Capítulo 07
↫─Capítulo 07
<Side Story 2, Capítulo 07>
Somente depois que a figura de Yihyun desapareceu ao virar da esquina é que o sedã de Lau começou a se mover. Como ele conhecia o destino, não havia necessidade de segui-lo perigosamente de perto.
O café habitual de Yihyun localizava-se à beira do canal. O primeiro andar do prédio ao lado era uma pizzaria. Lau estacionou lentamente seu carro em frente à pizzaria.
Yihyun, vestido com jeans e um casaco de outono, estava sentado em um assento ao ar livre no café. Sob o toldo azul, na primeiríssima mesa. Era o assento que Yihyun mais preferia quando se sentava ao ar livre.
— Não está um pouco frio para ficar sentado lá fora?
Lau verificou imediatamente a temperatura na tela do tablet do carro. Estava 8 graus.
Um olhar preocupado voltou-se para Yihyun. Enquanto esperava seu pedido chegar, ele tirava um caderno de esboços e um lápis. Ele estava fazendo um breve aquecimento para as mãos antes de começar o dia.
Ele não parecia estar tremendo de frio, mas Lau não estava tranquilo. Seu casaco também não parecia grosso o suficiente.
Mesmo no meio do inverno, desde que houvesse sol, era comum ver parisienses sentados em bancos nos Jardins de Luxemburgo ou no Jardim das Tulherias, lendo livros. Mas, naquela temperatura, era o tipo de clima em que todos os turistas evitariam o exterior e optariam pelo calor do interior.
Mesmo que o pescoço de Yihyun, sem um único cachecol, parecesse gelado, mesmo que ele quisesse ao menos abotoar o casaco para ele, não havia nada que seu eu atual pudesse fazer. Ele já estivera no lugar mais próximo dele, até mesmo dentro dele…
Lau escondeu sua amargura e forçou um sorriso, como se falasse diretamente com Yihyun.
— Nosso Seo Yihyun, você se tornou um verdadeiro parisiense.
Sem ter ideia de que alguém o observava, Yihyun começou a esboçar os objetos, a paisagem e as pessoas ao seu redor. A julgar pelos movimentos ocupados de seu olhar, parecia que ele estava desenhando a bicicleta estacionada à sua frente.
Enquanto observava o rosto limpo e absorto, a preocupação rígida no rosto de Lau derreteu-se lentamente. Em seu lugar, um afeto gentil brotou.
Yihyun trocou algumas palavras com o garçom que trouxe sua comida. Eles até riram juntos de algo.
Toda vez que Yihyun ria, Lau também se pegava rindo sem perceber. Como um espectador de cinema que, assimilado às emoções do protagonista, chora e ri junto com ele.
Para Lau WiKūn, Seo Yihyun era como um filme belamente composto. Uma obra-prima que ele nunca se cansava de assistir, não importa quantas vezes, e que o fazia maravilhar-se com as mesmas cenas todas as vezes.
Enquanto mastigava sua comida e bebia seu café, Yihyun às vezes pousava a caneta e olhava para longe. O olhar aguçado de observador captava as ondas pacíficas do canal, ou olhava para o moderno edifício de apartamentos erguido no lado oposto. Ele olhava para a árvore nua em frente ao café, que perdera quase todas as folhas, e, ocasionalmente, fixava o olhar por um longo tempo na direção onde o carro de Lau estava estacionado.
Era impossível, mas havia momentos em que ele sentia como se tivesse feito contato visual com Yihyun.
Em momentos assim, parecia que seu coração acelerado pararia ali mesmo. Ele não conseguia mover um músculo, como se tivesse se tornado um besouro com o coração perfurado e preso a uma placa de montagem.
Yihyun notaria algo a qualquer momento?
Ele olharia atentamente para cá, pousaria o café que estava bebendo, se levantaria e se aproximaria?
Ele daria a volta no carro e, finalmente, bateria, toc, toc, na janela do lado do motorista?
Tenho medo de que tal coisa aconteça? Ou estou esperando que aconteça?
Feliz ou infelizmente, tal coisa nunca ocorreu nenhuma vez.
Tendo terminado sua refeição, Yihyun começou a recolher suas coisas. Ele pegou seu estojo, guardou o lápis e fechou o caderno, colocando-o em sua bolsa.
— Já vai embora?
Com o rosto cheio de decepção, Lau segurou o volante e tamborilou em sua superfície.
— Mostre-me seu rosto só mais um pouco.
Exatamente quando Yihyun, tendo pago, estava prestes a se levantar, um casal, um homem e uma mulher, aproximou-se da área de assentos ao ar livre. Com os braços em volta da cintura e dos ombros um do outro, traziam consigo um cachorrinho de orelhas grandes.
Enquanto os dois decidiam brevemente qual lugar ocupar, o filhote mostrou interesse por Yihyun. Aquele pequeno enérgico, que ainda parecia jovem, avançou na panturrilha de Yihyun, implorando por atenção.
Yihyun, que estivera prestes a se levantar, pendurou sua sacola de volta na cadeira e cedeu aos choramingos do pequeno. Ele virou o corpo completamente para este lado, de modo que seu rosto ficou ainda mais visível do que antes. Seu casaco abriu-se dos dois lados, revelando um vislumbre da camiseta que usava por baixo. Como sempre, tinha um padrão listrado.
Uma risada carinhosa e nostálgica escapou dos lábios de Lau.
A camiseta listrada de Yihyun era como uma prova de que o Seo Yihyun que dissera que o amava e o Seo Yihyun de agora ainda eram a mesma pessoa, que ele não mudara.
O casal, percebendo os movimentos do filhote, falou com Yihyun, e Yihyun continuou a conversa, olhando para eles enquanto acariciava o cachorrinho com as duas mãos.
— Você deve ser popular com os animais também. Por que não seria?
Apoiando o queixo nas mãos, que estavam sobre o volante, Lau apenas contemplava Yihyun com um sorriso satisfeito. Ele estava grato ao filhote por deixá-lo vê-lo por mais um pouco.
O toque de Yihyun enquanto acariciava o rosto e a nuca do pequeno parecia bastante habilidoso. Não era o trabalho de alguém que só o fizera uma ou duas vezes.
Talvez por ser tão popular com os cães da vizinhança toda vez que vinha ao café, ele pudesse ter pesquisado como acariciar um cão de uma forma que os agradasse. Yihyun era certamente capaz disso.
O casal, enquanto conversava com Yihyun, naturalmente ocupou um lugar na mesa ao lado dele. Mesmo à distância, a atmosfera parecia muito boa. O jovem do Oriente, exalando uma aura como uma pintura de tinta clara e elegante, também possuía um sorriso e uma voz gentis — quem não sentiria uma ponta de afeto por ele?
— Não seja tão gentil assim.
Com o queixo ainda apoiado no volante, Lau sussurrou baixinho.
— O que você vai fazer se os dois se apaixonarem por você?
Um terço era sincero, um terço era piada. E o um terço restante era orgulho de um amante que era amado por todos.
Amante…
O sorriso no rosto satisfeito de Lau desapareceu lentamente. Um tom cinzento girou mais forte que o azul em seus olhos.
Ele olhou para Yihyun, que acariciava o rostinho do filhote, e perguntou em voz baixa.
— Ainda somos amantes, Yihyun-ah?
Mas, é claro, ele não pôde ouvir uma resposta dele.
Yihyun pegou seu telefone. Pelos seus gestos, parecia que ele perguntava ao casal se podia tirar uma foto do cachorrinho. Eles concordaram prontamente.
Parecia que Yihyun tirou várias fotos do rosto brincalhão do pequeno enquanto este apoiava as patas dianteiras em seu colo. Risadas fluíam incessantemente entre os três, como se fossem velhos amigos.
A visão de Yihyun, rindo neste lugar distante depois de deixá-lo, trouxe a Lau uma mistura de emoções contraditórias.
E, no entanto, ele não podia desejar que Yihyun passasse seus dias chorando…
Finalmente, Yihyun levantou-se e pendurou a bolsa no ombro. O filhote, levantando as patas dianteiras para se agarrar à panturrilha de Yihyun, parecia estar segurando-o, dizendo para não ir. Depois de acariciar a cabeça do pequeno mais algumas vezes, Yihyun deixou completamente a área do café.
O cachorrinho observou Yihyun se afastar, depois olhou para seus donos. Então olhou para Yihyun novamente. Suas costas pareciam dizer que não conseguia entender por que Yihyun não estava mais brincando com ele e já estava indo embora.
Porque o pequeno estava agindo daquela forma, Yihyun também parou de caminhar e olhou para trás várias vezes. Ele soltou uma risada que parecia dizer que o achava fofo, e acenou para o filhote e para o casal.
— Você é o mais fofo, sabia?
Observando Yihyun acenar, Lau também desdobrou a mão que estivera apoiando seu queixo e deu um pequeno aceno.
Perseguir não era algo que qualquer um pudesse fazer. Era um trabalho onde você tinha que falar sozinho com alguém que não responderia, rir enquanto observava um sorriso que não era para você e acenar com a mão enquanto via aquela pessoa olhar para outra.
Lau percebeu de repente.
Isso também era semelhante a um amor unilateral.
Um amor unilateral. Ele nunca sequer experimentara isso durante seus anos de adolescência mais sentimentais.
Pensando bem, fora justamente durante esses anos de adolescência que Lau fora “sentenciado” como um fantasma e praticamente fugira para Boston, nos EUA, com sua mãe. Mesmo um amor unilateral, onde se consome observando alguém de longe, era um luxo para o Lau daquela época.
Lá, ele se concentrara exclusivamente no treinamento para se tornar um Golden. Para que não transformasse, sem saber, algum Beta em um Ômega. Para que não cometesse um ato tão terrível.
Lau soltou uma risada amarga e autodepreciativa, com os ombros tremendo.
Porque todo aquele esforço fora em vão, já que ele acabara Transformando sua pessoa mais preciosa.
Se ele se tornasse um Golden Alpha e pudesse controlar seus feromônios, ele poderia ter evitado a Transformação. A Transformação, afinal, estava no domínio dos feromônios.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna