Capítulo 22
A oportunidade veio de uma situação inesperada.
Devido à febre baixa e ao cansaço contínuo que já duravam dias, Juliet havia perdido completamente a energia. Ficou tão exausto que não queria fazer mais nada. Exceto quando precisava se levantar para ir ao banheiro, ele passou o tempo todo dormindo, pulando as refeições. Cada vez que perdia e recuperava a consciência, o aroma adocicado parecia intensificar-se várias vezes, a ponto de fazer todo o seu corpo formigar.
Tem algo errado.
Mesmo estando meio adormecido, ele pensava. Tinha certeza de que estava gravemente doente.
Caso contrário, não haveria razão para ter tanta febre a ponto de não conseguir mover o corpo, nem para sentir esse sono incontrolável.
“Aah, hum……” Um pequeno som escapou de sua boca.
Só depois percebeu que seu corpo estava sendo sacudido. Ah, de novo. Mesmo sem abrir os olhos, ele conseguia entender a situação. O fato de Juliet estar dormindo nunca fez com que as ações de Dominic parassem.
Aquilo continuava acontecendo.
Dominic beijou profundamente os lábios de Juliet enquanto ejaculava dentro dele. Uma repetição mecânica de atos.
Agora, ele já não sentia mais nada.
Ah, de novo.
Ele se lembrou vagamente. O cheiro doce parecia intenso. Quando Dominic derramou o sêmen, esse aroma ficou várias vezes mais forte, mas ele nem sequer conseguiu perceber esse fato. De olhos fechados, Juliet mexeu levemente o quadril. Acompanhando o movimento dele, o membro mantido em seu ventre balançou para cima e para baixo, expelindo o resto do sêmen. Dominic soltou uma risada baixa diante daquela ação instintiva feita em um estado de semi-inconsciência.
Juliet, que esperava que ele terminasse a ejaculação, segurou firme a consciência que insistia em afundar em um sono profundo novamente e abriu a boca.
“Dominic.” Uma voz extremamente rouca e entrecortada saiu.
Era um som tão miserável que ele próprio sentiu pena de si mesmo, mas era difícil pensar além disso. Sua mente e todo o seu corpo afundaram pesadamente, como uma esponja encharcada de água.
“Eu não estou me sentindo bem……”
Juliet disse com esforço, usando uma voz totalmente sem forças. Isso era verdade. Mesmo antes de seu corpo piorar dessa forma, ele quase não conseguia comer nada além de sopa rala e água.
A única coisa que ele podia comer à vontade era o sêmen de Dominic.
Embora fosse uma realidade repugnante.
Mesmo se surgisse uma oportunidade, nesse estado ele não conseguiria escapar direito.
Juliet continuou a falar com dificuldade.
“Um médico…… não, pelo menos um remédio……” Ele apenas listou as palavras brevemente, mas logo uma tosse fraca escapou.
Tossindo e expelindo apenas o ar sem energia, ele logo recuperou o fôlego e seu peito arfava. Juliet respirava o mais suavemente possível enquanto esperava pela reação de Dominic.
Dominic o observou em silêncio.
Quando aquele silêncio assustador estava prestes a se tornar aterrorizante, Dominic abriu a boca.
“Vamos sair agora.”
O quê?
Enquanto falava, ele na verdade não esperava nada. Dominic deixá-lo ir? Ele já havia desistido, sabendo que tal coisa não aconteceria.
Pensava que jamais conseguiria sair daquele lugar infernal, a menos que ele o matasse e o enterrasse secretamente. Mas diante daquelas palavras totalmente inesperadas, Juliet abriu bem os olhos em choque. Embora o máximo que tenha conseguido fazer tenha sido piscar as pálpebras com dificuldade.
“Você vai me deixar sair……? De verdade?”
Impulsionado pela urgência, ele tentou falar alto, mas foi um engano; na verdade, saiu apenas um som rouco e fraco como um sopro. Com a garganta parecendo rasgar, o rosto de Juliet se contorceu, e Dominic lhe disse:
“Sim, só por um momento.”
Juliet ficou sem palavras, tomado pela emoção.
Finalmente vou sair. Finalmente.
Finalmente, finalmente, finalmente……!
Até aí foi o fim de sua memória.
Junto com a euforia, Juliet desmaiou novamente.