Capítulo 59
↫─Capítulo 59
A água encharcava continuamente os corpos deles, saturando seus cabelos em tons variados e mais escuros de preto. Ash despejou uma quantidade generosa de shampoo em sua palma e passou a fazer espuma com a mão livre.
— Deixe-me lavar você — ele disse. Embora um sorriso travesso brincasse em seus lábios, ele não parecia estar brincando.
— Eu? — Karlyle perguntou.
— Sim, você, meu Lyle.
Ash constantemente se esforçava ao máximo por Karlyle. Ele realmente era bom demais para ele. Em vez de aceitar o gesto, Karlyle balançou a cabeça.
— Por favor, deixe-me lavar você em vez disso.
— Que tal você tentar amanhã, então? — Ash rebateu suavemente, os cantos de seus olhos se enrugando de forma brincalhona. Suas mãos já faziam círculos suaves no cabelo de Karlyle, formando uma espuma delicada.
— Nós vamos nos ver todos os dias, então podemos nos revezar.
— Nós podemos realmente nos ver… todos os dias? — Karlyle perguntou baixinho. Embora eles já tivessem se estabelecido em tal rotina, a ficha da realidade ainda não havia caído. Ele piscou lentamente em descrença, mal conseguindo conter um sorriso espontâneo.
— Claro. Não é isso que já estamos fazendo? A menos que você não queira, Lyle — Ash murmurou, passando os dedos cuidadosamente pelo cabelo de Karlyle. Karlyle sentiu seu corpo derreter com a sensação agradável de sua cabeça sendo massageada.
— Não, essa não é a minha preocupação — Karlyle respondeu imediatamente.
— Eu só… não tenho certeza se mereço isso.
Ele sabia que cada um tinha seus próprios limites. Mesmo os amantes não eram obrigados a se ver todos os dias, então Karlyle sempre presumiu que esses momentos felizes eram passageiros, que não durariam indefinidamente. Nesse sentido, a separação era inevitável.
— Mas eu quero ver você todos os dias — disse Ash.
O cabelo de Karlyle agora estava levemente coberto por uma espuma espessa, a qual Ash afastava habilidosamente de seus olhos e orelhas. Karlyle amava a evidente destreza de Ash e suas demonstrações de experiência, mas, às vezes, ele lutava contra o ciúme quando essa mesma postura o lembrava das pessoas que provavelmente haviam moldado Ash no homem que ele era. Ele estava profundamente feliz, mas essa felicidade era agridoce.
Claro, ele sabia que não era o primeiro namorado de Ash. No entanto, agora que Ash estava ao seu lado, seu coração inexperiente esqueceu como se conter.
— Temo que ao vivermos juntos… Você acabe se cansando de mim — Karlyle perguntou.
Ouvir Ash dizer que queria ver Karlyle todos os dias o aterrorizava. Talvez tivesse sido melhor se Ash tivesse guardado esse pensamento para si mesmo.
Ash fez uma pausa, processando as palavras de Karlyle com o olhar fixo calmamente no rosto de Karlyle. Ele ajustou a direção do chuveiro e começou a enxaguar a espuma do cabelo de Karlyle.
— Há algo que você não percebe, Lyle.— O dedo indicador de Ash afastou a espuma da testa de Karlyle.
— Embora seja verdade que sou um pouco mais experiente, isso não significa que tudo o que estamos fazendo juntos seja algo que eu já tenha feito antes.
O mal-estar de Karlyle foi levado junto com as bolhas enxaguadas. Ele se esqueceu até de piscar, focado demais nas palavras de Ash.
— Você se lembra do que eu disse sobre não conseguir dormir com outra pessoa ao meu lado?
Karlyle assentiu. Tudo o que Ash dizia estava gravado em seu coração como mandamentos.
— É por isso que eu nunca deixei ninguém dividir minha cama por mais de uma noite. E, pelo mesmo motivo, nunca dividi a deles.
Ash espremeu um pouco de sabonete líquido em uma esponja de banho; o aroma sutil, semelhante ao do xampu, espalhou-se pelo ar cheio de vapor. Ash puxou o corpo quente e relaxado de Karlyle para perto. Seus peitos, seus baixos ventres e até mesmo seus membros igualmente eretos pressionaram-se uns contra os outros. Filetes de água escorriam ao longo de seus músculos definidos de uma maneira que parecia inteiramente nova. A mão de Ash desceu pela curva sutil de suas costas.
Era reconfortante, mas, ao mesmo tempo, excitante. Ele achou a harmonização de duas emoções que antes considerava contraditórias agora bastante notável.
— Há tanta coisa que estou vivenciando pela primeira vez com você também — Ash continuou. — Eu nunca conheci alguém que quisesse ao meu lado todas as noites assim.
Gotículas se agarravam aos cílios longos de Ash enquanto ele olhava para Karlyle. Embora a água brilhando pelo corpo de Ash não fosse diferente daquela que escorria sobre Karlyle, ele pensou que ela poderia ter um gosto doce.
— Então, Lyle, não pense mais em coisas assim, está bem?
Ash abaixou a cabeça para pressionar seus lábios úmidos suavemente contra os de Karlyle. Karlyle abriu a boca como se estivesse esperando por esse momento, estendendo a língua para encontrar o toque suave. As gotículas que molhavam sua língua eram tão doces quanto ele havia imaginado. Mãos ansiosas acariciaram o corpo de Karlyle, e eles se abraçaram, seus corpos colidindo sem deixar nenhum espaço entre eles.
Sem tempo sequer para secar os cabelos encharcados, eles caíram na cama. O desejo que deveria ter esfriado com o banho só inflamou ainda mais. Incapazes de conter suas emoções inexoráveis, seus corpos se recusavam a permanecer imóveis.
Depois de rolar Karlyle suavemente, Ash prendeu o corpo dele sob o seu. Os olhos heterocromáticos de Ash percorreram serenamente toda a estrutura de Karlyle, seu olhar pesado de emoção; Karlyle podia sentir Ash pensando apenas nele.
— Por favor… — Karlyle sussurrou.
Ao toque do olhar ardente de Ash em sua pele, a impaciência surgiu dentro dele. Ele queria se tornar um com Ash imediatamente, estar conectado a ele, mesmo que doesse. Por mais clichê que fosse, naquele momento, expressões mais eloquentes lhe escapavam. Ele se sentia da mesma forma de quando havia se confessado para Ash, quando havia expressado seus verdadeiros sentimentos.
— Você pode me deixar olhar para você mais um pouco? Você é simplesmente lindo demais — Ash disse, seus cílios cor de nanquim se abaixando enquanto ele começava a se mover com deliberação. Seus lábios roçaram a testa de Karlyle e traçaram um caminho descendo pela ponte reta de seu nariz elegante, antes de passar por seus lábios e descer até a saliência acentuada de sua clavícula.
Peito, abdômen, coxas, joelhos… Ash avançou centímetro por centímetro pelo corpo de Karlyle até que finalmente fechou a mão em volta do tornozelo de Karlyle. A respiração de Karlyle engatou como se ele estivesse sendo submerso por ondas rasas, pronto para ser levado por uma maré implacável.
Ash abaixou a cabeça ao longo do tornozelo estendido de Karlyle, movendo-se para o peito do pé, e então pressionou os lábios no topo do pé de Karlyle. Uma leve cócega subiu pela perna de Karlyle, e seu tornozelo deu um solavanco involuntário.
Ash ergueu o olhar para encontrar o de Karlyle, sorrindo amplamente com os olhos enrugados. — Não há uma única parte de você que não seja linda — ele sussurrou.
Karlyle abaixou a cabeça, sem saber para onde olhar. Inquieto, ele se sentou na cama, estendendo a mão para segurar o braço de Ash. — Isso é sujo, então, por favor, pare…
— Não é sujo. Acabamos de tomar banho.
Karlyle balançou a cabeça enquanto o calor subia para a sua nuca.
— Ash… — ele chamou fracamente, incapaz de suportar o constrangimento.
— Parece que você ainda não sabe como se valorizar, Lyle… Então eu farei isso por você todos os dias. Eu vou te beijar, sem descanso, dos pés à cabeça.
Com o tornozelo de Karlyle ainda em seu aperto, os lábios de Ash encontraram o caminho até os dedos trêmulos dos pés de Karlyle. Karlyle morde o lábio, lágrimas se acumulando em seus olhos. Essa sensação de ser estimado, adorado, até mesmo, fazia com que ele quisesse fugir. Seu coração estava simplesmente cheio demais para aguentar.
Como se soubesse como Karlyle estava se sentindo, Ash acalentou gentilmente o pé dele, pressionando o polegar no centro de do arco macio. Sua mão acariciou firmemente abaixo da leve saliência do osso do tornozelo, aquecendo ainda mais as profundezas do coração de Karlyle.
As pernas de Karlyle foram suavemente abertas e depois erguidas. Os lábios de Ash moveram-se de volta para o topo de seu pé e então refizeram seus movimentos de volta para seu tornozelo. Ash inclinou-se e beijou suavemente a parte de trás do joelho da perna erguida, fazendo sons suaves de sucção enquanto sorvia a carne macia.
Apertando gradualmente, Ash empurrou as pernas de Karlyle mais para cima. Somente depois de beijar até a parte interna de sua virilha é que Ash soltou sua perna. A essa altura, Karlyle não conseguia mais aguentar. Apenas o toque dos lábios de Ash em suas pernas fez seu pênis ficar tão ereto quanto possível, pingando pré gozo avidamente. Esse era o seu limite.
— Ash, por favor…
Ash balançou a cabeça.
— Não, eu ainda não preparei você.
Talvez ele estivesse decidido a derreter Karlyle em uma poça primeiro, já que estava incomumente calmo para alguém que estava se segurando. No entanto, sua consideração era mais do que suficiente para Karlyle. Tudo o que Karlyle queria agora era o prazer de Ash, oferecer a Ash a mesma felicidade que tantas vezes recebia dele.
Enquanto Ash espremia lubrificante em sua palma, Karlyle segurou seu pulso e o puxou para perto para entrelaçar seus dedos. O lubrificante espalhou-se na palma da mão de Karlyle.
Assim mesmo, Karlyle abaixou a mão de Ash com a sua até que ela alcançasse a abertura onde os dedos de Ash haviam entrado naquela manhã. Os olhos de Ash se arregalaram.
Karlyle abaixou o olhar. Então, segurando o dedo de Ash, ele o guiou para dentro de si, soltando uma respiração longa com a separação das dobras firmemente franzidas. O dedo escorregadio aprofundou-se de acordo com a vontade de Karlyle. Ele também empurrou seu próprio dedo para dentro, entrando logo acima do de Ash.
Como ele próprio nunca havia se tocado atrás para esse propósito, a sensação quente e carnal na ponta de seus dedos parecia surreal. Karlyle contraiu-se levemente. O ponto certamente parecia diferente do de um ômega; era mais apertado e menos elástico. Ele se perguntou o que Ash extrairia de prazer de uma abertura que se contraía de forma tão implacável.
Naquele momento, os dedos de Ash em sua mão livre, que haviam parado, avançaram rapidamente, prendendo o pulso de Karlyle. O sorriso de Ash já havia desaparecido há muito tempo enquanto ele encarava Karlyle. Seu dedo que investigava começou a cavar mais fundo. Não demorou muito para que ele percebesse o que Ash estava tentando fazer.
— Ungh, ngh…
Um formigamento familiar irradiou de baixo. A boca de Karlyle se abriu e seu pênis contraiu-se. Dessa vez, a mão de Karlyle foi movida pela de Ash, que segurava seu pulso. Os dedos de Karlyle foram empurrados até a base, as pontas de seus dedos guiadas habilidosamente para a mesma área onde os dedos longos de Ash alcançavam.
— Você consegue sentir? É aqui.
Esse ponto, que só podia ser alcançado mergulhando até os nós dos dedos, estava escondido em algum lugar profundo em seu ventre. Ash pressionou firmemente a protuberância firme e arredondada. Karlyle debateu-se impotente, abrindo as coxas.
— Hah, ahh, hngh…
— É o seu lugar favorito, Lyle. É bom você se lembrar dele — Ash sussurrou, inclinando-se sobre ele.
Preso pelo olhar de Ash, Karlyle assentiu quase por reflexo. Ash sorriu apenas com os lábios, depois abaixou os olhos enquanto guiava o pulso de Karlyle. Gradualmente, a velocidade aumentou. A força das estocadas aumentou. Com os lábios ligeiramente entreabertos, Karlyle focou firmemente nos movimentos. Eventualmente, ele continuou a empurrar contra o órgão sem perceber que o dedo de Ash havia sido retirado; ele estava se masturbando sozinho.
Por incrível que pareça, o prazer que vinha de esfregar sua próstata era incomparável àquele recebido ao tocar seu pênis. Ao contrário de seu histórico de relações sexuais prolongadas, Karlyle logo foi consumido pelo desejo de gozar.
— Hah, hngh, ungh, haah…
À medida que o lubrificante derretia, escorrendo por sua palma, Karlyle moveu a mão com força suficiente para afundar até o pulso. Com os olhos nublados, ele continuou a empurrar para dentro de sua abertura até que o som de algo sendo rasgado desviou seu foco.
Assim que Karlyle olhou para baixo, seu dedo foi abruptamente puxado para fora. Sua abertura, que agora parecia dolorida e vazia de carência, foi cutucada por algo que seus dedos não podiam ousar se igualar.
— Eu disse para você se lembrar disso — não para gozar sozinho — Ash disse em um sussurro.
A glande dura de Ash abriu as paredes tenras de Karlyle, com a ponta abrindo caminho firmemente através da abertura que se alargava. Diante da sensação de as dobras estarem sendo esticadas ao máximo, o corpo de Karlyle de repente ficou tenso.
Ash era muito maior do que ele se lembrava. As paredes internas de Karlyle, que estavam acostumadas apenas a engolir o pênis nu de Ash, contraíram-se desajeitadamente diante da sensação desconhecida da fina camada de borracha entre eles. No entanto, apesar de estar sendo esticada tão tensamente que ele não ficaria surpreso se ela se rasgasse, sua abertura esforçava-se para engolir o pênis de alguma forma.
Doía devorar aquele corpo estranho, como se sua abertura tivesse engolido algo que não deveria ter engolido. A carne rígida empurrava para dentro, lenta mas firmemente, sem sinais de parar. O momento doloroso durou tempo demais, mas Karlyle lembrou-se do prazer que viria a seguir.
No espaço de alguns minutos, o comprimento formidável de Ash subiu pelo seu baixo ventre. Karlyle arfou. O pênis que vinha empurrando incessantemente mais fundo havia roçado sua próstata, preenchendo seu interior até a borda.
— Hngh, haa, ha, ngh…
— Você está se saindo tão bem — Ash sussurrou enquanto observava Karlyle soltar respirações trêmulas.
Uma palma ardente esfregou gentilmente o baixo ventre de Karlyle, mas não tocou no pênis de Karlyle, que havia amolecido um pouco por causa da dor. Em vez disso, Ash começou a se mover.
Lentamente, ele puxou para fora seu pênis que havia sido enterrado até o talo, e então o empurrou de volta no mesmo ritmo constante. Cada vez que ele repetia o movimento, Karlyle sentia uma onda que inundava seu cérebro. O prazer escondido na dor aumentava continuamente a cada segundo, fervendo em sua entrada traseira antes de fluir por suas veias.
— Ah, hngh, ngh, haa…
Um fluido claro começou a vazar de seu pênis mais uma vez rígido. Preso firmemente ao seu baixo ventre, o membro trêmulo de Karlyle encharcou seus músculos abdominais firmes com um brilho translúcido.
Os quadris de Ash aceleraram gradualmente, seu comprimento puxando para fora quase até a ponta, apenas para afundar o máximo que podia. Ele se movia em uma repetição calorosa, atingindo as nádegas erguidas de Karlyle com tapas constantes e rítmicos. A mente de Karlyle era um turbilhão.
Isso era diferente de quando ele havia gozado com os dedos pressionados em sua próstata segurar um pênis grande dentro de si parecia totalmente distinto. A sensação de sua carne interna nua sendo aberta e penetrada não era a sensação usual experimentada por um alfa ao atingir o orgasmo. O corpo de Karlyle, que outrora havia aprendido a gozar por ser penetrado, guerreava com seus instintos naturais que haviam retornado durante o intervalo de alguns meses, lançando-o em confusão. Embora estivesse perto de gozar por trás simplesmente pelas sensações de sua passagem traseira, um desejo ardente de tocar seu pênis surgiu.
A mão de Karlyle tateou para baixo. Bem quando sua mão trêmula e estendida estava prestes a segurar seu pênis, Ash agarrou seu pulso. Karlyle olhou para cima com os olhos marejados.
Ash balançou a cabeça, segurando ambos os pulsos de Karlyle. Ele os puxou para cima e prendeu seus braços firmemente para trás. Depois de aprisionar Karlyle com seu próprio corpo, Ash girou os quadris como se estivesse prestes a perfurá-lo através da cama.
— O seu alfa está bem aqui, Lyle, então por que você está olhando para outro lugar?
Bem quando Karlyle ouviu a voz baixa de Ash, de repente, sua próstata foi golpeada. O corpo de Karlyle deu um solavanco intenso, e ele jogou a cabeça para trás. — Hngh, aah!
— O que você estava fazendo tentando tocar aí, hm?
O pênis de Ash, que se retirou de forma tão violenta que pareceu que suas entranhas seriam arrancadas junto, mais uma vez colidiu contra o mesmo ponto sensível. Os olhos de Karlyle se arregalaram, e os dedos de seus pés se esticaram quando uma sensação de prazer que beirava a dor o perfurou até o topo de sua cabeça.
— Ah, hngh, ngh…!
— Você só deve gozar por aqui.
Com isso, Ash repetiu seus movimentos, como se para lembrar Karlyle de algo que ele havia esquecido. Repetidas vezes, com intensidade crescente, Ash atingia apenas a parte mais sensível de Karlyle. Karlyle contorcia sua cintura loucamente, arqueando as costas enquanto todo o seu corpo tremia.
— N-Não, ngh, pare, ahh…!
— O seu pênis fica sempre tão duro quando você quer parar?
O prazer era demais. Karlyle sentiu como se sua mente pudesse virar uma papa. Era como se o calor fervente tivesse derretido seu interior, tornando-se um com suas reentrâncias agitadas. Lágrimas transbordaram, unindo-se ao suor em suas bochechas, úmidas e avermelhadas pela excitação. Às vezes, o pênis de Ash parecia roçar gentilmente sua próstata, antes de voltar a atingir aquele ponto.
Um clímax morno veio primeiro. Uma erupção de sêmen jorrou sobre o estômago de Karlyle em jatos irregulares e longos jatos. A parte inferior do corpo de Karlyle tencionou, seu torso arfando.
— Hnghh, hah… — Os suspiros de Karlyle escapavam como gotas de suor. Com todo o seu corpo escorregadio e tremendo de excitação, Karlyle balançou a cabeça. — Eu… eu gozei, hngh, então, por favor…
Ash, que estava girando os quadris enquanto prendia as mãos de Karlyle, ergueu os olhos. Seu olhar vagou preguiçosamente pelas longas clavículas de Karlyle salpicadas de suor. Só momentos depois ele finalmente respondeu.
— Bom trabalho.
Ash deu um suspiro pesado e lentamente retirou o pênis. Arfando diante do objeto se arrastando de volta por sua passagem traseira, Karlyle ergueu a cabeça.
Apesar de Ash não ter ejaculado, ele já estava se retirando.
— A-Ash? — Karlyle chamou em um tom de pânico.
— Hm? — Ash sorriu de forma leve, seus olhos enrugados ainda febris com o desejo não resolvido.
— Por que… você está parando?
— Se fizermos mais do que isso, vai ser difícil para você — Ash disse com indiferença.
Conforme Karlyle sentia aquela haste firme tentando escapar completamente de sua passagem traseira, ele mordeu o lábio. Ele contraiu a retaguarda um tanto freneticamente e observou Ash parar.
— Eu não quero fazer nada que você não goste, Lyle. — Os olhos confusos de Ash encontraram o olhar sincero de Karlyle. — É sério. Você não precisa se forçar.
Mas ele não estava se forçando. Karlyle relembrou o que tinha acabado de dizer; será que Ash estava consciente de que Karlyle tinha lhe dito para parar? Ele teria interpretado isso como se ele não tivesse gostado?
O Ash que ele conhecia teria levado Karlyle aos seus limites e o feito sentir isso, mesmo depois de ouvir tais palavras. Por essa razão, Karlyle esperava que ele fizesse o mesmo novamente, mas era evidente que Ash ainda estava perturbado por tê-lo feito chorar daquela vez.
— Não é que… eu não goste.
— Então?
Com apenas a ponta de sua glande empurrada para dentro, Ash olhou para Karlyle. Seu olhar era intenso, como se ele estivesse mal se contendo para não avançar sobre ele.
Karlyle pressionou os lábios um contra o outro enquanto sua excitação aumentava novamente, feromônios rastejando por sua pele. Embora tivesse atingido o clímax, ele sabia o que viria a seguir.
— Quanto mais você mete, mais eu gosto, mas… dizer isso… — Karlyle mal conseguiu soltar as palavras. Compartilhar voluntariamente o pensamento de que gostava de ser penetrado trazia uma vergonha que rapidamente se transformava em uma estranha sensação de libertinagem. — Não… Queria que você me visse de forma estranha.
— É mesmo? — Ash perguntou gentilmente. Seu pênis começou lentamente a empurrar mais fundo, como se estivesse retornando à sua posição de direito.
— …Sim.
— Não é que você não goste?
À medida que seu interior era preenchido lentamente, Karlyle contraiu os olhos e assentiu.
— Foi o que eu pensei.
Ash deu uma estocada tão profunda quanto antes, seu pênis esmagando o interior de Karlyle, que ainda sofria espasmos pelo efeito residual de seu orgasmo anterior. Os olhos de Karlyle se arregalaram, seus pulsos tremendo.
— Céus… Você é adorável até quando se esforça para expressar o que quer.
— Hngh, ahh, ngh, hah, hngh, ah…!
A glande de Ash martelou profundamente, batendo contra algum lugar fechado dentro dele. Karlyle sentiu como se sua abertura estivesse derretendo. Ele firmou bem os pés, vacilando repetidamente entre debater-se para se afastar de Ash e imobilizar-se para recebê-lo de braços abertos.
— Você gosta?
A velocidade aumentou gradualmente, acompanhada pelos rangidos do colchão que balançava vigorosamente. Karlyle conseguia sentir: o clímax de Ash também estava se aproximando. Uma satisfação imensurável espalhou-se por suas veias.
— Ah, hngh, sim… ngh, eu… Gosto.
Esquecendo-se de falar como faria normalmente, Karlyle repetiu as palavras de Ash como se estivesse sob um feitiço. Isso por si só soava erótico.
— Eu também. Haagh, é tão bom. — A voz de Ash não estava mais relaxada. Essa ausência da postura habitual de Ash excitou Karlyle, semelhante ao momento em que Ash havia arrancado os botões de sua camisa com força.
Arqueando as costas, Karlyle contraiu a retaguarda e jogou a cabeça para trás. — Aaah! Ash, Ash…
— Eu te amo, Lyle.
A voz de Ash estava profunda de emoção. Soltando o aperto nos pulsos de Karlyle, Ash o puxou para um abraço apertado, depois deslizou os braços por trás das costas dele para segurá-lo firme. Conforme se enterrava até o talo em Karlyle, Ash finalmente ejaculou.
O pênis totalmente tumescente de Ash pulsou, batendo contra o interior de Karlyle. Uma liberação intensa se seguiu, uma tão poderosa que eclipsou seu orgasmo anterior. Seus corpos se fundiram, pele contra pele, como se tivessem realmente se tornado um só. Apenas um pensamento permanecia na cabeça de Karlyle.
— Eu, hah… eu também amo você, Ash.
As mãos de Karlyle percorreram as costas de Ash, puxando-o para perto como se pudesse perdê-lo se não o segurasse com força. Ele enterrou o rosto no pescoço úmido de Ash, com o batimento cardíaco compartilhado pulsando constantemente.
Parecia que uma tempestade havia passado. Embora soubesse que alfas não podiam marcar os outros da maneira que parceiros alfa e ômega podiam, Karlyle jurou que era assim que deveria ser a sensação — essa conexão profunda como se estivessem tocando as partes mais profundas da alma um do outro.
Karlyle sempre gostara de fazer sexo com Ash, mas este momento era algo inteiramente diferente. Atingir o orgasmo enquanto ouvia as palavras
— Eu amo você — o preenchia com algo além de qualquer coisa que pudesse expressar com palavras. Se existisse um ápice da felicidade, seria este.
Acalmando suas respirações pesadas, Ash se afastou e sorriu, seus olhos amorosos encontrando o olhar de Karlyle diretamente. Gentilmente, ele afastou o cabelo úmido de Karlyle antes de pressionar um beijo terno em sua testa pálida.
— Diga de novo — Ash murmurou, seus lábios fazendo cócegas na pele de Karlyle antes de se afastarem lentamente.
— Eu te amo — Karlyle sussurrou.
— De novo.
— Eu amo… — A voz de Karlyle falhou. As emoções avassaladoras desabaram sobre ele como uma avalanche. Criando coragem, ele tentou limpar a garganta mais uma vez. Em toda a sua vida, ele nunca havia imaginado que seria capaz de ter um momento como este, onde pudesse amar alguém sem reservas, e também nunca pensou que chegaria a gostar de fazer amor. — Tanto… Eu te amo tanto.
— Eu também — Ash disse suavemente, seu dedo limpando as lágrimas que haviam brotado nos olhos de Karlyle. Ele se aproximou, seus lábios roçando as gotículas quentes como se buscassem consolar Karlyle. Seus beijos roçaram as pálpebras fechadas de Karlyle. — Então… só chore na minha frente. Deixe que eu seja aquele a te confortar.
— …Tudo bem.
— E não esconda as coisas de mim.
— …Tudo bem.
— Se algo como hoje acontecer de novo, não diga que está bem. Apenas me conte.
Mais lágrimas transbordaram, e Karlyle soltou uma risada baixa, tingida por um soluço. Certamente, a cena era feia, mas Ash apenas o segurou mais perto.
— Porque nós nos amamos — Ash concluiu firmemente.
Karlyle assentiu.
A palavra amor carregava tantos significados. Era o amor que o fazia se apoiar em Ash, que havia moldado as coisas de que ele antes não gostava. Nem o sexo, que outrora fora fonte de apenas desconforto, nem o seu próprio ser, que ele considerava insuficiente, pareciam desagradáveis quando estava com Ash.
O Karlyle do passado jamais teria experimentado o espectro vívido de emoções que sentira hoje. Ele teria suportado uma vida de horizontes calmos e estagnados, adormecendo a cada dia sem saber de nada. Mas hoje, as emoções de Karlyle haviam subido e descido como as marés, subindo abruptamente para despencar repetidas vezes. Seu coração dolorido, ferido por seu avô, havia sido gentilmente acalentado pelo calor de Ash.
Assim, Karlyle agora compreendia: ter alguém que pudesse transformar sua tristeza em alegria, o deixava profundamente feliz.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr