Capítulo 18
Deep Pivot Side Story — Capítulo 18
SIDE STORY_IF — Extra: Amnésia
[Tenente]
[Estou indo ao mercado agora]
[Precisa de alguma coisa?]
11h13
[Quer que eu leve pudim?]
11h18
[Ainda está no mercado?]
[Estou quase terminando aqui.]
11h51
[Sim]
[Também peguei aquele molho rosé de que você gosta]
[Vamos jantar macarrão hoje]
11h52
[Vem logo]
[Estou com saudade]
11h53
[Terminei.]
[Já vou para aí.]
13h28
[Yeonwoo]
14h11
[Notícias locais. Por volta das 12h10 de hoje, ocorreu uma colisão entre um caminhão basculante de 25 toneladas e um sedã no cruzamento próximo ao Centro Esportivo de Yeonseon-dong. O motorista do sedã é um Desperto de nível A vinculado ao governo. Ele recebeu atendimento de emergência em um hospital próximo e está sendo transferido para o Centro…]
Acidentes sempre acontecem sem aviso.
Ele não fazia ideia de por que tinha ligado a rádio local naquele dia — algo que nunca ouvia. Talvez tivesse que ser assim.
Para que ele não soubesse do seu acidente tarde demais. Para que pudesse correr até você imediatamente.
Ignorando os cumprimentos dos funcionários que tentavam lhe passar informações, Seo-joon, pálido e transtornado, disparou pelo corredor do Centro.
— Seo-joon.
Do outro lado do corredor, Hee-min o avistou e veio até ele. Seo-joon tentou firmar a visão turva, apoiando-se na parede com as mãos trêmulas. As luzes do corredor estavam fortes demais — de repente, ficou difícil respirar.
— Cadê o Yeonwoo?
Assustado, Hee-min segurou o braço dele para ampará-lo.
— Calma. O Yeonwoo está bem. Só alguns hematomas leves, nada grave.
Em momentos assim, é melhor começar pelo mais importante.
— Onde ele está agora?
As boas notícias devem vir primeiro. As más, depois.
— Me escuta só mais um pouquinho. Tem um probleminha com o Yeonwoo, só um pequenininho— Seo-joon? Ei, Ji Seo-joon! Pelo menos me deixa terminar—!
Infelizmente, Hee-min não teve a chance de explicar direito a má notícia antes que Seo-joon escapasse.
Quando Seo-joon invadiu o quarto e escancarou a porta, Songhee se virou para ele, o rosto marcado por um espanto confuso. Cheong-oh e Yeong-gyo, que estavam em volta da cama de Yeonwoo, tinham expressões parecidas.
— Yeonwoo.
Pela brecha entre as pessoas que se afastavam, Cha Yeonwoo apareceu. Ao contrário do que Seo-joon temia, Yeonwoo parecia perfeitamente bem, sentado com as costas apoiadas na cabeceira da cama.
Seo-joon soltou um suspiro de alívio, ainda pálido. Ao se aproximar, pegou a mão de Yeonwoo sem hesitar. No instante em que Yeonwoo o viu, seus olhos azul-claros tremeram e logo desviaram, fugindo para todos os lados.
— Você está bem? Como está se sentindo?
— …
— Yeonwoo, eu fiquei com tanto medo—
— Hum…
Evitando o olhar de Seo-joon, Yeonwoo puxou a mão com delicadeza e murmurou, com uma expressão assustada:
— Q… Quem… Quem é você?
Seo-joon ficou boquiaberto, em choque. Afinal, ele não estava bem. Cha Yeonwoo só parecia bem por fora.
— Yeonwoo…?
— Desculpa. E-eu… não sei muito bem… quem você é…
Yeonwoo escondeu as mãos debaixo do cobertor. Seo-joon estendeu a mão para segurá-las de novo, mas agarrou o vazio — a mão dele caiu mole sobre os lençóis.
— Tem… tem um paciente chamado Cha Jeongwoo neste hospital também?
Virando o corpo para longe de Seo-joon, Yeonwoo olhou aflito para Hee-min. Lançando um olhar sem graça para Seo-joon, Hee-min respondeu:
— Yeonwoo, como eu te disse antes, aqui não é um hospital. É o Centro de Pesquisa dos Despertos. O Jeongwoo está em outro quarto.
— Centro de Pesquisa… dos Despertos…?
Os olhos azul-claros tremiam de dar pena, indo de um lado para o outro, confusos. Estava claro que ele não entendia o que estavam dizendo. O olhar dele passeou por Cheong-oh, Yeong-gyo e Songhee antes de parar em Hee-min — o único de jaleco.
— Então… hum… e-eu já estou bem de verdade, então posso ter alta?
Com a voz à beira do choro, acrescentou baixinho: Me desculpa, mas eu não tenho dinheiro, doutor…
Ele puxou de leve a manga do jaleco de Hee-min.
— Eu pago a conta do hospital no mês que vem, sem falta.
Vendo-o daquele jeito — recusando-se até a virar a cabeça em sua direção —, Seo-joon sentiu um arrepio de desespero, como se tivesse acabado de perder algo irrecuperável.
— Parece que, no momento do acidente, o choque provocou um quadro temporário de confusão — disse Hee-min, olhando o prontuário. Seo-joon ouvia com calma, mas só por fora — por dentro, estava tomado pela ansiedade.
— Então você está dizendo… que tem alguma coisa errada na cabeça do Cha Yeonwoo. Ele está dizendo que está no segundo ano do ensino médio.
Hee-min deu uma risada fraca e balançou a cabeça.
— Não é nada grave. Ele teve uma concussão leve. Chama-se amnésia global transitória — normalmente passa em um dia ou, no máximo, em alguns dias.
Ao ouvir essa última parte, o rosto de Seo-joon relaxou visivelmente. Um longo suspiro de alívio escapou de seus lábios ainda pálidos.
— Pelo visto, a última lembrança do Yeonwoo é de mais ou menos o segundo ano do ensino médio. Isso é bem antes da avaliação de Guia. Nem eu me lembro muito dessa época dele, e o Cheong-oh também não… e você, obviamente, também não deve se lembrar.
Quando um pouco de alívio começava a se instalar no rosto de Seo-joon, ele congelou de repente.
Cha Yeonwoo está com problemas temporários de memória. As lembranças dele só vão até antes da certificação como Guia. Naturalmente, ele não reconhece ninguém do Centro — nem Seo-joon.
…Isso não é possível.
Impossível.
O primeiro encontro dele com Yeonwoo não tinha acontecido depois da avaliação de Yeonwoo. A primeira página da história dos dois começou quando Ji Seo-joon, aos vinte e dois anos, conheceu Cha Yeonwoo, de treze.
Então como Yeonwoo podia não se lembrar dele?
Não havia como ele ter esquecido algo de que até Seo-joon, agora, se lembrava.
Seo-joon olhou para Hee-min com uma expressão grave. Hee-min percebeu o olhar — como se Seo-joon tivesse algo a dizer — e assentiu, incentivando-o a falar.
— …Não tem como o Yeonwoo não se lembrar de mim.
As palavras escaparam dele, atordoado. Hee-min franziu levemente a testa — e, de repente, arregalou os olhos.
— Ah… é mesmo! O Yeonwoo te conhece desde criança. Então isso realmente não faz sentido.
Até Hee-min, que vinha tentando tranquilizá-lo, ficou sério.
— A perda de memória por concussão costuma avançar em ordem cronológica inversa. Não deveria causar uma perda seletiva envolvendo uma pessoa específica…
— Vou conversar mais com ele.
— C-certo, vai lá. Vou subir e conferir de novo os resultados dos exames. Ah, e você pode avisar o Yeonwoo que o Jeongwoo não pode receber visitas hoje?
Hee-min se virou um pouco pouco antes de sair às pressas.
— …O Yeonwoo vai ficar bem, Seo-joon.
Segurando a comida pastosa e os remédios preparados para Yeonwoo, Seo-joon seguiu para o quarto, tentando acalmar os nervos. Quando entrou, Yeonwoo — sentado sozinho na cama — desviou depressa o olhar.
Clique.
A porta se fechou, deixando só os dois lá dentro.
— Cha Yeonwoo, sinto muito, mas o Jeongwoo está em tratamento agora, então não vão ser permitidas visitas até amanhã.
Não havia palavras para descrever o quanto Seo-joon se sentia dividido. Ele engoliu a ansiedade e tentou falar com calma.
— E não se preocupe com a conta do hospital. Não vamos cobrar nada de você.
Ele queria tranquilizá-lo, mas Yeonwoo continuava com uma cara tão assustada que dava pena.
— A partir de agora, sou eu que vou cuidar de você.
Seo-joon olhou para Yeonwoo, que continuava se recusando a olhar para ele, e puxou uma mesinha para perto da cama.
— Você ainda não terminou os exames, então, por enquanto, vamos ficar só na comida pastosa.
Ele pôs a colher e a tigela na mesa, pegou um pouco da comida fumegante e soprou. De lado, sentiu um olhar sobre si. Quando virou a cabeça, olhos azuis — flagrados observando-o — baixaram num piscar de olhos.
— …Vamos começar pelos remédios.
Seo-joon ofereceu um copinho de papel com os comprimidos e viu os dedos de Yeonwoo tremerem ao pegá-lo. Quando as mãos se roçaram, Yeonwoo estremeceu e recuou.
— …
De lado, Seo-joon sentia o ardor daquele olhar, mas, quando se virava, Yeonwoo desviava os olhos de novo — de forma descarada, desajeitada. Com aquela reação tão óbvia, Seo-joon percebeu uma coisa.
Ele se lembra de mim, com certeza.
— Yeonwoo.
— S-sim…?
Assustado ao ouvir o próprio nome, Yeonwoo respondeu com um sobressalto. As orelhas dele estavam muito vermelhas, como se alguém as tivesse puxado com força.
Seo-joon olhou fundo em seus olhos arregalados, com uma expressão serena.
— O que o Doutor Kang te contou? Do começo ao fim — me conta tudo.
— E-eu fui avaliado como Guia quando fiz vinte anos… e fui designado para o Sem-Nome… Eu guiei o Sem-Nome, e agora o Portal desapareceu…
As palavras dele eram desencontradas, mas Seo-joon entendeu o suficiente.
— E-então… é uma descoberta histórica… para a humanidade e para a pesquisa médica dos Despertos… algo nunca visto antes…