↫─☫ Extra 2
↫─☫ Extra 2
↫─☫ It’s all right.
Ao abrir a porta do closet, seus olhos pousaram nas gravatas alinhadas com precisão milimétrica. Lee Cha-young escolheu uma, passou-a por trás do colarinho da camisa e moveu as mãos com habilidade. Diziam que algumas pessoas ganhavam tempo usando nós pré-moldados, mas Cha-young preferia dar o nó pessoalmente todas as manhã. Era como um ritual para se preparar psicologicamente antes de ir para o trabalho.
Já vestido com o paletó, ele abriu a porta do quarto e entrou por um instante. Seo Gyu-ha estava em um sono profundo. Sabendo que ele poderia acordar e dormir novamente se o ambiente estivesse muito escuro, Cha-young afastou as cortinas blecaute apenas o suficiente para deixar um pouco de luz entrar e aproximou-se da cama.
— Estou indo.
— …… Vá e volte logo.
Em seguida, Cha-young aproximou o rosto da barriga de Seo Gyu-ha e começou a falar.
— Bebê, o papai está indo trabalhar, então dê um “fighting” para ele ganhar energia.
— Que bobagem… — Gyu-ha resmungou mentalmente, ainda meio dormindo.
— Divirta-se hoje também, nos vemos mais tarde. Eu te amo.
Após dar um leve selinho nos lábios de Gyu-ha, Cha-young saiu do quarto.
***
Bastante tempo depois, Gyu-ha abriu os olhos. Depois de esfregar o rosto para despertar, checou o relógio: eram quase dez da manhã.
— Haaam…
Um bocejo longo escapou. Sua mão direita foi para a cintura por hábito. Ultimamente, pontadas no baixo ventre tornaram-se frequentes, e ele sentia dores nas costas e na lombar. Como não conseguia dormir profundamente, era comum acordar sentindo-se cansado.
Gyu-ha finalmente se levantou e foi ao banheiro. Mesmo sem ter bebido uma gota de água durante a noite, sentia como se a bexiga fosse explodir.
Aproveitando que já estava lá, despiu-se e ficou sob o chuveiro. Lavou o rosto com as mãos e começou a ensaboar o corpo.
Lavou o pescoço, os braços e o peito em sequência, mas hesitou ao chegar no abdômen. Ao olhar para a barriga anormalmente inchada, sua expressão tornou-se sombria. Um suspiro profundo escapou como um lamento.
Ele tinha consciência de que a barriga estava crescendo aos poucos, mas até então não parecia algo tão impactante. No entanto, assim que entrou na 20ª semana, teve a sensação de que ela crescera subitamente. Agora, mesmo usando roupas largas, o volume era perceptível.
— Ah…
Outro suspiro escapou. Desde que aceitara o pedido para morarem juntos — ou melhor, desde que Lee Cha-young, decidido a assumir a responsabilidade pela criança, foi falar com os pais dele como um trator — Gyu-ha decidira parar de fugir da realidade. Ele tinha uma personalidade naturalmente despreocupada e, de qualquer forma, ignorar a única opção disponível seria apenas perda de tempo.
E, pensando bem, a maior vítima era o Kkam-jjak. Ele e Cha-young tinham feito algo para aquilo acontecer, mas o pequeno Kkam-jjak não tinha pedido para ser gerado. O fato de ele estar ali, instalado em seu ventre, era inteiramente culpa deles, os pais. Por isso, Gyu-ha decidiu que tentaria se esforçar e dedicar mais afeto, pensando pelo lado positivo. Afinal, graças ao Kkam-jjak, ele e Cha-young haviam se tornado uma família.
No começo, foi tudo bem. Como prometido, Cha-young agia como se tivesse renascido após ser atingido por um raio, dando o melhor de si e dizendo palavras carinhosas sem hesitar. Gyu-ha também mudara. No início, as explicações médicas entravam por um ouvido e saíam pelo outro, mas agora, toda vez que via o ultrassom ou ouvia o coração batendo rápido, sentia algo estranho e fascinante.
Mas… ainda havia partes para as quais ele não estava emocionalmente preparado. Era natural que a barriga crescesse conforme o bebê se desenvolvia, mas o fato de ela continuar aumentando a ponto de as roupas não conseguirem mais esconder trazia um sentimento próximo ao medo.
Não era que ele estivesse negando a gravidez como antes. Porém, entre as identidades de “homem” e “ômega” que definiam sua existência, o lado “homem” era esmagadoramente predominante. Por isso, as mudanças físicas que homens comuns jamais experimentariam estavam se tornando cada vez mais pesadas.
O surgimento de estrias o incomodava, e o abdômen definido que costumava arrancar suspiros de outros bottoms havia desaparecido sem deixar rastros. Ver-se com aquela barriga protuberante, como se estivesse doente, era uma provação mais difícil de lidar do que imaginava.
A restrição aos exercícios também era estressante. Estava morrendo de frustração por não poder fazer musculação com aparelhos, nem mesmo os exercícios aeróbicos mais simples que qualquer pessoa faria.
O problema era que aquilo era apenas o começo. Se já estava assim no quinto mês, pensar que continuaria crescendo trazia um estresse extremo. Essa mudança psicológica refletia em seu comportamento. Antes, ele costumava rever vídeos do bebê e ler as informações no cartão de pré-natal, mas desde o início daquela semana, parara com tudo. Ontem, chegou a recusar irritado uma massagem que Cha-young se ofereceu para fazer.
Após terminar de se arrumar, Gyu-ha foi para a sala, onde a ajudante que estava limpando a casa o cumprimentou com um sorriso amável.
— O senhor acordou? Vou preparar sua refeição.
Era triste o fato de que, apesar de tudo, ele ainda sentia fome. Pouco depois, Gyu-ha sentou-se à mesa. Enquanto provava a sopa, a ajudante colocou mais um prato de acompanhamento na mesa e disse:
— Ora, agora o senhor já tem mesmo toda a aparência de um pai de bebê.
— Ah, sim…
— Coma bastante e devagar. Se precisar de mais, é só falar.
A ajudante, que tinha idade para ser sua mãe, deu um sorriso satisfeito e se retirou. Gyu-ha soltou um suspiro curto e levou a mão à testa.
Foi Cha-young quem contratou a ajudante. Após muito procurar, escolheu uma mulher que tinha um filho ômega masculino com experiência em parto. Ele ofereceu um salário quase excessivo, mas em troca exigiu a assinatura de um contrato com várias cláusulas.
A mulher, muito bondosa, não descuidava da limpeza e cuidava de Gyu-ha com a mesma atenção que dedicaria ao próprio filho. No entanto, como ele acabara de ter um choque de realidade no banheiro, ouvir comentários sobre ser “pai de bebê” era desconfortável como um espinho na garganta.
No fim, Gyu-ha não conseguiu comer nem meia tigela e se levantou. Dirigiu-se ao closet. Olhando ao redor, viu o objeto que procurava na prateleira inferior de um armário aberto. Ele pegou a balança, respirou fundo e subiu devagar. Um palavrão escapou espontaneamente.
— Puta merda…
A agitação interna foi tão intensa quanto a velocidade com que os números subiram. Em apenas quatro dias, ele engordara mais 2 kg.
Ele já desconfiava que a calça do pijama estava um pouco apertada, mas não era impressão; estava apertada de fato. Gyu-ha voltou para o quarto em choque. Normalmente, após as refeições, ele saía para caminhar ou dava algumas voltas pela sala se estivesse com preguiça, mas o impacto do peso foi tão grande que não conseguia pensar em nada. Então, veio outro choque de realidade.
— Porra, é claro que eu ia engordar desse jeito.
Na realidade, o ganho de peso estava dentro da faixa perfeitamente normal, mas ele não conseguia pensar nisso. Apertou as coxas, que pareciam ter ganhado gordura, e baixou a cabeça.
“……Comendo, dormindo e vadiando o dia todo, não tinha como não engordar.”
O fato de as saídas terem diminuído após a gravidez também parecia contribuir para o ganho de peso. Exceto quando ia ao hospital nos fins de semana ou quando caminhava uma ou duas vezes por dia, não tinha motivos para sair.
A frequência com que encontrava os amigos também caíra drasticamente. Quando contou sobre a gravidez, eles gargalharam no início, mas depois passaram a tratá-lo da mesma forma de sempre. No entanto, justamente por isso, ele sentia um complexo de inferioridade desnecessário. Quando ouvia alguém reclamar que o trabalho estava exaustivo ou que a vida corporativa era uma merda, sua autoestima despencava.
*Bzzz— Bzzz—*
O som de vibração quebrou o clima sombrio. Para sua surpresa, viu o celular de Lee Cha-young. Depois de toda aquela agitação matinal falando com a barriga de quem dormia, parecia que ele tinha saído com tanta pressa que esqueceu o aparelho.
Observando o celular vibrar sobre a mesa, Gyu-ha ficou pensativo. Mesmo ele, que estava desempregado, sentia falta do celular quando não o encontrava, e Cha-young certamente seria pior. Ele ficou olhando para o aparelho e finalmente tomou uma decisão e se levantou. Como ainda faltava muito para o dia acabar, pensou em sair para entregar o celular a ele, aproveitando para se exercitar.
Apesar da preocupação em não encontrar vaga, havia bastantes espaços vazios no estacionamento. Gyu-ha estacionou o mais longe possível e desceu do carro.
Antes de dar o primeiro passo, conferiu a aparência. Usava uma calça sob medida sem fivela, um moletom preto com capuz e um sobretudo de primavera por cima. Colocou as mãos nos bolsos do moletom para disfarçar o volume da barriga e caminhou em direção ao prédio.
Ao subir as escadas e abrir a porta, deparou-se com um lobby amplo e limpo, como o de um hotel. Temia ser barrado por não ter crachá, mas felizmente isso não aconteceu. Parou por um momento, olhou ao redor e avistou o que parecia ser um balcão de informações.
— Vim encontrar uma pessoa.
— Um momento, por favor.
O funcionário de terno pediu licença, desapareceu por algum lugar e retornou minutos depois. Sentando-se, perguntou:
— Pode me informar o departamento e o nome, por favor?
Logo de cara, Gyu-ha encontrou um obstáculo inesperado. Obviamente sabia o nome, mas não tinha ideia de em qual departamento ele trabalhava. Forçando a memória, conseguiu resgatar um fragmento de informação.
— O nome é Lee Cha-young, e acho que ele é diretor ou algo assim.
O funcionário hesitou e olhou-o nos olhos.
— O senhor se refere ao Diretor Executivo Lee Cha-young, responsável pela DS?
— …… Deve ser ele.
“Provavelmente”, Gyu-ha pensou. Não era um nome tão comum, e dificilmente haveria outra pessoa com o mesmo nome e cargo.
— Qual o nome do visitante?
— Seo Gyu-ha.
— Qual o motivo da visita?
— Vim ver o rosto dele.
— Perdão?
— Disse que vim ver o rosto dele. E tenho algo para entregar.
Enquanto mexia nos dois celulares no bolso, o funcionário pediu que aguardasse e pegou o telefone. Repetiu exatamente a resposta que Gyu-ha dera e olhou para ele novamente.
— Ele está em uma reunião de diretoria e não pode ser interrompido agora. Eles disseram que, se o senhor deixar um contato, deixarão um recado para ele.
— Então…
Gyu-ha ia dizer apenas para informarem seu nome, mas mudou de ideia e ditou seu número de telefone. Como sempre ligava para os nomes nos registros recentes, não sabia o número de Cha-young de cor, e não havia garantia de que Cha-young soubesse o dele.
Observando o funcionário digitar no teclado, Gyu-ha falou novamente:
— Você sabe quando termina?
— Como?
— A reunião. Sabe quando termina?
— Sinto muito, mas não tenho como confirmar essa informação.
Não era a resposta que desejava, mas Gyu-ha aceitou e virou-se. Olhou o celular: eram 11h20. Já que tinha saído, pensou em almoçar com ele e dirigiu-se a um café que vira no caminho. Se fosse ao restaurante agora, a espera seria muito longa, então planejava passar o tempo no café e mudar de lugar por volta do meio-dia.
Ele checou o celular várias vezes, mas não houve retorno. Desligou a tela e terminou de beber o chá.
Suas sobrancelhas franzidas demonstravam insatisfação. Escolhera chá de camomila pela primeira vez na vida tentando reduzir calorias inúteis, mas parecia que estava bebendo água com perfume. Em resumo, era horrível.
Checou o relógio novamente. 11h50. Dessa vez, tirou o celular de Cha-young do bolso. O aparelho dele também estava silencioso. Na verdade, sentira vibrações umas duas vezes, mas como não sabia o padrão, não tinha como desbloquear. Além disso, ele estava esperando o contato de Cha-young; não ganharia nada olhando o celular do outro.
Após esperar mais alguns minutos, Gyu-ha devolveu a bandeja e saiu do café. Olhou na direção da empresa de Cha-young. Pensou em tentar ir lá novamente, mas a ideia desapareceu assim que viu a cena à sua frente.
Várias pessoas que pareciam ser funcionários da empresa começaram a sair em grupos. Sendo hora do almoço, o lobby estaria lotado, e ele não queria chamar atenção vestido daquela forma. Além disso, havia grandes chances de o funcionário do balcão ter saído para almoçar.
“Nada dá certo hoje.”
Reclamando internamente, Gyu-ha virou-se e começou a caminhar desanimado. Se soubesse, teria ligado para a empresa primeiro. Viera exatamente no horário do almoço achando que se encontrariam logo, mas dar o azar de ele estar em reunião justamente agora era muita má sorte.
— Ah, droga…
Nem tinha terminado o chá e, para piorar, sentiu uma vontade urgente de ir ao banheiro. Olhou ao redor e entrou no restaurante mais próximo. Pediu uma porção de sopa de cabeça de boi e correu para o banheiro como se estivesse sendo perseguido.
Graças a isso, o alívio veio rápido. Lavou as mãos e voltou para o salão sem pensar muito, mas parou de repente. O lugar, que estava vazio quando entrou, agora tinha muitos lugares ocupados. Em todo lugar, o clima era o mesmo. Por ser uma área de escritórios, quase todos os clientes eram pessoas de terno sentadas em grupos.
Felizmente, havia uma mesa para duas pessoas vazia em um canto, e Gyu-ha dirigiu-se até lá. Por hábito, pegou o celular no bolso. Ele não costumava se importar com o que os outros pensavam e até gostava de comer sozinho, mas estar sentado ali como uma ilha isolada em um restaurante cheio de executivos o deixava um pouco sem jeito.
Cha-young ainda não dera sinal de vida. E não era só ele. O grupo de amigos, onde sempre postavam memes ou bobagens, também estava silencioso hoje. Gyu-ha abriu o chat e digitou uma mensagem após muito tempo.
[O que vcs estao fazendo?]
O número “3” não dava sinais de diminuir. Ele estalou a língua, desligou a tela e olhou pela janela. A rua, antes calma, agora estava fervilhando de gente. Logo, Gyu-ha desviou o olhar com uma expressão endurecida. Parecia que seu centro de controle emocional estava quebrado, pois uma melancolia súbita o atingiu.
“……Que merda, sério.”
Estar ali sozinho, com aquela barriga anormalmente grande, em um restaurante cheio de trabalhadores, o fazia se sentir um parasita que só servia para consumir comida. Mesmo querendo ter pensamentos positivos, sentimentos negativos se espalhavam como se ele estivesse em um pântano.
— Aqui está o seu pedido.
A tigela de barro fumegante foi colocada na mesa. O aroma delicioso estimulou seu olfato, mas, devido ao desânimo, não tinha muito apetite. Mesmo assim, não podia sair sem tocar na comida, então, quando ia forçar a primeira colherada, ouviu o sino da porta tocar novamente.
— …!
Gyu-ha levantou a cabeça involuntariamente e paralisou. Outro grupo de cinco ou seis pessoas entrou, e havia um homem que, por ser mais alto que os outros, destacava-se imediatamente. Era Lee Cha-young.
“O que ele está fazendo aqui…?”
Então, recobrou os sentidos e baixou a cabeça rapidamente. Um sorriso autodepreciativo surgiu. “O que ele está fazendo aqui?” Que pergunta idiota.
Sendo um restaurante perto da empresa, era óbvio que Cha-young viria; o estranho ali era ele próprio. Seus sentidos ficaram em alerta. Estava tenso com a possibilidade de ele olhar em sua direção, mas, após alguns segundos, ninguém se aproximou. Quando levantou os olhos um pouco depois, Cha-young não estava mais à vista. Parecia ter se sentado em outra área com mesas separadas.
Enquanto mexia na sopa com a colher, a imagem de Cha-young que acabara de ver não saía de sua cabeça.
“Ele vem até em lugares assim.”
Como ele era um cara exigente, Gyu-ha achou que ele buscaria um restaurante chique e reservado na hora do almoço… Foi estranho vê-lo em um restaurante comum, e ainda por cima com colegas de trabalho. Outra coisa lhe veio à mente: os rostos das pessoas que olhavam para Cha-young sorrindo enquanto falavam com ele ficaram gravados em sua memória como um rastro incômodo.
***
Ao chegar diante da porta de casa, Gyu-ha digitou a senha de oito dígitos, composta pela combinação dos aniversários dele e de Cha-young.
A casa estava silenciosa. No caminho, recebera uma mensagem da ajudante dizendo que “iria às compras”, então ela parecia ainda não ter voltado. Gyu-ha caminhou e jogou-se no sofá. Recostou-se como se estivesse deitando e soltou um longo suspiro. Ficou apenas respirando antes de resmungar sozinho:
— Porra, sinto que vou acabar afundando até o outro lado do mundo se continuar assim.
Ele se levantou subitamente. Se ficasse trancado em casa, era óbvio que a depressão só pioraria. Como não ganharia nada corroendo sua mente, decidiu ir até a praia mais próxima para tomar um ar.
Enquanto caminhava rápido em direção à entrada, sentiu algo balançar no bolso do sobretudo. Ao colocar a mão, pegou o celular de Cha-young. Após hesitar por um momento, ligou seu próprio celular.
[Vou sair para tomar um ar]
Ele voltaria antes de Cha-young sair do trabalho, mas, por precaução, enviou a mensagem por generosidade. Deixou o celular de Cha-young apitando sobre a mesa de cabeceira ao lado da cama e saiu de casa.
***
Um rock com uma bateria vibrante preenchia o interior do carro. Gyu-ha acompanhava o ritmo com o corpo, cantarolando a melodia familiar.
Por ser tarde, a estrada estava mais vazia do que imaginava. Sem destino certo, ele apenas acelerava conforme a vontade, quando de repente a música parou e o nome “Kim Mo-ran” apareceu no painel. Achou a ligação repentina estranha, mas atendeu.
— Alô?
— *O que você está fazendo?*
Ao ver o sinal à frente ficar vermelho, Gyu-ha pisou no freio e respondeu:
— Indo tomar um ar.
— *Ar? Está tendo um caso?*
— Do que você está falando? Estou indo tomar um ar porque me sinto sufocado.
— *Brigou com o Cachorro Lee?*
Gyu-ha soltou uma risada com a pergunta direta.
Foi Cha-young quem contou a Kim Mo-ran sobre o casamento. Segundo Cha-young, ela dera parabéns sinceros, mas Gyu-ha sabia que era uma mentira deslavada. Ela gritara ao telefone, perguntando se ele estava brincando com a cara dela e por que tinha que ser logo aquele desgraçado, quase estourando seus tímpanos. Parabéns sinceros, uma ova.
Mesmo assim, Mo-ran foi leal, compareceu ao casamento e não poupou desejos de que vivessem felizes. De quebra, ainda disse: “Se vocês terminarem, venha morar comigo”.
— Não brigamos. …… Só me deu vontade de ver o mar.
— *E o Cachorro Lee?*
— Está na empresa.
— *Então você está indo sozinho?*
— Sim.
— *Então estacione o carro em qualquer lugar e espere um pouco. Vou com você.*
Dessa vez, foi Gyu-ha quem perguntou:
— Você tirou folga?
— *Sim. Me mande sua localização que eu vou até aí.*
— Eu vou até a sua casa. Não faz muito tempo que saí.
— *Então perfeito. Sabe o endereço?*
— Mande por mensagem.
— *Tá bom.*
Em poucos segundos a mensagem chegou, e Gyu-ha virou o volante imediatamente em direção à casa de Kim Mo-ran.
Pouco depois, o carro de Gyu-ha percorria suavemente uma avenida de quatro pistas. A única diferença era que Kim Mo-ran estava ao volante, enquanto Gyu-ha estava sentado ao lado como um figurante. Isso porque ela tomara a chave dele quase à força e ocupara o assento do motorista antes que ele pudesse protestar.
Diferente do comentário assustador de que “queria aliviar o estresse dirigindo”, Mo-ran guiava o carro respeitando o limite de velocidade, ainda que no limite. O destino marcado no GPS era um mercado tradicional. Ao contrário de Mo-ran, que cantarolava e seguia o ritmo, Gyu-ha iniciou a conversa com uma expressão nada alegre.
— Precisamos mesmo ir tão longe?
— Claro. Eu te liguei para irmos juntos se você estivesse livre, e por coincidência você já estava saindo para tomar um ar. Isso é destino.
“Destino o caralho”, pensou ele, sem coragem de dizer em voz alta.
Não era para menos. O mercado tradicional que Mo-ran inserira no GPS ficava nada menos que na província de Gangwon. Ele devia ter percebido desde o momento em que ela começou a prometer levá-lo a um lugar “espetacular”. Infelizmente, era tarde demais para arrependimentos. A menos que Mo-ran se afastasse do carro em algum posto de conveniência, não havia o que fazer.
Ignorando o humor dele, Mo-ran continuava se entregando ao ritmo da música.
— De quem é essa música?
— La Flat. É uma banda de rock britânica.
— É tão engraçada que fica melhor ainda.
— Engraçada?
— Eles berram como se o mundo estivesse acabando, mas a letra é sobre implorar desesperadamente por um amante.
— Chame isso de charme inesperado.
Gyu-ha não entendia as letras em inglês, mas com “La Flat” a história era diferente. Na juventude, ele procurara a pronúncia escrita em coreano para cantar bem no karaokê, e ficou chocado mais de uma vez ao ver que a letra era o oposto da vibe da música.
A conversa casual continuou. Eles pararam em um posto, conversaram bastante e, quando perceberam, já estavam no pedágio entrando em Donghae.
Gyu-ha já havia aceitado o seu destino há muito tempo. Para ser sincero, ele tentara recuperar a chave no primeiro posto de conveniência, mas Mo-ran a guardou rapidamente no bolso. Depois, enquanto comiam tteokbokki e oden lado a lado, ele esqueceu completamente. Ao voltar para o carro, ele se lembrou, mas Mo-ran não deu brecha. Ela entrou no banco do motorista como se fosse a coisa mais natural do mundo, forçando-o a sentar novamente no carona.
A partir daí, Gyu-ha desistiu totalmente. A essa altura, estava até aliviado por não estarem indo para o sul do país ou para alguma vila no fim do mundo.
Após dirigir por um bom tempo dentro da cidade, chegaram ao destino. Mo-ran fez uma manobra de ré impressionante e estacionou em um local próximo. Desceu do carro usando uma bolsa de luxo com correntes que não combinava nada com suas roupas desleixadas e declarou em voz alta:
— Eu pago, vamos comer até explodir.
Gyu-ha soltou uma risada e a seguiu. Só de ver que ela usava um agasalho esportivo, dava para sentir sua determinação.
Pouco depois, ao chegar à entrada do mercado, ele não pôde deixar de admirar. A escala era muito maior do que imaginava, com todos os tipos de comida espalhados por ali.
— Incrível, né? Eu vi enquanto mudava de canal e pensei: “É aqui!”.
Embora tivesse nascido em berço de ouro tanto quanto Cha-young, Mo-ran não era fresca com comida. Não sabia se a comparação era adequada, mas em restaurantes, Mo-ran era como um camaleão. Em ocasiões formais, demonstrava modos à mesa elegantes e perfeitos; mas em uma churrascaria de cordeiro, pegava o osso com as mãos e roía a carne sem hesitar. E não era só isso. Ao contrário de Cha-young, que só agora estava aprendendo as maravilhas do delivery graças a Gyu-ha, Mo-ran comia comidas de rua e lanches exclamando de prazer a cada mordida.
— Você sabe comer macarrão?
— Claro.
— Então vamos comer macarrão primeiro.
Andando e olhando ao redor, encontraram um pequeno restaurante. Mesmo sendo meio da tarde, havia bastante gente comendo, e os dois se sentaram em uma mesa vazia. Mo-ran chamou a funcionária que limpava outra mesa sem hesitar.
— Tia, tem porção grande de macarrão, né?
— Sim, tem.
Em seguida, Mo-ran perguntou a Gyu-ha:
— O que você vai querer?
— Macarrão apimentado (Bibim-guksu).
— Sabia que você tinha bom gosto.
Mais uma vez, Mo-ran fez o pedido em voz alta e, por consideração à gestante — como ela via Gyu-ha — trouxe os acompanhamentos e a água, que eram self-service. Como estava com sede, Gyu-ha bebeu a água de um gole só. Logo ouviu a pergunta de Mo-ran:
— Está sendo difícil?
— …… É, você sabe como é.
Mo-ran também virou o copo de água. Estar ali sentada com Gyu-ha trouxe à memória o incidente chocante de dois meses atrás.
Após resolver um acidente em um canteiro de obras no interior e respirar aliviada, Mo-ran lembrou que Cha-young tentara contato e ligou de volta imediatamente. Normalmente ela o ignoraria, mas como ele agira de forma incomum, pedindo humildemente que ela ligasse “assim que pudesse”, parecia algo sério. Embora fossem rivais desde a infância devido às constantes comparações familiares, Cha-young era o aliado mais confiável quando surgia um inimigo comum ou problemas na família.
Por isso ela ligou, mas Cha-young não atendeu. Tentou novamente pouco depois, mas nada. Ele também não respondeu às mensagens. Mo-ran pensou “o que esse idiota quer?” e parou de se importar. Se fosse urgente, ele ligaria de novo.
O chamado de Cha-young veio alguns dias depois. Quando ele ligou pedindo para se encontrarem, ela ironizou perguntando se era algum tipo de saco de pancadas que ele só procurava quando precisava, mas acabou indo ao encontro. Foi lá que Mo-ran ouviu algo que parecia um raio em céu azul: Gyu-ha estava esperando um filho dele e eles estavam prestes a se casar com a permissão de ambas as famílias.
Ela torceu para que fosse uma piada de mau gosto, mas infelizmente era verdade. Durante toda a cerimônia, Mo-ran aplaudiu sem alma, sentindo uma derrota que não experimentava há muito tempo. Se eles não combinassem, ela poderia rir e sentir uma vitória moral, mas vê-los ali de pé, com trajes sob medida, um mais bonito que o outro, deixava um gosto amargo.
— Aqui está o pedido.
Pouco depois, a funcionária aproximou-se segurando com as duas mãos uma bandeja de aço inoxidável com um ar retrô. Ambos exclamaram em uníssono. Sem exagero, a tigela de macarrão era quase do tamanho de uma bacia.
— Que quantidade enorme.
— Parece ótimo. Vamos comer logo.
Mo-ran prendeu o cabelo comprido com um elástico que surgiu de algum lugar e começou a devorar o macarrão.
— Uau, porra, está delicioso.
Dava para ver que estava bom só pela quantidade de macarrão que ela levava à boca. Gyu-ha também misturou o molho e deu a primeira garfada. Enquanto comiam em silêncio, uma voz o interrompeu.
— Você está se sentindo mal?
— O quê?
— Perguntei se está passando mal.
— Não, estou bem.
— Então por que está comendo desse jeito, aos pouquinhos? Não gostou?
— Não é isso.
Diante do olhar dela que perguntava “então por que?”, Gyu-ha hesitou e confessou a verdade:
— …… É que eu engordei muito, então estou tentando diminuir o que como.
Mo-ran fez uma expressão de “o que foi que eu acabei de ouvir?”.
— Grá…
Ela ia dizer a palavra, mas olhou ao redor e baixou o tom de voz para continuar:
— O que um grávido está dizendo? É óbvio que você vai engordar com um bebê na barriga.
— …… Mas acho que está um pouco sério demais.
— Do que você está falando? Só de olhar para o seu rosto, nem dá para notar nada.
Nesse instante, uma ideia passou pela mente de Mo-ran. Ela apertou os hashis e olhou para ele com desconfiança.
— O Cachorro Lee disse algo? Que você engordou?
— Não.
Gyu-ha negou imediatamente. Pelo contrário, Cha-young vivia trazendo comida como se estivesse desesperado para alimentá-lo, e não hesitava em agir como um empregado pessoal mesmo em horários tardios.
Mesmo assim, Mo-ran continuou pressionando, e só retirou o olhar desconfiado quando Gyu-ha negou várias vezes.
— Então coma logo. Kkam-jjak precisa que você coma bem para crescer saudável.
Ouvir aquilo o deixou com o nariz levemente avermelhado de emoção. Aproveitando que o assunto surgira, Gyu-ha hesitou, mas acabou desabafando seus sentimentos:
— …… Além de comer bem, sinto que estou comendo como um porco. Como é possível engordar 2 kg em poucos dias?
— Se fosse uma pessoa normal seria um problema, mas você está assim por causa do bebê.
— E a barriga também está crescendo dia após dia…
Ao perceber o desânimo dele, Mo-ran, em vez de dar um sermão dizendo que “é normal na gravidez”, disse algo para animá-lo:
— Eu já disse. Só de olhar para o seu rosto, nem dá para notar. Quando o bebê nascer, tudo vai voltar ao lugar, então coma sem preocupação.
— Será que volta mesmo?
— Claro. Você nunca viu as celebridades que voltam ao trabalho um ou dois meses depois de terem filhos, com o corpo perfeito?
— Mas elas são celebridades, é por isso.
— Elas continuam sendo seres humanos iguais a você. E se não voltar, peça para o Cachorro Lee pagar um personal trainer. Pela cara de idi… de bobo apaixonado que ele estava no casamento, ele não só pagaria um personal, como compraria a academia inteira para você. Foi a primeira vez que vi aquele desgra… ele com uma expressão tão abobalhada.
Por causa de seus hábitos linguísticos, palavras rudes tentavam escapar, mas Mo-ran se esforçava para usar uma linguagem educada pensando no bebê na barriga de Gyu-ha. Embora Cha-young continuasse sendo um incômodo para ela, para o Kkam-jjak ele era o pai.
— Coma logo. Já que viemos até aqui, vamos limpar tudo.
— Eu disse que estou preocupado com a barriga.
— Você não ouviu o que eu disse? Quem tem um bebê precisa comer várias vezes melhor que os outros. Só pelo seu rosto não dá para notar nada, então coma o quanto quiser sem se preocupar.
— …… Tenho medo de que ele me ache patético por engordar.
Embora ele não tivesse dito o sujeito, Mo-ran entendeu perfeitamente e elevou a voz:
— É por causa do filho dele! Se ele te achar patético, o louco é ele. Especialmente você não precisa se preocupar com isso. Eu já disse: se for o Lee Cha-young, ele estaria feliz até se você estivesse rolando de tão gordo, ele te carregaria nas costas com prazer.
— ……
— Eu garanto como alfa. Então pare de se preocupar e coma logo.
Ela chegou a colocar os hashis na mão dele, e Gyu-ha finalmente começou a comer o macarrão. Mo-ran acrescentou:
— Se o Cachorro Lee te fizer sofrer ou agir de forma irritante, jogue os papéis do divórcio na cara dele e venha para mim. Eu te ajudo a arrancar uma pensão gorda dele.
Gyu-ha soltou uma risada e continuou a refeição. Devia ser o mesmo sabor de antes, mas estranhamente parecia muito mais gostoso agora.
Após esvaziarem as tigelas, os dois saíram para o que seria o verdadeiro tour gastronômico. Mo-ran viera com o propósito exclusivo de comer, e Gyu-ha se juntou a ela com o coração mais leve. Eles paravam em cada barraca alinhada na rua. Mo-ran terminou seu espetinho de oden e já pegou um de coração de galinha temperado, comendo sem cerimônia.
— Uau, porra, está bom demais.
A combinação do molho agridoce com o gosto de defumado era fantástica. Gyu-ha também se sentiu atraído e escolheu um espetinho na brasa, soltando exclamações de prazer.
O próximo item foi panqueca de feijão (bindaetteok). Vê-las dourarem no óleo quente dava água na boca. Em seguida, comeram chouriço apimentado (sundae), guiozas achatados e hoeddeok recheado com sementes. Em cada parada, Mo-ran abria generosamente sua carteira recheada de dinheiro vivo.
Quando completaram a volta e retornaram ao ponto de partida, sentiam que iam explodir. Após dar um gole em uma limonada azul vibrante através do canudo, Mo-ran perguntou a Gyu-ha:
— Quer comer mais alguma coisa?
— Não. Sinto que vou explodir.
Parecia que a comida chegara até a garganta. Por hábito, ele levou a mão à barriga estufada, e então sentiu uma vergonha tardia. Pensou que não deveria ter reclamado de estar engordando se ia comer tanto assim.
— Haaam… Comer me deu sono.
Parecia que pálpebras pesadas após uma refeição eram algo comum a todos. O olhar de Mo-ran voltou-se para Gyu-ha novamente.
— Podemos descansar um pouco antes de ir? Sinto que vou vomitar se colocar o cinto de segurança agora.
— …… Guarde esses pensamentos para você, por favor.
Embora o repreendesse franzindo a testa, a proposta era tentadora. Suas costas doíam por estar sentado há horas, e ele também queria ir ao banheiro.
— Tem algum lugar para descansar por aqui?
— Eu reservei um hotel. Planejava passar a noite aqui. Ou você pode simplesmente pernoitar aqui também e subir comigo amanhã.
Gyu-ha pensou por um momento e respondeu:
— Vou apenas descansar um pouco e depois subir. Sinto que vou dormir melhor se estiver em casa.
Ele não era exigente com lugares para dormir, mas como achara que seria uma viagem de um dia, não trouxera nada. Pensou nas roupas para trocar e nas vitaminas que precisava tomar diariamente, por isso recusou, e Mo-ran imediatamente estreitou os olhos para provocá-lo:
— Que coisa. Você está mesmo na coleira dele.
— Coleira o caralho. Quem está na coleira?
— Quem mais? Você mesmo.
Gyu-ha desviou do rosto dela que se aproximava com um sorriso brincalhão e pegou o celular no bolso. A barra de notificações continuava silenciosa. Pensou em mandar outra mensagem para Cha-young, mas mudou de ideia e desligou a tela. O celular dele provavelmente ainda estaria em casa, e ele acreditava que, mesmo descansando uma hora, chegaria em casa antes de Cha-young.
Os dois retornaram ao estacionamento. Mais uma vez, Mo-ran ocupou o banco do motorista, e Gyu-ha voltou a observar a paisagem pela janela enquanto ouvia a música.
***
Ao passar pelo jardim e chegar à porta de casa, Cha-young desbloqueou a fechadura eletrônica com movimentos rápidos. A sala estava em silêncio. Após olhar ao redor, dirigiu-se imediatamente ao quarto.
— Chegu…
Ele parou assim que abriu a porta. Como ele não estava na sala, achou que estaria no quarto, mas as luzes estavam apagadas. Por via das dúvidas, abriu a porta do banheiro da suíte, mas Gyu-ha não estava lá.
Assim, começou um jogo de esconde-esconde involuntário. Ele passou pela cozinha, pelo closet, pelos quartos de hóspedes no segundo andar e até abriu a porta do quarto do bebê ao lado da suíte. Mas a pessoa que procurava não estava em lugar nenhum.
— Gyu-ha. Seo Gyu-ha!
Percorrendo a casa novamente, Cha-young chamou por ele em voz alta. No entanto, o silêncio era a única resposta. Ao constatar a ausência, a ansiedade latente transformou-se em um pavor instantâneo.
Desde o casamento, Cha-young era infinitamente generoso com Gyu-ha, exceto em um ponto: ele não suportava que Gyu-ha saísse de casa sem avisar. O medo enraizado em experiências passadas era muito forte. O trauma de ter perdido totalmente o contato com Gyu-ha no início da gravidez parecia ter se cravado profundamente em seu interior, e o pânico o dominava sempre que chegava em casa e não o encontrava.
Recentemente, eles chegaram a ter sua primeira briga por causa disso. Enquanto Cha-young corria desesperado pela casa procurando-o, Gyu-ha apareceu segurando uma sacola de loja de conveniência, e Cha-young explodiu de raiva. Depois, veio o apelo: ele poderia ir a qualquer lugar, mas que, por favor, nunca saísse sem avisar.
Gyu-ha achou um absurdo, perguntando se era alguma criança que não podia ficar sozinha, mas acabou cedendo ao pedido. Desde então, ele costumava esperá-lo em casa na hora em que ele saía do trabalho… mas hoje, como não sentia presença alguma, a ansiedade voltou com força. Especialmente porque ele não estava sozinho.
“Ah.”
Enquanto andava de um lado para o outro na sala em pânico, Cha-young finalmente se lembrou do celular. Correu de volta para o quarto, pegou o aparelho sobre a mesa de cabeceira e viu a mensagem de Gyu-ha.
[Vou sair para tomar um ar]
— Ah…
Um gemido de alívio escapou junto com a tensão acumulada. Mas ainda era cedo para relaxar; Cha-young apertou o botão de chamada imediatamente.
*Trrr— Trrr—*
O tom de chamada monótono parecia interminável. Quando finalmente a ligação foi interrompida, Cha-young ia falar, mas em vez da voz esperada, ouviu a mensagem de que “o cliente não pode atender no momento”. Tentou novamente, com o mesmo resultado. Com o rosto endurecido, ele enviou uma mensagem:
[Onde você está? Me ligue assim que vir esta mensagem]
Antes de enviar, apagou algumas palavras e reescreveu:
[Já cheguei hehe. Saiu para passear com o Kkam-jjak? Me ligue quando vir a mensagem]
Após enviar, Cha-young sentou-se e ficou encarando o celular fixamente. Mas o aparelho continuava mudo. Depois de aguentar por dez minutos, ligou novamente sem sucesso. Com uma expressão gélida, ele se levantou e procurou o nome da “Ajudante” nos registros de chamadas.
— *Sim, senhor.*
Assim que ela atendeu, ele foi direto ao ponto:
— Você sabe para onde o Gyu-ha foi? Parece que ele não está em casa.
— *Nossa, ele ainda não voltou?*
Ao ouvir o “ainda”, Cha-young sentiu o coração afundar. Ele perguntou imediatamente:
— Que horas ele saiu?
— *Acho que ele saiu por volta das onze da manhã.*
— E você não o viu depois disso?
— *Não. Não o vi até a hora de eu ir embora. Mandei uma mensagem dizendo que estava saindo, mas ele não respondeu.*
— …… Entendi.
Não havia razão para continuar a conversa sem informações úteis. Em seguida, Cha-young ligou para o Secretário Jeong. Ele queria rastrear a localização do celular e verificar o trajeto através das câmeras de segurança.
***
— Hum…
Após limpar o canto da boca, onde parecia ter escorrido um pouco de saliva, Gyu-ha virou-se para o outro lado. Tentou continuar dormindo, mas despertou subitamente com uma sensação de alerta.
A vista ao redor era desconhecida. Olhou em volta tentando entender onde estava, até se lembrar de que entrara no hotel com Kim Mo-ran para descansar. Planejara apenas deitar para esticar as costas, mas acabou pegando no sono sem perceber.
“Que horas são?”
A escuridão ao redor trouxe uma ansiedade tardia. Gyu-ha se levantou, pegou o sobretudo que estava no sofá e procurou o celular. No entanto, ambos os bolsos estavam vazios. Após conferir duas vezes, voltou para a cama e vasculhou os lençóis, mas o aparelho não estava em lugar nenhum.
— Será que deixei no carro…
Como se lembrava de ter mexido nele na entrada do mercado, era muito provável que tivesse caído dentro do carro no trajeto para o hotel. Estalando a língua, Gyu-ha saiu para o corredor.
*Toc, toc—*
Sem nem pensar na campainha, ele bateu apressadamente na porta do quarto ao lado, chamando por Kim Mo-ran.
— Sou eu. Você está aí?
Momentos depois, Mo-ran abriu a porta com uma expressão de surpresa.
— Você ainda não foi?
— Eu deitei e acabei dormindo. Me empresta o seu celular.
— O seu acabou a bateria?
— Acho que deixei no carro.
Uma expressão de “agora entendi” surgiu no rosto de Mo-ran.
Ela sugerira subirem juntos depois de descansarem um pouco, mas Gyu-ha insistira em pegar um quarto separado. Quando passou uma hora, ela mandou uma mensagem perguntando se ele já ia, mas não obteve resposta. Chegou a pensar que ele tinha ido embora sem avisar e mandou várias mensagens furiosas, mas agora, entendendo a situação, sentiu-se um pouco sem jeito.
— Entre.
Mo-ran caminhou até a cama, mexeu no celular por um instante e o entregou a Gyu-ha. Um sorriso surgiu ao ver a tela. Ao levar o aparelho ao ouvido — com o nome “Cachorro Lee Desgraçado” aparecendo na tela — ouviu uma voz grave após alguns instantes:
— *O que é.*
Gyu-ha hesitou por um momento. Apesar de ser apenas uma palavra, o tom era diferente do habitual. Parecia rude, como alguém que não queria ter atendido ou que acabara de acordar.
— *Alô? Ligou errado?*
— Sou eu.
Houve um curto silêncio antes da pergunta:
— *…… Seo Gyu-ha?*
— Sim.
— *ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA?!*
Gyu-ha se assustou com o grito súbito e afastou o celular do ouvido. “Porra, que susto.” Massageou a orelha atacada e voltou a encostar o aparelho.
— Por que está gritando desse jeito, caralho? Não viu a mensagem que deixei?
— *Eu vi. Por que não atende a porra do telefone?*
— Acho que deixei o celular no carro. Já vou voltar, então lave os pés e vá dormir.
Ele disse isso querendo dizer para não esperá-lo. Cha-young ignorou o comentário e disse:
— *Passe para a Mo-ran.*
— ? Por que ela?
— *Tenho algo para falar com ela.*
Mesmo contrariado, Gyu-ha estendeu o celular para Mo-ran. Ao dizer “ele quer falar com você”, ela também atendeu com uma expressão de desagrado.
— O que foi.
Gyu-ha tentou apurar os ouvidos, mas o volume estava baixo e ele não conseguia ouvir a voz de Cha-young. Mo-ran apenas escutava em silêncio enquanto ajeitava o cabelo bagunçado. De repente, ela parou e elevou a voz:
— Você não ouviu o que o Gyu-ha disse? Ele mandou você lavar os pés e ir dormir primeiro. Ele não é uma criança que não sabe voltar para casa.
— *Peguei a rodovia.*
— …… O quê?
— *Disse que já estou na rodovia. Só me diga onde vocês estão. Para eu não perder tempo.*
Mo-ran demorou um segundo para processar o significado e soltou uma risada incrédula.
— Uau, esse lou…
Ela ia completar a frase, mas engoliu as palavras rapidamente. Olhou de relance para a barriga de Gyu-ha e, em vez de um palavrão, soltou um suspiro e respondeu:
— É o hotel XX em Donghae. Quarto 1302.
— *Diga ao Gyu-ha para não ir a lugar nenhum e esperar. Chego logo.*
Assim que ela desligou, Gyu-ha perguntou:
— O que ele disse?
— ……
Mo-ran levantou a cabeça e olhou para ele com um toque de pena. Como ele fora se envolver com um cara tão possessivo assim?
Mo-ran conhecia bem a característica de um alfa de ficar obcecado pelo parceiro marcado, mas achava que isso dependia da pessoa… Quem diria que aquele Lee Cha-young agiria com tanta obsessão e desespero por alguém.
— O que foi? O que ele disse? Ele falou algo para você?
Diante da insistência, Mo-ran deu de ombros e respondeu, pensando que os dois se mereciam naquela loucura:
— Ele disse que está vindo buscar você aqui.
***
— Esse lugar faz ótimos hambúrgueres. É totalmente no estilo americano.
— É verdade.
Gyu-ha concordou sem hesitar. Engoliu o que estava na boca e deu outra mordida grande no hambúrguer.
O mecanismo do corpo humano era realmente incrível. Mesmo tendo comido tanto no mercado, o tempo passou e a fome voltou como se nada tivesse acontecido. Mo-ran também disse que estava com um vazio no estômago e pediu serviço de quarto sem pensar duas vezes.
Enquanto assistiam a um filme estrangeiro na TV e faziam o jantar tardio, ouviu-se o som alto da campainha. Exceto por um funcionário, a pessoa que tocaria a campainha era óbvia. Mo-ran disse para Gyu-ha ficar sentado, caminhou até a porta e a abriu.
Lá estava Lee Cha-young, que realmente viera até ali. …… Que dedicação absurda. Mo-ran soltou um leve suspiro e ia começar a falar, mas Cha-young a interrompeu:
— Onde está o Gyu-ha.
— Lá dentro.
Mo-ran impediu que ele entrasse às pressas e disse rapidamente em tom baixo:
— Eu que insisti para virmos. Ele está comendo agora, então não perca a paciência.
— …… Não vou.
Cha-young passou por ela como um vento frio e entrou no quarto. Seus olhos encontraram os de Gyu-ha, que estava de pé sem jeito perto da mesa. Ele se aproximou a passos largos e abraçou os ombros de Gyu-ha com força.
— Ei…
Sentiu as mãos de Gyu-ha tentando empurrá-lo por surpresa, mas Cha-young não recuou. Enterrou o nariz no pescoço dele, respirou fundo e só então o encarou devagar. Suas mãos, que desceram para a cintura, continuavam abraçando Gyu-ha.
— Você está bem?
— Estou ótimo. …… Eu disse que já voltava, por que fazer todo esse escândalo vindo até aqui?
— Isso aqui é distância de quem “já volta”? E ainda veio para tão longe sem sua aliança de casamento.
Gyu-ha ficou sem palavras; nem vira quando ele notara aquilo. Ele desviou o olhar e murmurou como desculpa:
— Tirei porque minhas mãos estavam inchadas. Você já jantou?
— Ainda não.
— Já viu que horas são? Por que está andando por aí sem comer?
— Estava tão focado em te procurar que nem senti fome.
“Que palhaçada”, Mo-ran pensou.
Observando os dois à distância com aquela expressão, Mo-ran não aguentou ver Cha-young acariciando a orelha de Gyu-ha e resolveu expulsá-los.
— Parem com essa melação no meu quarto e vão brincar no quarto de vocês.
A expressão dela era cem por cento sincera.
***
Os dois estavam sentados na banheira. Tanto Cha-young, sentado atrás, quanto Gyu-ha, recostado calmamente no peito dele, tinham expressões de profunda paz. Embora fosse um pouco apertado para dois, a sensação de proximidade corporal era melhor do que imaginavam.
Toda vez que Cha-young tocava a barriga de Gyu-ha com cuidado, a superfície da água ondulava levemente. Gyu-ha estava relaxado, com os braços apoiados nos joelhos de Cha-young, quando se lembrou de algo e falou:
— Você não sabe meu número de cor?
— Claro que sei.
— Então por que não ligou antes?
— Esqueci o celular em casa. Se não fosse por isso, teria mandado mensagem na hora do almoço.
Ouvir a palavra “almoço” trouxe lembranças. Além da vergonha e da sensação de ser um parasita por comer sozinho como um porco em um lugar cheio de profissionais, ver Cha-young entrar acompanhado justamente naquele momento fora o golpe final.
Gyu-ha se virou para trás com uma expressão de descontentamento.
— Você deve ter ouvido que eu fui te procurar. Não sei o quão ocupado você estava, mas se alguém veio te ver naquele estado, você poderia ter feito uma ligação. Já que sabe o número.
Ele esperava que Cha-young se desculpasse com algum sorriso charmoso, mas a reação dele foi totalmente diferente. Cha-young se afastou da borda da banheira e perguntou surpreso:
— Você foi me ver? Na empresa?
— Você esqueceu o celular, então fui entregar.
— Mas por que foi embora sem dizer nada?
— Quem disse que fui sem dizer nada? Eu perguntei por você, disseram que estava em reunião e deixei um recado… Não te falaram?
— Não me disseram absolutamente nada.
Ao ver a expressão confusa de Cha-young, Gyu-ha percebeu algo. Na hora, com todos os seus conflitos internos, ele não notara, mas o fato de ter ido até lá e não ter recebido sequer uma ligação deixara uma mágoa inconsciente.
Agora que sabia a verdade, aquele peso em seu coração derreteu como neve. Ele voltou a se recostar e sentiu os braços de Cha-young o envolverem imediatamente, como se estivessem esperando por aquilo.
— Desculpe. Você deve ter ficado muito chateado.
— …… Chateado nada.
Cha-young deu um beijo no pescoço exposto de Gyu-ha e disse em voz baixa:
— Gyu-ha.
— O quê.
— Além de eu não ter entrado em contato rápido hoje, fiz mais alguma coisa que te deixou triste?
Gyu-ha demorou alguns segundos antes de responder.
— Por que perguntou isso de repente? Está com a consciência pesada?
Ele perguntou em tom de brincadeira, e o abraço em seu tronco ficou um pouco mais apertado.
— …… Só senti que você tem passado por momentos difíceis ultimamente. Se eu fizer algo errado ou se houver algo de que você não goste, por favor, me diga. Eu vou consertar na hora.
Sua voz estava cheia de sinceridade. Com as orelhas levemente coradas, Gyu-ha hesitou. Poderia apenas dizer que não era nada e encerrar o assunto, mas vendo o esforço de Cha-young, pensou que talvez fosse bom ser honesto.
Cha-young esperou pacientemente. Gyu-ha mexeu os dedos dos pés sob a água e começou a falar devagar:
— Não é nada disso. É que… minha barriga cresceu muito de repente e fiquei estressado. Meu abdômen sumiu, a barriga não para de crescer e ainda engordei.
— ……
— Você não fez nada de errado, então não se preocupe.
Cha-young permaneceu em silêncio por um momento antes de dizer suavemente:
— Sinto muito.
— Por que você está se desculpando? Eu disse que é por minha causa.
— Sinto muito até por isso.
— ……
— Se o estresse acumular, não guarde para você, desconte em mim. Pode me xingar, pode ficar bravo, pode até me bater até se sentir melhor. …… Pode fazer qualquer coisa, só não desapareça sem avisar como hoje.
Gyu-ha paralisou diante das palavras inesperadas e depois relaxou o corpo novamente.
— Quando foi que eu desapareci sem avisar? Eu mandei mensagem.
— Sim. Mas mesmo assim fiquei muito assustado.
Dava para notar isso apenas pelo fato de ele ter corrido até ali. “Quem você pensa que eu sou, alguém que some por hábito?”, Gyu-ha pensou, mas acabou segurando as pontas dos dedos de Cha-young. Já que estavam tendo aquela conversa, havia mais uma coisa que ele queria dizer.
— Depois que o Kkam-jjak nascer, eu vou voltar a trabalhar.
— Trabalhar? Onde?
— Onde mais seria? No café.
Embora fosse o gerente, ele costumava aparecer lá pelo menos uma vez por semana, mas parou de ir desde que a barriga ficou evidente. Ficar à toa por preguiça era uma coisa, mas ser impedido de sair por fatores externos era uma sensação completamente diferente.
— Sim. Faça o que você quiser.
A voz baixa ecoou atrás de suas costas. Graças a isso, um sentimento morno e suave, como a temperatura da água, subiu por seu corpo. Pensou que fizera bem em mudar o nome de contato dele de “Cachorro Lee” para “Lee Cha-young”.
— …!
De repente, Gyu-ha paralisou. Seus olhos voltaram-se imediatamente para baixo. Ele ficou encarando a barriga em silêncio antes de chamar por Cha-young, surpreso.
— Acho que se mexeu.
— Hein?
— Acho que a barriga se mexeu.
Para ser exato, sentira algo se movendo dentro da barriga. Era nitidamente diferente da sensação de digestão.
— Deixe-me ver.
A mão grande de Cha-young tocou o abdômen, e logo os dois paralisaram. Não era impressão. Dava para sentir claramente algo se movendo lá dentro.
— Ei, isso…
Cha-young completou a frase:
— Parece ser o movimento fetal.
Como se confirmasse, houve outro chutezinho fofo. O rosto de Cha-young, que olhava por cima dos ombros de Gyu-ha com a mão na barriga dele, assumiu uma expressão indescritível.
Embora não tivesse dito nada para não preocupá-lo, Cha-young estava apreensivo porque os movimentos fetais, que costumam começar por volta da 18ª semana, ainda não tinham ocorrido. Sentir aquele sinal claro finalmente trouxe um alívio imenso.
— …… Que sensação estranha, porra.
Cha-young soltou uma risada leve. Era um comentário tipicamente a cara do Gyu-ha. Após deixar um selinho nos lábios dele, Cha-young sugeriu: “Vamos sair?”, e se levantou primeiro.
Como já passava das nove da noite, decidiram partir na madrugada seguinte. Por estar exausto da viagem, Gyu-ha adormeceu assim que se deitou. Após confirmar que ele estava em sono profundo, Cha-young enviou uma mensagem para Kim Mo-ran. Ao receber a resposta rápida, levantou-se em silêncio e foi para o corredor.
*Toc, toc—* Ele bateu na porta ao lado e Mo-ran apareceu logo em seguida. Com um gesto de cabeça indicando para entrar, Cha-young entrou sem cerimônia.
— Por que quis me ver?
— Quero te pedir um favor.
Mo-ran já imaginava o que seria. Com uma postura desafiadora, ela esperou que ele falasse, e as palavras foram exatamente o que previu:
— Parece que o Gyu-ha está sofrendo muito com o estresse. Se você tiver tempo, encontre-se com ele como hoje para conversarem.
Sinceramente, não era um favor que ele gostava de pedir. Mo-ran também era uma alfa e, portanto, um alvo de cautela, mas isso era apenas o que ele sentia.
Cha-young notara que, de algum tempo para cá, Gyu-ha não se encontrava mais com os amigos de escola. Mo-ran era uma das poucas pessoas com quem ele se sentia à vontade para sair mesmo com a barriga grande. Em outras palavras, ela era uma amiga com quem ele podia desabafar sem pressão.
— Mas não vá para tão longe como hoje.
Ao ouvir a ressalva, Mo-ran soltou uma risada de deboche.
— Pedindo um favor e ainda impondo condições, que desgraçado.
Ela caminhou até a geladeira, mas não encontrou nada interessante. Fechou a porta com força para demonstrar irritação e resmungou:
— Porra, eu que devia ter pego ele primeiro.
Embora fosse uma frase vaga, Cha-young entendeu imediatamente e respondeu com naturalidade:
— O Gyu-ha não sente nada por mulheres.
— Mentira, por acaso o pau dele tem detector de gênero? Se tocar, sobe.
— Quer que eu procure um ômega masculino para você?
— Não finja que se importa. Acha que eu não sei que você tem medo que eu roube o Gyu-ha de você?
— Fui descoberto.
Embora parecesse uma discussão, era apenas uma troca de provocações. Após suspirar novamente, Mo-ran falou primeiro:
— Trate-o bem. Dá pena ver um cara tão despreocupado como ele estressado e sofrendo.
— Com certeza.
— E meça suas palavras. Estou dizendo isso pela dedicação absurda que você teve vindo até aqui: se você disser que ele engordou ou que está inchado, é motivo para divórcio imediato.
— Entendi. Vou tomar cuidado.
Ver Cha-young concordar docilmente a deixava irritada. Parecia que os dois estavam agindo em sincronia para provocá-la.
— Já disse o que queria? Então caia fora. Vou dormir.
Cha-young não saiu imediatamente; ele jogou algo levemente para Mo-ran. Sem saber o que era, ela pegou: era a chave do carro.
— Leve o meu carro de volta. Você veio com o carro do Gyu-ha, certo?
— Ora, finalmente fez algo que preste.
Cha-young despediu-se e voltou para o quarto ao lado. Felizmente, Gyu-ha continuava dormindo profundamente. Ele subiu na cama com cuidado para não fazer barulho e deitou-se ao lado dele. Ficou observando o rosto adormecido de Gyu-ha por um momento, apoiando a cabeça na mão. Sua mão esquerda foi atraída para o abdômen de Gyu-ha.
Um sorriso surgiu em seu rosto sem que percebesse. Era uma noite serena em que até o silêncio parecia felicidade.
***
Na noite seguinte, Cha-young pegou sua pasta e saiu do gabinete da diretoria, sendo saudado pelos funcionários. O elevador exclusivo para executivos desceu rapidamente sem paradas. Ao sair do prédio, o Secretário Jeong já o esperava no estacionamento, como sempre.
— O senhor chegou?
Cha-young perguntou sem rodeios:
— O que eu pedi está pronto?
— Sim. Vou instalar agora mesmo.
Ao ouvir isso, Cha-young destravou o carro com a chave inteligente. O Secretário Jeong se aproximou, inclinou-se sobre o porta-malas aberto e moveu as mãos com agilidade. Cha-young observava a alguns passos de distância.
O que o Secretário Jeong estava instalando no carro de Gyu-ha era um rastreador de localização. Até então, o aplicativo no celular era suficiente, mas Cha-young percebera ontem que, se Gyu-ha não estivesse com o aparelho, o rastreio era inútil. Por isso, preparou esse plano B. Na verdade, não era um método cem por cento satisfatório, pois não adiantaria se ele deixasse o carro e fosse para outro lugar, mas era melhor do que não fazer nada.
O processo não demorou muito. Momentos depois, o Secretário Jeong levantou-se e sacudiu as mãos.
— Terminei. Instalei por dentro da forração, então é impossível ele notar. Vou enviar o link do aplicativo de monitoramento por mensagem agora mesmo.
— Quanto tempo dura a bateria?
— Pode ser usado por até três anos sem troca de bateria. O Secretário Park fez alguns ajustes para permitir atualizações periódicas do mapa, e o senhor também pode usar a função de visualização de rua para verificar os arredores.
— Existe algum menor com as mesmas especificações? Seria ideal se tivesse uns 5 mm de diâmetro.
— Infelizmente, até onde sei, ainda não existem rastreadores tão minúsculos assim.
— Entendo. Bom trabalho.
Após um breve elogio, Cha-young entrou no carro. Devido ao trânsito da hora do rush, ele parou no sinal logo em seguida.
[Acabei de sair. Vamos jantar juntos]
Após enviar a mensagem para Gyu-ha, Cha-young apoiou a cabeça no braço que estava na moldura da janela e olhou para frente com um rosto inexpressivo.
Pensando bem, era uma pena. Se houvesse um tamanho minúsculo, ele poderia transformá-lo em um piercing, como os que Gyu-ha sempre usava, e dar de presente. Mas ele não podia simplesmente implantar um chip no corpo dele…
Aproveitando, ligou o celular novamente. Havia uma mensagem do Secretário Jeong, enviada logo após se despedirem, e Cha-young olhou pela janela do carro com uma expressão de satisfação.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna