Capítulo 21
O edifício alto, dito estar entre os 10 “prédios mais bonitos”, impunha uma sensação considerável de intimidação por si só. Depois de confirmarem a altura do prédio com os próprios olhos do lado de fora, dois homens entraram admirados.
“Como será a sensação de trabalhar em um lugar como este?”
Enquanto subiam pelo elevador após confirmarem suas identidades na recepção, um dos homens puxou conversa. O outro homem respondeu com uma expressão indiferente, olhando apenas para a frente.
“Deve ser a sensação de sugando o sangue dos outros.”
O homem que puxou conversa primeiro pigarreou, parecendo sem jeito.
“Mas por que um advogado que trabalha em um escritório de advocacia tão bom desses acabou desaparecendo?”
Diante da pergunta feita como quem tenta mudar de assunto, o outro homem respondeu ainda em um tom desinteressado.
“Não era para descobrir isso que nós estamos fazendo isso?”
Nesse momento, o som de chegada do elevador ressoou.
“Olá, fui avisada sobre a vinda de vocês.” Após mostrarem suas identidades, a secretária os guiou com um sorriso.
Na porta em que ela bateu, havia uma placa com o nome “Miller”. Quando a porta se abriu, um homem inexpressivo entrou primeiro, e o outro homem engoliu em seco antes de segui-lo.
“Olá, Sr. Miller. Obrigado por nos receber.”
Quando o veterano que entrou primeiro falou, Dominic Miller, que contornava a mesa, estendeu a mão. Os dois detetives apertaram sua mão alternadamente e, após se cumprimentarem, foram diretos ao ponto.
“Como informamos previamente, estamos investigando o caso do desaparecimento do advogado Ashley Dawson. Por acaso o senhor sabe de algo?”
Diante da pergunta cortês do veterano, Dominic abriu a boca dizendo “Vejamos”.
“Não houve nada de especial. A última coisa que ouvi foi que ele iria se casar, mas disseram que a partir de certo dia ele deixou de vir trabalhar.”
“Sim, está correto. Foi isso mesmo.”
Até aí já era o que havia sido apurado pelos registros telefônicos e paradeiro. O detetive continuou com as perguntas para descobrir se havia algo mais.
“Pelo que sabemos, o Sr. Miller trabalhou por um bom tempo no escritório anterior. Soubemos que recebeu muitas propostas de transferência, mas recusou todas. Qual foi o motivo para aceitar a proposta de Ashley Dawson?”
Dominic estreitou os olhos.
“Para um interrogatório tendencioso, isso não está transparente demais?”
Ao ouvirem isso, os detetives deram uma risada sem jeito e coçaram a cabeça. Dominic, sem querer prolongar o tempo desnecessariamente, continuou a falar de bom grado.
“Como disseram, eu estava na mesma empresa há muito tempo e queria mudar de ar, justamente quando veio a proposta. Se fosse para mudar de empresa, seria possível a qualquer momento, mas não é fácil encontrar uma empresa adequada. Se fosse do nível da H&J, era algo aceitável, por isso aceitei.”
“Para quem diz isso, disseram que não houve nenhuma condição em relação à transferência.”
O detetive estreitou os olhos e encarou o rosto dele como se o estivesse sondando. Dominic acariciou o queixo como se houvesse algo o incomodando, olhou para outro lugar e, no momento em que julgou ter feito uma pausa suficiente, abriu a boca.
“Na verdade, havia uma condição. Provavelmente a empresa não sabe.”
Com as palavras dele, o detetive veterano murmurou “Hmm”, coçou acima da sobrancelha e perguntou sutilmente: “Poderia nos dizer qual era? Por acaso não é algum segredo da empresa nem nada do tipo, é?”
Aos detetives que acrescentaram uma risada de “haha”, Dominic deu um leve sorriso, mas não respondeu. Quando o novato, envergonhado, murmurou “hmm”, pigarreou e virou a cabeça, o detetive veterano fez “hmm”, coçou acima da sobrancelha e falou seriamente:
“Sr. Miller, já que ambos somos pessoas ocupadas, vamos direto ao ponto. O senhor dormiu com Ashley Dawson?”
Dominic encarou-o em silêncio. Era uma pergunta que revelava abertamente o preconceito que a maioria das pessoas tem em relação aos Dominantes. O de que, por terem uma natureza promíscua, eles transam sem se importar com quem quer que seja o parceiro.
Infelizmente, como era fato que ele havia dormido com Juliet, Dominic não teve escolha a não ser aceitar esse preconceito.
Em seu íntimo.
“Essa é uma pergunta excessivamente pessoal.”
Ao soltar uma frase cujo significado podia ser claramente entendido, embora esquivasse sutilmente da resposta, o detetive, como era de se esperar, franziu o nariz e fez uma expressão de quem havia compreendido.
“O que aconteceu? Por favor, fale francamente, qualquer conversa ajudará na investigação.”
“Por favor.” O novato ao lado também apoiou.
Dominic franziu profundamente o cenho e, fingindo estar imerso em pensamentos para ganhar tempo, soltou um suspiro profundo.
“Ele também é apenas uma pessoa comum. Assim como vocês.”
“O que isso quer dizer?” O veterano franziu o rosto e o novato ficou desconcertado.
Dominic olhou para o veterano e respondeu: “Por eu ser um Alfa Dominante, pareciam pensar que eu aceitaria incondicionalmente se a condição fosse sexo. Mas ele não dormiu comigo.”
“Por que não?” O novato se intrometeu. “Dawson tinha uma aparência muito boa, não fazia o seu tipo?”
Olhando para o rosto cheio de curiosidade dele, Dominic disse: “Fazia o meu tipo, sim.”
O veterano, que fazia um sinal com os olhos para conter a atitude precipitada do novato, olhou para ele surpreso.
“Não, então por quê…?”
Dominic deu um sorriso amargo e respondeu: “Ele não é um Gamma?” Com essa frase, o novato soltou uma breve exclamação como se tivesse entendido. Dominic direcionou o olhar para o veterano e continuou: “Feromônios não funcionam em Gammas, então dá muito trabalho. Por que eu teria tanto trabalho por causa de uma única transa?”
A última frase estava cheia de deboche.
Por isso, os detetives conseguiram imaginar sem dificuldades a cena de Juliet sendo envergonhado e expulso. Hmm, o veterano pareceu refletir novamente por um instante e repentinamente virou a cabeça.
“Certo… isso quer dizer que havia outra pessoa?”
Lembrando-se tardiamente da palavra peculiar usada por Dominic, o detetive perguntou, e Dominic respondeu com indiferença: “Isso eu também não sei.”
Ele acrescentou em um tom profissional: “Ele apenas me disse isso enquanto tentava me seduzir. Disse que eu não era o primeiro.”
Ao mentir, a melhor coisa a se fazer é misturar a verdade.
Agora é certo que os detetives investigarão os relacionamentos masculinos de Juliet. Sendo assim, o passado dele virá à tona e a direção da investigação seguirá por um caminho completamente errado.
Como esperado, os olhos dos detetives brilharam como se estivessem empolgados.
Parecia quase possível ver a cena deles se alegrando por terem conseguido uma nova pista e indo atrás dela. Embora, é claro, não vá haver nada no final disso.
Achando que não era hora para aquilo, o veterano se apressou para se preparar para ir embora.
“Ouvimos dizer que o senhor tirou férias bem longas antes de se transferir, que inveja. Por acaso chegou a fazer alguma viagem?”
À pergunta feita por mera cortesia, Dominic respondeu sem dar muita importância: “Apenas descansei em casa. Não fiz nada demais.”
“Entendo. Muito obrigado por falar conosco, vai ajudar bastante na investigação.”
Os dois detetives apertaram a mão dele alternadamente e saíram do escritório.
“Isso é incrível, não é? Quer dizer então que o Juliet era gay?”
Diante do comentário do novato, o veterano respondeu olhando apenas para a frente enquanto caminhava: “Não dá para saber. Teremos que investigar, ele pode ser bissexual também.”
“Bom, afinal ele também tinha uma noiva.” O novato perguntou logo em seguida: “O Dominic Miller parece não ter nada a ver com isso, né? Se houvesse algo, ele teria perguntado sobre o andamento da investigação ou algo assim, mas não fez nada disso.”
“Parecia não ter muito interesse na investigação em si. Acho que só nos recebeu porque recusar a visita seria mais incômodo.”
O novato concordou com as palavras do veterano e acenou com a cabeça.
“Para começo de conversa, como ele é um Gamma, os feromônios não funcionam nele. Não seria fácil para o Dominic Miller fazer algum mal a ele, já que ele nem consegue sentir nada.”
“Pois é. Até dentro do escritório o cheiro adocicado estava fortíssimo…”
Quando o veterano franziu o rosto e apertou o botão do elevador, o novato rapidamente concordou: “É verdade, esse é o feromônio de um Dominante, não é? Foi a primeira vez que senti e fiquei surpreso. Não imaginei que seria tão doce…”
Eles continuaram tagarelando enquanto desciam pelo elevador.
Um funcionário fofoqueiro, que ouviu a conversa deles por acaso, voltou apressadamente ao escritório e espalhou o que tinha ouvido. Mas, sem saber absolutamente nada sobre esse fato, os passos deles ao deixarem o prédio estavam mais leves e rápidos do que nunca.
***
Em seu campo de visão vazio, ele avistou a detestável parede de cimento. Não sabia dizer quantos dias haviam se passado desde então. Poderia ser uma semana, um mês, ou talvez nem mesmo um único dia tivesse se passado.
Todas as vezes, Juliet acordava em uma cama suja, completamente coberta de sêmen e fluidos corporais. Diante do interior do quarto, que não parecia em nada diferente do que vira antes de perder a consciência, lágrimas de desespero acabaram escorrendo por seu rosto.
Dominic derramara seu sêmen dentro de Juliet repetidas vezes.
Embora ele não pudesse sentir os feromônios, a partir de certo momento, talvez pela quantidade de sêmen acumulada em seu ventre, um cheiro acre subiu, deixando-o enjoado.
Pouco antes de perder a consciência, ele realmente pensou que iria morrer. Mas, vendo que havia aberto os olhos novamente, parecia que ainda não estava a ponto de morrer.
Tudo bem, ainda não me transformei.
Ele se esforçava para espantar os pensamentos pessimistas. O único cheiro que ele ainda conseguia sentir era o cheiro frio do cimento. No entanto, se continuasse exposto aos feromônios dessa maneira, por mais forte que fosse sua resistência, o pior cenário acabaria acontecendo.
Se isso acontecer, o que eu faço?
Será que ninguém virá me procurar?
Com certeza um boletim de desaparecimento foi feito. A polícia deve estar me procurando. Tudo bem, eu só preciso aguentar. Alguém virá. Eles vão me encontrar.
Com certeza.
Com certeza…
Só mais um pouco… depois de dormir mais um pouco…
Sem conseguir concluir seus pensamentos, ele caiu no sono.
O aroma adocicado, que antes era sentido de forma tênue, estava se impregnando profundamente sobre sua pele.