Capítulo 21
Deep Pivot Side Story — Capítulo 21
— Jeongwoo!
Yeonwoo disparou até ele e pegou no colo o corpinho que vinha correndo em sua direção.
— Nossa! Por que o nosso Jeongwoo está tão pesado agora? E olha só essas pernas compridas!
Um pouco afastado, Seo-joon observava o reencontro dos irmãos. Era a primeira vez que Yeonwoo sorria de um jeito tão radiante — até então, ele vinha se mostrando tímido tanto com Hee-min quanto com ele.
Com o rosto transbordando de alegria, Yeonwoo encheu Jeongwoo de beijos. Jeongwoo, visivelmente constrangido, esfregou a bochecha com força.
— Ugh, hyung… Eu já estou grande. Não me beija…
Os olhos de Yeonwoo se arregalaram.
Ele olhou para Jeongwoo fazendo um beicinho fingido, como se estivesse de coração partido de verdade.
— O Jeongwoo não quer mais os beijos do hyung?
— Uhum. Faz um tempão que você não faz isso…
Ele devia viver enchendo de beijos a versão mais nova de Jeongwoo.
Embora não demonstrasse muito, o rosto de Yeonwoo parecia estranhamente dividido — como se a realidade o tivesse atingido com mais força do que ele esperava.
Aquele era o dia da consulta de Jeongwoo no dentista, para tratar uma cárie.
Como já tinha passado por vários especialistas no Centro, Jeongwoo cumprimentou o dentista com toda a desenvoltura e encarou o tratamento com calma.
— O Jeongwoo deve estar mesmo crescido. Nem quer mais que eu dê beijo nele.
Yeonwoo murmurou isso num tom meio desanimado enquanto observava de canto. Ainda desacostumado com o corpo de adulto, ele se remexia, as pernas compridas indo e vindo, desajeitadas.
Os pequenos gestos, o tom de voz — tudo nele gritava juventude.
Seo-joon não conseguiu evitar um sorriso discreto.
— Ele cresceu desse jeito porque você o criou bem, Yeonwoo.
Yeonwoo olhou para Seo-joon com o canto do olho, mas logo desviou o olhar.
Seo-joon nem se deu ao trabalho de desviar o dele; apenas apreciou o rubor que se espalhava até as pontas das orelhas de Yeonwoo.
— …Obrigado por dizer isso.
O agradecimento sem jeito soou como algo que se diria a alguém mais velho.
Envergonhado, Yeonwoo mexeu no cabelo e virou ainda mais o rosto para longe de Seo-joon.
— …
Até aquela tensão desajeitada, concluiu Seo-joon, valia a pena ser atravessada — só para estar com Yeonwoo.
Quando Yeonwoo voltou para o quarto depois de passar um tempo com Jeongwoo, a noite já tinha caído.
— Obrigado… por me deixar ver o Jeongwoo.
Ele falou baixinho enquanto ajudava Seo-joon a tirar a mesa do jantar. Seo-joon deu um sorriso gentil enquanto dobrava a bandeja de volta para junto da cama.
— Não só hoje — a partir de agora, você pode vê-lo quando quiser. Desde que o médico permita, claro.
— …
— Vou deixar seu remédio aqui. Tome e depois escove os dentes, tá?
Colocando os comprimidos na mesinha, Seo-joon se virou.
— Durma bem, Yeonwoo. Se acontecer alguma coisa, é só apertar a campainha.
— …Tenente Ji.
Ele tinha acabado de chegar à porta quando a voz de Yeonwoo o deteve. Seo-joon se virou e olhou para ele.
Yeonwoo hesitou por um bom tempo, os olhos correndo nervosos de um lado para o outro, até que finalmente falou, gaguejando.
— Só por via das dúvidas…
— …
— …Você poderia… me dar um abraço? Só um?
O pedido repentino fez Seo-joon arquear uma sobrancelha. Aquilo não era nem um pouco típico de Cha Yeonwoo — ele nunca tomava a iniciativa, não daquele jeito.
— …Yeonwoo. Não me diga que…
Vendo-o se remexer e evitar seu olhar, Seo-joon franziu levemente as sobrancelhas.
— …Você acha que tudo isso é um sonho?
Como era de se esperar, Yeonwoo assentiu de leve.
— Eu posso acordar amanhã… e você não estar mais aqui.
— …
Seo-joon abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Cha Yeonwoo estava tratando tudo aquilo como um sonho — acreditando que poderia acordar de volta em seu apartamento de semiporão, como se nada daquilo tivesse acontecido.
E, do ponto de vista dele, não era um medo tão absurdo assim.
Mas aquele lugar — o mundo em que os dois estavam juntos — era real.
Da noite para o dia, o Cha Yeonwoo de vinte e um anos tinha regredido ao seu eu de dezoito. E Seo-joon não fazia ideia de como lidar com aquilo.
Mas sabia exatamente o que queria lhe dar.
— …Vem cá.
Seo-joon abriu os braços, com calma.
Yeonwoo deu um passo à frente, e dava para ver sua garganta se mover quando ele engoliu em seco, nervoso.
Parou por um instante, sem saber o que fazer com aquele corpo que de repente tinha crescido — e então se inclinou com cuidado e se apoiou no peito de Seo-joon.
— …
Se Seo-joon tivesse conhecido o Yeonwoo de dezoito anos naquela época — sobrevivendo entre a escola, os bicos e as visitas desesperadas ao hospital para ver o irmão —, teria querido abraçá-lo exatamente assim.
Eu sei que está difícil agora. Mas aguenta só mais um pouquinho.
Dias melhores vão chegar.
Seo-joon afagou as costas dele com delicadeza.
Só então os braços de Yeonwoo pousaram de leve nas costas de Seo-joon, retribuindo o abraço.
O ritmo constante do coração dele ecoava entre os dois — quente, real. Uma prova de que o seu precioso namorado estava vivo e ali.
Depois de alguns segundos, Yeonwoo se afastou devagar. Os olhos dele vagaram, sem saber onde pousar, até finalmente pararem em Seo-joon.
— …Obrigado.
Ele fez uma pequena reverência educada e voltou para a cama.
Seo-joon, com uma das mãos ainda na maçaneta, respondeu:
— Boa noite, Yeonwoo.
Uma voz baixa respondeu às suas costas.
— …Espero poder te ver de novo amanhã.
Seo-joon parou no corredor. Soltando o ar em silêncio, deu uma resposta curta antes de fechar a porta com delicadeza.
— Eu também.
Na esperança de que, no dia seguinte, o Cha Yeonwoo de vinte e um anos voltasse para ele.
Mas o dia seguinte chegou.
E o outro também.
E, ainda assim, o Cha Yeonwoo de vinte e um anos não voltou.
— E agora, Yeonwoo? Sente que alguma coisa está começando a voltar?
Um carro preto e elegante deslizava suavemente por uma estrada tranquila. Seo-joon dirigia devagar pelo Setor 1, mostrando o Centro a Yeonwoo.
— Aquele ali é o Centro de Treinamento de Guias, onde foi a sua cerimônia de posse. O Cheong-oh te tirou escondido de lá e te arrastou para a operação em Hyoseok-dong. Você já viu ácaros parasitas na TV, né?
Ao perceber que Yeonwoo se inclinava na direção da janela para ver melhor o Centro de Treinamento, Seo-joon continuou.
— Aquela operação era de contenção de parasitas. Você se saiu incrivelmente bem desde o começo, e a equipe inteira gostou muito de você.
— Então… hum…
Yeonwoo, que tinha passado o tempo todo ouvindo em silêncio, hesitou ao falar.
Pode perguntar qualquer coisa, pensou Seo-joon, e alargou o sorriso para encorajá-lo.
— …Eu já atirei com uma arma?
— …
Antes de se tornar namorado de Seo-joon, Yeonwoo tinha sido um garoto de dezoito anos tímido e curioso — só um pouquinho excêntrico, do jeito mais apropriado para a idade. Seo-joon segurou o riso e respondeu com seriedade.
— Você não era brincadeira… um atirador nato.
Assim que a primeira pergunta cautelosa saiu, Yeonwoo começou a perguntar com mais empolgação.
Eu usei equipamento de combate igual nos filmes? Andei de helicóptero? E granada, eu já joguei?
Seo-joon respondeu a cada uma com respostas sinceras e detalhadas.
— Então… eu também devo ter salvado muita gente, né?
— Claro. Você salvou muitas vidas, Yeonwoo.
— Igual a você, Tenente?
— …
Seo-joon olhou para ele, sem palavras por um momento. Os olhos brilhantes de Yeonwoo cintilavam de curiosidade e admiração.
Assim que os olhares se encontraram, Yeonwoo se sobressaltou e voltou depressa a olhar pela janela.
Seo-joon soltou uma risada suave, quase um sopro, e respondeu com gentileza.
— …Não tanto quanto você.
— Yeonwoo, agora tira o pé do freio devagar.
No estacionamento vazio dentro do Centro, o carro de Seo-joon avançava bem devagar.
— Ah—!
Assim que o carro começou a andar, Yeonwoo entrou em pânico e pisou fundo no freio de novo.
Seo-joon riu baixinho e deu um tapinha leve no joelho dele.
— Relaxa o pé. Não fica tenso.
Tudo tinha começado com uma pergunta simples: “Eu também tenho carteira de motorista?”
E, assim do nada, aquilo virou uma aula de direção.
— Agora devagar, pisa no acelerador de novo.
Quando a velocidade começou a subir, Yeonwoo tirou o pé por instinto outra vez. Mas Seo-joon não se abalou e continuou elogiando.
— Você foi muito bem agora. Tenta pisar de novo.
Vrrrmmm…
Enquanto o ponteiro do velocímetro subia, Seo-joon corrigiu de leve o volante.
Yeonwoo prendeu a respiração, os olhos arregalados e grudados na estrada à frente, completamente paralisado.
— Isso, agora vira para cá e dá uma volta grande. Você consegue, né?
Seo-joon tirou as mãos do volante.
Yeonwoo, agarrando-o como se fosse parti-lo ao meio, seguiu em frente bem devagar, com o rosto travado de concentração e a boca levemente aberta.
Seo-joon observava a cena com um sorriso discreto.
— E-eu… eu não consigo. Não consigo mesmo.
Antes mesmo de chegar à metade da volta no estacionamento, Yeonwoo tirou o pé do acelerador e pisou no freio.
O carro parou suavemente, sem nem um solavanco — surpreendentemente suave para quem dirigia pela primeira vez.
Mesmo que as memórias tivessem sumido, o corpo ainda se lembrava de algumas coisas.
— Minhas mãos estão todas suadas…
Yeonwoo mostrou as palmas, brilhando de suor de nervoso.
Seo-joon riu e pousou a própria mão sobre a de Yeonwoo.
O calor úmido grudou em sua pele.
— Eu estou sentado bem do seu lado. Por que ficou tão nervoso?
Ele bateu de leve uma palma na outra, ainda sorrindo.
— …Porque você está sentado do meu lado.
De repente, o silêncio caiu sobre eles.
Seo-joon ficou imóvel por um momento e, então, puxou a mão depressa, percebendo o erro.
Claro.
Aquele Yeonwoo não era seu namorado — ainda não.
Um toque casual como aquele… talvez não fosse tão apropriado assim.