Capítulo 13 - Fim Side Story 01
↫─Capítulo 13
1. Som de tirar o fôlego
<Side Story 2, Capítulo 13>
Ele passou um tempo calmo, uma raridade para ele, bebericando vinho.
A atmosfera animada de apenas alguns dias antes do Natal. A neve acumulada e a neve que caía.
O brilho quente das luzes decorando a árvore e os cânticos natalinos.
Coisas que não tinham significado antes, coisas que ele olhava com indiferença, agora deixavam Lau sentimental. E se ele pudesse compartilhar tudo isso com Yihyun? Esse único desejo era o suficiente.
Paris, com sua forte queda de neve, era linda. Era linda mesmo sem o pano de fundo da Torre Eiffel, da Champs-Élysées ou do Sena. Não, mais bonita do que qualquer lugar glamoroso em Paris era esta esquina de um beco na extremidade do 19º arrondissement. Porque este era o lugar para onde Yihyun voltaria.
O que ele dissera ao garçom não era mentira. Lau estava, de fato, planejando ficar aqui até depois do Natal.
Com a Phantom passando por grandes reformas internas, o Gerente Han lhe dera cerca de uma semana de férias.
— Descanse um pouco. Faça o que você quer fazer… Se houver algum lugar onde queira ir, vá. Não passe vinte e cinco horas em um avião todo fim de semana.
Ela sabia. O fato de que Lau voava de um lado para o outro para Paris todo fim de semana.
Kwon Juhan fora um passo além.
— Vá e traga-o de volta.
O garoto chegara a dizer isso, com um olhar desafiador nos olhos. Vá e traga Yihyun de volta. Ele era aquele que, mais do que ninguém, queria que a Phantom fosse uma para sempre, um menino que sonhava um sonho tipo Peter Pan. Para Kwon Juhan, a mudança no relacionamento entre Lau e Yihyun poderia ter sido uma ferida comparável ao divórcio de seus pais.
Trazê-lo de volta…
Colocando mais vinho tinto em sua taça vazia, Lau soltou uma risada dolorosa e murcha.
Se ele tivesse sido levado por outra pessoa, ele teria usado qualquer meio necessário para tê-lo de volta. Mas Yihyun não fora roubado. Ele o perdera por si mesmo. Ele não podia culpar ninguém, nem sabia quem desafiar.
Tudo o que podia fazer era esperar pelo perdão de Yihyun.
“The Christmas Song” de Michael Bublé terminou, e uma nova música começou. Era “Santa Claus Is Coming To Town”, cantada por Frank Sinatra.
Pensando bem, um ano se passara desde que ele começara a esperar por Yihyun.
Ao lembrar do último Natal, Lau, sem saber, fez uma careta.
O último Natal fora uma memória terrível, tendo que limpar a bagunça que fizera em Nova York, onde tudo o que ele havia preparado para Yihyun permanecia intocado.
Coisas que ele preparara para Yihyun?
Não, eram armadilhas destinadas a impedi-lo de me deixar.
Como seria este Natal?
Se sua espera de um ano tivesse comovido os céus, então o velho de barba branca que anda em um trenó puxado por renas lhe daria uma pequena recompensa também.
Cobrindo o rosto com uma das mãos, Lau deu uma risadinha. Ele até balançou a cabeça como se não acreditasse.
Era realmente um pensamento fora de seu caráter.
Por volta da época em que estava em sua terceira taça de vinho, Yihyun apareceu na ponte.
Lau permaneceu sentado e observou Yihyun. Como se estivesse assistindo a um filme, ele bebericava e engolia seu vinho, seus olhos seguindo silenciosamente os movimentos dele.
No cenário de fim de tarde que escurecia, as costas de Yihyun, com uma mochila, apressaram o passo. Mesmo assim, ele não se esqueceu de pausar por um momento em frente ao Sr. Coelho. Como se estivesse dizendo olá para o boneco, para dizer que estava de volta.
Seo Yihyun, que não conseguia apenas passar direto pelo Sr. Coelho.
Isso por si só era como uma pequena recompensa do Papai Noel para Lau. Era o suficiente.
No momento em que o sol se pusera completamente e a neve pesada que caíra o dia todo fizera uma pausa, Lau saiu da loja. O calor subia de seu corpo por causa do vinho, fazendo o ar em suas bochechas parecer refrescantemente frio.
Depois de cruzar a ponte, ele infalivelmente parou em frente à loja de presentes.
Sr. Coelho, Alice e o adorável jogo de chá.
Dentro da vitrine da loja, agora adornada com decorações de Natal, eles pareciam emitir uma luz mais mística do que o habitual. Parecia que algo fantástico estava prestes a se desenrolar diante de seus olhos.
Desde quando eu era o tipo de pessoa que se comove tanto com a atmosfera de Natal? Lau deu uma risadinha, enfiou as mãos nos bolsos do casaco e se virou. Mas não era uma sensação desagradável.
Cânticos natalinos também fluíam do café habitual de Yihyun. Dentro do café, de onde a luz transbordava, as pessoas comendo, bebendo, rindo e conversando pareciam todas felizes. Ele não invejava a felicidade delas.
Porque ele estava mais feliz agora, amando e esperando por Yihyun, do que estava em seu eu passado que não conhecia, não amava, a pessoa chamada Seo Yihyun.
Enquanto ele virava a esquina, olhou para o lado e notou Ben, da The Hands, seguindo-o. Para ser preciso, ele não estava seguindo, mas sim indo para seu próprio destino.
Enquanto fingia olhar para o mostruário de uma loja, Ben passou por Lau.
Toc, toc. Depois de bater a neve dos pés nas escadas, Ben desapareceu pela entrada principal da The Hands. Naquele momento, para Lau, Ben era o homem mais invejável do mundo. Porque ele retornava para o mesmo lugar que Yihyun e podia bater à sua porta a qualquer momento.
Na esquina da rua. Em frente a uma ótica que já fechara pelo dia, Lau olhou para as janelas da The Hands por um longo tempo. Vendo que as luzes estavam apagadas na maioria dos quartos, parecia que estavam todos reunidos na sala de estar do segundo andar.
Ele pensara que queria que Yihyun sofresse de saudades dele em vez de esquecê-lo e se divertir. Mas agora, ele estava feliz por Yihyun ter pessoas ao seu lado.
Ele estava feliz que aquele que olhava para a janela de onde a luz transbordava, em uma esquina nevada, fosse o próprio Lau e não Yihyun. Verdadeiramente.
Ele imaginou Yihyun, cercado de pessoas, tendo um fim de ano barulhento e caloroso. Com um sorriso quente, Lau se virou. Deveria encontrar algum bar sem graça, um sem o clima suave de Natal, e beber mais um pouco? Com esse pensamento, ele caminhou lentamente em direção ao seu apartamento.
Tentando retardar seu passo para casa, ele parou na rua e tirou um maço de cigarros. Para acendê-lo, ele protegeu a ponta do cigarro com a mão esquerda para bloquear o vento.
Tum, tum, tum. O som de passos correndo pelo beco nevado de repente chamou a atenção de Lau.
Como um prenúncio em um filme, o som daqueles passos estranhamente fez o peito de Lau latejar.
Os passos, que estavam se aproximando, pararam abruptamente ali perto. Lau virou a cabeça em direção à esquina da rua que acabara de dobrar.
— ……
Ele congelou, como alguém que tivesse topado com um anjo em um beco sem saída.
Sua mão esquerda moveu-se por conta própria, tirando o cigarro de seus lábios.
Sopros brancos de respiração subiam dos lábios ofegantes de Yihyun. Ele não conseguia acreditar.
Eu deveria correr? Tenho que correr?
Ele não havia preparado nenhuma desculpa para dar a Yihyun sobre o porquê de estar aqui.
— Para estar em uma vigia… você não é um pouco conspicuamente bonito demais?
Não como se estivesse olhando para um monstro hediondo, ou um fantasma assustador. Não era esse tipo de expressão.
Exatamente como ele tivera em sua imaginação, Yihyun estava sorrindo brilhantemente para ele.
Como se o doloroso processo de encarar a verdade e escavar um ao outro nunca tivesse acontecido.
Como se fossem amantes que tivessem ansiado um pelo outro e tivessem tido um encontro casual.
Isso era um milagre.
Era realmente permitido que ele se aproximasse de Yihyun e falasse com ele?
Lau, que estivera parado ali, vago, com o coração de um pecador, imaginando se ousava se aproximar, de repente começou a se mover sem hesitação. Ele deixou cair o cigarro apagado e caminhou a passos largos, quase correu, em direção a Yihyun. Seus pés se moveram antes que ele pudesse chegar a uma conclusão.
Porque Yihyun estava chorando.
Ele envolveu as bochechas dele e limpou as lágrimas com o polegar. Era a bochecha de Yihyun, que ele ansiara tanto tocar.
Ele encontrou os olhos cheios de lágrimas de Yihyun enquanto este olhava para ele.
Seus cílios molhados tremiam, e a mão de Yihyun agarrou firmemente o braço de Lau que envolvia sua bochecha.
— Não vá…
A única frase de Yihyun foi um comando absoluto para Lau. Ele pressionou sua testa contra a de Yihyun e assentiu.
— Eu não irei a lugar nenhum até que você me mande.
Que ele correria para ele imediatamente se ele dissesse que sentia sua falta, a qualquer momento, por um capricho.
E que ele desapareceria imediatamente se ele dissesse que não suportava ver o seu rosto novamente.
Ele era um homem que já havia prometido tanto a Yihyun. Ele estava até preparado para repetir esse ato pelo resto de sua vida.
Neste milagre inacreditável, ele puxou lentamente os ombros de Yihyun para um abraço. A têmpora de Yihyun tocou sua bochecha direita. Ele sentiu a respiração de Yihyun em sua nuca. Seu peito se encheu com o calor de Yihyun.
Haaa…
Seus olhos se fecharam por conta própria, e um suspiro de alívio foi exalado do fundo de seu ser.
Isso não era um sumbisori.
Isso era a permissão para vir completamente para a terra firme.
Ele estava segurando Yihyun, que lhe dizia para não ir. As duas mãos de Yihyun o seguravam forte. Ele continuou puxando os ombros de Yihyun, desprovidos até de um casaco, cada vez mais forte. Como se tentasse escondê-lo em seus braços, longe dos olhos do mundo inteiro.
Agora, ele estava salvo. Sentia que podia viver.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna