Capítulo 6
“Ah, ah, ah… ha!” Gritos e gemidos desagradáveis ecoavam por toda parte.
Dominic Miller tragou a fumaça do charuto, franzindo levemente suas sobrancelhas bem desenhadas. Entre suas coxas, um ômega nu se esforçava para empurrar o pau dele até o fundo da garganta, tentando arrancar seu sêmen.
Arfando e puxando o ar pelo nariz, o ômega parou por um instante e voltou a mover a língua. Enquanto isso acontecia, Dominic nem sequer se mexia. Não expressava irritação empurrando a cabeça do outro, nem movia o quadril com impaciência; apenas permanecia ali sentado, como se tivesse se transformado em uma estátua.
Para o ômega, certamente não seria fácil tirar algum tesão daquele homem. Como esperado, o ômega babava pelo queixo e sacudia os ombros. Mesmo sendo nítido que estava no seu limite, ele não desistia. Dava para ver até mesmo sua determinação em conseguir o sêmen daquele homem a qualquer custo.
Foi quando Dominic, mostrando um claro sinal de tédio, franziu a testa e segurou a cabeça do ômega. Enquanto este tentava extrair o sêmen de forma mecânica, de repente alguém atrás falou com ele.
“Continua com essa mesma cara de tédio, Dominic Miller.” Ao olhar de relance, viu um rosto sorridente.
Era alguém com quem ele trocava algumas palavras de vez em quando ao frequentar festas de feromônios. Confirmando que se tratava de um “da mesma natureza” jogando conversa fora como de costume, Dominic voltou a cabeça para o outro lado com um ar indiferente.
“Não estão todos aqui na mesma situação?”
“É, tem razão.” O homem concordou facilmente.
Olhando para os corpos jogados por toda parte, encharcados de drogas e bebida, dava até vontade de bocejar.
“Ouvir dizer que vai mudar de escritório de advocacia?” O homem perguntou casualmente.
Ele tinha uma segunda intenção. Dominic pensou: Será que vai começar com mais conversas fiadas sem sentido?, mas desta vez parecia diferente. Dominic falou para o homem que levava à boca uma taça de vinho na qual havia tanto pó de droga que nem sequer tinha se dissolvido totalmente:
“Estou pensando no assunto.”
“O quê? Era verdade?” O homem arregalou os olhos, surpreso.
Era de se esperar, pois sempre que recebia esse tipo de pergunta, Dominic simplesmente desdenhava dizendo para não falar bobagens. O que ele disse agora não era o mesmo que uma confirmação?
“O que aconteceu? Teve algum problema no seu escritório atual?”
“Não, nenhum.” Dominic negou com um tom despretensioso, mas o homem parecia já ter tirado suas próprias conclusões.
Com os olhos estreitados em um tom de deboche, ele perguntou secretamente: “Então teve algo na proposta que te agradou. O que é? Tinha algum ômega incrível por lá?”
Em vez de responder, Dominic lançou ao homem um olhar que beirava o desprezo, como se dissesse: É só nisso que você consegue pensar?
“Não é nada demais. É xadrez.”
“Xadrez?” O homem perguntou, pego de surpresa.
Dominic tragou profundamente a fumaça do charuto e a soltou devagar.
“Ele tem uma habilidade razoável, então disse que se ele me vencesse, eu aceitaria a proposta de recrutamento.”
“Uau.” O homem soltou uma exclamação exagerada, parecendo muito surpreso. No entanto, sua expressão ainda demonstrava que ele não acreditava nas palavras de Dominic. “É só isso?”
“É só isso.” Dominic, que repetiu exatamente as palavras do homem, tragou a fumaça do charuto duas vezes seguidas e rapidamente.
Depois de soltar a fumaça e encostar a cabeça no encosto do sofá, o homem, que o observava fixamente, abriu a boca.
“Parece bastante divertido.”
“Eu?”
“É.” O homem assentiu prontamente. “Você está sorrindo.”
Dominic franziu a testa e olhou para ele. Sorrindo? Eu? Ele passou os dedos nos lábios enquanto segurava o charuto entre eles, mas não conseguiu perceber. Não era para menos, já que não tinha motivo algum para sorrir. Vendo a expressão desagradada de Dominic, o homem insistiu:
“Não é só um jogo de xadrez, é? O que é? O cara é extremamente bom nisso? Ele tem alguma habilidade impressionante? Fiquei curioso. Por que não traz ele para eu usar um pouco também?”
“Ele não serve para isso.” Dominic recusou o pedido friamente.
Naquele mundo, era comum compartilhar parceiros sexuais, então esse tipo de reação foi inesperado. Sem dar atenção ao homem que o encarava com olhos surpresos, Dominic continuou:
“Ele é um Gamma, então não dá para usá-lo desse jeito.”
“Bom, mesmo sendo um Gamma, não é como se fosse totalmente inútil… Tem droga caindo aos pedaços por aqui, não tem? Se misturar só um pouquinho no vinho e der para ele, os caras daqui vão se revezar fodendo ele e ele nem vai perceber.”
O homem riu com deboche, mas a reação de Dominic foi diferente.
“Para que se dar a esse trabalho todo?”
Vendo o rosto franzido de Dominic, o homem respondeu sem hesitar: “Em menos de uma hora o buraco dele já vai estar aberto deste tamanho, então dá para usar à vontade, mesmo sendo um Gamma. Com essa quantidade enorme de feromônios e a barriga cheia de sêmen, até um Gamma acaba se transformando. Três dias seriam mais do que suficientes, não? Ele já estaria todo molhado por conta própria. Ah, na verdade, ele acabaria morrendo, então acho que não daria certo.”
O que quer que achasse engraçado, o homem deu risadinhas, mas Dominic, em silêncio, tragou a última fumaça do charuto e o apagou esfregando-o no cinzeiro. Uma fileira de fumaça branca subiu em linha reta antes de se dissipar vagamente.
Em seguida, ele segurou a cabeça do ômega, que ainda o mordia por baixo e gemia, sacudindo-a com violência. Enquanto seu membro grosso e longo entrava e saía brutamente roçando no esôfago, o ômega soltava gemidos de dor e agitava os braços com agonia, mas Dominic não se importou e apenas repetiu o mesmo movimento.
Após continuar com aquele gesto indiferente por mais algumas vezes, ele parou de repente. Enquanto as marcas sutis em sua testa se aprofundavam por um instante, seus dedos longos e grandes pressionavam com força a cabeça do ômega.
Perto dali, ouvia-se um som fraco de algo descendo pelo esôfago ao ser engolido. Era o som do sêmen sendo engolido pela garganta.
Depois de permanecer imóvel por um tempo, ele largou o cabelo que segurava como se o estivesse jogando fora. O corpo nu, jogado sem forças no chão, contorceu-se como se estivesse tendo convulsões.
Estava claramente entorpecido por feromônios.
Atrás de Dominic, que se levantou indiferente e ajeitou as roupas, seguranças correram apressados para erguer o ômega caído no chão. Deixando para trás o corpo completamente amolentado que balançava sem forças sob os dotes das mãos afobadas ao redor, Dominic direcionou o olhar para o homem que esteve encostado no sofá até então.
“Não tenho a menor intenção de fazer algo tão incômodo só para expelir feromônios.”
“Tá bom, entendi. Já entendi.” O homem repetiu as mesmas palavras como se admitisse a derrota.
A expressão de tédio no rosto de Dominic era tão evidente que ele não pôde mais insistir. Somente após ouvir a resposta do homem é que Dominic finalmente deu um passo à frente. Quando ele se dirigiu à porta, o gerente surgiu de algum lugar e o seguiu rapidamente.
“Sr. Miller, já vai embora? Teve algo que não lhe agradou…?” Diante da pergunta apreensiva, Dominic nem sequer olhou para ele e disse curtamente: “Não particularmente.”
Com o gerente observando suas costas enquanto ele saía direto para fora, o funcionário mais próximo ligou rapidamente para o manobrista, pedindo em tom apressado para preparar o carro do cliente que acabara de sair. Ouvindo isso, o gerente finalmente relaxou os ombros. Um dos seguranças se aproximou rapidamente e relatou em voz baixa:
“Parece ser um choque por feromônios. Aplicamos os primeiros socorros e o levamos para a enfermaria.”
“Haaah.”
O gerente soltou um longo suspiro, como se já esperasse por isso. O funcionário que os observava ao lado só se aproximou para falar com o gerente depois que o segurança se retirou rapidamente.
“Choque por feromônios, assim do nada? Isso não acontece geralmente quando se inala feromônios em excesso? Não me pareceu que tenha sido algo tão grave…”
“O sêmen também contém feromônios.” O funcionário assentiu com a cabeça diante das palavras do gerente.
“Eu sei, por ser concentrado, uma única ejaculação pode liberar uma grande quantidade. É por isso que os Dominantes usam o sexo para liberar feromônios.” O gerente respondeu com um tom seco ao funcionário, que recitava com orgulho o conhecimento básico que havia adquirido trabalhando ali.
“Sim, mas mesmo entre eles, há casos em que a quantidade de feromônios é especialmente alta e densa.”
Como se dissesse “exatamente como aquele sujeito”, o gerente fez um sinal discreto com os olhos na direção em que o homem havia desaparecido. Só então o funcionário, que estava com uma expressão confusa, pareceu entender e perguntou com o rosto surpreso:
“Mesmo assim, ter um choque com apenas algumas ejaculações? E olha que era um ômega…”
Ômegas e Alfas são afetados pelos feromônios do parceiro, mas também possuem certa resistência. Era raro o caso em que a intoxicação por feromônios alheios chegasse ao ponto de provocar uma emergência.
Mesmo que o outro fosse um Dominante.
“Se a quantidade de feromônios for tão alta, liberar periodicamente ainda assim afetaria o cérebro, não…?” Ele quis dizer que aquele homem também devia ter sérios problemas de personalidade.
Diante da pergunta cautelosa, o gerente respondeu sem hesitar: “Com certeza.”
Depois de falar curtamente, ele logo franziu as sobrancelhas.
“Você não sabe quem é aquele homem? É o Dominic Miller.”
“Hein? Aquele advogado?” Inclinando a cabeça como se tentasse resgatar a memória por um instante, o funcionário logo arregalou os olhos.
O gerente falou com um tom ríspido: “Ele é conhecido como o melhor advogado que nunca perdeu uma causa, mas é igualmente famoso por ser cruel. Ele não se importa nem um pouco com as circunstâncias do oponente. Não importa o crime que o cliente tenha cometido, ele consegue livrá-lo usando uma lógica milagrosa, e no fim, só os vulneráveis sem dinheiro nem poder acabam perdendo tudo.”
Ele soltou um suspiro e murmurou como se falasse sozinho:
“E mesmo assim, aquele homem provavelmente não sente emoção alguma.”
***
Com um curto suspiro, Dominic reclinou a cabeça para trás. Ao afundar o corpo no banco do motorista do carro, o cansaço o atingiu de repente.
Por causa da sensação de esgotamento que costumava sentir após liberar feromônios, o cansaço sempre dobrava depois de ir a uma festa como essa. Ele queria voltar logo para casa e descansar. Pisando suavemente no acelerador, ele aumentou a velocidade.
A rua vazia, sem veículos indo ou vindo no ápice da noite, estava imersa em uma escuridão profunda. Enquanto acelerava sem hesitação, ignorando os números que subiam no velocímetro, uma sensação familiar o alcançou.
Nesses momentos, ele costumava se sentir como um peixe vagando no fundo do oceano.
Dizem que os peixes que vivem nas profundezas do mar têm os olhos atrofiados e quase não conseguem enxergar. De repente, ele se lembrou disso. Não eram todos assim?
Peixes apenas vagando pelo espaço negro que se estende sem fim no oceano profundo. Encolhidos na escuridão, esperando a presa se aproximar, até que sua carne tenra seja arrancada e suas barbatanas rasgadas por um predador, chegando ao fim da vida.
Claro que Dominic Miller não tinha a menor intenção de viver sem sentido de tal maneira. Como sempre fez até agora, ele continuaria vivendo como um predador. Dominando sobre os comuns e inferiores, exatamente como um jornalista o criticou ao chamá-lo de “tubarão-branco”.
“….Ah.” Um suspiro naturalmente exaltado escapou.
A razão era óbvia: o rut estava chegando.
Como costumava acontecer nessa época, ele sentia uma onda de calor por todo o corpo. Não importava quantas festas ele frequentasse sem falta, essa reação do corpo inevitavelmente aparecia.
Afinal, expelir feromônios regularmente não impedia a chegada do rut.
Não havia nada de especial. Quando chegasse a hora, a agência enviaria alguém, então bastava descansar depois que o rut passasse. Assim como ele sempre fez.
Quando outro suspiro entediado escapou, de repente pareceu que um feixe de luz se infiltrou na escuridão. Diante da luz brilhante que atravessou suas pálpebras fechadas por reflexo, ele franziu a testa sem perceber.
Ao abrir um pouco os olhos, viu um carro correndo em sua direção pelo lado oposto. Ele virou o volante bruscamente, mas não pôde evitar o impacto completamente. O veículo que cruzou a linha central colidir contra um dos lados do sedan em que ele estava foi algo que aconteceu logo em seguida.
***
Que merda.
Saindo do hospital, Dominic ia passar a mão pelo cabelo em tom de irritação, mas parou. Sentir o objeto estranho sob a mão deixou seu humor ainda mais complicado. Era a sensação da gaze espessa cobrindo sua testa.
Um acidente de carro do nada.
Para sua frustração, o acidente provocado por um motorista completamente bêbado acabou rasgando um lado de sua testa. Comparado ao motorista do outro carro, que perdeu a consciência e ficou em estado grave, ter apenas um corte na testa e algumas contusões pelo corpo podia ser considerado sorte.
O que não significava, de forma alguma, que o humor de Dominic estivesse bom.
Na verdade, não havia necessidade de todo esse escândalo de ir ao pronto-socorro, mas o sangramento estava consideravelmente forte, sendo uma escolha inevitável. De qualquer forma, após confirmar que não era nada grave, tudo o que restava era ir para casa. O restante dos trâmites sua secretária resolveria por conta própria.
“Ah……” No momento em que se lembrou de que não tinha um carro para voltar e passou a mão pelo cabelo de forma nervosa, ele se deu conta de mais um fato irritante.
No momento, ele não tinha nem um único cigarro barato consigo, quanto mais um charuto. Seu rosto se contorceu naturalmente ao se lembrar da caixa de charutos e dos charutos dentro dela, que encontraram seu fim dentro do carro destruído.
Ele sentiu que nada estava dando certo. Chamar a secretária ou pegar um táxi? Enquanto permanecia parado diante dessas opções, nenhuma das quais lhe agradava…
“Sr. Miller?” Diante da voz repentina, a mão que tocava sua testa parou no ar.
Não era possível.
Ele de repente teve vontade de checar o relógio. Ouvir essa voz em um horário em que jamais deveria ouvi-la, e em um lugar onde jamais deveria ouvi-la, com certeza era uma ilusão.
No entanto, como se debochasse de seus pensamentos, a voz dele ecoou novamente. Desta vez, mais perto do que antes e com uma pronúncia clara.
“Sr. Miller! Meu Deus, é realmente o Sr. Miller. O que faz por aqui?”
O homem o cumprimentou primeiro, perguntando em um tom visivelmente animado. Só então Dominic se virou para confirmar o rosto.
“……Dawson.” Ele murmurou com uma voz baixa, que parecia um sussurro.
Ao fim de seu olhar, Juliet estava parado com um sorriso radiante no rosto.
O vento frio da noite soprou por suas costas. No entanto, Dominic não percebeu. Ele apenas encarava Juliet em silêncio, parado em sua frente.
Era como se o mundo inteiro tivesse parado de se mover.