Capítulo 64
↫─Capítulo 64
— …Lyle? — A voz surpresa de Ash era baixa e rouca. Ar quente exalou de trás dele, carregando um potente fluxo de feromônios que deixou Karlyle momentaneamente atordoado. Ele deu um passo para trás.
— Oh, me desculpe.
Karlyle não tinha certeza de por que tinha se desculpado; ele o fizera quase instintivamente. A escuridão do lado de dentro obscurecia o rosto de Ash, tornando sua expressão difícil de ler.
— Há quanto tempo você está parado aí fora?
Ash perguntou, sua voz mais alta agora enquanto um braço se estendia através das sombras e segurava o pulso de Karlyle. Antes que pudesse reagir, Ash o puxou para dentro. Sua pele gelada descongelou quando o calor o recebeu. A porta estalou ao se fechar atrás de ambos, e Karlyle se viu no abraço de Ash.
— Você está congelando.
Piscando, Karlyle forçou os olhos para se concentrar no rosto de Ash. Uma mão quente, não, quente demais, envolveu sua bochecha. O calor o surpreendeu, não simplesmente porque ele esteve no frio, mas porque a mão de Ash parecia quase antinaturalmente quente.
— Ash, sua mão está queimando. Você está bem?
— É com você que deveríamos nos preocupar. Há quanto tempo você estava parado ali?
— Cerca de… cinco minutos.
As mãos escaldantes de Ash seguraram o rosto de Karlyle com mais firmeza, e seus lábios se encontraram. Os lábios de Ash, assim como suas mãos, estavam ardendo. Até a respiração discreta que escapava entre eles parecia aquecida, como vapor.
— Você poderia ter pego um resfriado. — A preocupação de Ash era tocante, embora ele parecesse ser quem estava em pior estado.
— Você não atendeu o telefone. Eu estava preocupado — Karlyle sussurrou com sinceridade. Incapaz de resistir, Karlyle roçou os lábios contra os dele novamente, suave e terno.
As mãos de Ash se apertaram em suas bochechas, o aperto abalado traindo um vazio de desejo não dito.
Ash soltou um pequeno suspiro e guiou Karlyle até o primeiro andar pelo pulso. Enquanto os olhos de Karlyle se ajustavam à escuridão, a figura de Ash surgiu em vista. Ele estava vestindo apenas suas calças, então Karlyle observava os contornos dos músculos de suas costas enquanto a dupla subia.
A casa inteira estava sufocada com os feromônios de Ash ao ponto de até respirar o ar ser sufocante. A densidade lembrou Karlyle dos ciclos de Rut de Kyle, que vinham a cada três meses. Antes de finalmente solidificar seu relacionamento com Nicholas, Kyle tinha suportado seus Ruts sozinho, obstinadamente se apoiando em supressores por toda a sua vida. Tinha sido excruciante observar sua forma atormentada pelo Rut tomada por tanta dor. Ash não era um alfa dominante como seu irmão, mas seus feromônios atuais cobrindo o espaço não eram menos intensos que os de Kyle.
Karlyle piscou quando uma percepção ocorreu a ele. Ele nunca tinha visto Ash no Rut antes. Ele deveria ter perguntado sobre o ciclo de Ash há muito tempo, mas não o fizera. Isso era inaceitavelmente impensado de sua parte.
Ash tinha dito algo sobre perder o controle por esta época, e Karlyle tinha notado seu comportamento cada vez mais incomum. Os sinais sutis, os sinais flagrantes, que o tinham levado a uma preocupação tão pungente, estavam todos apontando para…
— Ash, você está no seu Rut?
Ash parou no topo da escada.
— Sim. Me atingiu um pouco mais cedo do que eu esperava. — Ele empurrou Karlyle na direção de seu quarto.
— Está tarde. Eu vou ficar no andar de baixo. Você deveria dormir no meu quarto.
Mesmo após admitir sua condição, Ash ainda estava tentando mandar Karlyle embora. A distância que ele estava criando entre eles era clara. Karlyle podia senti-lo se afastando, o tempo que passavam juntos diminuindo gradualmente. A ansiedade arranhava seu peito, será que essa distância cresceria até separá-los?
Karlyle lutou contra isso, desesperado.
— Você deveria ficar comigo. Ou eu posso—
— Não. Não venha para o andar de baixo, não importa o que aconteça. E se eu subir, não me deixe entrar no quarto. Tranque a porta, entendeu? — O tom de Ash não poderia ser mais firme.
— Ash, eu fiz algo errado? — A voz de Karlyle falhou. Ele estava aterrorizado com a resposta, mas precisava perguntar. Se tinha feito algo errado, ele tinha que consertar.
— Lyle… — Ash exalou um suspiro dolorido.
— Está exigindo tudo de mim agora para combater a vontade de foder você bem aqui, agora mesmo. — Seus feromônios oscilaram ameaçadoramente.
— Então apenas faça o que eu digo.
O peito de Karlyle se apertou enquanto a excitação, ou o enjoo, bloqueava sua garganta. Ash nunca tinha usado um tom tão assertivo com ele antes. Um calafrio percorreu sua espinha. Ainda assim, Karlyle permaneceu desafiador.
— Não.
A respiração de Ash ficou pesada e, em um instante, seu braço disparou, agarrando Karlyle pela cintura. Seus rostos estavam subitamente a centímetros de distância. Na luz fraca, Karlyle pôde finalmente ver os olhos de Ash, eles estavam selvagens, desprovidos de racionalidade.
— Eu falo sério. O meu Rut não é como o dos outros. Vai ser demais para você aguentar.
A pele febril de Ash queimava o corpo de Karlyle a cada ponto de contato. Uma mão puxou o suéter de Karlyle para cima enquanto a outra deslizava para dentro de sua calça. Karlyle instintivamente deu um passo para trás, mas Ash o perseguiu e o prendeu firmemente contra a parede.
— Eu não consigo ir devagar como de costume. Não vou conseguir te preparar, e eu vou te fazer chorar. Mesmo agora, estou tão perto de… — O peito de Ash inflou enquanto ele inspirava profundamente. Suas mãos se retiraram.
— Não vá para o andar de baixo.
Ash se virou para sair, mas Karlyle segurou seu braço.
— Eu consigo aguentar.
— Aguentar? — Ash se virou bruscamente. — Você nem consegue suportar que eu chupe o seu cu. Você tem alguma ideia do que mais eu faria com você? — Ash passou os dedos pelo cabelo em frustração e balançou a cabeça.
— Que inferno. Me desculpe. Eu estou no meu limite. O supressor está perdendo o efeito… Por favor, só vá embora. Estou te implorando.
A voz de Ash, escapando entre os dentes cerrados, estava cheia de urgência. E ele não estava errado, Karlyle estava dolorosamente ciente do quão despreparado estava. Aquilo não era algo que ele pudesse lidar facilmente quando nem mesmo estava no Rut. Mas isso não significava que ele desgostava.
— Não é isso — Karlyle murmurou. — Eu não odeio… quando você me lambe lá.
Os ombros de Ash enrijeceram. Ele permaneceu completamente imóvel, apenas seus lábios se abrindo levemente na luz fraca. Então, como um predador se lançando sobre a presa, ele segurou a mandíbula de Karlyle e o beijou profundamente, devorando-o por inteiro.
Seus lábios se chocaram e a língua de Ash avançou para dentro da boca de Karlyle. Não havia um pingo de gentileza no beijo, nem espaço para respiração ou racionalidade.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr