. Se ele ficasse quieto no quarto, tudo bem, mas ele certamente sairia para sentar, rir e conversar como se fosse amigo deles também. Até aí não seria um grande problema, o perigo eram as conversas. Se os amigos fizessem perguntas maliciosas, Cha-young não deixaria passar e contaria tudo detalhadamente, e Gyu-ha poderia apostar toda a sua fortuna que os amigos usariam aquilo para provocá-lo pelo resto da vida.
— Ei, mas o Alfa Lúpus é realmente diferente. Só de ele ficar parado já emana uma aura absurda, não acham?
Enquanto Chan-woong falava bebericando a lata, Byeong-cheol aproveitou a chance para se gabar.
— Se não sabe, fica quieto. Se um Alfa ou Ômega liberar feromônios do nada, ele é preso.
— É modo de dizer, seu idiota.
— É meu dever corrigir um amigo que tem informações erradas.
— “Dever” é o cacete.
Enquanto os dois discutiam inutilmente, Kim Gang-san era o verdadeiro vencedor, comendo a carne sem parar. Gyu-ha colocou a lata vazia de lado e se levantou.
— Vou ao banheiro rapidinho.
Deixando para trás aquela amizade sincera onde ninguém se importava com o que o outro fazia, Gyu-ha abriu a porta dos fundos e entrou. A babá o viu e se aproximou.
— Teve uma ligação para você.
— Obrigado.
Gyu-ha pegou o celular, verificou quem era e apertou o botão de atender.
— Oi.
— O que está fazendo?
— Comendo e jogando conversa fora.
Em seguida, Gyu-ha perguntou por educação:
— E você, o que está fazendo?
— Falando com você.
— …
— Não desliga. Eu também já comi e voltei para o quarto.
Ele levou o celular de volta ao ouvido, embora tivesse tido a intenção de desligar, e respondeu:
— Você não ia sair para tomar um ar com a sua mãe?
— Ela teve um compromisso de almoço de última hora, então ficou para a próxima. O que o Gyu-young está fazendo? Queria fazer uma chamada de vídeo.
— Ele está dormindo. Quando você chegar em casa, olha o quanto quiser.
— Vai ter que ser assim. Quando seus amigos vão embora?
— Quando eles quiserem. Eu ligo quando eles saírem.
— Tá bom. …Gyu-ha, eu também sinto sua falta. Sinto sua falta, querido.
Gyu-ha deu um sobressalto, mas tentou manter a compostura e falou com voz casual:
— É. Eu também sinto uma falta absurda de você, querido.
— É bom sentir sua sinceridade. Me diga isso de novo pessoalmente mais tarde.
— Cai fora. Vou desligar.
Ao desligar e caminhar para o banheiro, um riso escapou. No início, ele sentia arrepios e pavor quando Cha-young o chamava de “querido” ou “amor”, mas depois que percebeu que ele fazia isso de propósito, começou a responder à altura, como acabara de fazer. Embora ainda sentisse um leve formigamento de timidez.
***
Dizem que os amigos se tornam parecidos, e era verdade. Não se sabe de onde tiravam tanto assunto, mas os três não pararam de falar um segundo. Depois de ganharem o almoço e o jantar, despediram-se descaradamente dizendo “nos divertimos muito” e foram embora.
O relógio de parede na sala já marcava mais de oito da noite. Depois de acompanhar os amigos até a porta com Gyu-young no colo, Gyu-ha pegou a mamadeira e sentou-se no sofá. O bebê parecia de bom humor, rindo em seu colo, mas logo chegaria a hora de ele reclamar de fome, então Gyu-ha decidiu alimentá-lo um pouco antes.
— Vamos papá.
“Cão de ferreiro não tem medo de faísca”; sua postura ao preparar as almofadas já era bem firme. Ao colocar a mamadeira na boca do bebê, Gyu-young começou a mamar ritmadamente, como se estivesse esperando por aquilo.
