Capítulo 02
↫─Capítulo 02
Os passos de Yihyun ao se aproximar aceleraram pouco a pouco. Lau, que estava inclinado, endireitou os ombros e ficou ereto, envolvendo um braço ao redor dos ombros de Yihyun para recebê-lo. O calor corporal e o aroma de Yihyun eram afetuosos, como se estivessem separados por vários dias.
— Há quanto tempo você está aqui?
— Hmm… Desde que o homem de camisa azul e a mulher de chapéu xadrez passaram, lançando olhares apenas para Seo Yihyun sem nem sequer olhar para as pinturas.
— Ah, sim….
A resposta de Yihyun foi indiferente. Mesmo assim, ele envolveu a cintura de Lau com os braços. Achando-o adorável, Lau usou o braço em volta de seus ombros para mexer com ele de brincadeira, afastando a franja que cobria sua testa.
— Você não acredita em mim, não é?
— Acredito. Que na imaginação do Ah Wi, eu sou muuuito popular.
— Eu sabia. Como você pode não acreditar no que seu amante diz? Hein?
Lau provocou Yihyun, fingindo mordiscar sua bochecha ou a borda de sua orelha. Yihyun encolheu os ombros, tentando escapar do ataque. Suas bochechas, estufadas enquanto ele tentava segurar o riso, eram adoráveis. Eles continuaram pelo corredor e desceram as escadas, provocando um ao outro como crianças.
No andar de baixo, uma mulher de meia-idade começou a subir as escadas. Só então Lau parou com as provocações.
— Mas como você sabia que eu estava lá? Eu estava prestes a te ligar.
— Eu segui o rastro dos seus feromônios.
— …Mentiroso.
Os passos de Yihyun pararam abruptamente na escada. Ele então ergueu o braço até o nariz e cheirou. Lau, olhando para cima de uns dois degraus abaixo, estendeu a mão e gentilmente puxou o pulso de Yihyun para baixo.
— É claro que é mentira, Yihyun-ah.
E, no entanto, Yihyun ainda parecia ansioso. Lau subiu os degraus de volta para encarar Yihyun e segurou suas bochechas.
— Sinto muito. Eu estava apenas brincando.
— Não é verdade, certo? Meus feromônios… eles não estão vazando, estão?
— Não tem como seus feromônios saírem quando não estou ao seu lado.
Embora estivesse tomando supressores por precaução, Yihyun ainda não tinha começado a produzir feromônios de Ômega. Os únicos feromônios que Yihyun tinha agora eram os de Diamond Dust, que apenas Lau conseguia detectar. Eles também não eram estimulados pelos feromônios de outro Alfa.
Ou eles eram estimulados pelos feromônios que Lau liberava primeiro, ou Yihyun sentia desejo por Lau e, sem saber, liberava seus feromônios primeiro.
Essas eram as duas únicas instâncias em que Yihyun liberaria feromônios.
— Seria um verdadeiro desastre se você reagisse a algum outro bastardo, não seria?
— ……
— Ou você se sentiu atraído por algum outro bastardo além de mim? É isso? Qual bastardo é?
Diante da atuação exagerada e desajeitada de Lau, Yihyun finalmente soltou uma risadinha. Encontrando os olhos do sorridente Yihyun, Lau também sorriu suavemente. Ele depositou um selinho em seus lábios bonitos e, em seguida, envolveu novamente o braço nos ombros de Yihyun.
Nesse exato momento, seus olhos encontraram os da mulher de meia-idade, que agora havia subido até cerca de cinco ou seis degraus abaixo deles. Ela sorriu calorosamente para os dois, como se fossem uma cena adorável e fofa.
Lau deu-lhe um leve aceno de cabeça e sorriu de volta, e Yihyun, com o rosto vermelho até as bordas das orelhas, cobriu brevemente o rosto com as costas da mão e fez uma curta reverência.
— Você vai passar na loja de presentes, certo?
À pergunta de Lau, Yihyun assentiu, com a cabeça baixa. Lau puxou o ombro de Yihyun para mais perto e pressionou os lábios firmemente contra sua têmpora.
— A ajumma já está longe. Você pode levantar a cabeça agora.
— ……
Ele levantou a cabeça, mas o olhar de Yihyun para Lau estava misturado com ressentimento. Mas, é claro, Lau fingiu não notar.
— Acho que comprei várias coisas diferentes aqui quando vim antes. Espero que o Yihyun-i encontre algo que goste.
O “Tour pelos Museus Europeus” havia começado em Londres. Depois de se mudarem de Paris para Londres, os dois passaram uma semana lá antes de voarem para Amsterdã. Eles passaram por Berlim e Munique até Praga, depois para Viena, na Áustria, e agora, Basileia, na Suíça, era o destino final.
Sempre que Yihyun encontrava uma loja de presentes nos museus e galerias de cada cidade, ele navegava cuidadosamente pelas mercadorias. Às vezes, saía de mãos vazias se nada chamasse sua atenção em particular. Mas ele sempre fazia questão de comprar pelo menos um cartão postal.
E ele escrevia uma mensagem curta no verso e a enviava de uma agência de correios local.
Era um cartão postal para seu pai na costa leste da Coreia.
