Capítulo 12
↫─Capítulo 12
<Side Story 2, Capítulo 12>
Embora usasse um casaco um pouco mais grosso que o habitual, Yihyun estava sem cachecol ou luvas. Desde que o inverno realmente se instalara, Yihyun não havia usado cachecol ou luvas nem uma única vez.
Não importa o quanto a temperatura média do inverno em Paris fosse mais alta em comparação a Seul, inverno ainda era inverno. Mesmo os parisienses, que se vestiam de forma leve, faziam questão de usar acessórios de inverno.
O rosto de Lau se contorceu ao ver a mão nua de Yihyun puxar a maçaneta de ferro da The Hands. Parecia que suas próprias mãos estavam congelando.
— Você está fazendo isso de propósito para fazer meu coração doer?
Ele sabia que esse não era o caso, mas disse isso por puro sentimento de mágoa.
Yihyun parou de caminhar e olhou para o céu, abrindo a palma da mão para medir a neve que caía sobre ela. Para Lau, até mesmo aquilo parecia uma cena de filme.
— Você não poderia ao menos usar um guarda-chuva?
Contrariando o desejo de Lau, Yihyun pareceu ter decidido apenas deixar a neve cair sobre ele em vez de voltar ao seu quarto para buscar um guarda-chuva.
Quando falara com Yuni ao telefone anteriormente, ele tentara sugerir que Yihyun usasse acessórios de inverno como um cachecol ou luvas, mas não adiantou.
É claro que Lau não mencionou que vira Yihyun pessoalmente em Paris. Ele apenas conduziu a conversa naturalmente enquanto perguntava se Yihyun estava se vestindo bem.
— Ele diz que não consegue usá-los porque são sufocantes. Não funcionou mesmo que alguém tenha lhe dado alguns de presente.
Foi o que Yuni lhe disse.
— É mesmo? Alguém… lhe deu um presente, entendo?
— Yihyun-i é popular. Não necessariamente de uma forma romântica, mas há muitas pessoas que gostam do Yihyun-i como pessoa.
Isso seria verdade. Por que não seria? Era uma situação que ele esperava e para a qual se preparara. E, no entanto, ouvir a notícia fez Lau suar frio.
— Por acaso, ele também está recebendo confissões… e coisas do tipo?
— É um pouco difícil para mim dizer algo mais. Sinto-me como… uma espiã.
Yuni respondera hesitante, seu tom preocupado. Lau assentiu em compreensão.
— Sim, eu entendo. Isso é o suficiente. Obrigado.
Ele dissera isso calmamente, mas, na verdade, o pensamento de alguém ter uma queda por Yihyun e estar perto dele o fizera perder o sono por mais de uma semana.
Acabou agora, nós terminamos. — Nem Lau nem Yihyun haviam usado expressões tão firmes para descrever seu relacionamento alterado. Por isso, as pessoas ao redor não podiam perguntar diretamente sobre o assunto.
Choi Inwoo e Shushu conheciam superficialmente a história interna. O fato de Lau ser o fantasma e o que ele fizera a Yihyun. Mas o Gerente Han, Baek Yooni e Kwon Juhan apenas supunham vagamente que os dois não estavam na mesma relação de antes, sem saber o motivo de forma alguma.
Eles ainda se importavam e se amavam, então o que diabos havia acontecido com eles?
Frustrados, eles não conseguiam se aprofundar mais. Entendiam que o romance era um assunto muito mais complexo e sensível do que parecia a um terceiro, e que o amor era várias vezes mais complicado que o romance.
Descendo as escadas, Yihyun começou a caminhar em direção ao canal.
A temperatura estava baixa, o vento estava frio e a estrada estava em más condições por causa da neve. Para onde ele estava indo? Vendo que ele até havia colocado uma mochila nas costas, parecia que seu destino não era por perto. Curioso, Lau dirigiu seu carro lentamente, seguindo-o.
Yihyun passou por seu café habitual e pela loja de presentes com o coelho do relógio, depois cruzou a ponte.
O caminho estava ruim, mas o passo de Yihyun estava um pouco mais lento que o normal enquanto ele observava a paisagem nevada. No entanto, todos os carros rastejavam devido à neve pesada, então não era muito difícil seguir Yihyun lentamente de carro.
Um leve sorriso surgiu no rosto de Lau ao ver as costas de Yihyun enquanto ele passeava com as duas mãos nos bolsos do casaco, olhando ao redor para a paisagem. Como uma pessoa poderia ser tão adorável, mesmo de costas?
Ao mesmo tempo, seu coração doía ao ver o pescoço longo e a nuca expostos acima do colarinho, parecendo gelados. Se ao menos ele pudesse estar ao seu lado e envolvê-lo em seus braços. Se ao menos pudesse aquecer suas orelhas vermelhas e congeladas com o calor de suas próprias mãos…
Um bistrô com um toldo listrado de azul e branco surgiu logo após a ponte. Um bistrô com toldo vermelho ficava de frente para ele, do outro lado de um beco. Yihyun virou no beco entre eles.
Ele vai pegar a Linha 7 do Metrô.
A essa altura, não era difícil adivinhar os movimentos de Yihyun por sua rota. Lau acelerou e passou por ele. Seu plano era chegar à saída que Yihyun usava primeiro.
Ao passar por Yihyun, ele o viu pelo espelho retrovisor lateral.
Um rosto que parecia ter sido meticulosamente desenhado com nanquim em papel de arroz.
No espelho, ele recuou rapidamente para longe.
Ele imaginou girar o volante bruscamente, parar o carro e revelar-se a ele neste exato instante. Yihyun-ah, é Natal. Se ele oferecesse tal desculpa com um sorriso sem jeito, como ele reagiria?
Apoiando o cotovelo no batente da janela e mexendo no lábio inferior, Lau soltou um sorriso amargo. Era apenas uma fantasia inútil.
Lau entrou na estrada principal, fez um retorno em direção à saída que Yihyun usava e, por volta dessa hora, Yihyun virou a esquina do beco. O carro de Lau começou a dirigir lentamente em direção a Yihyun.
Squeak, squeak.
Os limpadores limpavam repetidamente os flocos de neve que pousavam no para-brisa. A cada vez, a figura de Yihyun aproximava-se três ou quatro passos.
Yihyun, descendo as escadas da saída do Metrô, e Lau, em seu sedã. A distância entre os dois estreitou-se gradualmente, então eles se cruzaram. E então se distanciaram novamente.
Yihyun esbarrou o ombro em um homem que subia da estação. Ele ofereceu um breve pedido de desculpas e imediatamente continuou descendo as escadas. Mas Yihyun não percebeu o olhar do homem, que parecia não conseguir ir embora e continuava olhando para trás.
Lau, que parara brevemente no semáforo com o pisca-alerta ligado, observou toda a cena através de seus espelhos retrovisores interno e lateral.
Por um momento, pensou em segui-lo como um verdadeiro detetive. Mas era arriscado demais. Ele provavelmente estava indo à sua loja de suprimentos de arte habitual no distrito de Marais…
Com a saída de Yihyun, o perseguidor não tinha nada para fazer.
Dirigindo pela área, Lau sentiu vontade de tomar uma bebida. Voltou ao seu apartamento, estacionou o carro e dirigiu-se ao canal a pé.
Decidiu esperar o retorno de Yihyun em algum lugar. Conhecia exatamente o lugar certo para isso. Encolhendo o pescoço contra o clima cada vez mais frio, ele acelerou o passo. Estava preocupado com Yihyun, que saíra vestido tão levemente.
— Bonjour!
Ao entrar na loja, um garçom alto reconheceu Lau e o cumprimentou calorosamente, erguendo uma mão.
— Bonjour.
Lau respondeu simplesmente.
Era um bistrô por onde Yihyun raramente passava bem em frente, mas ficava diagonalmente oposto à entrada do beco do café habitual de Yihyun e da The Hands. Era a localização perfeita para esperar por Yihyun sem o risco de ser pego. Estava destinado a se tornar o ponto habitual de Lau e, nesse processo, ele e o garçom haviam se conhecido.
Por sorte, restava um assento na janela. Lau tirou o casaco e acomodou-se.
Uma árvore de Natal já ocupava o centro da loja desde meados de novembro, e canções natalinas tocavam no interior. Nesta época do ano, uma cena semelhante se desenrolava não importa onde você estivesse no mundo.
— Quanto tempo faz que Paris não via uma neve tão pesada? Certo?
O garçom iniciou uma conversa amigável enquanto entregava o cardápio. Ele estava convencido de que Lau morava por perto.
Seguindo o olhar do garçom para a paisagem lá fora através da janela, Lau assentiu.
— Eu sei. É raro.
— O senhor não estará em Paris no Natal, então?
— ……
Diante do tom confiante dele, Lau ergueu o queixo para olhar para o garçom.
— O senhor fala um pouco de francês, mas fica mais confortável com o inglês. O senhor não é parisiense. As pessoas geralmente voltam para casa, para suas famílias, no Natal.
— Ah… não. Planejo estar em Paris este Natal.
Lau respondeu, balançando a cabeça enquanto abria o cardápio.
— Ooh. Seu amante deve estar em Paris, então?
O garçom disse com um olhar sugestivo e um tom de brincadeira. Então, olhando para o rosto de Lau, assentiu como se confirmasse para si mesmo.
— Bem. Não tem como o senhor não ter um amante.
Lau, que estivera rindo suavemente da afabilidade dele, subitamente olhou pela janela novamente. A rua pela qual Yihyun sempre caminhava tinha, em algum momento, se tornado uma cena querida para Lau também. Este Natal, ele estaria aqui. Com ele. Ao seu lado. Mesmo que ele não soubesse.
— É verdade. Quero estar com ele, por isso vou ficar em Paris também.
— Eu sabia.
Ele queria sentir como se ele e Yihyun fossem amantes, mesmo que fosse apenas dizendo isso a um estranho.
Depois de anotar o pedido e recolher o cardápio, o garçom acrescentou como se tivesse acabado de se lembrar antes de sair.
— Ah, mais uma coisa.
— ……
— O senhor sempre deixa uma gorjeta generosa, então eu sabia que o senhor definitivamente não era parisiense.
Lau soltou uma risada diante da expressão brincalhona do garçom enquanto ele piscava.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna