04.
Parecia que os batimentos cardíacos desordenados do homem estavam ressoando por toda a cobertura. Claro que isso era uma imaginação absurda e na realidade não se ouvia som algum, mas as pupilas trêmulas do homem voltadas para ele eram mais do que suficientes para expressar aquilo.
Dominic serviu mais bebida em seu copo vazio e abriu a boca.
“É brincadeira.” Ele acrescentou com um tom despretensioso e em seguida levou o copo à boca.
Como esperado, o homem ficou com uma expressão atordoada. Parecendo em dúvida se deveria rir por ter ouvido que era uma “brincadeira” ou se não deveria, não demorou muito para que ele contorcesse o rosto de forma ambígua. O homem acabou não tendo escolha a não ser fazer aquela cara típica de quem está indeciso.
Resolvendo a situação da forma mais neutra possível, ele deu uma pigarreada leve e começou a falar com um sorriso bastante sociável.
“Hoje é o seu dia de folga?”
Para ele, que tentou puxar assunto rapidamente, Dominic respondeu: “São férias. O julgamento acabou.”
“Ah, sim.” Vendo que Dominic aceitou o assunto que ele tentou iniciar com esforço, o homem não perdeu a oportunidade e continuou falando apressadamente. “Eu também assisti a esse julgamento. Como esperado do Sr. Miller. Tive muito o que aprender.”
Ao ver o homem sorrindo com os olhos compridos curvados pela metade, Dominic também relaxou os lábios.
“Você não é muito bom em adular.” O tom era suave, mas foi o suficiente para deixar o homem envergonhado.
No entanto, ele era um cara com mais persistência do que se imaginava.
“Estou continuando a me esforçar, então um dia ficarei bom nisso.”
Dominic olhou para o rosto do homem por cima do copo parcialmente inclinado. Ele sorria como se nada tivesse acontecido. Falsamente.
Interessante.
Dominic colocou o copo meio cheio sobre a mesa.
“Que tal uma proposta?”
“Sim, claro.”
Imediatamente, o homem se ajeitou e o encarou. Dominic deliberadamente fez uma pausa e acariciou a superfície do copo. O homem olhava fixamente para os lábios dele enquanto se moviam devagar. Sentindo como se pudesse ouvir o som do coração excitado dele em seus ouvidos, Dominic moveu os lábios lentamente.
“Juliet.”
No mesmo instante, o homem hesitou.
Ver o canto da boca que exibia um sorriso falso ficar rígido era extremamente prazeroso de se ver. Apreciando o segundo nome do homem em sua boca, ele perguntou:
“Se eu disser que quero algo, você fará qualquer coisa?”
“Qualquer coisa.” O homem respondeu rapidamente, espantando o choque e o desconforto.
Como um verdadeiro advogado, ele agarrou a presa diante de seus olhos em um piscar de olhos e olhou para ele de forma provocativa. Dominic apoiou as duas mãos na mesa e inclinou o corpo na direção do homem.
Uma respiração um pouco tensa tocou seus lábios. Parecia que, se colocasse a língua só um pouquinho para fora, poderia provar aquilo.
Aquele pedaço de carne corada, volumoso e macio.
Dominic ergueu uma mão e acariciou o colarinho da camisa social do homem. Os dedos que se moviam lentamente seguindo a linha roçaram naturalmente no pescoço dele. Apesar do movimento explícito, longe de estremecer ou parecer incomodado, o homem nem sequer se mexeu.
Até onde esse homem seria capaz de ir para fechar esse negócio?
Dominic percebeu que o aroma dos seus feromônios havia ficado denso em um instante.
Se aquele homem fosse um Ômega, teria entrado no Cio imediatamente. Ou, no mínimo, se fosse um Beta, com certeza estaria com o rosto corado sem saber o que fazer.
Contudo, ele continuava ereto, sem demonstrar reação alguma. A única coisa com que se importava no momento era a distância que havia encurtado demais entre ele e Dominic. Sem sequer saber que os feromônios dele estavam derramando por todo o seu corpo.
Os cílios do homem tremeram com hesitação. Quando piscou os olhos, estavam tão próximos que até a onda de ar gerada por esse pequeno movimento parecia um turbilhão feroz.
“Xadrez.” Dominic sussurrou.
Por um instante, o homem olhou para Dominic confuso. Ele piscou os olhos em dúvida sobre o que tinha acabado de ouvir e, após uma pausa de alguns segundos, finalmente abriu a boca.
“Xadrez…?”
A palavra que saiu da boca dele soou quase como “sexo”. Sentindo a parte de baixo do corpo ficar pesada de repente, Dominic olhou para o rosto do homem.
“Isso, xadrez.” Repetindo a mesma palavra, ele repassou a palavra “sexo” em sua mente.
Não seria nada mau ter sexo com esse homem. Provavelmente Juliet não recusaria. Não, ele não poderia recusar.
Mas não tinha intenção de ir tão longe.
Esse homem é um Gamma.
Na hora do sexo, ele não ficaria molhado atrás como um Ômega, e por isso seria necessário um esforço enorme para conseguir entrar naquele buraquinho insignificante. Só de imaginar o estado dele chorando de dor, parecia que não conseguiria ter uma ereção pelos próximos 10 anos.
O que ele queria no momento era apenas uma pequena diversão para aliviar um pouco desse tédio. Desde que o divertisse mais do que ver o homem chorando por perder no tribunal, ele não se importaria de mudar de escritório de advocacia quantas vezes fosse preciso.
“Xadrez…… E o que mais o senhor quer?” O homem perguntou assim que conseguiu se recompor.
Ficou claro que ele achava que esse era o menor dos requisitos. Claro que pensar assim era natural, mas ele estava enganado. Dominic respondeu com um sorriso leve.
“Isso é tudo.”
O homem ficou com uma expressão confusa novamente.
Esse homem está brincando de novo? Até quando vai continuar com essa piada sem graça e absurda?
Vendo que ele demonstrava exatamente o que pensava, Dominic ergueu a postura com calma. Para o homem que parecia ter perdido as palavras, Dominic continuou a falar.
“Quem ganhar três partidas primeiro, vence. Se você me vencer, mudo para o seu escritório como deseja. Mas se perder, a proposta deixa de existir.”
O homem não conseguiu continuar a falar, demonstrando claramente sua perplexidade.
Deixando-o lá enquanto ele tentava raciocinar rapidamente, Dominic esvaziou seu copo de vinho. Olhando para Dominic servindo mais bebida diretamente no copo, o homem, sem saber o que fazer, abriu a boca com dificuldade.
“A-Ah, com licença…… Quer dizer então…” Conseguindo finalmente soltar a voz, ele olhou para Dominic e perguntou cautelosamente: “O que o senhor quer é só xadrez? Comigo? N-Nós preparamos muito mais do que isso…… Como o cargo de sócio, um jato particular, uma vila na Rua A……”
Dominic, que ouvia as condições listadas de qualquer jeito, abriu a boca devagar assim que ele parou para respirar um pouco.
“O que eu quero é só xadrez. Com você.” Vendo-o parecer sem palavras, Dominic estreitou os olhos em tom de deboche. “Deixe-me perguntar: você acha que a empresa onde está agora não me ofereceu todas essas condições que você acabou de listar?”
“……Não.” O homem respondeu como se não tivesse escolha.
Dominic levou o copo à boca e perguntou: “E quando eu quero algo, existe a possibilidade de eu não conseguir?”
“……Não existe.” Desta vez ele deu a mesma resposta. Com uma expressão um tanto relutante.
Dominic bebeu o uísque ostensivamente. Um tempo desconfortável se passou até que ele colocasse o copo sobre a mesa. Juliet, que acompanhava o copo vazio com o olhar, dirigiu seu olhar relutante para o rosto do homem. Dominic se encostou no encosto da cadeira e colocou as mãos entrelaçadas de forma relaxada sobre as coxas.
“A condição é uma só: você jogar xadrez comigo. Se disser que não quer, tudo acaba por aqui.”
Era difícil de acreditar, mas não havia mais margem para dúvidas. Juliet vagou com o olhar como se estivesse refletindo e abriu a boca com cuidado.
“Quer dizer que, se eu apenas jogar xadrez com o senhor, virá para o nosso escritório? Sem nenhuma outra condição?”
“Partindo do pressuposto de que você vença três vezes primeiro.”
Para o homem que perguntava como se quisesse confirmar, Dominic enfatizou o número de vezes mais uma vez.
“A nossa empresa é o principal escritório de advocacia dos Estados Unidos. E o senhor está dizendo que virá para o nosso escritório se eu apenas vencer no xadrez? Recusando o cargo de sócio e todas as outras condições?”
“Não preciso de nada disso.” A resposta de Dominic foi consistente.
Mesmo para Juliet, que impaciente confirmava repetidamente, não havia mais o que dizer. Com uma expressão séria e o cenho franzido, ele ficou imerso em pensamentos, mas não conseguiu enrolar por muito tempo. De qualquer forma, ele teria que aceitar qualquer condição que Dominic impusesse.
Ele já estava preparado até para o pior dos cenários, então ser apenas xadrez não era uma sorte absurda?
Deixando de lado a questão de ser capaz de vencer ou não.
Dominic conseguia ver claramente o processo lógico pelo qual o pensamento dele passava. Como se o conflito em seu rosto tivesse diminuído e sua decisão estivesse tomada, ele ergueu a cabeça.
“Então…… A partir de quando?”
Ao ouvi-lo perguntar como se não tivesse escolha, Dominic serviu a bebida e disse:
“Venha daqui a 3 dias, no mesmo horário de hoje.”
“Entendido.” Desta vez, Juliet respondeu sem hesitar.
Não havia motivos para discordar. Afinal, ele já tinha vindo até aqui preparado para aceitar qualquer condição.
“Então…… Vejo o senhor daqui a 3 dias.” Juliet permaneceu parado, como se perguntasse se havia algo mais a ser dito.
Para ele, Dominic apenas ergueu o copo sem dizer muito, como se estivesse fazendo um brinde. E Juliet, parecendo desanimado, virou-se e deixou a cobertura.
Com o corpo inteiramente encharcado pelos feromônios de Dominic.