— Huaaamm…
Um longo bocejo escapou de Gyu-ha. O dia de hoje pareceu especialmente longo. Ele deu o sangue na academia pela manhã, riu e conversou com os amigos, mas precisou entrar e sair várias vezes para cuidar da criança. O sono e o cansaço acumulados finalmente o atingiram de uma vez.
— Buaaaaa-!
— …!
Ele estava pescando, deixando a cabeça pender de sono, quando acordou assustado. “O que foi? Ouvi o bebê chorar.” Ao olhar ao redor, descobriu a origem e ficou extremamente constrangido. Provavelmente por ter cochilado, a mamadeira tinha escorregado para a bochecha do bebê e o cantinho da boca dele estava todo molhado de leite.
— Desculpa.
Rapidamente ele recolocou a mamadeira e usou a própria manga para limpar o rosto úmido. “Achou! U-hu!”. Ele tentava distraí-lo sem muita alma enquanto segurava a mamadeira. O sono tentava pegá-lo de novo, mas ele balançava a cabeça violentamente para resistir.
Após a luta contra o sono, finalmente chegou a hora da libertação. Retirou a mamadeira vazia, limpou a boca de Gyu-young mais uma vez e se levantou. Com o pequeno agora mais calmo por estar de barriga cheia, Gyu-ha o levou para o quarto. Sentou-se encostado nos travesseiros empilhados e deu tapinhas leves nas costas do filho para que ele arrotasse.
— Gyu-young é um bom menino. Faz logo para dormir com o papai. Hein? Bom menino…
*Trrr— Trrr—*
Aproveitando que o sinal fechou, Lee Cha-young ligou para Seo Gyu-ha. Mas, novamente, não conseguiu ouvir a voz dele. Ele tamborilou os dedos na coxa com impaciência e, assim que o sinal abriu, pisou no acelerador.
À noite, qualquer som pequeno parecia ressoar mais forte. Cruzando o quintal com passos firmes, Cha-young chegou à porta da frente e destravou a fechadura eletrônica.
A casa estava silenciosa. Como não havia hora extra ou viagem de trabalho, as babás tinham saído às sete da noite, então o silêncio era esperado. Porém, o fato de Gyu-ha não ter respondido às últimas mensagens e a casa estar num silêncio absoluto trazia uma ansiedade incômoda. Atravessando a sala a passos largos, ele abriu a porta do quarto bruscamente.
— Haa…
Só então um suspiro de alívio escapou. A luminária emitia uma luz suave, e Seo Gyu-ha estava sentado, com Gyu-young nos braços, cochilando profundamente com a cabeça pendida.
— Uung…
— Shh, bom menino. É o papai.
Enquanto acalmava o bebê que resmungava em meio ao sono, Cha-young pegou Gyu-young cuidadosamente nos braços. Segurou-o até que ele dormisse profundamente, colocou-o no berço no quarto ao lado e saiu deixando a porta entreaberta.
Ao voltar, viu que Seo Gyu-ha continuava sentado na mesma posição, como uma estátua. Decidiu perguntar mais tarde por que ele não ligou após os amigos irem embora e, gentilmente, o deitou em uma posição confortável.
Depois de tomar banho, viu que Gyu-ha continuava dormindo do jeito que ele o havia deitado. Pelo som baixo do ronco, o dia devia ter sido exaustivo para ele.
*Click—*
Ao apagar o interruptor, a escuridão total tomou conta. Ao se deitar na cama, Cha-young naturalmente deu seu braço como travesseiro para Gyu-ha e o puxou para o seu peito.
O calor do corpo onde se tocavam trazia um aconchego prazeroso. Abraçando-o mais apertado, Cha-young finalmente fechou os olhos. Embora fosse um pouco cedo para dormir, ele pretendia descansar junto com Seo Gyu-ha, pelo menos até Gyu-young acordar novamente.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna