Capítulo 7
Dominic encarou o homem com uma expressão inexpressiva. Em contraste com ele, o homem de rosto sorridente começou a falar com um tom suave.
“Não esperava encontrá-lo em um lugar como este a esta hora. O que o traz… ah.” Juliet, que só então percebeu a gaze cobrindo um lado da testa de Dominic, ficou momentaneamente com uma expressão desconcertada.
No entanto, ele já tinha ido longe demais para fingir que não tinha visto e simplesmente fugir. Juliet, que parecia hesitar por um instante, não prolongou muito o momento e deu o mesmo sorriso de antes.
“O senhor está indo para casa? Se estava tentando pegar um táxi, se importaria se eu lhe levasse?”
Dominic o encarou sem dizer nada.
Geralmente, em casos assim, as pessoas transbordam curiosidade sem conseguir escondê-la e fazem perguntas óbvias sobre o que aconteceu ou o quão grave foi o ferimento. No entanto, esse homem escolheu o caminho de ignorar. Ao ver que ele não fazia algo que destruísse a pequena relação que haviam construído com tanto esforço por causa de uma curiosidade fútil, parecia que sua cabeça não servia apenas de enfeite.
“Pode não parecer, mas sou um motorista sem nenhum histórico de acidentes até hoje. Tenho certeza de que será muito mais rápido e seguro do que um táxi.” Ele acrescentou com confiança, como se quisesse transmitir credibilidade.
A proposta dele não era má. Em vez de ligar para o seu secretário e mandar que viesse buscá-lo, seria muito mais rápido e conveniente voltar para casa usando o homem à sua frente. Dominic, com movimentos lentos, guardou o celular de volta no bolso do paletó.
“E o carro?”
Diante da voz calma, Juliet se movimentou imediatamente.
“Está estacionado logo ali. Vou buscá-lo num instante.” Dando um sorriso largo, ele logo se afastou em uma direção.
Seu corpo esguio parecia balançar para lá e para cá com o vento frio da noite, até que finalmente desapareceu. Dominic permaneceu parado no mesmo lugar, olhando por um tempo na direção em que Juliet havia sumido.
***
A estrada continuava completamente vazia. Como ele havia garantido com tanta confiança, as habilidades de direção de Juliet não eram ruins. O carro que ele dirigia também era razoavelmente suportável — embora não bloqueasse os ruídos e a trepidação com a mesma perfeição do carro de Dominic.
“O que foi fazer no hospital?” Depois de dirigirem por um bom tempo, Dominic de repente abriu a boca.
Com a voz que quebrou o silêncio repentino, Juliet pareceu um pouco surpreso por um instante, mas logo respondeu como se não fosse nada.
“Fui encontrar um cliente.”
“A esta hora?” Quando Dominic perguntou com um sorriso de canto, ele respondeu um “sim” e acrescentou:
“Um peixe pequeno como eu às vezes precisa ir pessoalmente atrás dos clientes. As pessoas que vão para a sala de emergência por causa de acidentes de trânsito são clientes potenciais.”
Como previsto inicialmente, parecia que o desempenho dele não era muito bom.
O fato de ele ter ficado encarregado de uma missão tão grande como essa talvez fosse apenas o caso de ter tido que assumir, sem escolha, um trabalho que todos evitam.
Talvez esse homem estivesse se esforçando sozinho para alcançar um resultado que ninguém esperava.
“E então, qual foi o resultado?” Diante da pergunta desinteressada, Juliet deu uma leve risada.
“Foi um grande sucesso. Afinal, eu encontrei você.” Ele fez uma brincadeira ousada direcionada a Dominic.
Dominic não sorriu. Apenas encarou Juliet com um rosto inexpressivo. Logo, Juliet pigarreou, parecendo constrangido. E o silêncio retornou. Coincidentemente, o sinal mudou e Juliet parou o carro. Embora não se visse nenhum outro carro passando, ele cumpria fielmente as leis de trânsito.
“É a primeira vez que vejo alguém que obedece a esse tipo de coisa ao pé da letra.”
Juliet respondeu ao comentário cínico.
“Achei que o senhor não gostaria de sofrer dois acidentes de trânsito em um único dia.” A seu modo, ele parecia ter tentado fazer uma piada, mas não foi algo que agradou a Dominic.
“Como você sabia?” A voz quieta de Dominic ecoou no silêncio.
Juliet pareceu perceber o próprio erro no mesmo instante, mas já era tarde demais. Ele soltou um suspiro desanimado, como um balão murchando, e finalmente confessou com sinceridade.
“Não há muitos motivos para alguém estar no hospital a esta hora… Além disso, vi o ferimento que parecia ter acabado de ser tratado.”
Sua cabeça havia funcionado razoavelmente rápido em um curto espaço de tempo. Afinal, ele era um homem que tinha ido ao hospital justamente mirando em pessoas assim. Em vez de fingir demência ou zombar dele dizendo que estava errado, Dominic fez outra escolha.
“Adivinhou bem.” Respondendo de forma curta, ele fechou a boca.
O motivo pelo qual parou de falar, em vez de deixar o outro desconfortável como costumava fazer, era simples. Com a fadiga que o atingiu de repente, Dominic acabou fechando os olhos.
*
Quando voltou a abrir os olhos, o carro ainda corria pela estrada. Piscando algumas vezes para ajustar o foco, Dominic logo reconheceu a rua familiar.
“Acordou?” Juliet perguntou no momento certo.
Dominic lançou-lhe um olhar de relance, mas ele continuava olhando para a frente enquanto perguntava.
“Fiquei preocupado pensando se o senhor não tinha perdido a consciência. Está tudo bem?”
Ele já tinha até esquecido do ferimento na testa, mas parecia que o homem estava preocupado com isso. Dominic respondeu com um tom indiferente.
“Estou bem. É só porque o rut está se aproximando.”
Juliet o olhou de relance e abriu a boca.
“Parece que os feromônios se acumularam.”
Ele falou com um tom de quem fingia entender do assunto, mas é claro que era um absurdo. Afinal, ele mal sabia o que eram feromônios, quanto mais o rut.
“Que tipo de festa você acha que eu fui?” Dominic perguntou com um sorriso cínico.
Juliet pareceu vacilar por um instante e respondeu a contragosto.
“……Uma festa de feromônios?”
“Você entende bem do assunto.” O tom era desinteressado como antes, mas desta vez o sarcasmo era evidente.
Juliet ficou em silêncio por um tempo com uma expressão constrangida e acabou confessando.
“Desculpe, eu realmente não entendo nada desse tipo de coisa.”
Deveria ser isso mesmo. Afinal, era um assunto que não tinha nada a ver com esse homem.
Pela vida inteira.
De repente, Dominic se cansou daquela conversa sem sentido. Falta muito para chegar? Quando ele olhou para o relógio em seu pulso, Juliet de repente murmurou.
“Deve ser difícil.”
Dominic, que estava olhando para o relógio, parou o movimento na hora. Ele se voltou para olhar para Juliet somente após um breve silêncio.
“……O quê?” Dominic perguntou com uma voz suave.
Não era um tom de quem estava interessado nem se divertindo, mas Juliet, sem perceber, continuou a falar enquanto olhava para a frente.
“Ter que expelir feromônios periodicamente fazendo tudo ao mesmo tempo, isso deve ser muito difícil……”
Enquanto falava, ele pareceu perceber o erro e rapidamente fechou a boca, mas era tarde demais. Uma tensão inédita até então tomou conta do interior do carro junto com o silêncio. Juliet demonstrou um claro constrangimento, mas logo soltou um suspiro profundo, como se estivesse desistindo.
“Peço desculpas, fui indelicado.”
Diante do pedido de desculpas formal e direto, Dominic ficou encarando o perfil do rosto dele. Juliet manteve a boca fechada, apenas esperando que o outro falasse primeiro.
“Você é.” Depois de um longo tempo, Dominic abriu a boca. Para Juliet, que parecia estar com as orelhas em pé de tão atento, ele perguntou em tom baixo: “Um Gamma, certo?”
“……Sim.” Ao reconfirmar o fato que já sabia, Juliet desviou o olhar de relance, como se tentasse adivinhar as intenções dele.
Inesperadamente, Dominic deu uma risada de canto. Vendo Juliet piscar os olhos, surpreso com a reação inesperada, Dominic falou: “Você nunca seria capaz de imaginar como alguém como eu vive.”
Uma vida onde se tem tudo é, por outro lado, o mesmo que não ter nada.
Como se pode ter e alcançar qualquer coisa, não há desesperar por nada. Uma vida puramente tediante.
“Bem.” Na orelha de Dominic, que olhava para fora da janela com um rosto indiferente, ecoou a voz de Juliet. “O senhor também não consegue imaginar de jeito nenhum como alguém como eu vive, não é?”
Dominic franziu as sobrancelhas e encarou o perfil do seu rosto. Embora com certeza estivesse ciente do seu olhar perplexo, Juliet mantinha um sorriso nos lábios.
“Sr. Miller, não tem intenção de passar por uma nova experiência?”
“Se está me dizendo para experimentar a sua vida insignificante, a resposta é não.” Dominic recusou a proposta de Juliet sem rodeios. “De forma alguma.”
“Puxa, que pena.”
O que seria uma pena?
De alguma forma, pareceu haver múltiplos sentidos naquela fala, mas Juliet não disse mais nada. Até chegarem ao condomínio onde Dominic morava.
Finalmente chegando ao destino, Juliet diminuiu a velocidade para encostar o carro na entrada, quando Dominic de repente abriu a boca.
“Um Gamma não fica em maior perigo se for exposto a feromônios?”
É claro que isso só se aplica no caso de ser exposto “em excesso”. Mesmo sabendo desse fato, ele fez a pergunta omitindo essa palavra de propósito, mas recebeu uma resposta clara e sem nenhum sinal de desconforto.
“Sim, por isso já estou indo embora.” Juliet se virou para olhá-lo com um sorriso, como se estivesse se despedindo.
Dominic, assim como ele, exibiu um sorriso. Obviamente, não era um sorriso que vinha do coração.
“Nada disso.” Com a voz calma, Juliet ficou desorientado. Enquanto ele piscava os olhos sem entender o que aquilo significava, Dominic repetiu mais uma vez. “Não vá embora.”
Juliet tentou dizer algo com uma expressão confusa, mas Dominic simplesmente o interrompeu.
“Você não disse que faria qualquer coisa?”
Como esperado, ele era rápido para perceber as coisas.
Dominic, achando graça da situação enquanto Juliet não conseguia rebater, fez um sinal silencioso com a mão e o guiou em direção ao estacionamento privativo dos moradores.
***
Ao entrarem no hall de entrada, as luzes se acenderam de imediato. Atrás de Dominic, que atravessava a sala como de costume, vinha o som de passos lentos e hesitantes.
“Com licença.” Para ele, que subia as escadas sem olhar para trás nem uma única vez, Juliet finalmente abriu a boca.
Só então Dominic parou os passos e olhou para baixo, enquanto Juliet, esticando o pescoço ao máximo na base da escada, falou.
“O que eu devo fazer agora?”
A resposta que veio para a pergunta feita a custo, após tanto segurar, foi simples.
“Espere.”
Dando uma ordem simples como se falasse com um cachorro, ele voltou a subir as escadas. Entrando direto no quarto, Dominic não saiu de lá até o final da manhã.
***
Talvez por ter tido uma noite bastante agitada, sua mente não estava clara mesmo depois de acordar. Soltando um gemido baixo, Dominic se levantou e ficou sentado por um momento. Não foi muito difícil recuperar as memórias da noite anterior.
Olhando de relance para o relógio, ele logo saiu da cama e vestiu um roupão sobre o corpo nu. Enquanto descia as escadas e atravessava o saguão, não sentiu presença alguma.
Fugiu?
Com um sorriso cínico, Dominic pensou: “Como esperado, não era nada demais.” Caminhando descalço em direção ao bar, ele pegou um copo no armário com familiaridade. Foi no momento em que levou a bebida recém-servida à boca.
“Bebendo logo de manhã?” Ele parou momentaneamente com a voz que surgiu de repente.
Surpreso como raramente ficava, ele franziu a testa e olhou na direção do som. O homem que ele achava que já tinha ido embora estava parado a poucos passos de distância, ao alcance de sua visão.
Como sempre, exibindo um sorriso educado.