Capítulo 10
↫─Capítulo 10
<Side Story 2, Capítulo 10>
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Do outro lado do canal, o café favorito de Yihyun era visível entre os barcos ancorados.
Ele e seus colegas certamente apareceriam por aquela estrada e retornariam para a The Hands. Para vê-los no caminho de volta, era mais seguro esperar a uma pequena distância. Lau esperou que Yihyun viesse do outro lado do canal.
Enquanto a chamada para o Gerente Han conectava, Lau olhava repetidamente para o relógio no tablet do carro.
O voo das 13h já havia sido cancelado. Ele continuou adiando o momento, dizendo: — Só mais um pouco, só mais um pouco —, e antes que percebesse, já eram quase 14h. Seul estava caminhando para as 20h da noite.
Havia um voo para Incheon às 16h30. No momento, ele planejava pegar esse voo.
— Oh, sou eu.
A voz relaxada do Gerente Han, condizente com uma noite de domingo, foi ouvida.
— Você estava descansando?
— Só preguiçando em casa. Ah… acho que bebi demais ontem. Ainda estou com ressaca.
— Eu imaginei.
Lau riu baixo, mantendo os olhos fixos à frente. Ele não esperava que a reunião com Choi Inwoo e Shushu terminasse apenas com o jantar.
— Choi Inwoo é uma coisa, mas desde quando a tolerância do Shushu para bebida ficou tão boa? Ele bebeu duas garrafas de vinho sozinho! Diretor Ryu, você já tinha visto o Shushu beber assim?
— Já faz um tempo que não bebo com eles também.
— Não faz um tempo que o Diretor Ryu não bebe com ninguém ultimamente? Hein?
O som de uma risada sem jeito, cheia de desculpas, pareceu alcançá-lo pelo telefone.
— Tentando rir para disfarçar. Enfim, uau… Jeong Saein se tornou um belo de um bebedor, andando com Choi Inwoo tão frequentemente hoje em dia.
Jeong Saein era a pronúncia coreana do nome de Hong Kong do Shushu, Zheng Shuang, assim como Lau era conhecido como Diretor Ryu na Coreia.
— Ah, mas por que a ligação?
— Sobre amanhã, seria possível eu ir trabalhar à tarde?
— As preparações da exposição foram todas finalizadas na semana passada. Tudo bem. Por quê? Você ainda está no interior?
— Sim, acabou sendo assim.
— Aconteceu… alguma coisa?
A pergunta do Gerente Han soou ao mesmo tempo preocupada e sutilmente investigativa.
— Não é nada disso. Eu só estava organizando alguns pensamentos. Estava pensando em ficar aqui hoje e subir amanhã de manhã.
— Parece uma boa ideia. Limpe a cabeça um pouco mais e suba devagar.
— Obrigado. Você deve estar cansado, descanse mais. Vou desligar.
Justo quando Lau estava prestes a encerrar a chamada, o Gerente Han o interrompeu urgentemente.
— Diretor Ryu.
— Sim?
— Você pode simplesmente descansar amanhã. Não precisa exagerar.
Diferente do tom brincalhão do início da chamada, a voz do Gerente Han estava séria. Era uma voz cheia de simpatia por um homem que não conseguia escapar da dor de um coração partido.
Quem saberia que chegaria um dia em que ele faria as pessoas ao seu redor se preocuparem assim?
Não, ninguém esperava que Lau WiKūn fosse cair em um amor tão profundo a ponto de perder o juízo.
Lau riu silenciosamente com o pensamento de que a vida era verdadeiramente imprevisível.
— Não. Eu preciso sair à tarde. Obrigado.
Após encerrar a chamada, ele reservou apressadamente um voo para as 16h30. Mesmo enquanto fazia isso, não esqueceu de verificar a situação do outro lado do canal.
Quando decidiu ir para Paris, ele fizera duas resoluções para si mesmo.
Primeira: nunca deixar nenhum registro visual, como fotos ou vídeos, da aparência de Yihyun.
Segunda: não se deixar levar demais por isso e atrapalhar seu trabalho em Seul.
Ele as mantivera bem até agora, mas esta era a primeira vez que estendia sua permanência em Paris cancelando um voo reservado. Por algum motivo, ele estava particularmente relutante em partir hoje.
Talvez fosse porque ele passara quase todo o seu tempo ontem assinando contratos para o apartamento e o carro, então não tinha visto tanto de Yihyun quanto de costume.
— Você vai embora exatamente às 14 horas. Estender o tempo mais do que isso é uma violação das regras.
Lau murmurou severamente para si mesmo, as pontas dos dedos batendo ansiosamente no volante.
Se quebrasse as regras, ele iria querer jogar tudo para o alto, a Phantom e tudo mais, e se estabelecer em Paris. Mesmo agora, seu verdadeiro desejo era fazer exatamente isso. Ele só estava se contendo porque não achava que Yihyun amaria um homem assim.
Enquanto fixava o olhar do outro lado do canal e tateava em busca de sua cigarreira, ele a deixou cair aos seus pés. Ele se esticou e agarrou a pequena caixa e, quando olhou para cima, Yihyun e sua companhia apareceram na ponta da ponte como que por mágica.
— Você não me dá um momento para baixar a guarda.
Ele jogou a cigarreira sobre o sobretudo no banco do passageiro e tirou os óculos escuros. Ele prendeu as hastes dos óculos no decote de sua malha em V, o tempo todo observando os movimentos do grupo.
Um sorriso se espalhou por seu rosto ao avistar Yihyun com as mãos nos bolsos do casaco.
O que ele poderia fazer a não ser se sentir bem apenas por vê-lo em sua visão?
Parecia que eles não tinham ido longe. Tinham comido no lado noroeste do canal, atravessando a ponte, e estavam no caminho de volta.
O grupo ainda estava barulhento. Baek Yooni e sua namorada estavam de mãos dadas, diferente de antes, e Baek Yooni segurava um pequeno buquê de flores na outra mão. Era um buquê simples feito de três ou quatro centáureas. Mesmo desta distância, as cores eram muito vivas. Provavelmente era um presente de sua namorada.
Eles pareciam felizes. Caminhavam pela rua, empurrando e puxando as mãos um do outro como se dançassem. Yihyun, com as mãos nos bolsos do casaco, seguia lentamente atrás deles.
A testa de Lau se franziu. Não era por causa do sol da tarde de novembro que entrava pelo para-brisa do carro.
Como se assistisse ao clímax de um filme com a tensão aumentando, ele juntou as mãos na frente dos lábios. Ele teve que respirar fundo várias vezes, inalando profundamente porque seu peito parecia apertado. As respirações eram mais como suspiros.
Conforme o grupo deixava completamente a ponte e seguia para o norte em direção à The Hands, o passo de Yihyun gradualmente ficava mais para trás.
Então, ele voltou em direção ao lugar por onde tinham acabado de passar.
O lugar onde Yihyun parou completamente foi em frente a uma loja de presentes. A placa e os materiais de acabamento em cor de menta escuro misturado com cinza davam um ar vintage.
Yihyun estava olhando muito atentamente para um ponto dentro da vitrine. Embora ele gostasse de observar o ambiente, era raro mostrar tanto interesse em mercadorias à venda.
O que poderia ser? O que tinha capturado o olhar de Yihyun?
Lau inclinou o tronco o máximo possível sobre o volante. Mas não importa o quanto franzisse a testa e se concentrasse, ele não conseguia ver o interior da vitrine.
Como se estivesse completamente cativado, Yihyun ficou imóvel diante dela.
O grupo, percebendo que Yihyun havia ficado para trás, parou cerca de dez metros à frente e se virou. Eles pareciam estar chamando Yihyun erguendo os braços. Yihyun também olhou para eles. Mesmo assim, ele continuava olhando para trás, para o interior da vitrine.
Até o momento em que deixou completamente a frente da loja, o rosto de Yihyun estava voltado para a vitrine como se tivesse sentimentos remanescentes. Ele parecia alguém que estava partindo contra a vontade. Isso o lembrou do filhote que estivera observando incessantemente Yihyun partir para o parque esta manhã.
— Do que você gostou tanto?
Ele estava zangado com sua própria situação, incapaz de dar a Yihyun a coisa pela qual ele estava mostrando tanto interesse. Ele queria esfregar o rosto rudemente com as duas mãos em miséria, mas não conseguia tirar os olhos de Yihyun.
Seria apenas sua imaginação? Os ombros de Yihyun pareciam mais pesados depois de se juntar ao grupo. Seus passos sem energia, com o colarinho levantado, o queixo encolhido e a cabeça baixa, não pareciam ser por causa do frio.
Havia algo que ele queria? Ele não era o tipo de criança que ficava emburrada só porque não podia ter algo…
Enquanto o grupo da The Hands desaparecia no beco, Lau colocou os óculos escuros de volta e deu partida no carro. A temperatura estava baixa, mas a luz do sol era intensa. Era quase perigoso dirigir sem óculos escuros.
Suas mãos no volante continuavam apertando com preocupação. Ele estacionou o carro em frente à loja de presentes e saiu apressado, quase pulando para fora.
Lau também parou onde Yihyun estivera de pé. Ele se sentia como um fã ávido que tivesse ido ao local real de um filme favorito e estivesse recriando a cena exatamente.
— …….
Como se possuído por algo, Lau abaixou lentamente os óculos escuros.
Seu olhar estava fixo em um boneco grande colocado no canto direito da vitrine decorada com esmero. Exatamente como Yihyun estivera.
Ali estava um modelo do coelho de Alice no País das Maravilhas.
O coelho, vestido com um colete e paletó e segurando um relógio de bolso, parecia ser um item bastante elaborado e de alta qualidade. Também era bem grande, quase do tamanho de uma criança de quatro ou cinco anos.
O desenho que Im Morae havia colocado na parede do clube de praia em Bali.
E agora, o desenho que era guardado na mesa de cabeceira ao lado da cama de Lau.
Naquele desenho, o Lau WiKūn de Seo Yihyun era o coelho do relógio guiando Alice para o País das Maravilhas.
O sentimento que Yihyun deve ter sentido, incapaz de deixar este lugar, subiu de seus pés e pareceu engoli-lo por inteiro.
— Tolo. Esqueça esse coelho.
A mão que segurava os óculos apertou, e as veias saltaram nas costas de sua mão.
— Ele te machucou.
Os óculos pareciam que iam quebrar em sua mão.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna