↫─☫ Extra 3
↫─☫ Extra 3
↫─☫ Hello, my baby
Bip-bip-bip— Bip-bip-bip—
Um alarme monótono soou, quebrando o silêncio tranquilo. Ao desviar o olhar para o canto inferior do monitor, as letras indicando 23:00 entraram em sua visão. Após confirmar o horário, Lee Cha-young apenas fez um salvamento duplo, desligou o computador sem hesitação e saiu do escritório.
Abriu a porta do quarto com cuidado, temendo que o outro estivesse dormindo, mas, ao contrário do esperado, Seo Gyu-ha estava sentado na cama assistindo à TV. Cha-young aproximou-se com um sorriso no rosto.
— Ainda não dormiu?
— Eu te disse. Dormi pra caralho durante o dia.
Não se sabia se era uma reação ao fato de os primeiros movimentos fetais terem sido um pouco tardios, mas, desde aquele dia, “Kkam-jjak-i” revelava sua presença sem cerimônias. No início, as batidinhas que mal dava para notar eram bonitinhas. Com o passar do tempo, os movimentos tornaram-se maiores e mais frequentes; agora, os chutes vinham a qualquer momento, sendo comum ele acordar mesmo estando no meio de um sono profundo. Por causa disso, como sempre lhe faltava sono, ele se apressava em fechar os olhos sempre que sentia que o bebê estava calmo.
Embora a cama fosse grande e houvesse muito espaço para sentar, Lee Cha-young insistiu em se espremer entre a cabeceira e Seo Gyu-ha para garantir seu lugar. Como se fosse natural, seguiu-se um abraço por trás. Apesar de estar apenas no oitavo mês de gravidez, Seo Gyu-ha, sendo um ômega masculino, parecia estar em reta final. Como abraços de frente eram difíceis, a frequência dos abraços por trás aumentou naturalmente.
Naquela posição, Lee Cha-young liberou levemente seus feromônios. Era para que tanto Seo Gyu-ha quanto a criança no ventre pudessem sentir estabilidade. Enquanto acariciava as mãos bem cuidadas de unhas curtas, Cha-young falou com uma voz suave.
— Não acha que já está na hora de escolhermos o nome do bebê?
Seo Gyu-ha concordava. Considerando que a data prevista para o parto era na próxima semana, a sensação era de que, na verdade, já estavam atrasados.
— Meu pai sugeriu alguns nomes, mas, como é nosso primeiro filho, eu queria que nós dois o escolhêssemos juntos.
Diante dessas palavras, Seo Gyu-ha soltou uma risada contida. Por algum milagre, o seu próprio “velho” havia ligado dizendo que “tinha pago uma fortuna em um centro de filosofia para escolher o nome do neto”, o que o fez cutucar o ouvido com desdém; parecia que o pai do outro lado era do mesmo jeito.
— Que exagero, sério…
— Hum?
— Estou falando sozinho. Enfim, tem algo em mente?
— Pensei em pegar o seu nome e o meu…
— Se estiver pensando em juntar os dois nomes, pode esquecer.
Nessas horas, parecia que as pessoas pensavam todas do mesmo jeito. “Achei que ele fosse um cara inteligente, mas não é tão diferente de mim”, pensou Gyu-ha enquanto continuava:
— Eu também tentei pensar nisso, mas só saíram nomes bizarros.
Embora a natureza (alfa/beta/ômega) só pudesse ser conhecida através de exames após o nascimento, por enquanto, sabiam que era um menino. Com isso em mente, ele tentou várias combinações, mas os resultados eram todos medíocres: Gyu-cha, Cha-gyu, Ha-cha, Cha-ha, Young-gyu, e por aí vai. O que soava melhorzinho era Gyu-young, mas era óbvio demais que vinha do nome dos pais, o que lhe causava um certo constrangimento.
Logo em seguida, veio a sugestão hesitante:
— Que tal Gyu-young? Não acha bom?
Risadas bobas escaparam repetidamente da boca de Seo Gyu-ha. Pensando bem, era evidente que a cabeça humana funcionava de forma similar.
— Você disse que seu pai já tinha escolhido alguns nomes. Na verdade, o meu também… Se nós escolhermos, eles vão ficar magoados.
— E daí? Se ficarem magoados, diga para eles se esforçarem e terem um filho caçula, oras.
— O meu velho vai ter um treco de novo.
Dando risadinhas, Lee Cha-young depositou um beijo leve na nuca de Seo Gyu-ha.
— Você disse que não estava com sono, certo?
— É.
— Então, vamos fazer só uma vez antes de dormir. Para comemorar a escolha do nome do bebê.
— …Comemorar é o cacete. E eu ainda não disse que queria.
— Sim. Então vamos continuar pensando nisso.
Girando levemente o queixo de Seo Gyu-ha, desta vez ele o beijou nos lábios. O beijo que começou como uma brincadeira logo se tornou erótico, e Lee Cha-young mudou de posição sem esforço, deitando Seo Gyu-ha na cama.
Ao abrir os botões do pijama, o tronco nu foi revelado. Curvando o corpo, Cha-young beijou sem hesitação a barriga saliente. Vendo-o não querer se afastar enquanto fazia sons de beijos estalados, Seo Gyu-ha franziu levemente a testa e falou:
— Ei.
— O quê?
— …Você realmente sente vontade de fazer nessas condições? A barriga parece uma porra de uma bola gigante de borracha.
Lee Cha-young hesitou por um momento, mas logo deixou escapar uma risada. Chamar a barriga de grávida de “bola de borracha” era uma expressão que só Seo Gyu-ha usaria.
— Com certeza. Você está carregando meu filho, eu fico louco de prazer só de olhar.
Lee Cha-young pegou a mão de Seo Gyu-ha e a guiou até sua própria virilha. O membro grosso, guardado para o lado direito, podia ser sentido claramente através das calças.
Após despir a camisa e, em seguida, as calças e a cueca de uma só vez, Lee Cha-young montou nele, prendendo as coxas de Seo Gyu-ha entre suas próprias pernas. Os pelos pubianos abundantes e o pênis ereto e erguido estavam expostos, mas não havia sinal de timidez. Cuidando para não pressionar a barriga, Cha-young curvou o tronco e, sem hesitar, abocanhou o mamilo de Seo Gyu-ha, que estava ereto de forma sedutora.
A cada sucção forte, o quadril de Gyu-ha estremecia involuntariamente. Como sempre, Lee Cha-young era persistente. Embora nada estivesse saindo ainda, o movimento da língua, que parecia quase voraz, logo o deixou sem fôlego.
— Ei, cacete, para um pouco…
Ele tentou empurrar os ombros, mas o corpo sólido como uma rocha não se moveu. Por ele ficar mordiscando a protuberância como se pedisse para ele ficar quieto, foi Seo Gyu-ha quem acabou perdendo as forças.
O som úmido de sucção ecoava de forma vívida. Somente após dedicar tempo para mimar o outro lado igualmente, Lee Cha-young afastou os lábios lentamente. De tanto que ele havia chupado e mordiscado, até as aréolas estavam encharcadas de saliva.
— Cresceram bastante. Valeu a pena eu ter chupado com dedicação.
— Cala a boca, sério.
Era um sujeito que não tinha um pingo de vergonha na cara. Onde será que ele tinha ouvido que, se os mamilos fossem muito pequenos, o leite materno não sairia bem e o bebê teria dificuldade para mamar? Por causa disso, toda vez que transavam, ele mastigava o peito alheio. Gyu-ha tinha rido dele sem dó, dizendo que aquilo não faria crescer… Foi um erro de cálculo e uma falha dolorosa. Ao tomar banho ou trocar de roupa, ele sentia que, de fato, pareciam ter aumentado.
— …!
Esse desgraçado, sério.
No momento em que viu a cabeça se abaixar novamente, o corpo de Gyu-ha agiu antes do pensamento, golpeando o topo da cabeça de Lee Cha-young com o lado da mão.
— Já chega disso!
— Ai…
— Porra, você acha que eu não sinto dor? Quer que eu morda o seu também pra ver?!
— Desculpe.
Lee Cha-young abaixou a guarda silenciosamente. Carícias eram mais do que bem-vindas, mas, pelo estado atual, havia uma grande chance de ele ser realmente mordido. Quando Cha-young pegou o gel na gaveta, Gyu-ha apressou-se em dizer:
— Penetração não pode.
— Eu sei.
Ele ainda era rigoroso em verificar o estado de saúde do feto e da gestante de acordo com a semana de gravidez. Já era difícil para Gyu-ha caminhar devido à barriga grande, então não podia impor mais fardo externo a ele.
— Consegue deitar de lado?
Seo Gyu-ha virou-se com dificuldade. Apoiando o tronco com o braço esquerdo na cama e envolvendo a barriga inchada com a mão direita, ele sentiu a mão de Lee Cha-young, que estava colado às suas costas, entrar entre suas pernas.
Após aplicar bastante gel no períneo e nas coxas, Lee Cha-young empurrou o quadril para frente, encaixando o pênis ereto entre as coxas de Seo Gyu-ha. Como as pernas estavam bem juntas, sentia-se um aperto considerável. Movendo o quadril com flexibilidade como se estivesse em um sexo com penetração, ele levou a mão direita para frente e segurou o membro de Seo Gyu-ha. Felizmente, algo duro e firme envolveu sua mão.
— Uh, haaa…
A cada movimento de quadril de Lee Cha-young, o corpo de Seo Gyu-ha movia-se lentamente junto. Ele agarrou o lençol com o braço esquerdo estendido. Mesmo sendo um nível que nem se comparava ao que costumavam fazer, sua respiração tornava-se cada vez mais curta.
Em certo momento, feromônios de alfa carregados de excitação sexual começaram a emanar do corpo de Lee Cha-young. O que ele dissera a Seo Gyu-ha antes não era mentira. Só de esperar ou relembrar o sexo, seu pau já ficava ereto; imagine então estar pele a pele com o ômega que carregava seu filho no ventre. Seria estranho não ficar excitado.
— Haa, Gyu-ha…
O fluido pré-seminal viscoso escorreu, molhando as coxas de Seo Gyu-ha. Gyu-ha tremeu. Toda vez que Lee Cha-young empurrava o quadril, a glande dura passava pelo escroto e atingia a parte de trás do corpo do pênis, arranhando-o de forma provocante.
O som de chapinha causado pelo gel e pelos fluidos corporais era um bônus. Com as pontas das orelhas vermelhas e os lábios trêmulos de excitação, Seo Gyu-ha subitamente parou e segurou a mão direita de Lee Cha-young.
— Espera. O bebê está se mexendo.
Soltando o pênis de Seo Gyu-ha, que balançava suavemente, Lee Cha-young moveu a mão para o abdômen dele. Assim que encostou a mão, sentiu claramente os chutes, tal como Seo Gyu-ha dissera. Massageando suavemente a barriga redonda e lisa com a palma da mão, Lee Cha-young liberou levemente feromônios que transmitiam estabilidade.
— Kkam-jjak-i. Os papais estão no meio de um assunto importante, pode esperar um pouquinho? Vou brincar com você quando acabar.
Lee Cha-young falava com o bebê, mas quem reagia era Seo Gyu-ha. Normalmente, ele falava diretamente no umbigo, mas agora, com os corpos sobrepostos por trás e apenas a cabeça levemente erguida, a voz baixa e o hálito quente pousavam diretamente em seu ouvido.
— Ei, porra. Se afasta um pouco.
Ele tentou empurrar o rosto virando o corpo de leve, mas Lee Cha-young estava imóvel. Após confirmar que os movimentos do bebê haviam se acalmado visivelmente, ele estendeu o braço esquerdo para servir de travesseiro para Seo Gyu-ha. Com a mão direita ainda sobre a barriga dele, voltou a mover o quadril.
Toda vez, a glande de Lee Cha-young continuava subindo como se arranhasse a parte de trás do membro de Gyu-ha antes de sair. Impaciente, Seo Gyu-ha puxou a mão de Lee Cha-young, que estava na barriga, e a guiou para a sua virilha. Percebendo a intenção, Lee Cha-young não hesitou, envolveu o membro e o segurou firmemente.
— Consegue mover o quadril? Como eu estou fazendo.
— Como quer que eu faça?
— Consegue se mover como se estivesse fazendo um boquete? Ou pode pensar na minha mão como um buraco.
O fato de ele cuidar do prazer do parceiro tanto quanto do próprio prazer continuava o mesmo. Graças à explicação personalizada, Seo Gyu-ha entendeu imediatamente e, após uma respiração profunda, começou a mexer os quadris lentamente.
— Ha…, hht, sim, haaa…!
Graças ao controle de apertar o pênis com força quando ele recuava e aliviar um pouco a pressão quando ele empurrava, a satisfação foi maior do que o esperado. A mão de Seo Gyu-ha desceu tateando e segurou o pulso de Lee Cha-young. Após mover o quadril com mais rapidez, ele sentiu uma libertação estonteante e jorrou o sêmen.
Enquanto isso, Lee Cha-young deixava beijos leves no ombro e no braço de Seo Gyu-ha. Momentos depois, sentindo que o corpo antes tenso estava completamente relaxado, ele finalmente tirou a mão do pênis. Levou a mão molhada pelo sêmen de Seo Gyu-ha para cima e beliscou, sem machucar, o mamilo agora mais volumoso. Retomando o movimento de quadril que havia parado brevemente para priorizar o prazer de Seo Gyu-ha, ele perguntou:
— Ainda não está saindo nada do peito, né?
Seo Gyu-ha resmungou com uma expressão emburrada.
— Não, seu idiota. Você deve saber melhor do que eu.
Não seria exagero dizer que, embora fosse seu próprio corpo, as mãos de Lee Cha-young tocavam cada parte com muito mais frequência. Além disso, desde que percebeu que seus peitos estavam mais cheios e os mamilos ficavam eretos a qualquer momento, ele não tocava neles de jeito nenhum, exceto na hora do banho.
— Toca devagar.
Massageando suavemente o peito que tinha um pequeno caroço, Lee Cha-young subiu a mão um pouco mais e segurou o ombro de Seo Gyu-ha. Esforçando-se para conter a excitação que estava prestes a explodir, ele continuou o movimento de quadril até que, em certo momento, soltou um gemido baixo e liberou seu êxtase.
Havia um toque de lamentação no suspiro lânguido. O pênis, que ainda estava preso entre as coxas de Seo Gyu-ha, como sempre não se deu por satisfeito com apenas uma liberação e ostentava sua firmeza usual. A pergunta se poderiam fazer mais uma vez rondou sua boca, mas, em vez de dizer, Lee Cha-young abraçou o corpo de Seo Gyu-ha com saudade.
Com a data do parto se aproximando, Seo Gyu-ha passou a reclamar de dores no corpo com mais frequência. Além das contrações de treinamento, a digestão era difícil devido aos órgãos comprimidos e a respiração era curta, tornando até as caminhadas cansativas.
Como Seo Gyu-ha também tinha um desejo sexual forte, ele era grato por poderem fazer pelo menos isso, mas exigir mais do que isso de uma gestante em reta final seria, até para ele, uma falta de consciência.
Após ficarem juntos na água morna da banheira, voltaram para a cama. Deitados de frente um para o outro, olhando para o rosto de Seo Gyu-ha, logo ele ouviu o som de uma respiração regular.
Deslizando na escuridão, sua mão tocou a barriga de Seo Gyu-ha. Sentindo o calor em silêncio, ele deu leves tapinhas e falou com o pequeno lá dentro.
— “O papai está cansado, então durma quietinho e vamos nos mexer bastante amanhã. Tá bom?”
Depois de puxar o cobertor que estava na cintura um pouco mais para cima para cobri-lo, Lee Cha-young finalmente fechou os olhos e tentou dormir. Era uma noite em que faltavam menos de dez dias para conhecer Kkam-jjak-i.
***
*Drrr-* A cama com rodas fazia um barulho alto enquanto avançava pelo corredor do hospital. Cercada por três profissionais de saúde, Lee Cha-young também estava entre eles. Pouco antes de passar pela área restrita e entrar na sala de cirurgia, Cha-young parou a cama por um instante e segurou firmemente a mão de Seo Gyu-ha, que repousava tranquilamente.
— Vai acabar logo. Não fique nervoso, vai dar tudo certo.
— …Mude essa cara. Quem vê pensa que é você quem vai parir.
— Tem certeza de que não posso entrar junto? Eu queria segurar sua mão.
— Nem sonhe com isso. Espere quietinho lá fora.
A enfermeira, que ouvia tudo fingindo que não, viu o momento certo e disse: “Vamos entrar”. A mão que ele segurava soltou-se suavemente e, em instantes, a cama onde Seo Gyu-ha estava deitado desapareceu para além da sala de cirurgia.
*Tak-* A porta fechando por dentro pareceu cruel. Mesmo sabendo que não podia ver nada, Lee Cha-young espiou o interior e logo começou a andar de um lado para o outro na frente da sala de cirurgia com passos ansiosos.
Como o canal de parto era excessivamente estreito, além de outros motivos, os dois optaram pela cesariana conforme a recomendação do médico. A internação foi feita ontem, de acordo com a data da cirurgia, e o médico que visitou o quarto pela manhã os tranquilizou dizendo que os resultados dos exames estavam bons e a condição da gestante também.
O médico responsável era o mesmo que havia cuidado de todos os exames ginecológicos até então, alguém com vasta experiência em gravidez e parto de ômegas masculinos. Como uma pessoa assim disse que estava tudo bem, ele tentou se convencer de que não havia com o que se preocupar, mas, uma vez que Gyu-ha entrou na sala de cirurgia, uma ansiedade e preocupação indescritíveis o invadiram.
Assim começou a espera interminável. Esta manhã, a enfermeira havia informado ao acompanhante — que era mais preocupado e meticuloso que a própria gestante — vários detalhes, dizendo que a cirurgia, incluindo os cuidados pós-operatórios, terminaria em cerca de 30 minutos.
Ele achou que terminaria rápido, o que foi um alívio… Mas, quando o momento chegou, não pareceu nem um pouco curto. O tempo passava tão devagar que cada minuto e cada segundo pareciam uma eternidade.
Lee Cha-young pretendia entrar junto, é claro, mas Seo Gyu-ha se opôs terminantemente, então ele não teve escolha a não ser desistir. “Deveria ter entrado de qualquer jeito, mesmo que ele brigasse depois.” Enquanto se arrependia tardiamente, seu olhar não conseguia se desviar da sala de cirurgia.
Quanto tempo teria passado? Enquanto ele andava de um lado para o outro inquieto como um filhote querendo fazer xixi, a porta finalmente se abriu e uma enfermeira saiu.
— Acompanhante do Sr. Seo Gyu-ha?
— Sim.
Aproximando-se rapidamente, a enfermeira baixou a máscara e mostrou um rosto sorridente.
— A cirurgia e os procedimentos finais foram concluídos com sucesso. Tanto a mãe quanto o bebê estão saudáveis. Meus parabéns.
Sentindo uma onda de alívio, Lee Cha-young perguntou rapidamente:
— Posso entrar para ver?
— Não é permitida a entrada na sala de cirurgia. Vou encaminhá-lo para a sala de recuperação.
— Quando ele vai sair?
— Vamos transferi-lo agora mesmo.
Mal ela terminou de falar, a porta da sala de cirurgia abriu-se novamente e Lee Cha-young correu para lá.
— Gyu-ha!
Uma emoção forte o atingiu, como se estivessem se reencontrando após dias, e não apenas alguns minutos. Sua mão moveu-se involuntariamente e segurou a de Seo Gyu-ha como se a envolvesse. Seu olhar estava ocupado em checar o semblante dele.
— Você está bem?
Enquanto o observava ansiosamente, momentos depois, ouviu-se a resposta saindo entre os lábios secos.
— …Parece que vou morrer de dor.
Pelas rugas profundas entre as sobrancelhas e pelos olhos avermelhados, a dor era nítida. “Você se esforçou muito.” Após dizer repetidamente que ele tinha feito um bom trabalho enquanto acariciava suas mãos, Lee Cha-young tardiamente procurou por mais uma pessoa.
— E o bebê?
— Foi levado direto para o berçário. Nós também vamos para a sala de recuperação.
Só então Lee Cha-young soltou a mão de Seo Gyu-ha. Com o mesmo barulho de antes, a cama móvel entrou na sala de recuperação no mesmo andar. Como era de se esperar, os passos de Lee Cha-young seguiram atrás.
***
Lee Gyu-young (MA/11.06) 2,85kg
D+016
Seo Gyu-ha (Lee Cha-young)
O berçário tinha mais da metade da parede feita de vidro temperado. Diante dele, dois homens estavam parados lado a lado. A mão do homem de terno, que usava uma aliança, envolvia o ombro do outro homem que vestia um cardigã por cima da roupa de hospital; seus olhares, como se tivessem combinado, estavam fixos no mesmo lugar.
O primeiro a se mover foi Seo Gyu-ha. Ele virou a cabeça casualmente e, ao ver o rosto de Lee Cha-young, soltou uma risadinha.
— Vai acabar entrando mosca nessa boca.
Lee Cha-young tocou o canto da boca encabulado e acabou rindo também. Para ser exato, não era que ele estivesse rindo por querer; mesmo estando parado, os cantos de sua boca se desmanchavam em um sorriso impossível de esconder. Era tanto que até os colegas de empresa, que não sabiam da situação, viviam comentando: “Parece que algo muito bom aconteceu”.
Duas semanas após o parto. Tal como o médico responsável dissera logo após a cirurgia, Seo Gyu-ha recuperou sua saúde em um ritmo acelerado. Nos primeiros dias, qualquer pequeno movimento fazia parecer que os músculos abdominais iriam se rasgar, fazendo-o viver com palavrões na boca, mas a dor desapareceu gradualmente e agora ele estava em uma condição quase normal.
Nesse ínterim, Kkam-jjak-i também passou por muitas mudanças. Nascido prematuro, foi transferido imediatamente para a incubadora, mas, mesmo com um corpo tão pequeno que os aparelhos pendurados pareciam pesados demais, ele aguentou firme de forma admirável. Graças a isso, há dois dias, ele finalmente foi transferido para o berçário comum e mostrava seu rostinho para os pais três vezes ao dia.
Hoje também, sem falta, Lee Cha-young visitou o hospital assim que saiu do trabalho e não conseguia tirar os olhos de seu filho, que dormia profundamente.
— …Quero muito segurá-lo logo.
Ao ouvir a voz murmurando baixo, Seo Gyu-ha olhou de soslaio. Lee Cha-young ainda olhava para o bebê como se estivesse hipnotizado. Só de ver as duas mãos encostadas no vidro como se estivessem desejando o toque, dava para sentir sua sinceridade.
Embora estivesse crescendo rápido a cada dia, o parto em si foi muito precoce, então nem Cha-young nem Seo Gyu-ha tinham tido a chance de segurar Kkam-jjak-i nos braços ainda. Sair da incubadora e ir para o berçário já era motivo de gratidão, mas sempre que caminhavam pelo corredor e ouviam o choro de um bebê ou viam uma enfermeira passando com um recém-nascido no colo, o rosto de Kkam-jjak-i vinha à mente e uma pontada de saudade surgia. Assim se passaram as duas semanas agitadas, e finalmente o dia da alta era amanhã.
— A partir de amanhã, você vai poder segurá-lo o quanto quiser.
— Com certeza.
Eles viram a porta do outro lado se abrir e uma enfermeira sair. Parecia que tinham acabado de descer, mas 15 minutos já haviam se passado. Como esperado, a porta do berçário se abriu e ouviu-se a voz da enfermeira falando em um sussurro:
— Sinto muito, mas o horário de visitas acabou.
— Sim.
Após um leve aceno de cabeça em sinal de resposta e agradecimento, Lee Cha-young envolveu os ombros de Seo Gyu-ha e eles caminharam lentamente, ansiosos pelo amanhã, quando finalmente os três estariam juntos.
***
*Toc-toc—* Após uma batida leve, a porta do quarto abriu-se. Ao levantar o corpo que estava deitado mexendo no celular, um funcionário de uniforme disse “O almoço chegou” e colocou a bandeja na mesa da cama.
O cardápio do almoço de hoje era arroz de sete grãos, sopa de missô com vegetais não identificados, verduras para embrulhar e bulgogi. Seo Gyu-ha lambeu os lábios com certa decepção e começou a comer. Não é que estivesse ruim, mas, talvez pelas características de ser um centro de cuidados pós-parto, o tempero era um pouco insosso, dando a sensação de que faltavam “2 por cento” para estar perfeito.
Mesmo assim, como a fome é o melhor tempero, ele limpou a bandeja tendo a TV ligada como companhia. Após finalizar com um pequeno iogurte para limpar o paladar, Seo Gyu-ha foi ao corredor devolver a bandeja e depois entrou no banheiro.
Parou em frente à pia com a escova de dentes na boca. O rosto refletido no espelho estava com uma cor melhor do que nunca. E não era para menos. Após encerrar a longa e tediosa estadia no centro de repouso, hoje era finalmente o dia de levar o bebê para casa.
*Cuspe—* Ele expeliu a espuma e continuou a escovação quando, por trás da porta, ouviu-se outra batida seguida de uma voz familiar.
— Você está aí?
Era Lee Cha-young. Ele tinha insistido em vir buscá-lo, mesmo Gyu-ha dizendo que poderia ir de táxi, e parecia ter acabado de chegar. Seo Gyu-ha tirou a escova da boca e respondeu:
— Sim. Está apertado para usar o banheiro?
— Não. Só não te vi e quis confirmar se estava aí dentro. Saia sem pressa.
Ao terminar de escovar os dentes e sair, viu Lee Cha-young sentado no sofá. Ele usava um terno impecável que deixava claro que tinha acabado de sair do trabalho, e havia uma bolsa grande ao seu lado.
— Almoçou?
— Sim. E você?
— Ainda não. Pretendo comer quando chegar em casa.
Mesmo sem ouvir os detalhes, Gyu-ha já sabia. Dava para imaginar a cena dele dirigindo às pressas assim que o horário de almoço começou, querendo chegar ali o quanto antes.
— Ainda temos tempo, vá ao restaurante no subsolo pelo menos.
Como a enfermeira disse que viria às 13:00, ainda restavam cerca de 30 minutos de folga. No entanto, Lee Cha-young sorriu de leve e repetiu que comeria em casa, perguntando logo em seguida:
— Como você está se sentindo?
— Bem. Pra caralho.
Nos primeiros dias, o local da cirurgia repuxava tanto que ele não conseguia nem dormir de dor, mas as coisas melhoraram com o passar do tempo. Com a redução da dor, o apetite voltou e agora ele já podia fazer exercícios leves, sentindo o corpo bem mais leve. Acima de tudo, só o fato de a barriga, que esteve inchada por meses, ter sumido já lhe dava uma sensação imensa de alívio. Desta vez ele acabou parindo sem saber direito como as coisas funcionavam, mas era algo que jamais faria de novo em sã consciência.
— Trouxe suas roupas, troque-se.
— Valeu.
Enquanto Lee Cha-young se levantava para organizar as bagagens, Seo Gyu-ha levou as mãos à parte superior da roupa de hospital. Começou a abrir os botões, mas hesitou involuntariamente. A cicatriz longa da cirurgia em sua barriga agora plana entrou em seu campo de visão.
Logo desviou o olhar e vestiu uma camiseta como se nada tivesse acontecido, trocando também a calça por um jeans. Ao subir o zíper, um cantarolar escapou naturalmente. Só o fato de vestir roupas comuns após duas semanas usando apenas o pijama do hospital já o deixava de bom humor.
Pouco depois, Seo Gyu-ha sentou no sofá e ligou o celular. 12:48. Ao pensar que logo veria Kkam-jjak-i, seu coração ficou inquieto. Era uma mistura de empolgação, batidas aceleradas e uma tensão estranha que parecia subir.
*Toc-toc—*
Instantes depois, ao som da batida na porta, os olhares dos dois se moveram simultaneamente. Seo Gyu-ha levantou-se seguindo Lee Cha-young, que deu um pulo. A porta do quarto abriu-se e a enfermeira responsável entrou. Ela carregava o bebê enrolado em uma manta leve de verão e falou com um sorriso amigável:
— Os dois pais estão aqui. Já terminaram os preparativos para a alta?
— Sim.
— Então, gostariam de segurar o bebê?
Ao pensar que o momento finalmente havia chegado, ele engoliu em seco. Diante das palavras da enfermeira, que sorria gentilmente, Seo Gyu-ha involuntariamente moveu a mão e empurrou as costas de Lee Cha-young.
— Você segura primeiro.
— Você deveria segurar primeiro, Gyu-ha. Você sofreu para dar à luz.
— …Está tudo bem, você segura primeiro. Meu coração está batendo tão rápido que… sinto que posso derrubá-lo.
Com o susto pela frase assustadora, tanto Lee Cha-young quanto a enfermeira estremeceram. Ao ler a sinceridade no rosto dele, Lee Cha-young tomou coragem e deu dois passos à frente. Observou Kkam-jjak-i, que mantinha os olhos fechados calmamente como se estivesse dormindo, e estendeu os braços devagar. A enfermeira colocou o bebê nos braços de Lee Cha-young com todo o cuidado.
Naquele instante, uma emoção indescritível espalhou-se por seu peito. Seu coração disparou e o pulso acelerou sem controle. Ele entendeu imediatamente por que Seo Gyu-ha dissera que “o coração estava batendo tão rápido que sentia que poderia derrubar o bebê”. Enquanto o segurava e o observava como se estivesse enfeitiçado, ouviu a voz ao lado perguntando hesitantemente:
— Como é a sensação?
— …Sinto que meu coração vai explodir também.
Momentos depois, Lee Cha-young olhou para Seo Gyu-ha e disse com um rosto sorridente:
— Segure-o. Nosso bebê.
— Acho que não consigo.
Embora ele tivesse crescido bastante comparado a quando nasceu, por estar nos braços do grande Lee Cha-young, parecia muito menor do que quando o viam no berçário. Ele não tinha coragem de segurá-lo por medo, mas a enfermeira que estava à frente ajudou com uma voz suave:
— Está tudo bem, tente segurar. Ele superou tempos difíceis, cresceu forte e finalmente veio ver os papais; se vocês não o segurarem, imaginem o quão triste o Kkam-jjak-i ficaria.
Tudo o que ela dizia fazia sentido. Mesmo assim, Seo Gyu-ha, que estava inquieto de ansiedade e tensão, finalmente tomou uma grande decisão e subiu com cuidado na cama. Duvidava que fosse realmente derrubá-lo, mas, como não confiava em si mesmo, escolheu o lado que parecia mais seguro.
— Huuu…
Após soltar um longo suspiro, ele estendeu os dois braços lentamente. Com Lee Cha-young inclinando o tronco para entregar o bebê com cuidado, Seo Gyu-ha finalmente pôde sentir seu filho em seus braços.
Seu olhar dirigiu-se automaticamente para o rosto de Kkam-jjak-i. O nariz pequeno, a boca pequena, as orelhas pequenas, um peso mais leve do que imaginava. Absolutamente tudo era minúsculo e frágil, mas ele já parecia ver traços do pai no formato dos olhos e no dorso do nariz. Mesmo segurando-o assim, ainda não conseguia acreditar que aquele serzinho tinha saído de dentro de sua barriga.
— Como é?
— …Ele é lindo.
Depois disso, o olhar de Seo Gyu-ha não se desviou de Kkam-jjak-i por um bom tempo. Aquele exato momento, em que segurava o filho nos braços pela primeira vez, seria algo que ele jamais esqueceria por toda a vida.
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna