↫─☫ Extra 18
↫─☫ Extra 18
Pela janela, a chuva de inverno caía torrencialmente. Graças a isso, o café estava raramente vazio, mas era justamente por esse motivo que Seo Gyuha estava se sentindo um lixo.
Se eu soubesse, nem teria vindo. Ele saiu de casa contrariado há cerca de uma hora, após receber um aviso do funcionário do período da tarde dizendo que não poderia vir por uma emergência. Por azar, pouco depois de chegar ao café, começou a desabar o mundo lá fora; agora, sem clientes, ele estava apenas guardando lugar à toa.
Normalmente, ele ficaria um pouco irritado, mas pensaria “já que estou aqui, não tem jeito” e deixaria para lá. O problema era que hoje sua condição física não estava nada boa. Entre a ressaca e uma dor que ele não sabia dizer se era muscular ou de um resfriado vindo, seu estado era um verdadeiro desastre.
Como ontem finalmente se encontrou com os amigos e fazia tempo que não saía para beber, Gyuha não recusou o que lhe serviram e também não economizou na hora de encher os copos alheios, aproveitando um tempo agradável. Mesmo com o passar dos anos, a personalidade de todos continuava a mesma. Park Chan-woong, como a fonte de informações de sempre, não parava de falar um segundo; Yoon Byung-chul continuava com aquele seu jeito mesquinho. E Kim Kangsan, o aniversariante de ontem, devastava o ambiente com suas piadas ácidas disparadas em meio ao seu jeito calado.
Divertindo-se, ele nem viu o tempo passar e, quando voltou para casa, já estava alegremente embriagado e passava das duas da manhã. Cantolando baixinho, ele se concentrou para apertar os botões da fechadura eletrônica. Assim que abriu a porta da frente, Seo Gyuha levou um susto. Lee Chayoung, que ele pensou que estaria dormindo há muito tempo, estava parado na porta com os braços cruzados de forma relaxada.
— Que susto. Não dormiu ainda?
— Estava te esperando.
— Para que esperar? Eu, hic, chegaria bem sozinho.
— …A festa de aniversário foi divertida? Bom, não vamos ficar aqui, vamos para o quarto conversar.
Pego pelo pulso e conduzido por um movimento leve, Gyuha acabou seguindo o outro sem pensar. Porém, devido à bebedera, houve fatos que ele não percebeu a tempo. Que os olhos dele estavam gélidos apesar do sorriso, que o lugar para onde Lee Chayoung o levava era o quarto que originalmente os dois dividiam, e que… após horas de sexo em que ele implorou para parar, acabou perdendo a consciência como se tivesse desmaiado.
— Fuuu…
Soltando um suspiro, ele esfregou o rosto com as mãos. Seu corpo estava pesado como se tivesse sido esmagado por rochas, e sua parte de baixo, que havia sido castigada, ainda mantinha uma sensação de desconforto.
Embora ele mesmo gostasse de sexo tanto quanto qualquer um, havia momentos e contextos adequados para isso.
Mesmo que ele recuasse, o outro acabou sendo insistente a situação, e um sexo raivoso nunca poderia ser prazeroso. Na hora, por estar bêbado, ele não teve forças para reagir, mas pensando bem agora, não era apenas uma questão de força física; parecia que Lee Chayoung o havia imobilizado usando seus feromônios para pressioná-lo.
Para piorar ainda mais a porra toda, a data prevista para o seu heat estava chegando. Devido ao procedimento que bloqueava seus feromônios à força, em vez de entrar no cio, ele ficava extremamente letárgico e com o corpo pesado — algo que aquele desgraçado do Lee Chayoung, obviamente, também tinha esquecido.
Ter sido chamado para o café nessas condições fazia com que seu estado físico batesse no fundo do poço. Ele até pensou em voltar para casa, mas estava chovendo demais e, no momento, não queria ver a cara de Lee Chayoung nem pintada de ouro.
— Aquele louco, sério…
— Perdão?
— Estava falando sozinho. Não liga.
— Certo. Vou dar um pulinho no banheiro.
Já que não havia clientes, ele planejava ir para o escritório e se deitar, mas o gerente saiu da frente primeiro. Enquanto esperava ele voltar logo, a porta do café se abriu com um tilintar nada bem-vindo.
— Parece que abriu um buraco no céu. Tá desabando o mundo lá fora.
— Pois é. Acho que até minha cueca molhou toda.
Os clientes que enfrentaram a chuva eram dois homens que pareciam ter a mesma idade de Seo Gyuha. Sem a menor educação, eles começaram a sacudir as roupas dentro da loja para tirar a água e logo se aproximaram do balcão.
— Desejam fazer o pedido?
Mesmo sendo clientes, Seo Gyuha forçou um sorriso para atendê-los, e eles pediram dois americanos e uma fatia de bolo. Como era algo que ele mesmo conseguia resolver, Gyuha movimentou as mãos com agilidade.
Os dois homens se acomodaram em uma mesa logo em frente ao balcão. Devido à proximidade, mesmo sem querer, os diálogos deles acabavam chegando aos ouvidos de Gyuha.
— Tem certeza de que não está doente, hyung? Você ficou cochilando o tempo todo enquanto a gente pescava.
— Estou bem.
Apesar da resposta, a aparência do homem estava péssima. Como esperado, era apenas conversa fiada, pois ele hesitou um pouco antes de continuar:
— Giseok.
— Sim.
— Por acaso você e a Soyoung também são assim?
— Assim como?
— ……Do tipo que, toda vez que se encontram, acabam em um motel.
Aquilo fez as orelhas de Gyuha ficarem em pé. O outro rapaz, que entendeu o sentido da frase imediatamente, soltou uma risada sem graça antes de responder:
— Mas isso não é bom?
— É bom, sim. Mas sinto que tem algo errado. Ela diz que está ocupada, então mal nos vemos uma vez por semana, e ainda por cima nos encontramos tarde da noite só para entrar num motel e pronto. Ela diz que está ocupada até nos fins de semana, e as respostas por mensagem estão cada vez mais demoradas. ……Nem lembro quando tivemos um encontro que parecesse um encontro de verdade.
— Será que é a fase do tédio?
— Faz nem três meses que nos conhecemos. E, se fosse tédio, normalmente a pessoa não ficaria com preguiça até de transar? Eu ficaria.
Como se não estivesse exatamente esperando uma solução, o homem soltou um suspiro profundo e continuou com a voz desanimada:
— Ontem também, a gente só transou e foi cada um para o seu lado. Bateu um vazio enorme. Comecei a pensar se ela realmente gosta de mim ou se está comigo só pelo meu corpo……. Passei a noite inteira pensando nisso e não preguei o olho.
Quando o homem se calou, apenas a música ambiente do café preenchia o local. Nesse meio tempo, Gyuha colocou o café e o bolo em uma bandeja e levou pessoalmente até a mesa.
Em seguida, ele se sentou discretamente em um banco alto atrás do balcão e continuou atento à conversa. Ele não era do tipo que se interessava ou se metia na vida alheia, mas agora a situação era diferente.
Na verdade, enquanto dirigia até o café com o corpo moído, Seo Gyuha teve um breve dilema parecido com o daquele homem. Ele se perguntou se Lee Chayoung não o estaria tratando apenas como um pau amigo, como fazia antigamente.
No começo, claro, ele pensou positivo. Ficou sinceramente aliviado por Chayoung ter mantido ao menos uma parte das memórias após o reencontro, e também gostava de ser desejado com tanta intensidade quanto naquela época.
No entanto, com o passar do tempo, de vez em quando surgia aquele pensamento: “Será que isso está certo?”. Através das frestas que se abriram em seu coração, a insegurança começou a transbordar aos poucos.
Ao contrário da esperança vaga de que ele recuperaria a memória rapidamente, o estado de Lee Chayoung continuava o mesmo. Nessa situação, ele exigia sexo quase todos os dias e, ontem, ao vê-lo satisfazer os próprios desejos mesmo com sua recusa, os pensamentos pessimistas de Gyuha se intensificaram. “Esse desgraçado… será que ele só está interessado no meu corpo?”.
— Com licença…
Ao ouvir a voz repentina, ele virou a cabeça e viu o gerente, que acabara de voltar do banheiro.
— O senhor está bem, gerente? Seu rosto não parece nada bom.
Provavelmente ele estava com a testa franzida sem perceber. Com uma expressão que, para qualquer um, não parecia nada bem, ele respondeu que estava tudo certo e continuou atento à conversa dos clientes. No entanto, o assunto deles já havia mudado e, como não pretendiam demorar, os dois homens se levantaram sem hesitar assim que as xícaras de café ficaram vazias.
A chuva torrencial havia diminuído um pouco, mas continuava caindo de forma sombria e desoladora. Sem saber desde quando, Seo Gyuha pressionou as têmporas que latejavam e abriu a boca para falar.
— Vamos arrumar as coisas e ir embora.
— O quê? Agora?
Eram nem cinco da tarde ainda, então era compreensível que ele ficasse surpreso com a sugestão de fechar as portas. No entanto, com o tempo daquele jeito, Seo Gyuha não tinha a menor condição — nem humor — de continuar ali forçadamente, então decidiu fechar o café de uma vez.
Mesmo depois de entrar no carro, sua cabeça continuava latejando. Já estava mal fisicamente, e agora, com essa dor de cabeça, sentia que ia morrer.
“Deveria ter mandado fechar e ficado em casa, que ideia a minha de me arrastar até aqui.”
Remoendo o arrependimento tardio, ele dirigiu para casa. O caminho de volta também não foi nada fácil. Por causa de algum acidente na pista molhada, o trânsito estava um caos e ele levou quase o dobro do tempo normal.
Definitivamente, era um dia de azar. Ao finalmente chegar em casa, estacionar e caminhar pela passagem que levava à porta dos fundos, o celular no bolso do seu casaco tocou estridentemente.
— Sogra —
Quem ligava era a mãe de Lee Chayoung. Seo Gyuha atendeu enquanto continuava a andar.
— Sim, sogra.
Seo Gyuha também não era exceção à regra de que qualquer coisa, se feita repetidamente, acaba se tornando um hábito. Aquela palavra que, no início, ele mal conseguia pronunciar sem estremecer de vergonha, agora saía de sua boca com naturalidade.
— Eu já devia ter ligado antes, mas só consegui agora. Disseram que você estava doente ontem, já está se sentindo melhor?
O tom de voz transbordava preocupação, mas o rosto de Seo Gyuha se cobriu de interrogações. Doente? Eu?
Claro que havia algo doendo. Mas, tecnicamente, era mais um desconforto causado pela sensação de algo estranho no corpo do que uma doença propriamente dita; e, além disso, não foi ontem, mas sim na madrugada de hoje. Havia outro ponto que não batia: a menos que Lee Chayoung tivesse enlouquecido, ele jamais diria à própria mãe que o parceiro estava sofrendo com as sequelas do sexo.
— O Chayoung disse isso? Que eu estava doente?
— Sim. Como ele apareceu sozinho ontem no ritual de aniversário de morte do bisavô dele, perguntei onde você estava, e ele disse que você não pôde vir porque estava passando mal.
Os passos firmes de Gyuha pararam bruscamente. Ele nunca tinha ouvido falar que haveria um ritual ontem. Interpretando o silêncio de outra forma, Choi Taeseon apressou-se em acrescentar algumas palavras.
— Não estou reclamando, liguei porque fiquei preocupada já que disseram que você estava doente. Você quase nunca faltou às reuniões de família.
— …….
— ……Por acaso aconteceu alguma outra coisa?
Sentindo a ansiedade na voz dela, Seo Gyuha forçou-se a abrir a boca.
— Não foi nada. Peço desculpas por não ter ido ontem.
— Ah, imagina, não foi nada. Eu que me desculpo por não conseguir te dar muita atenção mesmo sabendo que você trabalha duro. Se precisar de qualquer coisa, pode me ligar a hora que for, está bem?
— ……Sim. Até logo.
Ele conseguiu responder com uma calma aparente, mas seu equilíbrio emocional parou por ali. Seus olhos castanhos escuros tornaram-se gélidos. A mão que segurava o celular apertou o aparelho instintivamente.
Ao contrário de sua própria família, que compreendia bem as questões pessoais mesmo em datas comemorativas, a família de Lee Chayoung dava extrema importância à presença em reuniões. E os parceiros não eram exceção; mesmo reduzindo ao máximo, era preciso dar as caras nos grandes encontros de parentes pelo menos umas cinco ou seis vezes por ano.
Se ele tivesse apenas esquecido da reunião, seria compreensível, mas o fato de ter comparecido sozinho mostrava que não era o caso. Ele nem sequer mencionou o assunto e, agora, Seo Gyuha não sabia como reagir a essa situação que só descobriu por causa da ligação da sogra.
“Será que foi porque eu disse que ia encontrar meus amigos?”
Não, mesmo assim, ele deveria ter falado. Havia uma diferença abissal entre avisar — independentemente de o outro ir ou não — e simplesmente calar a boca e não dar nem um sinal. Se fosse o segundo caso, significava que, para a personalidade de Lee Chayoung, ele simplesmente julgou que não havia necessidade de dar satisfações.
Para falar de forma simples, era isso. Apesar de grudar nele todos os dias daquela maneira, na hora do que realmente importava, Lee Chayoung ainda traçava uma linha.
— ……Porra.
Seu coração oscilava de uma forma desagradável e as pontas de seus dedos esfriaram com uma emoção que ele não sabia dizer se era raiva ou outra coisa. Enquanto isso, sem saber o que fazer, apenas esfregava o rosto quando o som de uma notificação de mensagem ecoou. Era Lee Chayoung.
[Seu buraco está bem?]
— Ha, esse desgraçado maluco, sério.
Assim que viu a prévia da mensagem, Seo Gyuha sentiu algo se romper dentro de sua cabeça. Foi o momento em que a insatisfação, a ansiedade e a mágoa que vinham se acumulando inconscientemente se misturaram e explodiram de uma vez.
Ele pressionou o teclado da fechadura digital com tanta força que parecia que ia quebrá-lo e entrou em casa. Chutou os sapatos para longe ao tirá-los e avançou direto para o escritório de Lee Chayoung, escancarando a porta.
— Que susto. Chegou cedo.
Seus olhos se encontraram com os de Lee Chayoung, que se virou sentado na cadeira. Atrás dele, outra coisa chamou sua atenção. Ele já sabia que o pequeno porta-retratos com uma foto de família que ficava no canto da mesa havia sido retirado e tinha deixado passar, mas, no momento em que viu que o lugar continuava vazio, suas emoções explodiram ainda mais. Sem que pudesse controlar, seus lábios se moveram por conta própria.
— Você, o que diabos você é?
— O que foi de repente…….
— O que você é, porra! Não se importa nem um pouco com o que eu sinto, age apenas do seu jeito e, quando se trata do que é importante, fecha a maldita boca sem dizer uma palavra. Na sua cabeça, eu não passo de um cara que abre o buraco quando você precisa, não é?
— …….
— Para mim é a mesma coisa, mas agora eu cansei disso, estou de saco cheio e não aguento mais. Deve ter sido um incômodo do caralho eu, que não sou nada, ficar me metendo, então eu vou sumir da sua frente. Vamos cada um para o seu lado agora mesmo.
Ao contrário de Seo Gyuha, que ofegava pesadamente devido à agitação, Lee Chayoung não demonstrou a menor mudança. Embora parecesse levemente surpreso com as palavras repentinas, era apenas isso.
No momento em que sentiu que até mesmo aquele surto não significava nada para o outro, Seo Gyuha percebeu intuitivamente que havia uma parede intransponível entre os dois e virou as costas.
Suas emoções ainda ferviam e parecia que algo explodiria a qualquer segundo, mas sua mente estava estranhamente fria, como se tivessem colocado seu cérebro em água gelada. Seus passos pesados pararam em frente à entrada. Logo antes de abrir a porta e sair, ele hesitou por um breve momento, mas foi literalmente apenas um instante. Sem olhar para trás, Seo Gyuha saiu de casa.
• • •
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna