Capítulo 57
↫─Capítulo 57
Arthur estava sentado na sala de visitas de Alice, que ela só abria para os convidados mais importantes. Na verdade, como Arthur era o dono da mansão, esta sala originalmente seria para o uso dele.
Duas batidas soaram na porta, seguidas por uma voz clara e austera que ecoou através da madeira pesada. O som fez com que Karlyle endireitasse a coluna imediatamente.
Com um giro da maçaneta dourada, a porta se abriu silenciosamente, revelando a opulenta sala de visitas em seu interior. Cadeiras de estilo vitoriano com estofado de veludo, uma mesa de mogno e Arthur sentado ali, com uma xícara de chá na mão, essa era a cena que havia oprimido Karlyle por toda a sua vida.
— Boa noite, vovô — disse Karlyle, cumprimentando-o formalmente. O olhar de Arthur perfurou Karlyle, paralisando-o no lugar. Conforme Karlyle se preparava para oferecer mais cortesia, ele prontamente percebeu que Arthur não estava sozinho. Sentado ao lado dele estava ninguém menos que Lorde Gordon. Apesar de saber que ia contra a etiqueta, Karlyle instintivamente olhou para trás, em direção a Ash, que permanecia imperturbável. — Lorde Gordon, é um prazer vê-lo.
— Nos encontramos novamente, Sr. Frost — respondeu Lorde Gordon com um sorriso agradável. Sua atenção então se voltou para Ash, sua expressão suavizando ainda mais quando Ash retribuiu o olhar com um sorriso próprio.
Desta vez, Ash ofereceu sua saudação.
— Obrigado por organizar esta reunião. Sou Ash Jones.
Arthur, que os vinha observando em silêncio, desviou o olhar. Tanto Lorde Gordon quanto Arthur seguravam xícaras de chá nas mãos, como se estivessem bebendo chá a tarde toda. Olhando para Arthur, Lorde Gordon falou.
— Bem, agora que você o conheceu pessoalmente, qual é a sua impressão, Arthur?
Karlyle segurou a respiração. Ele não tinha ideia do que havia sido discutido entre eles em particular, mas a situação havia tomado um rumo inesperado. Por um lado, Arthur e Lorde Gordon não eram particularmente próximos, decorrente em grande parte do desinteresse do marquês em frequentar eventos sociais, mas Lorde Gordon tinha acabado de se dirigir a Arthur pelo primeiro nome.
— Ele é de fato um jovem muito bonito, como se esperaria de alguém estimado pelo marquês — comentou Arthur.
— De fato, Ash tem sido inteligente desde a infância, então confio que ele se portará de uma maneira condizente com o seu estimado neto. — Lorde Gordon virou-se para Ash. — Não é mesmo, Ash?
Karlyle foi acometido por uma confusão. Ele estava bem ciente de que o marquês cuidava de Ash como se cuida de um próprio filho, então será que Ash havia entrado em contato após a mensagem de Karlyle para organizar essa reunião?
— Karlyle é bom demais para mim, é claro — respondeu Ash. Então, com um sorriso educado, ele se virou para Arthur. — E então, Meu Senhor, garanto-lhe que, caso nos conceda a sua bênção, eu me dedicarei a garantir a máxima felicidade de seu neto. Peço humildemente a sua aprovação.
A linguagem formal de Ash pegou Karlyle de surpresa. Karlyle não merecia esse tipo de tratamento e certamente não era alguém por quem Ash precisasse se humilhar para conquistar sua mão. Ele olhou para Ash, sua expressão traindo seu espanto.
Enquanto isso, Arthur olhava para eles, com o rosto indecifrável. Sua postura impecavelmente reta era afiada como uma navalha.
Lorde Gordon bateu as mãos levemente, como se para aliviar a tensão na sala.
— Ah, percebi que ainda não oferecemos um assento a vocês — disse ele, com o tom leve enquanto se virava para Arthur. — O que você acha, Arthur?
— Claro — Arthur concordou suavemente. — Karlyle, o que você está fazendo? Mostre ao Sr. Jones o assento dele.
A atitude de Arthur em relação a Ash era inesperadamente cordial, quase de forma perturbadora. Diante de seu acordo conciso de que deveriam se sentar, a expressão de Karlyle relaxou em uma de alívio. No entanto, a expressão de Ash endureceu um pouco, fazendo Karlyle hesitar. Sem ter certeza do motivo, Karlyle sussurrou de forma quase inaudível:
— Ash?
— Lyle… — Ash estudou Karlyle com olhos desconcertados, então fechou os lábios, parecendo perdido em pensamentos.
Após pausar brevemente para permitir que Ash continuasse falando, Karlyle decidiu não pressionar mais e rapidamente guiou Ash até o seu assento. Oposto aos dois marqueses havia um longo sofá onde eles podiam se sentar. Um momento de silêncio tenso permaneceu antes de Arthur falar novamente.
— Ver você pessoalmente alivia algumas das minhas preocupações — disse ele. — Confio que entenderá minha posição. Desde que Karlyle era jovem, considerei casamentos com famílias adequadas, então, naturalmente, o cancelamento repentino de seu noivado foi um desdobramento problemático. Dadas as circunstâncias, sinto que é prudente avaliar com quem ele escolheu iniciar um cortejo.
As palavras de Arthur carregavam a sutil implicação de que a presença de Ash havia, de alguma forma, instigado o noivado desfeito. Lorde Gordon, que servia o chá com uma mão praticada, assentiu compadecidamente.
— Isso é totalmente compreensível — disse ele. — Acordos familiares dessa natureza possuem um peso considerável. A família Frost há muito tempo é conhecida por manter uma linhagem distinta, então suas preocupações são apenas naturais.
Conversas vaidosas sobre conexões e pedigree eram a norma nos círculos nobres. Embora Karlyle estivesse acostumado a tais trocas, Ash claramente não estava. Ele permaneceu em silêncio enquanto olhava fixamente para a frente, com seu sorriso habitual sumido de vista.
— Além da sua, Philip, há apenas uma outra família que manteve laços com o Ducado de Devonshire por gerações. Como qualquer outra família poderia se comparar? Sabendo que este jovem é tido em alta conta por tal marquês, posso ficar tranquilo de que meu neto, consideravelmente inadequado, estará em boas mãos. No entanto, dado que esta é uma união sem acordo prévio… Bem, quem pode dizer quanto tempo vai durar?
O olhar de Arthur mudou significativamente para Karlyle, transmitindo uma reprimenda mal disfarçada por causar tal comoção por causa de um relacionamento sem promessa de casamento. Karlyle baixou a cabeça silenciosamente em resposta, ciente de que visão lamentável ele era.
— Peço desculpas pelo inconveniente — Karlyle murmurou. As palavras eram necessárias, mas não eram as únicas que ele desejava dizer. O término de seu noivado não tinha nada a ver com Ash; tinha sido inteiramente devido às próprias inadequações de Karlyle. — No entanto, gostaria de lhe garantir que o noivado não foi cancelado por causa do Sr. Jones. Como o senhor sabe, vovô, foi por causa das minhas próprias inadequações…
— Estou bem ciente — Arthur retrucou de forma ríspida. — Como diabos você pôde se conduzir tão mal a ponto de se envergonhar publicamente?
A reprimenda mordaz de Arthur veio rapidamente, como se ele estivesse esperando por aquele momento. Ao mesmo tempo, Ash apertou a mão de Karlyle firmemente, e a força de seu aperto assustou Karlyle. Será que Ash estava decepcionado com ele após testemunhar sua exibição patética? Isso faria sentido; qualquer um que observasse a tirada cáustica de Arthur se sentiria da mesma forma. Se ao menos Karlyle tivesse sido ao menos um alfa dominante como Kyle…
Karlyle lutou para dissipar sua crescente autocondenação, esforçando-se para endireitar a coluna. Ele lançou o olhar para baixo, oferecendo suas desculpas mais uma vez.
— …Não tenho desculpas. Vou me conduzir com maior decência no futuro.
— É bom que o faça — Arthur esbravejou. — Continue agindo assim e ninguém vai querer você.
Bem nesse momento, uma risada incrédula cortou a tensão. Sobressaltado, Karlyle virou a cabeça em direção ao som — para Ash. Ele olhava para Arthur com uma expressão de puro desbalizamento, com os olhos gélidos e cortantes.
— Ah, me perdoe — Ash disse friamente, embora seu tom não carregasse nenhum vestígio de desculpa. Era uma voz que Karlyle nunca tinha ouvido antes, tão fria quanto o gelo e tão afiada quanto espinhos. Arthur franziu a testa em resposta. — Parece que o senhor vem trabalhando sob um mal-entendido, Lorde Frost. Karlyle não é uma pessoa inadequada. Como já afirmei, ele é bom demais para mim.
Karlyle congelou. Ninguém nunca o havia defendido daquela forma antes.
— Eu não tinha ideia de que alguém tão precioso e excepcional como Karlyle seria tratado de tal maneira por seu próprio avô.
Enquanto Ash desdenhava em descrença, a expressão de Arthur escurecia progressivamente de raiva. Lorde Gordon exibia um sorriso chocado, mas a expressão parecia um tanto tensa.
Preso entre eles, Karlyle viu-se inundado por emoções conflitantes. O apoio inabalável de Ash, embora quase inacreditável, o preenchia de alegria. No entanto, ao mesmo tempo, aquela alegria era manchada pela culpa de que suas próprias falhas tivessem trazido desconforto a todos eles. Por mais que apreciasse Ash saindo em sua defesa, Karlyle não conseguia descartar inteiramente a avaliação dura de seu avô.
— Vocês não são uma família? — Ash perguntou.
Os olhos azuis penetrantes de Arthur faiscaram com um olhar gélido antes de ele se desviar desdenhosamente, direcionando sua ira, em vez disso, para Lorde Gordon.
— Isso é bastante inesperado.
— Ora, vamos, Lorde Frost — disse Lorde Gordon. — Tenho certeza de que o senhor compreende que, quando as pessoas se importam umas com as outras, os ânimos podem se exaltar pelas questões mais brandas.
Foi uma tentativa tática de acalmar a situação, que demonstrava a disposição comedida de Lorde Gordon e seus anos de experiência. Mas Karlyle sabia melhor; seu avô não era de deixar as coisas de lado tão facilmente.
— Independentemente disso, há limites — comentou Arthur. — Dizem que o sangue sempre fala mais alto e, como esperado…
Ash não respondeu à insinuação depreciativa. Mas, desta vez, Karlyle achou os comentários difíceis de ignorar. Ele já havia antecipado algo assim por parte de seu avô. Tinha começado a esperar que Arthur deixasse de lado a diferença de status por enquanto, mas, no fim, ele havia tocado no assunto, trazendo à tona memórias dolorosas das observações desdenhosas de Arthur sobre seu pai. O que tais coisas importavam, afinal?
— Vovô — disse Karlyle, com o coração doendo de frustração. Ele se sentia ferido. Ash não merecia ouvir aquilo. Era profundamente injusto que Ash fosse submetido a tal tratamento simplesmente por ter se envolvido com Karlyle. — Eu agradeceria… se o senhor não culpasse Ash pelas consequências das minhas falhas.
— Karlyle! — Arthur rugiu, sua voz ecoando em descrença. Seus olhos ardiam em incredulidade. — Você perdeu o juízo?
Arthur não conseguia perdoar Karlyle por sua audácia. Sua mão tremia. Se não fosse pela presença de Ash e Lorde Gordon, Karlyle provavelmente teria sido esbofeteado no rosto. Nunca antes Karlyle havia respondido ao seu avô com tanto desafio.
A fúria crescente de Arthur sufocava a sala. Apesar de sua idade, a presença de comando de um alfa dominante ainda irradiava dele. A atmosfera opressiva era um lembrete visceral dos traumas passados de Karlyle. No entanto, ele cerrou e abriu os punhos, continuando a falar.
— Lamento tê-lo desapontado. No entanto… — A voz de Karlyle vacilou, mas ele a firmou, suprimindo o tremor em sua garganta. O pedido que ele estava prestes a fazer era inegociável. Ele tinha que ser assertivo. — Por favor, não fale do meu parceiro dessa forma, vovô. Eu lhe imploro.
Sua fisionomia empalideceu, mas com os lábios cerrados em uma linha firme, Karlyle enfrentou o olhar de Arthur diretamente. A mão do homem mais velho contraiu-se, como se ele estivesse resistindo ao impulso de erguê-la. Ficou claro para Karlyle que Arthur estava exercendo cada grama de autocontrole para não agredi-lo. A tensão na sala havia atingido o ponto de ebulição, mas Lorde Gordon mais uma vez a dissipou.
— Ah, é animador ver que a geração mais jovem sabe como manter sua posição hoje em dia.
— Animador? — Arthur cuspiu. — É assim que você chama isso, Philip? — Arthur estava à beira de explodir; na verdade, talvez já tivesse chegado lá. No entanto, Lorde Gordon parecia inteiramente imperturbável.
— Não há necessidade de azedar o clima neste dia que, de outra forma, é agradável — continuou Lorde Gordon. — Acredito que o senhor tem alguns assuntos importantes para discutir com Sua Graça esta noite, não? Talvez fosse sábio conservar sua energia em vez de gastá-la aqui.
Não havia como enganar a sutil estocada nas palavras de Lorde Gordon. Foi então que Karlyle compreendeu totalmente os riscos daquela reunião. Ele sempre soubera que seu avô ressentia a falta de conexões de sua família nos círculos políticos. Seu noivado, agora rompido, tinha sido um movimento estratégico para remediar essa falha também. Parecia que Lorde Gordon havia se oferecido para conectar Arthur com o Duque de Devonshire como parte de algum acordo pelo bem de Ash.
A tensão feroz que havia tomado conta da sala começou a diminuir. Arthur, embora arrogante e rígido em seus caminhos, também era um homem com prioridades claras. Pela sua família e ganho pessoal, ele sabia quando ceder. O rubor vermelho que havia manchado seu rosto recuou, e os feromônios opressores que haviam perturbado a sala gradualmente se dissiparam.
O olhar de Ash, cheio de uma frieza inabalável, permaneceu fixo em Arthur mesmo então. Arthur enfrentou o olhar com marcado desdém antes de fechar os olhos. Quando abriu os olhos após alguns segundos, seu comportamento havia mudado de volta para a maneira composta com que os havia recebido.
— Há alguma verdade no que você diz — disse Arthur.
— Fico feliz que concorde — respondeu Lorde Gordon.
— Com a boa vontade do marquês em jogo, suponho que vou deixar por isso mesmo por enquanto. — Com olhos indecifráveis, Arthur estudou Karlyle, antes de se dirigir a ambos friamente. — Podem sair. — Seu olhar desviou para Ash. — Eu estarei de olho em você.
Não estava inteiramente claro para qual dos dois o comentário ambíguo se direcionava, mas os lábios de Ash se curvaram em um sorriso.
— O senhor não precisa se preocupar. Eu cuidarei do seu neto melhor do que qualquer um poderia. Podemos nos retirar agora? — Embora tecnicamente tivesse pedido permissão, ele não esperou pela resposta de Arthur. Ash levantou-se decisivamente e estendeu a mão para Karlyle com uma expressão gentil. — Vamos, Lyle.
A tensão no corpo de Karlyle diminuiu, substituída por uma onda vertiginosa de alívio. Ele sentia como se tivesse arruinado tudo, mas ver o rosto de Ash, de alguma forma, fazia tudo parecer suportável.
Ele não queria mais pensar. Sem hesitação, Karlyle segurou a mão de Ash. O calor se espalhou por ele com o toque, a quentura gentil suavizando a inquietude que se havia instalado profundamente em seu interior. Era o mesmo sentimento que tivera mais cedo ao receber a mensagem de texto de Ash: a sensação de não estar sozinho, como se algo firme o estivesse apoiando.
“Como se chama esse sentimento?” A palavra pairava na ponta de sua língua. Segurando a mão de Ash, Karlyle levantou-se do sofá.
Conforme saíam da sala de visitas, Arthur, incapaz de conter sua ira, murmurou entre dentes:
— Que insolente…
Lorde Gordon, levantando-se de seu assento, moveu-se para acalmá-lo.
— Ora, vamos, Arthur. Considere isso a exuberância da juventude. Talvez eu possa dar uma palavra com eles.
Irritado demais para responder, Arthur apenas bebericou seu chá. Lorde Gordon riu amavelmente e caminhou em direção à dupla. Ash soltou um escárnio gélido antes de sair da sala primeiro. Lorde Gordon saiu logo atrás de Karlyle. Ao fechar a porta, ele chamou suavemente:
— Sr. Frost.
Com as emoções em turbilhão, Karlyle hesitou, então curvou a cabeça profundamente.
— Peço desculpas, Lorde Gordon.
— Lyle, não faça isso. Eu é que deveria estar me desculpando.
No entanto, o marquês dispensou as desculpas com um aceno.
— Por que você está se desculpando? O marquês foi quem agiu de forma desrespeitosa.
— Mas…
— De modo geral, os aristocratas da época dele não se afastam muito de seus temperamentos antiquados. É difícil mudar aqueles criados em ambientes passados — disse Lorde Gordon antes de voltar seu olhar para Ash.
Ash suspirou, esfregando o rosto com uma das mãos antes de se curvar levemente para Lorde Gordon.
— Sinto muito, e obrigado mais uma vez.
— Agora, por que diabos você está se desculpando? Eu é que deveria lhe agradecer. Você finalmente veio me ver.
— Eu estraguei tudo. — Ash balançou a cabeça, então estendeu a mão para tocar a bochecha de Karlyle. — Lyle, me desculpe. Eu deveria ter me controlado. Mas vendo a maneira como ele tratou você, eu não consegui aguentar nem mais um segundo.
A maneira como os olhos de Ash se estreitaram em angústia inundou Karlyle de emoção. Ash tinha ficado com raiva em seu favor. A palavra que vinha lhe escapando desde que deixaram a sala de visitas gradualmente tornou-se clara.
— Ha ha, parece que este velho deve se retirar. Mas antes de eu ir, uma coisa, Sr. Frost.
Karlyle estava olhando para a mão de Ash como se estivesse hipnotizado quando a voz de Lorde Gordon o trouxe de volta aos seus sentidos.
— Sim?
— Você se lembra do que lhe disse quando conversamos da última vez? Que eu lhe pediria um favor um dia.
Ele certamente se lembrava. Lorde Gordon havia se recusado a aceitar o preço da pintura, solicitando, em vez disso, um favor a Karlyle.
— Eu me lembro.
— Bem, parece que chegou a hora de eu fazer esse pedido. — O sorriso de Lorde Gordon suavizou-se em uma expressão gentil que lembrou Karlyle passageiramente de Ash.
— Qualquer coisa.
— Fico feliz em ouvir isso. — Lorde Gordon estendeu a mão para um aperto de mão e, após uma breve hesitação, Karlyle a segurou. O aperto do marquês era inesperadamente firme enquanto ele apertava gentilmente antes de soltar a mão de Karlyle. — Meu pedido é este: por favor, viva uma vida longa e feliz com o filho daquela que mais amei neste mundo. Isso é tudo o que peço. — Os olhos de Lorde Gordon suavizaram-se em anseio. — Ele carrega o espírito de alguém muito corajoso e profundamente amado.
Karlyle sentiu um nó na garganta. Ele se lembrou de alguém dizendo uma vez que as emoções eram contagiosas. A mão de Ash pousou sobre o ombro de Karlyle.
Lorde Gordon sorriu enquanto olhava para eles calorosamente.
— Bem, então, Ash. Vamos nos encontrar novamente em breve.
— Sim. Obrigado, de verdade.
— Claro. Já faz um tempo desde que vi Natalie também. Então, se você estiver disposto, seria bom ver vocês dois juntos.
— Vamos fazer isso. — Ash retribuiu o sorriso de Lorde Gordon, com a expressão muito mais calma do que antes.
Lorde Gordon assentiu alegremente, então se virou para se juntar novamente a Arthur na sala de visitas. A porta se fechou atrás dele com um clique suave. Ash continuou a acariciar o ombro de Karlyle por um longo tempo.
— Vamos voltar, Lyle?
— …Eu gostaria disso.
— Nós deveríamos pegar uma garrafa de vinho tinto no caminho para casa também — Ash refletiu em voz alta. — É, vinho seria uma boa ideia. — Então, ele puxou Karlyle para um abraço firme.
Afundando o rosto na curva do pescoço de Ash, Karlyle riu enquanto o alívio o varria como uma maré. Para sua surpresa, Karlyle percebeu que esteve dependendo de Ash o tempo todo.
Finalmente, ele foi capaz de encontrar a palavra que tanto procurava: confiança. Era assim que as pessoas chamavam. Ser capaz de depender de alguém de forma tão livre, tão inequívoca, sabendo que a pessoa estaria lá para protegê-lo e acalentá-lo com amor.
Ele se maravilhou com a percepção, então envolveu os braços firmemente ao redor de Ash em retribuição.
“Obrigado, Ash”, Karlyle pensou enquanto puxava Ash para mais perto pela cintura. “Obrigado por me escolher.”
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr