02.
“Você se esforçou bastante dessa vez também, Miller.” O sócio-diretor do escritório de advocacia, que veio pessoalmente até a sala, estendeu a mão com um sorriso radiante.
Dominic, contornando a mesa, deu um sorriso formal e o cumprimentou com um aperto de mão; o diretor, como se estivesse esperando por isso, o abraçou e deu tapinhas em suas costas.
Dominic não gostava muito desse tipo de contato físico. Na verdade, estava mais para aversão, mas sua razão altamente socializada reprimiu calmamente o sentimento desagradável.
Afastando-se no momento certo e soltando a mão de forma natural, ele olhou para o diretor com um leve sorriso. Sem conseguir esconder a alegria, o diretor continuou a tecer elogios.
“Você é realmente o melhor. Sempre se destaca tanto! Por que afinal você recusa a proposta para se tornar sócio? Tenho certeza de que poderia conseguir muito mais do que tem agora!”
Olhando para ele, que demonstrava abertamente o desapontamento, Dominic respondeu de forma simples.
“Estou muito bem do jeito que estou agora.”
“Sempre diz a mesma coisa.” O diretor estalou os lábios com amargura e, em seguida, franziu o cenho. “Se por acaso receber uma proposta de outro escritório, me avise imediatamente. Cobrirei qualquer condição dobrando o valor.”
Como isso também era algo que ouvia o tempo todo, Dominic não deu muita atenção. Quer o diretor estivesse sendo sincero ou não, se ele decidisse ir embora de qualquer forma, não adiantaria nada outra pessoa implorar.
“Bem, agora que o caso foi encerrado, você vai tirar férias de novo, certo? De quando até quando está planejando?”
Como se não quisesse irritar Dominic enrolando com conversas banais, o diretor mudou rapidamente de assunto e perguntou. Dominic respondeu prontamente.
“Assim que arrumar o escritório. Estou pensando em descansar por cerca de duas semanas.”
“Duas semanas, entendi.” O diretor assentiu, puxou o ar profundamente e mudou o clima da conversa. “Então vá e descanse bastante. Esqueça o trabalho e aproveite pra limpar completamente a mente!” Dando uma gargalhada, o diretor se virou.
Quando o tabuleiro de xadrez sobre a mesa entrou em seu campo de visão, ele perguntou com uma expressão cheia de interesse.
“Até onde isso avançou? As brancas estão ganhando?”
“Ainda não.” Dominic também direcionou o olhar para onde o homem olhava e respondeu: “Não consegui me concentrar por causa do julgamento. Agora preciso ir terminando aos poucos.”
“Entendo. Deixe-o completamente nocauteado, assim como fez no tribunal.” O diretor ergueu e sacudiu o punho antes de sair, deixando Dominic finalmente sozinho.
Uf, após dar um breve suspiro, ele voltou para o seu lugar e começou a organizar o computador, mas logo o telefone tocou. Assim que apertou o botão do viva-voz e deu uma resposta curta, a secretária do outro lado da linha começou a falar.
“ — Sr. Miller, temos um visitante. Ele diz que se chama Ashley Dawson.”
Dominic olhou para o telefone em silêncio. A secretária continuou:
“ — Ele disse que vocês se conheceram na festa. E que gostaria de se desculpar por ter sujado o seu terno.”
Só então ele lembrou da vaga memória.
Era o homem que tinha tido a audácia de lhe oferecer dinheiro. Aparecer de repente assim… que tipo de truque ele estava tentando armar?
Com os olhos semicerrados, Dominic olhou novamente para o telefone. Bastaria uma palavra sua para que aquele homem saísse dali sem conseguir nada. Talvez nunca mais aparecesse. Com isso, tudo chegaria ao fim.
Isso também não parecia uma má ideia, mas de repente um impulso estranho surgiu nele.
“Por favor, entre em contato.”
A voz que vazou entre seus lábios suavemente entreabertos parecia ter sussurrado em seu ouvido. Dominic, que ficou em silêncio por um tempo com o dedo sobre o botão do viva-voz, finalmente abriu a boca devagar.
“Pode mandar entrar.”
Assim que desligou a ligação apertando o botão, ouviu-se uma batida na porta momento depois. Observando em silêncio, a porta se abriu e o homem que ele esperava revelou sua presença.
“Olá.” Diante do rosto que sorria curvando os olhos compridos em formato de meia-lua, Dominic apenas o encarou enquanto permanecia sentado.
Embora tivesse sido apenas por um breve instante, o homem que havia jogado todo o seu corpo nos braços dele caminhou a passos firmes através do escritório, estendendo a mão por cima da mesa.
“Obrigado por aceitar me ver. Sou Ashley Dawson.”
Dominic retribuiu o aperto de mão por mera cortesia, fixando o olhar no rosto de Ashley.
“Como me achou?”
Ao soltar a mão e perguntar, Ashley respondeu com um sorriso.
“Imagino que todos saibam onde fica o escritório de Dominic Miller.” Seus olhos se estreitaram ainda mais, inclinando-se como uma lua crescente.
A covinha profunda que se formava perto do canto de sua boca trazia à mente a frase de um poeta sobre ser ‘o erro de um anjo’.
Que ridículo, Dominic debochou em seu pensamento. Bastava ver o fato de ele ter vindo até aqui para não restar dúvidas de que o homem agiu com intenção.
Afundando devagar na cadeira, Dominic olhou para o homem com um olhar arrogante.
“Derramar vinho não é um método um pouco antiquado demais?” Diante da pergunta repleta de tom sarcástico, o homem deu um sorriso audacioso.
“‘Clássico é o melhor’, não é mesmo?” Ao contrário de sua aparência delicada, ele demonstrava bastante firmeza.
Longe de se intimidar diante de Dominic, ele falou o que havia se preparado para dizer, ostentando uma atitude descontraída.
“Na verdade, vim para lhe fazer uma proposta.”
“Uma proposta?”
Dificilmente haveria alguém no mundo capaz de ousar usar essa palavra para Dominic Miller.
No entanto, para Ashley, aquela já era a segunda vez. Dominic repetiu a palavra dele como se estivesse ouvindo um termo sem sentido, jamais ouvido antes na vida. Contudo, Ashley não perdeu o sorriso, tirou um cartão de visita do bolso interno do paletó e o colocou sobre a mesa.
“Gostaríamos de recrutar o Sr. Miller para o nosso escritório.” Ashley empurrou o cartão de visita na direção de Dominic e ergueu a postura.
Dominic encarou o cartão em silêncio e o pegou com um movimento lento. No cartão entre seus dedos, estava escrito ‘Consultor’, como costuma ser comum para outros lobistas.
Ashley J. Dawson.
Deslocando o olhar devagar enquanto passava os olhos pelas letras do cartão, Ashley deu continuidade à sua fala.
“Como deve saber, nosso escritório é inquestionavelmente o número 1 nos Estados Unidos há 10 anos. Se vier para a nossa empresa, prometemos o melhor tratamento possível.” A atitude entusiasmada era até bastante nova.
Além disso, o tom de voz confiante — seja por ter treinado bastante ou por ser sua personalidade natural — também não era ruim.
Interessante.
O simples fato de ter despertado a curiosidade dele, que sentia tédio por tudo no mundo, já era um feito e tanto, por isso Dominic perguntou brevemente:
“Como?”
“Para começar, lhe ofereceremos o cargo de sócio.” Ele respondeu sem hesitar.
O homem continuou a listar várias razões que certamente havia pensado e refletido bastante antes de decidir, mas Dominic foi ficando cada vez mais entediado. Seu interesse não estava em coisas tão triviais e óbvias. O som foi se afastando gradualmente e, antes que percebesse, todos os seus sentidos se concentraram na visão.
Os lábios que se moviam sem parar atraíam seu olhar. Devia haver um uso melhor para eles do que ficar balbuciando bobagens. Entre os lábios ligeiramente entreabertos, podia-se ver uma língua de um rosa vivo.
E se o fizesse ajoelhar no chão e colocar seu membro na boca dele? Seria melhor despí-lo todo. De que cor seriam os mamilos? Será que ficariam tão vermelhos quanto aquela língua quando ele ficasse excitado?
“E então.” Dominic levantou-se devagar da cadeira.
O homem permaneceu imóvel, observando-o contornar a mesa e caminhar em sua direção. Lenta, a cada passo se aproximando mais, ele parou bem diante do homem.
“Dawson.” Dominic ergueu a mão lentamente.
A mão, que parecia ir acariciar a bochecha do homem, deslizou devagar pela orelha até a nuca.
“Acha que eu ficaria tão feliz a ponto de chorar ao ouvir essas condições?” Havia um forte tom de deboche em sua fala.
No entanto, sua voz estava tão baixa e suave, como se estivesse sussurrando palavras de amor, que uma pessoa menos atenta poderia ter pensado que era uma brincadeira. Por sorte, o homem não era desatento a esse ponto.
“Ah…… n-não……” A voz dele fraquejou, envergonhada. Suas bochechas levemente coradas chamavam a atenção. “Pensei que, ao menos, não ficaria desagradado……”
“……”
“Peço desculpas.” As palavras que pareciam uma contestação se transformaram em um pedido de desculpas diante do olhar silencioso.
No entanto, para a surpresa de todos, ele era alguém que não sabia desistir. Como se estivesse se recompondo, o homem ergueu a cabeça e disse com a mesma expressão confiante de antes:
“Então, teria alguma condição que o senhor desejasse? Estamos prontos para aceitar qualquer proposta.” Dominic olhou em silêncio para o homem, que acrescentou um leve sorriso no rosto para não causar desagrado.
O pescoço dele era fino e longo como o de um cervo. Ao imaginar que uma marca vermelha deixada por suas mãos ficaria gravada naquele pescoço — que caberia com sobra em apenas uma de suas mãos —, os batimentos cardíacos de Dominic se aceleraram um pouco.
Esse homem deve ser um Ômega.
Não havia cheiro de feromônios, mas ele tinha certeza. Como de costume, Dominic conseguia sentir seu próprio feromônio suave ao redor.
Esse homem provavelmente havia tomado remédios supressores. Por isso conseguia ficar ali em pé como se nada estivesse acontecendo.
“Sr. Miller?” Achando estranho, o homem chamou seu nome novamente.
Dominic apenas continuou olhando para ele em silêncio. Logo em seguida, um denso aroma de feromônios cobriu todo o corpo do homem.
*
[Nota Tradutor] Playlist ‘Eat Me Up If You Can’ no Spotify (https://open.spotify.com/playlist/2qKFzQBZx2bF3lPsuuuYZo?si=a1d5a48deeec4842)