No Kunstmuseum Basel, Yihyun escolheu um cartão postal com a impressão de uma pintura de Chagall. Era . Aquela em frente à qual a criança que se parecia com Yihyun estava sentada…. Espreitando o cartão postal por trás de Yihyun, Lau sorriu silenciosamente diante da pequena coincidência.
— Você disse que seu pai gosta de Chagall, certo?
— Isso mesmo.
O rosto de Yihyun parecia um pouco solitário enquanto respondia. Lau não tentou oferecer conforto verbal. Ele apenas acariciou o braço de Yihyun suavemente e beijou a nuca de seu pescoço exposto com carinho.
Quando Yihyun tinha dezesseis anos, sua família planejou um “Tour pelos Museus Europeus”.
Mas depois que sua mãe faleceu em um acidente inesperado, o plano deles, que era como um balão cheio de esperança crescente, estourou e caiu miseravelmente na lama.
Além disso, embora tenha sido sua mãe quem morreu no acidente, Yihyun havia, na prática, perdido tanto sua mãe quanto seu pai a partir daquele momento, embora de maneiras diferentes.
Os lugares para onde os três planejavam ir juntos. Não importa para onde ele fosse, ele seria lembrado de sua mãe e de seu pai, da felicidade e da tristeza de sua família.
Foi por isso que, quando Yihyun lhe disse que queria fazer essa viagem juntos, Lau ficou sem palavras por um tempo. Aquilo guardava um significado grande demais para ser expresso em palavras.
Que ele realizaria a viagem que havia planejado com sua família durante um tempo feliz. Primeiro, ele ficou comovido pelo fato de Yihyun ter crescido e superado seu passado o suficiente para tomar tal decisão.
E o fato de ele ter sido escolhido como o companheiro para aquela viagem despertou emoções complexas.
Era um sentimento avassalador, como se ele tivesse sido aceito por Yihyun como uma nova família.
Yihyun era cuidadoso toda vez que escolhia um cartão postal. Ele também era cuidadoso quando escrevia mensagens neles — às vezes na cafeteria de um museu, em um banco de rua ou em um correio. Às vezes, ele escrevia rapidamente uma mensagem de uma ou duas linhas, mas outras vezes ponderava por um longo tempo.
Às vezes, depois de postar um cartão postal, Yihyun ficava quieto por um longo tempo. Mas, mesmo assim, ele não tratava Lau como se ele não estivesse lá. Pelo contrário, ele se apoiava no ombro de Lau, segurava sua mão e até tomava a iniciativa de levantar o braço de Lau e se aconchegar sob ele.
Enquanto segurava e beijava Yihyun, que estava sendo invulgarmente apegado, Lau sentia-se grato por poder estar ao seu lado em momentos como esses.
Tendo comprado apenas um único cartão postal, os dois decidiram atravessar o pátio interno em direção à entrada principal da galeria. O pátio estava preenchido pela luz quente do sol de outono e uma brisa agradável. Estava realmente um tempo perfeito para viajar.
— O que devemos fazer para o jantar hoje à noite? Ainda temos um pouco de massa de nhoque congelada.
— Hmm….
— Comemos com molho branco anteontem, então devemos tentar com molho de tomate hoje?
— Ah, mas é o último dia da nossa grande jornada.
— O Kūn tem algo que queira fazer?
— Eu estava pensando que nós dois poderíamos nos vestir bem e ir a um restaurante com uma atmosfera agradável.
— Isso soa bem também.
No centro do pátio ficava a escultura , de Rodin. Um casal lutando para tirar uma selfie na frente dela entrou no campo de visão deles. Parecia que queriam incluir a escultura no fundo, mas tirar uma selfie tinha seus limites.
À medida que se aproximavam deles, Lau naturalmente falou primeiro.
— Gostariam que eu tirasse uma foto para vocês?
— Oh, você faria isso? Obrigado. Não conseguimos nem metade da escultura quando tentamos tirar sozinhos.
A mulher entregou o telefone a Lau com uma expressão de alívio.
A julgar por suas vestimentas, adequadas para caminhar bastante, e seu humor animado, os outros dois eram claramente turistas. Uma viagem para Basileia quando não era nem a temporada da Art Basel. Eles deviam gostar bastante de arte.
— Uau, estas ficaram tão boas. Eu amei!
A mulher, após verificar as quatro ou cinco fotos que Lau havia tirado, não conseguia tirar os olhos da tela.
— A composição está ótima, não está? Eu nunca teria pensado em tirar assim. Minha esposa sempre me amola por eu ser ruim em tirar fotos. Prazer em conhecê-lo, eu sou Felix.
Um forte sotaque alemão era perceptível no inglês do homem que se apresentou como Felix. Lau apertou a mão de Felix e apresentou Yihyun também.
— Fico feliz que tenham gostado. Eu sou Lau. Este é meu namorado.
— Prazer em conhecê-lo. Eu sou Yihyun.
— Yih….
Depois de apertar a mão de Felix, Yihyun, que estava prestes a se apresentar e apertar a mão da esposa dele, deparou-se com a expressão confusa dela.
— Meu nome é um pouco difícil de pronunciar?
— Não, não é isso…. Você é… por acaso… o artista Seo Yihyun….
— Sim, é ele mesmo.
Lau respondeu por ele, apertando firmemente o ombro de Yihyun.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna