Capítulo 41
Deep Pivot Side Story — Capítulo 41
Um turbilhão de emoções complexas o percorreu. Estava um pouco ressentido por seu amante não ter lhe dado nenhum aviso, surpreso com a facilidade com que se deixou levar por uma situação tão previsível e também — um tanto tolamente — animado.
Por fim, Yeonwoo respirou fundo e se recompôs. Alguns segundos depois, suas mãos, agora calmamente abaixadas, envolveram o buquê com uma graça gentil.
Seojoon, observando o jogo de emoções que percorria o belo rosto de seu amado, capturou com satisfação a imagem de Yeonwoo de smoking branco e véu. O corredor do casamento não era muito longo, então ele conseguia ver claramente a expressão dele mesmo através do véu.
Tenente… isso é realmente injusto. Deveria pelo menos ter me avisado com antecedência, me dado tempo para preparar meu coração. Aquela queixa silenciosa se misturou a uma alegria que ele não conseguia esconder, transparecendo suavemente em seu rosto adorável.
O constrangimento durou pouco. Logo, Yeonwoo deu o primeiro passo à frente.
No outro extremo do corredor do casamento, onde Nuvole Bianche de Ludovico Einaudi* fluía suavemente pelo ar, Seojoon manteve os olhos fixos em seu amante que se aproximava, sem perder um único momento.
[N/t: “Nuvole Bianche” é uma famosa peça instrumental para piano solo composta pelo pianista e compositor italiano Ludovico Einaudi, lançada em seu álbum Una Mattina de 2004]
Naquele momento, Cha Yeonwoo era a pessoa mais lindo do mundo — o único de Ji Seojoon.
A única pessoa que Seojoon realmente poderia chamar de amante e família, a luz singular de sua vida, veio até ele envolta no brilho de um pôr do sol tão brilhante quanto ele.
Observar Yeonwoo caminhar em sincronia com a melodia, como se a tivesse ensaiado, fez Seojoon sorrir. Ao sorrir, Yeonwoo também soltou uma risadinha. Cobriu o rosto brevemente com o buquê, depois o abaixou e voltou a caminhar solenemente. Parecia que havia decidido saborear o momento ao máximo.
Os membros da equipe aplaudiram, assobiaram e comemoraram em alto e bom som. Doyoung acompanhou Yeonwoo a cada passo, filmando com o celular. Mingeon, que também segurava o celular e tirava fotos, assobiava e brincava dizendo que o noivo parecia jovem demais.
— Ladrão de bebês sem vergonha!
— O bebê foi pego pelo velho Ji!
As vaias se misturavam desordenadamente no ar, cortando a música solene.
Por fim, os dois se aproximaram. Seojoon estendeu a mão e Yeonwoo se adiantou para pegá-la.
“Tenente… você está realmente lindo demais.”
Um sussurro, leve como o ar, passou entre eles.
— E agora, testemunharemos a união do Mestre e do Bebê. —
Risadas irromperam dos assentos de convidados com o anúncio de Cheong-oh. — Algo a dizer em nome do bebê? —, brincou ele, estendendo um microfone invisível para Yeonwoo.
— O que você pensa sobre as alegações do Mestre? —
Yeonwoo respondeu calmamente.
— Sem comentários. —
As risadas se espalharam novamente. Cheong-oh virou o microfone imaginário para Seojoon desta vez e perguntou: — Você tem interesse em assinar um contrato de escravidão? —
Ele quase levou um chute na canela.
— Noivo, Sr. Ji Seojoon. O senhor jura amar e cuidar do nosso bebê com todo o seu coração, nos bons e maus momentos, na saúde e na doença? —
— Sim, eu juro. —
— Noivo, Sr. Cha Yeonwoo. Embora você seja bom demais para esta união… —
Ele fez uma pausa, esperando que as risadas diminuíssem.
— Você jura, com toda a sinceridade, viver sua vida lindamente, confortavelmente e com total honra enquanto se deleita na riqueza de Ji Seojoon — até que a cartilagem dos joelhos dele se desgaste? —
— Sim, juro sinceramente. —
Não houve lágrimas, nem solenidade — apenas risos estrondosos e aplausos. Seojoon moveu delicadamente o anel da mão direita de Yeonwoo para a esquerda. Só depois de levantar o véu do rosto dele é que percebeu as lágrimas brotando em seus olhos.
— Você tem que escolher: rir ou chorar, não os dois, Yeonwoo. —
Brincando, enquanto acariciava delicadamente a bochecha corada dele, Seojoon o beijou. E então Yeonwoo sussurrou suavemente:
— Querido. —
— Agora posso oficialmente te chamar de “Querido”. —
Seojoon riu e provocou: — Você nem consegue dizer “bebê” direito, e agora já começa falando “Querido”? —
Jeongwoo caminhou pelo corredor, espalhando flores de papel de uma cesta. Yeonwoo, rindo, o abraçou.
— E agora, declaro esses dois oficialmente casados. —
Cheong-oh anunciou em voz alta, como se tentasse redimir sua arbitragem completamente ridícula com uma declaração grandiosa. Aplausos e vivas irromperam da equipe.
Seguiram-se fotos de grupo e de casal. Cinderela e Elsa — que se sacrificaram para colocar aquele véu no teimoso Yeonwoo — estavam solenemente de cada lado do casal, em poses dramáticas.
— Mingeon hyung parece um ídolo da geração passada —, disse alguém.
— El—Elsa parece confiável demais —, disse outro.
Yeonwoo tirou o véu que estava usando e o colocou na cabeça de Seojoon. “Tenente, é justo que você também sofra.” Seojoon, em silenciosa obediência à firmeza de seu amante, usou o véu e sorriu para as fotos.
O véu de casamento então fez suas rondas — pousando na cabeça de Jeongwoo uma vez, depois na de Cheong-oh e depois nas cabeças de cada membro da equipe, um por um — antes de finalmente retornar para Yeonwoo.
Uma simples recepção de casamento começou.
Seojoon e Yeonwoo saíram discretamente da recepção depois de colocar Jeongwoo na cama e foram dar uma caminhada tranquila. Chamava-se recepção, mas, na verdade, como o resto da viagem, era só comer e beber com os amigos — não havia necessidade de ficar até o final.
— Tenente, você sabia que o casamento entre pessoas do mesmo sexo também é legal na Holanda e na Bélgica? —
Enquanto caminhavam lentamente pela praia suavemente iluminada à noite, Yeonwoo continuou, com o telefone na mão.
— A Espanha também. E a Noruega, a Suécia, o Canadá… —
Seojoon o puxou pela bochecha e beijou seus lábios trêmulos, sorrindo. Yeonwoo ainda usava o véu de noiva. A princípio, ele ficou constrangido, mas em algum momento decidiu que gostava tanto dele que não o tirou durante toda a recepção.
— Você está planejando uma série de casamentos em turnê mundial agora? —
— Sim! Parece muito divertido. Quero fazer uma surpresa também. —
Ele acrescentou que da próxima vez colocaria um véu longo e extravagante no Tenente.
— Esse tipo de coisa só combina com você, Yeonwoo. —
Não houve resposta ao seu lado. Seojoon virou a cabeça para olhar. Yeonwoo o encarava com uma expressão indecifrável, perdido em pensamentos. Então, de repente, ele sorriu suavemente.
— O que é tão engraçado agora? —
— Nada. —
Seu aperto na mão de Seojoon aumentou.
— Acho que eu realmente te amo, Tenente. —
Seojoon sorriu e puxou a mão de Yeonwoo até seus lábios, beijando as costas dela.
— Eu também te amo, Yeonwoo. —
Yeonwoo ofegou e arregalou os olhos. Seojoon riu baixinho e beijou sua mão novamente. Seu rosto ficou vermelho com manchas rosadas enquanto ele se aproximava e murmurava para si mesmo.
— Quero registrar que… —
Seojoon se encolheu e tapou os ouvidos. — Se você sussurrar bem no meu ouvido, deixa de ser um monólogo. —
— Lá está de novo. Você e essa gravação sem sentido. —
— Então que tal um vídeo? —
— Você está falando sério? —
— Tchê. —
— Vou te dizer que te amo com tanta frequência e de forma tão irritante que você não vai precisar de uma gravação. —
Discutindo e brincando, eles finalmente chegaram em frente ao resort.
— Você quer andar mais? Ou voltar para a recepção? —
Nesse momento, Yeonwoo o puxou para mais perto. Num instante, Seojoon se viu envolvido por um par de braços grossos.
“Hoje é nossa lua de mel, lembra?”
O sussurro familiar passou raspando por seu ouvido. Ele devia pensar que sussurrar algo sujo o tornava menos sujo.
— …
Seojoon o puxou para perto. Uma risada silenciosa escapou dos lábios que se tocaram.
Seus corpos, como duas portas sólidas batendo uma na outra, cambalearam para dentro da suíte, emaranhados. O quarto, abarrotado de roupas por arrumar e lembranças espalhadas da viagem, não parecia em nada o cenário para uma romântica noite de lua de mel.
A canela de Yeonwoo bateu no braço do sofá com um baque. Seojoon o empurrou para baixo junto com a queda, engolindo o ar quente enquanto o beijava profundamente.
Yeonwoo, abrindo os lábios desamparadamente, desfez o smoking de Seojoon, desabotoando-lhe a camisa. — Bebê —, ele pronunciou a palavra com uma bronca brincalhona.
— É a nossa noite de núpcias e ainda nem chegamos na cama. O que é isso? —
— Ah.
Seojoon riu baixinho e ergueu ligeiramente o tronco. Ainda com o véu de noiva meio aberto, Yeonwoo continuou a desabotoar a camisa. Seojoon acariciou delicadamente uma bochecha aquecida e perguntou docemente:
— Quer alguma coisa? É a nossa primeira noite…
Yeonwoo sorriu com olhos em forma de lua crescente.
— Então que tal nós dois fazermos o que o outro quer hoje à noite? Já que é a nossa noite de núpcias…
Sorrindo, Seojoon afrouxou a gravata de Yeonwoo. Na verdade, havia algo que ele queria tentar desde que começaram os preparativos para a cerimônia — mais especificamente, desde que escolheram o vestido de casamento de Yeonwoo.
A gravata escorregou do pescoço de Yeonwoo e caiu no chão. Enquanto Seojoon desabotoava as roupas, puxou delicadamente a ponta do véu, que ainda se prendia precariamente à sua cabeça.
— Há algo que eu queria tentar…
✦Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki& Belladonna