Capítulo 04
↫─Capítulo 04
<Side Story 2, Capítulo 04>
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Assim que os dois entraram no vestíbulo, o sensor acima deles se acendeu.
— Até onde você vai me seguir?
Lau, que vinha liderando o caminho, virou-se com uma expressão descontente. Devido à proximidade com a estrutura alta de Lau, uma sombra foi projetada sobre o rosto de Choi Inwoo.
— A ordem era garantir que você chegasse em casa em segurança.
— Ordem? De quem?
— Do Gerente Han.
— ……
Como se ele próprio soubesse da gravidade da confusão de pouco tempo atrás, Lau sorriu sem jeito, tirou os sapatos e calçou os chinelos de quarto.
Fazia muito tempo que Choi Inwoo não visitava a casa de Lau.
Houve uma época em que ele costumava vir e ir com frequência, passando horas barulhentas no jardim, na sala de estar, na cozinha. O período em que Lau WiKūn era o mais humano. Quando Seo Yihyun estava aqui…
Ele poderia ter entrado na casa diretamente pela garagem através do porão. E, no entanto, depois de estacionar o carro, Lau saíra da garagem e fizera o caminho trabalhoso de atravessar o jardim para entrar pela porta da frente.
A razão era óbvia. Não havia necessidade de perguntar.
Ele devia estar preservando o porão onde Yihyun ficara, exatamente como estava.
Seguindo Lau pelo corredor, Choi Inwoo examinou a sala de estar escura e franziu a testa.
— Que bagunça é essa?
— Está perfeitamente limpo, por que você está arranjando briga?
Lau retrucou com uma voz cansada enquanto atravessava a sala de estar e entrava na sala de jantar.
— Estou dizendo que está limpo demais. Não parece um lugar onde alguém vive.
Desta vez, Lau nem se deu ao trabalho de responder. Parado na cozinha mergulhada na escuridão, ele pegou uma garrafa de água na geladeira e a entornou sem despejar em um copo. Então, limpando a boca com as costas da mão, perguntou se Choi Inwoo também queria água.
— Quer um pouco?
— Água não, me dê álcool.
— Você bebeu o tempo todo, quer mais álcool para quê.
— Eu deveria dormir aqui?
— Não diga coisas nojentas e caia fora.
— Quem disse que eu dividiria a cama com você? Um Alfa musculoso maior que eu não faz o meu tipo, sabe?
— ……
— Se você tem algum vinho bom escondido, traga-o. Vamos beber até de manhã, só nós dois, pelos velhos tempos.
— Estou cansado. E não estou no clima.
Afastando-o com um gesto, Lau passou por Choi Inwoo e refez seus passos, caminhando pesadamente em direção às escadas. A visão de suas costas era completamente diferente daquela que Choi Inwoo conhecia. Ele parecia um fantasma com pesadas correntes de ferro arrastando-se de seus tornozelos.
— …Lau WiKūn.
Ele nunca o chamara com uma voz tão hesitante.
Encarando Lau, que se virara, Choi Inwoo não conseguiu dizer o que pretendia.
Vá ver o Yihyun. Se você realmente perder o Yihyun, viverá uma vida pior que a morte, em um estado mais terrível do que está agora. Não seria melhor ao menos cair de joelhos e implorar do que deixar isso acontecer?
Ele não pôde dizer.
Porque os olhos que se voltaram para olhá-lo já estavam desejando desesperadamente fazer exatamente isso.
O interior dele devia estar na mais profunda escuridão, querendo tanto fazê-lo, mas sendo incapaz.
— Esquece. Vá dormir.
Depois que Choi Inwoo partiu, os pés de Lau, que subiam as escadas com passos pesados, gradualmente diminuíram a velocidade até parar. Ele ficou ali na escuridão por um momento, então girou o corpo e dirigiu-se para o porão.
Ele desceu as escadas e acendeu apenas a iluminação indireta mínima.
Parecia que Yihyun, que estaria se preparando para dormir ao lado da cama, viraria para este lado e sorriria timidamente. Parecia que, se ele perguntasse: Posso dormir aqui?, Yihyun silenciosamente levantaria um lado do cobertor.
Ou, parecia que ele poderia ver as costas de Yihyun, sentado diante de seu cavalete, pincel na mão, sem perceber o quão tarde era.
Enquanto observava as costas absortas de Yihyun por um longo tempo, Lau de repente sentia medo e solidão. Havia momentos em que ele tremia com uma sensação de alienação, como se Yihyun, nadando livre e desinibidamente em seu próprio mundo, nunca mais voltasse para este mundo ao qual ele pertencia.
As noites de doce ansiedade… quando ele denunciava sua presença e se aproximava de Yihyun por trás, sobrepunha sua própria mão à mão que segurava o pincel, forçava-o a olhar para cá e pressionava seus lábios, arrancava-o da pintura e o prendia em seus braços.
Lau aproximou-se lentamente do grande cavalete em H. Ele o empurrou e puxou, girando suas rodas sem propósito.
As ferramentas e materiais que Yihyun usava haviam sumido, mas o cavalete, a cadeira e o carrinho permaneciam. Os móveis, três ou quatro vasos de plantas e pequenas necessidades diárias também estavam como antes.
Através da janela no teto, a luz amarelada das luminárias do jardim entrava inclinada. Ele ficou parado, vago, no palco de luz tênue e olhou ao redor do quarto vazio. Como se procurasse pelo dono do quarto, mesmo sabendo que ele já havia partido.
De cabeça baixa, ele acariciou a nuca e aproximou-se da cama. Era um local que ele mesmo arrumara com as próprias mãos há apenas alguns dias. Ele sentou-se na borda e passou a palma da mão sobre o lençol. A roupa de cama também era toda a mesma que Yihyun usara.
Quando se tratava deste porão, ele não confiava o trabalho à senhora que ajudava na limpeza da casa. Ele cuidava de cada detalhe com as próprias mãos.
Era assim agora, mas por muito tempo ele sequer ousara descer aqui. No verão passado, foi somente após encontrar Im Morae e Seo Yihan em Bali que ele conseguiu colocar os pés aqui pela primeira vez.
Mas mesmo agora, ele ainda não conseguia dormir aqui.
Ele sabia que todos que tinham conhecimento de seu relacionamento com Yihyun estavam preocupados com ele. Sempre que o nome de Seo Yihyun era ouvido em algum lugar, todos olhavam para ele com rostos quase horrorizados, como se uma bomba tivesse caído.
Hoje fora a mesma coisa. Quando um dos clientes mencionou o nome de Yihyun, os rostos do Gerente Han, de Kwon Juhan e de Choi Inwoo endureceram por um momento. E então, os olhares furtivos que se seguiram imediatamente, verificando sua expressão.
Lau soltou uma risada amarga e vazia e entrelaçou as mãos no colo.
Mesmo que quisesse contar a eles sobre seu estado atual, ele não podia. Não conseguia compartilhar esse sentimento com ninguém.
Tentar explicar seu eu atual era como tentar mover o oceano com as mãos.
Mesmo que você recolha água do mar nas mãos, não pode mostrar o oceano com isso. Nada é explicado. Então, ele simplesmente decidira manter a boca fechada em vez disso.
Assim como vivera sem compartilhar essa característica peculiar — não, essa característica deformada — chamada fantasma com ninguém, esse estado de sedimentação, derivado de seu amor por Yihyun, também era um fardo que ele deveria carregar sozinho.
Ele tomou banho no banheiro do porão daquela forma. O armário estava abastecido com uma quantidade razoável de roupas íntimas, pijamas e roupas de ficar em casa que Lau podia usar.
E, camisetas listradas estavam penduradas ordenadamente em cabides.
Depois que Yihyun partira, ele as comprara sempre que as avistava, e agora havia mais de dez. Ele folheou as camisetas penduradas uma a uma, depois fechou a porta do armário.
Secando o cabelo molhado com a toalha, ele parou diante da estante de livros. Era a estante onde ele colecionara mídias impressas que apresentavam Yihyun. Mesmo depois de comprar cada uma delas, incluindo revistas de arte estrangeiras, era apenas o suficiente para preencher mal uma prateleira.
Ele pegou a revista publicada mais recentemente e foi para a cama. Era uma revista de arte experimental baseada em Berlim. Ele a abriu na seção que havia marcado com uma etiqueta de índice.
Era um artigo de um editor que visitara pessoalmente a The Hands em Paris para cobrir o novo trabalho de Yihyun. Era a sétima peça da série Fantasmas Coloridos, o lançamento mais recente de Yihyun de que os clientes da Phantom estavam falando.
Embora não fosse exatamente uma entrevista, o artigo, que também incluía uma curta crítica após conhecer e conversar com Yihyun pessoalmente, continuava por quatro páginas, cobrindo outros artistas da The Hands também.
Era um conteúdo que ele já lera dezenas de vezes. No entanto, sem falta, ele o lia como se fosse a primeira vez, gravando cada letra. Lau, tirando a toalha da cabeça e colocando-a sobre as coxas, ficou absorto no artigo.
Quando solicitado a apresentar seu trabalho, Yihyun sorriu como se estivesse sem palavras. Era um sorriso que parecia perguntar o que mais era necessário quando ele já dissera tudo o que queria dizer através de sua obra. O asseio de suas mãos, dobradas graciosamente, poderia trazer à mente o estereótipo comum de um jovem tímido do Oriente, mas seus olhos firmes eram um lembrete de que, embora fosse quieto, ele não era de forma alguma um ser fraco.
O Yihyun que ele conheceu pessoalmente era um homem que era sua própria obra.
O olho do furacão.
Que o que ele buscava expressar era o caos e a ansiedade. Os críticos tagarelaram assim por um tempo, mas conforme a série progredia, uma história diferente emergia. Talvez ele estivesse, de fato, falando de algo que nunca vacila mesmo em meio ao caos e à ansiedade. Exatamente como o próprio Yihyun.
Yihyun nunca concordara com uma sessão de fotos para a mídia, e desta vez não foi diferente. Em vez disso, uma foto adequada de sua obra foi incluída.
Em sua obra, as figuras, cada uma com suas características destacadas de forma exagerada, eram literalmente coloridas. Por essa razão, era fácil que parecessem caóticas à primeira vista. Mas, como o artigo que ele acabara de ler expressava, havia certamente um núcleo inabalável dentro delas.
O olhar do artista, observando o caos.
Aquele olhar estava aceitando os fantasmas variados, que pareciam não pertencer uns aos outros, exatamente como eram. Os fantasmas não entravam em conflito; em vez disso, harmonizavam-se.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna