Capítulo 06
↫─Capítulo 06
<Side Story 2, Capítulo 06>
O elevador parou no 6º andar. Havia três portas de entrada ao longo do corredor. O corretor de imóveis remexeu em um molho de chaves e abriu a porta da unidade 601, que ficava diretamente em frente ao elevador. Um corretor com um molho de chaves. Era uma cena bem diferente da Coreia.
— A área ao redor do canal tem sido o novo ponto badalado de Paris já faz algum tempo. Há muitos cafés e restaurantes elegantes e, com supermercados como o ALDI e o MONOPRIX logo ali perto, além de uma padaria, será bem conveniente para o senhor morar aqui.
— Não pretendo morar aqui, então um pouco de inconveniência não tem problema.
Diante da resposta ríspida de Lau, os lábios do corretor se curvaram ligeiramente nos cantos.
Depois de girar a chave de uma maneira aparentemente complicada, o corretor abriu a porta. Ao contrário do corredor, que não tinha luz nenhuma, o espaço dentro da porta estava cheio de luz natural. Isso fazia com que o interior do apartamento parecesse um pouco mais espaçoso.
— O que o senhor acha? Não é pequeno para os padrões de um estúdio parisiense.
— O tamanho do apartamento não importa. A localização é mais importante para mim.
Não havia quase nada para olhar; os espaços visíveis de cada lado a partir do centro eram a totalidade do apartamento. O que havia de especial nele era seu formato longo e horizontal, que permitia algum grau de separação espacial, apesar de ser um estúdio. E o fato de que a maior parte dessa parede longa era feita de janelas, deixando entrar muita luz.
Depois de dar uma olhada na cozinha e no banheiro na extremidade norte, Lau perguntou com uma expressão rígida.
— E quanto ao apartamento do Monsieur Dupont? Ele ainda não está disposto a vender?
Outro apartamento no 19º arrondissement, onde vivia um casal de idosos no final dos seus sessenta anos.
Aquele apartamento era a posse que Lau mais cobiçava, situado na localização mais perfeita. Ficava no mesmo beco que a The Hands, mas não diretamente em frente a ela. Estava localizado em uma diagonal inclinada e, com a entrada compartilhada ao virar da esquina, também era adequado para se esconder das pessoas que entravam e saíam da The Hands.
Mais importante ainda, o apartamento do Monsieur Dupont ficava no mesmo andar que o quarto de Yihyun.
Se ele ficasse perto da janela do quarto, talvez pudesse ver a sombra de Yihyun oscilando enquanto ele se movia de um lado para o outro dentro de seu cômodo.
O problema era que não estava à venda. Lau era o único que o cobiçava. O corretor balançou a cabeça com uma expressão preocupada.
— Eu propus o preço de compra que o senhor mencionou, mas não teve efeito. Honestamente, pensei que ele seria balançado por aquele valor… mas ele não cede. Fiquei um pouco surpresa. Acho que seria melhor o senhor desistir daquele apartamento.
— Hmm, é uma pena.
Enfiando ambas as mãos nos bolsos do sobretudo, Lau deu de ombros. Era difícil esconder seu desapontamento. Ele caminhou até a janela e olhou para o prédio do outro lado da rua. Exatamente como tinha visto ao entrar, um famoso supermercado ficava no primeiro andar do prédio azul-claro.
— Ele disse que foi a primeira casa que compraram depois de anos alugando como recém-casados, e vivem lá há 30 anos desde então.
— ……
Lau, que estava levantando a fina cortina transparente para olhar as pessoas que entravam e saíam do prédio em frente, virou-se para olhar para o corretor.
— Os filhos deles já se mudaram, e é grande demais para um casal de idosos administrar… mas ele disse que é um lar que guarda todos os anos que passaram como um casal, então não podem partir.
Parecia que não havia nada a ser feito, disse ela dando de ombros.
Lau a encarou por um momento, depois voltou a cabeça para a janela. Dois homens que pareciam ter por volta da sua idade estavam saindo do supermercado. O mais alto dos dois usava um canguru para bebês, e o outro tinha uma sacola de compras pendurada no ombro. Eles pareciam um casal de um Alfa e um Ômega.
O homem com o bebê mexeu no pé da criança, que estava calçado com uma meia grossa, enquanto buscava a mão do parceiro com a outra.
O homem mais baixo, que estava apontando para algo do outro lado da rua, virou-se para olhar para o seu amado. Após um breve beijo, os dois caminharam lentamente pela rua parisiense em uma tarde de fim de semana tranquila.
Ao ver aqueles completos estranhos, seu peito de repente se apertou como se estivesse sendo rasgado.
Aquele tipo de vida diária feliz poderia ter sido dele e de Yihyun. Aquele que a arruinara, que a estilhaçara em pedaços, não fora outro senão a sua própria loucura.
— Você alguma vez sonhou em ter um filho comigo algum dia?
— …….
— É por isso que você… tentou me transformar em um Ômega?
Ele se lembrou dos olhos e do rosto de Yihyun ao dizer aquelas palavras. Um rosto que estava em luto e desolado mesmo naquele momento em que tentava chocar e ferir Lau com a mentira de que estava grávido.
— Eu não preciso de um filho. Eu nem sequer pensei tão longe!
Aquele grito desesperado tinha sido sincero. Se ele quisesse um filho, não teria que ser com Yihyun.
Na época, Lau estava fora de si. Tanto que tentou usar os próprios feromônios que desprezava para manter Yihyun ao seu lado. Fosse os feromônios de um alfa ou os feromônios de um fantasma, não importava.
Se o eu daquela época tivesse ido ao ponto de engravidar Yihyun…
Aquela criança não teria sido nada mais do que um refém para manter Yihyun ao seu lado. Apesar de ser meu filho e de Yihyun.
Um calafrio percorreu sua espinha. Atingiu-o vividamente o quão anormal seu estado tinha sido naquela época.
Lau cobriu toda a parte inferior do rosto com uma mão grande. Ele esfregou a pele como se quisesse esmagá-la. Com o olhar fixo nas costas serenas dos dois homens que se afastavam para o sul, ele assentiu.
— Trinta anos como um casal em uma casa… suponho que sim. Eu também não teria vendido, nunca.
Depois de dizer isso com uma voz pensativa, Lau se afastou da janela. Quando se virou para encarar o corretor, seu rosto parecia o de alguém que tinha tomado uma decisão.
— Vou desistir daquele apartamento. Vou assinar o contrato para este lugar.
— Uma decisão sábia. Está vago, então o senhor poderá usá-lo assim que a venda for concluída.
A busca pelo apartamento, que durou cerca de um mês, finalmente terminara. O corretor também parecia aliviado.
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O propósito da sua viagem a Paris era claro.
Permanecer por perto de Yihyun e capturar sua imagem com seus olhos.
No começo, quando começou a vir e voltar de Paris, ele se concentrou em descobrir a rotina diária de Yihyun.
Assim como quando viviam juntos em Seul, o dia de Yihyun era extremamente regular. Seus horários de trabalho, os momentos em que saía, os cafés e restaurantes que frequentava — eram todos quase fixos. Yihyun era um alvo bastante fácil para ser seguido.
Depois de obter uma noção aproximada da sua rotina, ele parou de segui-lo em todos os lugares. Seguir alguém de carro em Paris, com seus becos estreitos, não era uma tarefa fácil por si só, e ele não podia correr o risco de segui-lo a pé.
Desde que esperasse com antecedência em um local designado, ele conseguia ver Yihyun quase sem falta. Como se tivesse um encontro marcado com ele.
Isso já era satisfatório o suficiente. E tinha que ser.
No dia seguinte à assinatura do contrato do apartamento, Lau saiu do hotel e estacionou seu carro diagonalmente em frente à The Hands. Ele estava esperando Yihyun sair para sua caminhada matinal.
O veículo discreto, com vidros fortemente escurecidos, era adequado para se esconder.
Até agora, ele tinha alugado um carro toda vez que visitava Paris, mas após se despedir do corretor ontem, assinou um contrato para um carro novo. Agora que tinha uma residência permanente em Paris, achou que não haveria problema em comprar um carro.
Para um estrangeiro comprar um apartamento, eram necessários documentos complicados e procedimentos administrativos, mas isso era um assunto para o corretor e seu representante lidarem. Ter um apartamento e um carro reduziria significativamente o tempo desperdiçado.
O tempo que ele poderia se focar em Yihyun aumentaria, mesmo que apenas um pouco. Lau estava satisfeito com seu ambiente de perseguição aprimorado.
— ……
As sobrancelhas de Lau tremeram enquanto ele estava debruçado sobre o volante, observando a entrada principal da The Hands.
Ele se endireitou lentamente, seus olhos sem deixar o alvo.
Yihyun, com uma ecobag pendurada no ombro, estava acabando de sair do prédio. Parecia que a verdadeira manhã estava apenas começando no beco estreito e surrado do 19º arrondissement. Para Lau, parecia. Seu coração batia rápido.
— Seo Yihyun, bom dia.
Ele ofereceu um cumprimento silencioso a Yihyun, que não podia ouvi-lo.
Yihyun certamente viraria a esquina e passaria em seu café habitual primeiro. Depois de uma refeição simples de um sanduíche ou salada, ou talvez um pedaço de pão com café, ele sairia para sua caminhada matinal.
Seus locais de caminhada eram geralmente ao redor do canal ou do Parc des Buttes-Chaumont. Às vezes ele ia ao Parc de la Villette e, ocasionalmente, com o rosto mergulhado em pensamentos, caminhava por cerca de duas horas de ida e volta até o Cemitério do Père Lachaise. Com base em suas observações até agora, ele tinha certeza disso.
O carro de Lau estava estacionado no lado oposto da direção para a qual Yihyun estava indo, longe do café habitual. Mesmo assim, o peito do perseguidor martelava, preocupado que pudesse ser descoberto.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna