Capítulo 20
“Haa, haa…” Juliet arfava com os ombros oscilando.
Era um absurdo.
Lamber aquilo? Ele?
“Não……”
“Quer que eu tire as algemas?” Dominic perguntou, interrompendo a recusa dele. No mesmo instante, Juliet ficou confuso e perdeu a fala. Dominic continuou a falar com ele: “Se quer que eu tire, lamba. Sugue com os lábios e deixe limpo, aí eu tiro.”
“M-mentira.” Juliet não foi enganado facilmente. Ele ainda estava cheio de medo, mas não a ponto de perder completamente a razão. “Não diga coisas que não sente de verdade, você nem tem intenção de me soltar.”
Quando Juliet recusou firmemente, Dominic deu um sorriso debochado.
“Eu não disse que ia te soltar.”
Juliet parou ao ouvir aquilo.
Olhando para os olhos vacilantes dele, Dominic acrescentou: “Eu prometo, se você me obedecer, eu tiro as algemas.”
Será que podia confiar nessas palavras?
Mas não é como se houvesse outra opção. Juliet tinha que se agarrar desesperadamente mesmo à menor esperança. Por fim, sem escolha, ele abriu os lábios.
“……É sério?” Juliet já estava vacilando.
Olhando para as pupilas dele, que perderam a confiança e ficaram turvas, Dominic deu um sorriso sutil.
“Eu prometo.” A glande de Dominic tocou os lábios de Juliet.
Juliet tentou resistir mantendo os lábios bem fechados, mas seu coração já havia se inclinado para um dos lados.
Por fim, os lábios relutantes se abriram aos poucos. Assim que ele abriu uma pequena brecha enquanto tremia, Dominic de repente enfiou o membro dentro da boca dele.
“Uh, ugh, ufp!” Juliet se debateu emitindo um som abafado.
Diante da imensa pressão que preenchia totalmente sua garganta, lágrimas transbordaram por reflexo. Ele queria sacudir o corpo todo, mas era impossível com os membros amarrados. Tudo o que podia fazer era sacudir a cabeça sobre a cama.
“Haaah……” Sobre Juliet, Dominic soltou uma longa respiração. Tendo metido metade do membro, ele parou de se mover. “Sua garganta engole tão bem quanto o buraco de baixo, Juliet.”
Olhando para Juliet, que se encolhia sem conseguir emitir nem um gemido, Dominic continuou.
“Seus buracos, seja o de cima ou o de baixo, foram feitos para receber pau, não é? Caso contrário, não faria sentido você sugar de forma tão gulosa. O que você acha?”
Ele balançou o quadril e chacoalhou o membro, como se estivesse pressionando por uma resposta. A cabeça de Juliet balançou junto, e um gemido doloroso vazou. Ouvindo o som fraco, Dominic deu uma risada entre respirações afofadas.
“É, eu sabia que você pensaria o mesmo.” Ele agarrou o cabelo de Juliet com uma das mãos enquanto apoiava a outra na parede. “Porque você é como eu.”
Sussurrando com uma respiração quente, ele imediatamente começou a mover as mãos com violência. O cabelo de Juliet, preso pelo aperto, balançava sem parar para frente e para trás. Toda vez que a cabeça chacoalhava, o membro que estava cravado lá dentro saía e voltava a se enfiar, preenchendo o esôfago.
“Haa, ha, haa, haa.” A respiração rápida de Dominic vazava misturada a gemidos.
Tirando a mão da parede, ele segurou a cabeça de Juliet com as duas mãos. O membro forçava o alargamento do esôfago apertado enquanto entrava. Mais fundo, mais fundo, até que os pelos pubianos ásperos de Dominic finalmente se roçaram contra os lábios de Juliet.
“Haaah……”
Junto com um longo gemido, Dominic parou os movimentos. As duas mãos continuavam segurando a cabeça de Juliet com força. O menor sentiu a sensação da ejaculação entrando em seu corpo, mas sem poder escapar, teve que receber tudo.
“Muito bem, Juliet. Agora você recebeu minha semente por cima também.” Após terminar a longa ejaculação, Dominic retirou o membro da boca de Juliet e sussurrou.
Contudo, Juliet tossia dolorosamente e não conseguiu entender nada do que ele disse. Ele queria vomitar, mas não saía nada. O sêmen não conseguiu voltar pelo esôfago e foi absorvido para dentro do corpo dele.
“Agora, agora deu…… né? Solta… minhas mãos……” Juliet resmungou com uma voz extremamente exausta.
Estava tão doloroso que ele queria perder a consciência imediatamente, mas não podia fazer isso agora. Era a vez de receber a recompensa por ter suportado aquele tempo de dor.
Até o momento em que olhou para Dominic com os olhos cheios de esperança, Juliet não duvidou.
Ele achou que Dominic cumpriria a promessa.
No entanto, Dominic não soltou os pulsos de Juliet. Pelo contrário, começou a pressionar o pescoço dele e a esfregar o membro novamente na parte de baixo.
“O que você tá fazendo? V-você disse que ia soltar minhas mãos!”
Juliet, tomado pelo desespero, gritou. Na verdade, ele achou que tinha gritado, mas foi apenas uma voz rouca e baixa como o zumbido de um pernilongo.
“Por favor.” Ele implorou fervorosamente com a voz enfraquecendo. “Você prometeu. Por isso… solta minhas mãos. Eu fiz o que você mandou……!”
Diante do apelo desesperado, Dominic ergueu a cabeça. Seu rosto estava cheio de sarcasmo.
“Bom, eu não disse que ia soltar as suas mãos.”
No mesmo instante, o rosto de Juliet empalideceu completamente. Vendo-o paralisado de desespero, Dominic soltou uma curta risada.
“Eu já te disse, eu atuo tão bem quanto você.”
“S-seu……!”
Desespero e raiva envolveram Juliet em um único instante. Ele tentou mordê-lo, mas Dominic se esquivou do ataque com facilidade. Arfando pesadamente, Juliet se arrependeu. Não deveria ter confiado nesse homem desde o início. Abrir a boca docilmente e fazer o que ele mandava; haveria maior estupidez que essa? Ele queria voltar no tempo.
Se ao menos pudesse voltar àquele momento, se pudesse.
Diante do olhar de Juliet, que o encarava cheio de raiva, Dominic sorriu ainda mais friamente.
“Pensou ‘eu devia ter mordido’, não foi?”
Juliet queria rogar pragas contra ele, mas antes disso Dominic se moveu. Tomado pela confusão e pelo medo do que ele pretendia fazer a seguir, Juliet o observava quando Dominic, segurando um de seus tornozelos, tirou algo do bolso da calça. Ao ver aquilo, Juliet não conseguiu conter a urgência e perguntou apressadamente:
“O-o que tá fazendo? O que é isso……?”
Dominic não respondeu e levou o objeto até o tornozelo de Juliet. Com um clique e um pequeno som metálico, o pedaço de ferro que apertava seu tornozelo caiu no chão. Diante do fato de que a algema fora retirada, Juliet prendeu a respiração de surpresa. Enquanto ele piscava os olhos várias vezes sem conseguir acreditar se aquilo era verdade, Dominic zombou em tom calmo:
“Eu fiz uma promessa, então tenho que cumprir.”
Só então Juliet compreendeu.
Dominic tinha dito desde o começo que tiraria as algemas, mas nunca disse que soltaria os braços. Ao perceber que foi enganado por um jogo de palavras e perdera a razão, ele recuperou a lucidez no mesmo instante.
Agora é a chance……!
Ele tentou erguer o pé que estava livre para chutá-lo, mas Dominic colocou força na mão que segurava seu tornozelo e o prendeu firmemente, fazendo-o apenas se encolher. Quando a oportunidade se esvaiu e ele soltou um gemido de lamentação, Dominic sorriu.
“Não se preocupe, não vou te amarrar de novo. Vou tirar o resto das algemas também.”
Diante das palavras proferidas como se fossem um favor, Juliet se surpreendeu mais uma vez. Vendo-o confuso, Dominic acrescentou:
“Antes disso.”
Em seguida, com a mão livre, ele segurou o pé de Juliet. E, sem hesitar, torceu o tornozelo dele.
“Ah…… ahhhhhh!”
O grito cruel de Juliet preencheu o quarto.
Foi como se a eletricidade dentro de sua cabeça tivesse sido desligada; após um instante de escuridão, uma dor colossal o atingiu.
“Ah, haa, ahhhhh……”
Molhando o rosto todo com as lágrimas que transbordavam rapidamente, Juliet urrava. Uma dor daquelas era a primeira vez em sua vida. Ele sentiu que literalmente morreria. Deixando Juliet chorando sem parar, desta vez Dominic segurou o outro tornozelo.
“E-espera, para com isso, não faz isso!”
Logo em seguida, assim que a algema foi retirada, Juliet gritou desesperadamente. Ficou escancaradamente óbvio o que aconteceria a seguir.
Juliet lutou com todas as suas forças para empurrar a mão dele e se esganiçou.
“Para com isso, dói! Dói……! Minhas pernas, para! Eu não vou conseguir andar……!”
Dominic, que observava Juliet gritar e chorar fixamente, abriu a boca.
“Está tudo bem, Juliet.” Ao contrário de Juliet, Dominic falou com uma voz extremamente serena. “De qualquer forma, quando você se transformar não vai conseguir andar mesmo, então não vai precisar disso.”
Seguiu-se o som estalado de ossos se desencaixando. E desta vez, Juliet perdeu a consciência por completo.
Contudo, nem mesmo desmaiar lhe foi permitido. Junto à sensação que pontava sua parte inferior da barriga, Juliet abriu os olhos.
E uma dor avassaladora se seguiu.
“Ah, ah, ahhhh!” Gritos bem distantes de simples gemidos irromperam em sequência.
Toda vez que Dominic estocava por baixo, seu corpo inteiro chacoalhava e os tornozelos quebrados balançavam soltos. A dor se espalhava pelo corpo todo, impedindo-o de respirar.
“Uh, huuk, huuk……” Soluçando, Juliet encarou Dominic. Seus olhos cheios de lágrimas estavam transbordando de ódio. “Seu desgraçado…… eu vou te matar……”
Dominic sorriu e moveu o quadril. Diante do membro que forçava a entrada e se enfiava rasgando a fenda, Juliet gritou mais uma vez. Arfando, Dominic falou com uma voz divertida.
“É uma pena que este lado não tenha dentes.” Assim que terminou de falar, ele empurrou o quadril com força, cravando-se de uma vez até o fundo dentro de Juliet.
“Ahhh……”
Dominic olhou para baixo, observando Juliet tremer levemente com o choque repentino, e sussurrou: “Mas não se preocupe, porque não existe boca de baixo que engula tão bem quanto esta.”
Soltando uma risada baixa, ele voltou a mover os quadris.
A ejaculação se repetiu várias vezes, mas Juliet não podia fazer nada além de abrir as pernas e receber o sêmen dele até encher o seu ventre.
***
“Ah, aah… uh… ugh…” A consciência retornou junto a um gemido doloroso.
Ele estava abandonado sozinho na cama. A primeira coisa de que se deu conta foi a dor no tornozelo. Era uma sensação de queimação ardente, como se estivesse sendo queimado pelo fogo, tornando difícil para Juliet até mesmo respirar.
Meu tor… nozelo…
Juliet direcionou a mão trêmula em direção ao tornozelo, mas a dor disparou como uma descarga elétrica com um simples e leve toque, fazendo-o soltar um grito.
“Ugh, hnngh, ugh…”
Lágrimas que brotaram espontaneamente logo banharam seu rosto. Enquanto soluçava, ele sentiu de repente uma sensação estranha. Ao hesitar e levar a mão com dificuldade para trás, algo foi tocado pela ponta de seus dedos.
Ao se dar conta de que o sêmen que transbordou de seu orifício havia encharcado suas virilhas e estava secando e grudando ali, ele soltou outro grito.
“Por quê, por que isso, por quê?!” Juliet caiu em prantos, desabafando em um clamor desesperado.
Por que eu tenho que passar por isso? Por quê, se eu apenas fiz o meu melhor para viver? Eu só estava tentando sobreviver. Eu não sou como você, não sou o mesmo tipo de ser humano que você. Eu não fiz nada tão mau a ponto de merecer passar por isso…!
Mesmo negando continuamente, seu coração não pensava assim no fundo. Ele carregava um sentimento de culpa constante.
Atender ao desejo dos pais era algo tão grandioso assim? A ponto de usar os sentimentos de outra pessoa para o próprio benefício? Se fosse o caso inverso, eu conseguiria deixar passar sem problemas?
“Você é igual a mim.”
“Não.”
Com o sussurro de Dominic, Juliet cobriu o rosto com ambas as mãos e soluçou.
“Não sou…!”
Ele chorou e soluçou por um longo tempo devido à dor no tornozelo e ao arrependimento do passado.
***
“Ah, aah, uh, aah.” Toda vez que o homem se chocava contra seu corpo por trás, sons sem sentido vazavam de sua boca.
Juliet estava deitado de bruços, olhando para a parede com olhos vazios. Com os membros caídos e inertes, recebendo o homem por trás.
Desta vez também, Dominic despejou seu próprio sêmen no orifício de Juliet de maneira assustadoramente fria e insensível, porém, por outro lado, mais apaixonada do que qualquer um.
O som do saco escrotal colidindo contra as nádegas ressoava molhado. Embora nenhum fluido saísse de seu orifício, este, que já havia recebido bastante do sêmen dele, derramava o esperma aos poucos, como se estivesse escorrendo lubrificante.
Juliet já tinha chorado tanto que nem sequer saíam mais lágrimas.
Dominic havia tirado todas as algemas como prometido, mas Juliet não conseguia nem se mexer na cama. Com os dois tornozelos quebrados, não era nada fácil se mover, quanto mais andar. Os tornozelos assustadoramente inchados pulsavam e transmitiam uma dor colossal a cada respiração.
Ele chegou a pensar que seria melhor se cortassem suas pernas de uma vez para se livrar daquela dor.
Não era possível saber quanto tempo havia se passado naquele estado. Uma semana, um mês, ou talvez nem mesmo um dia inteiro tivesse se passado.
Ou talvez já fossem dois meses.
Embora não pudesse saber a hora de jeito nenhum, Juliet definiu as regras por conta própria. Se Dominic saísse e voltasse novamente, contaria como um dia. Sendo assim, aproximadamente dois meses já teriam se passado.
Na verdade, essa era uma conta sem sentido.
As férias que Dominic tirou no escritório de advocacia eram de três meses. Se renunciasse à transferência, teria que pagar uma multa rescisória enorme, então ele não faria uma coisa dessas e voltaria ao trabalho na data certa.
Quando Juliet chegou à casa de campo de Dominic, ele já tinha usado quase um mês de férias. Se fosse assim, o tempo livre restante seria de, no máximo, dois meses. Por isso, era impossível que já tivessem se passado dois meses. Era muito mais convincente pensar que Dominic quase não saía do lado de Juliet e o violentava várias vezes ao dia.
“Ah, aah, aah.”
Com mais um som de estalo, Dominic cravou sua haste, que estava avermelhada a ponto de parecer escura, no orifício traseiro dele. Da boca de Juliet vazou um som semelhante a um gemido de dor.
Seu corpo chacoalhava e roçava no lençol conforme ele se movia. Mas ele não sentia nada disso. Apenas tinha que gritar de dor porque seus tornozelos, que vibravam a cada impacto, lhe causavam um sofrimento terrível.
As algemas que o prendiam já não existiam mais, porém os dois tornozelos quebrados eram correntes que o aprisionavam com mais força do que qualquer algema. Juliet apenas esperava que a dor passasse.
Esfregar a bochecha no colchão sujo e soltar sons fracos e sem forças era tudo o que ele podia fazer. Às vezes deitado de costas, às vezes deitado de bruços assim, sem conseguir nem se mexer enquanto recebia o sêmen.
Sem fim, continuamente.
“Umm…”
Finalmente, junto a um gemido de satisfação, Dominic parou de se mover. O sêmen inevitavelmente subiu e encheu seu interior. Misturando-se com o líquido ejaculado anteriormente, seu ventre agitou-se.
Juliet sabia muito bem que aquilo não era o fim.
Ele pensava vagamente que Dominic espremeria e retiraria todo o seu sêmen dentro de Juliet sem deixar uma única gota. Não era para menos, pois ele nem sequer tentava sair mesmo depois de ejacular, mantendo seu membro inserido por um bom tempo.
Somente após julgar que os fluidos corporais haviam sido absorvidos até certo ponto dentro do seu ventre é que ele finalmente retirava o membro, mas, como se não gostasse do sêmen que escorria naturalmente, dava tapas nas nádegas de Juliet para repreendê-lo. Então, Juliet precisava contrair as nádegas de qualquer maneira para tentar manter o sêmen dele guardado dentro de seu ventre.
Em outro dia, depois de receber o sêmen de Dominic até encher o ventre mais uma vez, Juliet caiu em prantos ao ficar sozinho.
Ele não conseguia suportar sua situação miserável.
Todos os dias eram a repetição da mesma rotina. Juliet comia sopa e pão uma vez ao dia e depois fazia suas necessidades no banheiro instalado em um canto. Com as mãos e os pés amarrados, ele tomava banho sob o jato de água, e mesmo isso acontecia no máximo uma vez a cada dois dias.
Como se fosse para evitar que o feromônio acumulado com tanto esforço fosse lavado, ele nem podia se lavar por muito tempo. Quando tudo terminava, ele se deitava novamente nu, abrindo as pernas.
E, assim, era mais uma vez completamente encharcado pelo feromônio de Dominic.
Até quando, afinal, teria que viver dessa maneira?
Dominic ficava com raiva dele, mas a raiva sempre acabava passando uma hora ou outra. O orgulho ferido se recuperaria depois de humilhar Juliet o quanto quisesse. Essa era a situação mais otimista que Juliet conseguia imaginar. No entanto, mesmo que esse cenário dos sonhos acontecesse, o problema era o que viria depois.
O que aconteceria em seguida?
Pensando friamente, não fazia sentido simplesmente libertar alguém que foi sequestrado e mantido em cativeiro. Se Juliet porventura o denunciasse, ele seria preso pela polícia e isso se transformaria em um escândalo enorme.
É claro que aquele homem poderia usar seu dinheiro e poder para escapar de qualquer jeito, mas será que ele se daria ao trabalho de passar por um processo que jamais seria agradável?
Seria muito mais fácil simplesmente matá-lo e enterrá-lo, sem que ninguém soubesse.
Apenas imaginar isso já o fazia arrepiar de pavor. Ele não podia ficar apenas esperando que aquele homem o libertasse de boa vontade.
Tenho que fugir de qualquer jeito. Mas como?
Como se quisesse lembrá-lo da realidade em meio à sua mente sombria, os ferimentos em seus tornozelos latejavam. Choramingando, ele acariciou os tornozelos com as mãos trêmulas.
***
Mais alguns dias se passaram. Juliet aos poucos estava ficando dormente em relação à sua situação. Agora, ele apenas pensava que seria bom se não sentisse dor.
Quando estava sozinho, seu corpo todo latejava e gemidos vazavam involuntariamente. A pele ficava grudenta e ressecada, coberta por sêmen seco, e o interior de seu ventre parecia constantemente pesado devido ao sêmen recebido incontáveis vezes. Suas coxa, onde o membro era esfregado com frequência, estavam dormentes, e seu orifício, dilatado ao limite, não tinha sensação alguma.
O rosto com lágrimas secas ardia, mas ele nem conseguia limpá-lo com as mãos.
Por mais que despejasse uma enorme quantidade de sêmen, um Gamma não engravida. A finalidade do sêmen acumulado dentro dele era transformá-lo. Quando Juliet se transformasse em um Ômega, só então o sêmen cumpriria a função adequada ao seu propósito.
Gravidez.
Juliet previa que esse ato continuaria se repetindo até lá. Ele teria que continuar recebendo o sêmen sem parar até receber a semente de Dominic e engravidar de um filho dele.
A semente daquele homem odioso.
Contudo, se um Gamma se transforma, ele morre. Especialmente se engravidar, a probabilidade de morte é ainda maior.
Portanto, o que Juliet estava suportando agora não era apenas o sexo em si com Dominic. Ele tinha que lutar também contra o pavor da morte.
No entanto, ele foi se tornando cada vez mais pessimista. Dominic não baixava a guarda nem por um segundo. No ambiente espaçoso e vazio, era impossível encontrar qualquer objeto que pudesse servir de arma, nem mesmo uma fiada de linha, mas, mesmo que houvesse algo, com os tornozelos quebrados ele não conseguiria fazer nada.
Tudo o que ele podia fazer era deitar e fantasiar.
Pensar ajudava a esquecer a realidade miserável e a dor. Ele se esforçava para trazer à mente pensamentos agradáveis: o que faria primeiro e para onde iria assim que saísse dali.
Em primeiro lugar, queria ir de férias para a Costa Oeste.
Se relaxasse recebendo o sol quente, tudo isso pareceria um sonho. Tomar um coquetel doce e se bronzear. Deitar em uma espreguiçadeira e ver o pôr do sol também não seria nada mau. E, em uma cama confortável… dormir…
Enquanto fazia essas fantasias sem sentido, ele pegou no sono e, em pouco tempo, já estava respirando de forma profunda e regular.