Capítulo 33
Deep Pivot Side Story — Capítulo 33
Seojoon, que já havia se preparado depois de ouvir Hee-min falar sobre isso, colocou a mão delicadamente nas costas de Yeonwoo. Cha Yeonwoo não era do tipo que demonstrava altos e baixos emocionais à primeira vista. Mas Seojoon sabia melhor do que ninguém a violência com que essas emoções podiam se manifestar sob a aparência calma.
— …Yeonwoo, respire.
Só então a elevação imóvel de suas costas começou a se expandir lentamente. Enquanto Hee-min observava o rosto sereno de Yeonwoo, ele continuou.
A alfa-fenilcetonúria genética causa várias complicações, mas casos como o de Jeongwoo, em que os pulmões são diretamente afetados, são extremamente raros. O edema pulmonar que ele apresentou alguns anos atrás foi, na verdade, causado por um tratamento inadequado do hospital na época. Não foi uma complicação.
— E-então… você está dizendo que o Jeongwoo ficou mais doente por minha causa?
Observando as lágrimas brotarem rapidamente nos olhos de Yeonwoo, Hee-min balançou a cabeça apressadamente.
— Não, não é culpa sua. Graças a você ter continuado com o tratamento disponível, Cha Jeongwoo ainda está vivo.
Yeonwoo tremeu. Seojoon passou um braço firme em volta do seu ombro para acalmá-lo. Dr. Yoon se inclinou para frente e falou.
— A condição de Cha Jeongwoo pode ser curada com um transplante de pulmão. No entanto, as taxas de sobrevivência para transplantes de pulmão são menores do que para outros órgãos. A sobrevida em um ano é superior a 85%, mas a sobrevida em dez anos cai para a faixa de 30%.
O Dr. Yoon escolheu palavras mais simples em vez do jargão médico para garantir que Yeonwoo pudesse acompanhar.
— Resumindo: os transplantes de pulmão apresentam taxas de sobrevivência mais baixas e exigem uma longa espera para doadores de órgãos com morte cerebral. Mas, recentemente, um novo método de tratamento surgiu no exterior: um dispositivo modular sincronizado com o coração pode ser implantado nos ramos brônquicos do pulmão para ajudar a restaurar a função.
— Isso aumenta a taxa de sobrevivência em dez anos para mais de 80%. Com isso, Cha Jeongwoo poderia viver uma vida normal e saudável sem precisar de um aparelho respiratório. Ele poderia até frequentar a escola e se tornar um adolescente temperamental e rebelde que te deixa louco, Yeonwoo. Bem… ele não se tornará um atleta, é claro.
Ao final, a voz do Dr. Yoon continha um leve tom de riso. Mas ele também explicou que ainda havia uma decisão a ser tomada: se optaria pelo procedimento de transplante já consagrado ou se tentaria o método mais recente, que apresenta menos casos clínicos e exige trocas regulares do dispositivo.
— A cirurgia é muito arriscada?
Ambos são procedimentos de alta dificuldade. E a cirurgia de implante modular nem sequer está disponível no mercado interno — precisa ser feita no exterior.
Acontece que a unidade médica que oferecia esse tratamento ficava em Jacksonville, Flórida. Como a equipe já estaria nos EUA para a missão da NASA, seria uma boa oportunidade para levar Jeongwoo para os testes pré-cirúrgicos.
Yeonwoo soltou um suspiro trêmulo.
— Eu… eu não sei. Foi muita coisa… Não tenho certeza se entendi tudo…
Os três estenderam a mão ao mesmo tempo para confortá-lo. Seojoon podia sentir claramente o coração de Yeonwoo batendo forte sob a palma da mão. Ele esfregou as costas dele delicadamente, tentando aliviar o caos e o choque que o dominavam.
— Não tenha pressa. Iremos até a unidade e conversaremos com eles pessoalmente.
Para uma jovem de 21 anos lançada nesse turbilhão de notícias inesperadas e emoções complexas, tudo aquilo era demais. O que Yeonwoo parecia sentir não era esperança — era medo.
Seojoon se pegou pensando que talvez fosse por isso que o destino lhe dera outra chance — estar ao lado de Yeonwoo naquele exato momento. Que ele não tivesse desaparecido pelo portão, não tivesse deixado Yeonwoo para trás… Era realmente uma bênção.
Ainda atordoado como alguém perdido em um sonho, Yeonwoo aceitou os documentos que o Dr. Yoon lhe entregou. Eram artigos de pesquisa sobre transplantes de pulmão e o procedimento com dispositivo modular. Hee-min havia destacado as seções principais e escrito notas úteis nas margens.
Naquela noite, Yeonwoo não conseguiu dormir. Ficou acordado lendo os jornais, e Seojoon ficou acordado com ele. Eles pesquisaram termos desconhecidos na internet até se sentirem como estudantes de medicina.
Dizem que todas as famílias de pacientes com doenças raras se tornam especialistas — não médicos de verdade, mas especialistas na doença que afeta o ente querido. Elas são constantemente forçadas a se deparar com encruzilhadas difíceis e tomar decisões impossíveis.
— Jeongwoo tem reações adversas a imunossupressores. Ele diz que eles causam dor de cabeça e enjoo no estômago. E os esteroides atrapalham seu crescimento…
— O implante modular não requer imunossupressores. Essa é a sua maior vantagem.
— Mas e se o aparelho falhar de repente? Aqui você nem consegue atendimento de emergência.
— Na verdade, eu pesquisei sobre isso…
Os dois discutiram a noite toda, com as vozes cada vez mais roucas. Na manhã seguinte, Cheong-oh e Yeong-gyo apareceram com café depois de ouvirem as notícias de Hee-min. Yeonwoo e Seojoon tiveram que explicar tudo o que haviam aprendido durante a sessão de estudos noturna.
Cheong-oh pareceu desconfortável com a ideia de inserir um dispositivo dentro dos pulmões, claramente cético em relação ao novo tratamento. Yeong-gyo riu, dizendo que até o Homem de Ferro está bem, então o que é um dispositivo do tamanho de um mindinho?
Yeonwoo não precisava mais carregar o peso de tudo sozinho. Agora havia pessoas ao seu redor — pessoas que compartilham suas preocupações como se fossem suas.
E assim, no meio daqueles dias agitados, a viagem à NASA finalmente chegou.
Bebê de casamento
24 de dezembro de 2000, Nova York.
Sob os pés da multidão agitada que cruzava a Ponte do Brooklyn — onde os sinos do Exército da Salvação e as risadas natalinas ecoavam pelo ar — algo viscoso e gelatinoso se contorcia.
No início, era apenas gosma. Mas, lentamente, começou a tomar forma, grudando na parte inferior do corrimão. Ninguém percebeu — nem a criança andando de mãos dadas com os pais, nem os casais, nem o casal de idosos tirando fotos, nem o grupo barulhento de jovens passeando para comemorar o feriado. Ninguém prestou a menor atenção à pequena massa de muco.
Com o tempo, a doença cresceu. Pústulas protuberantes começaram a surgir, como se algo dentro delas estivesse bombeando, e sua cor ficou vermelha. Um homem empurrando uma carroça pesada esbarrou com força em alguém que vinha na direção oposta.
A carroça tombou, espalhando uma carga de jornais por toda parte. Ele provavelmente estava a caminho de abastecer as bancas próximas com as edições do dia. Jornais grandes, tamanho A1, espalharam-se desordenadamente pela ponte.
Um dos papéis, levado pelo vento, caiu sobre a lama vermelha. O homem, com a ajuda de transeuntes, recolocou os papéis rapidamente no carrinho e desapareceu na multidão.
O sol se pôs. A noite caiu. Baque. Tremulação. A faixa do New York Times no jornal se moveu levemente. Uma rajada de vento cortante de inverno levantou a folha no ar, finalmente revelando o que havia por baixo.
— Suspiro, espera, isso não é uma pessoa?!
Alguém que atravessava a ponte gritou. Cabeças se voltaram para um ponto sob a grade.
— Meu Deus, é um bebê!
Um jovem casal, de braços dados, aproximou-se cautelosamente da pequena figura trêmula. Um menino, que não aparentava ter mais de cinco ou seis anos, havia sido abandonado no meio da multidão festiva — em pleno inverno, completamente nu.
Gritos ecoaram exigindo saber quem havia abandonado uma criança. Uma mulher na multidão rapidamente tirou o casaco e o envolveu no corpinho do menino.
— Oh, coitado… Quem te deixaria num lugar como este?
Enterrado dentro do enorme casaco, apenas o rosto da criança aparecia. Ele não chorou. Apenas piscou, inexpressivo, com olhos cinzentos e claros. Sombras profundas se formaram em suas pálpebras. Milhares de pores do sol se passaram. A noite caía repetidamente. As bochechas macias e rechonchudas de um bebê afinaram, e uma forte estrutura óssea emergiu por baixo, moldando o rosto de um homem.
Eric Donovan. O Sem Nome americano .
Encontrado na Ponte do Brooklyn, transferido para um abrigo e, por fim, adotado pela família Donovan, a realeza bancária tradicional do Upper East Side.
— Você realmente tem sorte.
Uma voz veio do banco do passageiro. Eric riu, pisando fundo no acelerador enquanto a estrada se estendia à sua frente. As pessoas o chamavam de sortudo. No ano em que se candidatou à concorrida Yale, a universidade havia aumentado abruptamente sua cota de admissão. Quando ele se atrasou para a entrevista, uma queda repentina de energia atrasou todo o cronograma.
O tipo de homem que ganhava na loteria uma vez a cada cinco tentativas. O tipo de homem que sempre encontrava passagens canceladas de última hora — mesmo em voos lotados.
Nascido em uma família com poder político e financeiro que remonta a gerações, criado com amor incondicional de pais e irmãos afetuosos e generosos, a vida de Eric sempre foi uma estrada dourada.
Mesmo quando foi categorizado como um “Esper sem classificação” e precisava encontrar uma parceira, ele conheceu facilmente sua atual esposa, Rachel. Sua vida era como uma comédia romântica onde tudo vinha envolto em risos e amor.
— Achei que chegaríamos atrasados. Espero que não tenham chegado antes de nós. Devíamos ser os primeiros a recebê-los.
— Não se preocupe.
Segurando a mão de Rachel, Eric acelerou. Hoje, eles se encontrariam o Sem Nome sul-coreano , Joon, sua guia Bebê e os membros da SAU.
✦Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki& Belladonna