Capítulo 04
↫─Capítulo 04
Neste momento, cientes um do outro através da lente, a tensão duplica.
Lau relembrou a memória de quando visitou Hong Kong com Yihyun.
Em um bar barulhento em uma rua do Soho, Lau havia capturado a imagem de Yihyun com sua câmera. E Yihyun, levemente embriagado, pediu para ver o que ele tinha tirado.
Ele esticou o braço para longe, na direção oposta, para evitar as mãos de Yihyun enquanto ele tateava em busca da câmera e, ao contrário do habitual, Yihyun não desistiu tão facilmente. O corpo de Yihyun, com as mãos agitando-se enquanto pedia a câmera, inclinou-se como se estivesse prestes a cair nos braços de Lau.
O odor corporal doce misturado ao aroma de suor emanando da nuca de seu pescoço.
A que ele poderia comparar a fantasia daquele momento?
— Hum… acho que não posso te mostrar.
— Por que não?
— Yihyun, você é um vidente. Se vir minhas fotos, lerá tudo, não lerá?
— …Ler o quê?
— …….
Como eu vejo você.
Os sentimentos do fotógrafo pelo tema penetram na fotografia. Quanto mais habilidoso o fotógrafo, mais forte isso se torna. Assim como um pintor habilidoso consegue expressar melhor as coisas.
Naquela época, Lau ainda não podia mostrar suas fotografias à entidade desconhecida que era Seo Yihyun. Porque ele seria descoberto — a maneira como olhava para ele.
O Yihyun nas fotos daquela época era cativante. Ele era como um estranho misterioso, escondendo uma história secreta que estimulava a curiosidade. Era natural. Porque Lau, que tirou aquelas fotos, via Seo Yihyun como uma pessoa cativante e misteriosa.
Uma entidade desconhecida que, embora afirmasse ser um Beta, emitia feromônios, detectava os feromônios de Lau e reagia a eles.
Meu único Diamond Dust.
Agora, ele estava diante dele como seu amante.
Lau pressionou o obturador, prendendo o Yihyun deste momento na tela LCD.
Então ele estendeu a mão e tocou a bochecha de Yihyun com as costas da mão. Mesmo com um toque pequeno e insignificante como este, a tensão se transforma em um tremor. Os cílios de Yihyun tremem, e seus lábios se entreabrem enquanto ele engole em seco. Lau observou cuidadosamente cada uma daquelas reações minuciosas.
O bonde fez uma curva ampla à direita em torno do Christoph-Merian-Park. A mão de Yihyun, segurando uma barra verde esguia para manter o equilíbrio, apertou-se.
— A propósito, por que Migros hoje em vez do Coop? O Coop é mais perto.
— O correio fica perto do Migros.
— ……
— Eu tenho que enviar um cartão postal para a Coreia.
A cor do olhar de Yihyun mudou sutilmente. Ele estava comovido.
Lau inclinou-se, aproximando os lábios do ouvido de Yihyun.
— Devo permitir que você me dê um beijo profundo? É nisso que você estava pensando agora?
— ……N-Não, eu não estava!
O sol da tarde estava amadurecendo em um brilho ainda mais suave. O cenário diante deles era quente, como se desbotado pela luz, como uma memória já sendo recordada. Ele subitamente sentiu que era um desperdício terrível que este momento passasse.
Apagando a distância de um único passo, Lau aproximou-se de Yihyun e envolveu um braço em seus ombros. Ele acariciou seu cabelo quente, que retinha a luz do sol.
Yihyun ergueu o queixo e olhou para o rosto de Lau. Então ele deu um selinho nos lábios de Lau. Como se tivesse lido os sentimentos não ditos de Lau e estivesse confortando-o. O beijo deixou os lábios de Lau formigando de felicidade.
O que importava se este momento fosse empurrado para o passado?
Esta entidade desconhecida faria cada momento vindouro brilhar com mistério e alegria.
O dia estava sendo preenchido como um dia perfeito. Hoje, assim como ontem.
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— Kūn, o que você acha de um aluguel compartilhado? Nós poderíamos cozinhar para nós mesmos, não acha que seria divertido?
Foi o que Yihyun disse quando eles tinham acabado de começar a se preparar para a viagem.
Eles estavam separados, em Paris e Seul, e estavam em um encontro por chamada de vídeo, como sempre.
Lau, que tinha uma lista completa de hotéis onde queria se hospedar com Yihyun em cada cidade, inicialmente mostrou uma reação morna. Yihyun, por outro lado, foi proativo, chegando a compartilhar as páginas de acomodações que ele mesmo havia pesquisado.
— Você poderia dar uma olhada neste link? É um lugar em Londres. Tem um quarto separado, a cozinha é muito bem equipada e tem até uma banheira pequena. O interior é fofo, não é?
— Hmm, é fofo, mas… uma casa particular pequena não seria desconfortável? E a Zona 3 é um pouco longe da área onde os museus e galerias estão concentrados.
— Acho que para você, Kūn, se não for um hotel… seria um pouco desconfortável, certo?
— Eu estou bem. Ficaria feliz em qualquer lugar, desde que esteja com você. Mas é porque há tantos lugares que quero te mostrar. Não se trata apenas de ser extravagante; há muitos hotéis que são historicamente, esteticamente e arquitetonicamente valiosos. Não é como se pudéssemos fazer viagens longas assim com frequência, então é uma boa oportunidade.
Ouvindo as palavras de Lau, Yihyun pareceu ficar perdido em pensamentos por um momento na tela. Então, em seu tom caracteristicamente deliberado e calmo, ele falou.
— Eu sei muito bem que há muitas coisas que o Kūn quer me mostrar e me fazer vivenciar. E não tenho intenção de converter todo esse sentimento em dinheiro e rejeitar tudo só porque é extravagante para mim.
— Hmm… tenho a sensação de que a conjunção ‘mas’ está prestes a seguir isso.
Yihyun riu das palavras de Lau e continuou.
— Mas, para esta viagem, eu gostaria que o Kūn pudesse se equiparar ao meu nível financeiro. Só desta vez. Hum?
— Ah… implorar de um jeito fofo assim, dizendo ‘hum?’, isso é trapaça.
Diante da rara demonstração de aegyo de Yihyun, Lau já estava mais da metade derrotado. Ele inclinou a cabeça para trás e fingiu estar frustrado, cobrindo o rosto com as duas mãos.
— Pense nisso como Seo Yihyun convidando Lau WiKūn para esta viagem.
— Uma viagem onde Seo Yihyun convida Lau WiKūn. Se você coloca dessa forma, não posso dizer mais nada. De quem é esse amante tão esperto?
A resistência de Lau terminou sem oferecer uma luta propriamente dita, e os dois concordaram em usar aluguéis compartilhados durante toda a viagem.
Mas a viagem usando aluguéis compartilhados reservava um novo tipo de alegria que Lau não havia antecipado.
Uma alegria que ele não teria sentido se tivessem ficado em hotéis de luxo históricos e tivessem todas as suas necessidades atendidas pelos serviços prestados.
Era a alegria de ter uma prévia de como seria morar juntos.
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Enquanto Yihyun escrevia um cartão postal em uma mesa alta no centro do correio, Lau olhava ao redor do interior.
Era mais iluminado e limpo do que ele esperava, bastante moderno. Eles também vendiam vários produtos relacionados a correio, como cartões postais, papelaria e envelopes. Por causa disso, à primeira vista, parecia mais uma papelaria do que um correio.
O olhar de Lau, que estivera navegando pelos vários itens promocionais em exibição, voltou para Yihyun. Parado diagonalmente à mesa, Yihyun estava com as pálpebras baixas, sua caneta movendo-se silenciosamente. Por alguma razão, não houve hesitação na ponta de sua caneta hoje.
Observando-o com o queixo apoiado na mão, Lau tirou o telefone.
Silenciosamente, ele prendeu outro momento dele na tela LCD.
Quase ao mesmo tempo, Yihyun baixou a caneta e olhou para cima para encontrar Lau.
— Eu vou lá postar.
Lau sorriu brevemente e assentiu.
A expressão de Yihyun ao retornar de postar o cartão postal no balcão parecia de algum modo mais aliviada do que antes.
Lau, que estava encostado na mesa central, estendeu a mão para ele. Yihyun aproximou-se com passos rápidos e pegou sua mão.
Havia bastante luz solar e vento na rua em que pisaram, de mãos dadas.
— O que vamos comer hoje?
— Hmm… o que seria bom? Primeiro, vamos fazer nhoque com a massa que sobrou.
— Mas a quantidade de massa está meio estranha.
— Né?
— É um pouco pouco demais para duas pessoas em uma refeição, e um pouco demais para uma pessoa só.
— Então vamos grelhar um bife para dividir também?
— Parece ótimo!
— Você é tão fofo.
Olhando para o rosto sorridente e sem nuvens de Yihyun, ele acariciou sua bochecha com uma mão e o beijou.
Conforme a viagem continuava, Yihyun tinha se acostumado bastante a beijos curtos como este em público. Havia até momentos em que ele mesmo os iniciava, como no bonde agora há pouco. Embora fosse uma ocorrência rara.
Balançando as mãos dadas para frente e para trás como crianças, eles seguiram para o supermercado.
A acomodação do casal em Basileia ficava logo atrás da estação SBB. Era uma área residencial tranquila, a uma pequena distância do centro da cidade.
Uma filial do ‘Coop’, uma popular rede de supermercados suíça, ficava a 2 minutos a pé de sua hospedagem, e outra rede, o ‘Migros’, ficava a 5 minutos a pé, o que era conveniente. Durante a última semana, os dois haviam passado em um ou outro quase todos os dias no caminho para casa.
Nos dias em que não comiam fora, compravam pizza pronta ou salada, ou adquiriam itens como bacon, pão, ovos e tomates para Lau preparar um café da manhã inglês. Eles também vendiam alguns tipos de lámen coreano, então haviam cozinhado e comido lámen alguns dias atrás.
Yihyun ainda ficava fascinado com a visão de Lau comendo lámen ou hambúrgueres.
— Você parece um príncipe experimentando essas coisas pela primeira vez.
Essa era a razão.
— Como você sabe, não é a minha primeira vez, sabia?
Quando ele respondia emburrado, Yihyun ria inocentemente como se achasse divertido, e Lau não conseguia evitar rir junto. Ele se sentia como um robô programado para rir sempre que Yihyun ria. Às vezes ele mesmo achava isso absurdo, mas o que podia fazer? Ele gostava.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna