Capítulo 23
Quando abriu os olhos, o teto que viu era totalmente desconhecido.
Juliet, que havia perdido a consciência, estava com a visão embaçada; piscou os olhos algumas vezes e logo percebeu que havia algo de errado com seu corpo.
Sentiu uma mudança óbvia ao seu redor.
Será porque acabei de acordar de um sono……?
Mas era bastante irracional pensar assim. Ele ainda não sentia que seu estado físico estivesse tão bom. Sua cabeça continuava atordoada e seu corpo estava tão pesado que ele nem conseguia se mover.
Juliet mexeu a cabeça e olhou ao redor.
Não era aquele espaço escuro e sujo com o qual estava acostumado. Não era o lugar onde Dominic o mantinha trancado e o violentava sem fim.
Através de uma janela ampla que ocupava uma grande parede, entrava uma luz solar radiante. Na parede coberta com um papel de parede de luxo, estavam pendurados vários quadros com pinturas a óleo opulentas em molduras grandes e pequenas. A cama em que estava deitado também exalava um aroma agradável. Além disso, o mais surpreendente era o fato de não estar nu. Ao se ver vestindo um pijama de seda, ele ficou completamente estupefato. Olhou várias vezes, mas a cena que entrava em sua visão não mudava.
Era um quarto extremamente aconchegante e luxuoso.
“Ah……!” Assustado tardiamente, Juliet tentou descer da cama e escorregou.
Ele acabou soltando um grito por reflexo. Felizmente, graças ao tapete macio, o impacto foi menor, mas a dor em seu tornozelo quebrado era colossal.
“Agh……”
Era certo que seu tornozelo havia ficado inutilizável.
O tornozelo, deixado sem o devido tratamento, acabou endurecendo daquele jeito, e qualquer mínimo impacto o fazia gritar de dor intensa.
Haa, haa.
Gemendo de dor, ele ficou deitado de bruços no chão até que a dor diminuísse. Caminhar era impossível, mas engatinhar era viável. Ofegante, Juliet começou a engatinhar pelo chão.
Quem o trouxe para cá foi definitivamente Dominic. Se for assim, precisa pedir ajuda antes que aquele homem chegasse. Rápido, depressa……
Haa, haa.
Sua respiração estava tão curta a ponto de sentir tontura, mas a porta ainda estava longe demais. Ao perceber que havia avançado apenas dois passos no máximo, Juliet parou de se mover com o rosto pálido.
Por que…… está assim……?
O tornozelo é a única parte inutilizável. Mas por que o corpo inteiro está tão sem forças? Era como se todos os seus músculos tivessem derretido, de modo que ele não conseguia fazer força alguma.
Afinal por que, por qual motivo.
Meu…… corpo……
Juliet direcionou seu olhar trêmulo para a parte inferior de seu corpo. Um tecido amplo cobria suas pernas longas que estavam estiradas, completamente inúteis. Ao perceber que o pijama que vestia era do tipo peça única, ele voltou o olhar e encarou as próprias mãos. Enquanto observava perplexo suas mãos que tremiam sem conseguir exercer força, ouviu-se o som de alguém correndo pelo corredor.
Assustado com a presença, Juliet encolheu o corpo. No entanto, seu corpo ainda não se movia como ele desejava. No momento em que a porta se abriu, ele soltou um grito de pavor, mas as pessoas que entraram não eram Dominic.
Rostos desconhecidos viram Juliet caído no chão, correram apressadamente até ele, o levantaram e o deitaram de volta na cama.
O que está acontecendo aqui?
Depois que saíram novamente, Juliet ficou deitado sozinho na cama, pensado com uma expressão perplexa.
Aquelas pessoas provavelmente eram empregadas.
……De Dominic.
Ele não conseguia entender nada da situação diante de seus olhos, mas os empregados simplesmente fecharam a porta do quarto e saíram, deixando Juliet para trás. Sem ao menos perguntar se ele estava bem, como se estivessem sob uma ordem de silêncio.
No entanto, toda aquela confusão e dúvida logo foram encobertas pela tontura que o atingiu de surpresa. Juliet fechou os olhos novamente e perdeu a consciência mais uma vez.
Como se estivesse piscando.
***
Ele passou o tempo apenas deitado na cama, adormecendo e acordando várias vezes. Quando voltou a si de verdade, o sol já tinha se posto e a penumbra começava a cair.
“Uugh……” Juliet, que tentava se virar, soltou um gemido.
Embora estivesse claro que tinha dormido o dia todo, seu estado físico continuava o pior possível. Espremendo todas as forças do corpo para conseguir se sentar, Juliet acabou exausto e sem energias só com esse gesto.
Haa, haa.
Enquanto seus ombros subiam e desciam para recuperar o fôlego, um som familiar de repente chegou aos seus ouvidos.
……Passos.
Os únicos passos que ele costumava ouvir enquanto permanecia confinado.
Eram os passos de Dominic Miller.
Ao perceber isso, Juliet ficou aterrorizado e apressadamente encolheu o corpo, olhando ao redor. Os passos estavam se aproximando cada vez mais.
É claro, em direção ao quarto de Juliet.
Sem saber o que fazer, Juliet apenas puxou a coberta até o pescoço e ficou tremendo debaixo dela. Apenas o som dos passos já o consumia de medo. Tremendo sem parar, Juliet não tinha escolha a não ser rezar para que ele simplesmente passasse direto.
Que não estivesse vindo vê-lo.
Mas esse era um desejo completamente inútil. Com um clique, ouviu-se o som da porta se abrindo, e um suspiro de desespero escapou da boca de Juliet. Em seguida, o som assustadoramente impecável de saltos de sapato ressoou pelo quarto.
Juliet apenas olhava para ele se aproximando, tremendo incontrolavelmente.