Capítulo 17
Deep Pivot Side Story — Capítulo 17
[Olá. Quanto tempo. Você pode falar por telefone agora?]
14h14
No mesmo instante, o sorriso sumiu do rosto de Seo-joon.
O pai de Cha Yeonwoo — Cha Kyungsoo. Não, até chamá-lo de “pai” parecia imerecido. Enfim, aquele era o número ligado àquele parasita: o contato contratado para vigiar Cha Kyungsoo. Seo-joon tinha pedido a Cheong-oh que cuidasse disso antes de viajar, mas tinha se esquecido completamente do assunto.
O carro tinha acabado de entrar no estacionamento da confeitaria. Ao contrário da época em que estava aprendendo a dirigir, Yeonwoo agora encontrou uma vaga livre com facilidade e estacionou com precisão. Ele soltou o cinto de segurança.
— …Yeonwoo, desculpa, mas preciso atender uma ligação rapidinho.
— Claro. Já volto.
— Pode pedir um café enquanto isso?
Achando que fosse o Eric de novo, Yeonwoo apenas assentiu e desceu do carro sem fazer perguntas.
— Obrigado, Yeonwoo.
Seo-joon desceu atrás dele, mas parou, com o celular no ouvido, os olhos fixos nas costas de Yeonwoo enquanto ele entrava no café.
— Quanto tempo, Tenente.
— Pois é.
— Se fosse qualquer outra coisa, eu teria deixado recado. Mas achei que isso precisava ser dito diretamente.
— Pode falar.
— …O paradeiro do senhor Cha Kyungsoo é, no momento, desconhecido.
O homem fez uma breve pausa antes de continuar. A última notícia que Seo-joon tivera de Cha Kyungsoo era de que ele tinha saído do país.
— Ele se meteu com jogos de azar ilegais em Macau há alguns meses. Parece que acabou se enrolando com a máfia russa.
Dizem que, mesmo que um viciado em jogo ganhe na loteria, ele acaba torrando tudo nas apostas — e era verdade. Seo-joon ficou perplexo. Não esperava que as coisas degringolassem tão rápido.
Na cabeça dele, a queda de Cha Kyungsoo seria lenta e patética: investir em alguma bobagem, se envolver em algum negócio mal pensado e, por fim, definhar por causa das drogas.
Mas gente assim — verdadeira escória — tinha maneiras muito mais criativas e incompreensíveis de destruir a própria vida.
— Não me diga que ele já torrou todo aquele dinheiro?
— Não. Ele quase não trocou nada. Parece que foi outra coisa que o colocou em apuros…
Até o homem do outro lado da linha parecia desnorteado. O que ele achava que seria um simples trabalho de vigilância tinha dado uma guinada radical no momento em que Cha Kyungsoo partiu para Macau.
— Estamos receosos de chegar mais perto — é perigoso demais. Então vamos ter que esperar para ver como as coisas vão se desenrolar daqui para a frente.
— Entendido.
Seo-joon olhou para Yeonwoo, que conversava animadamente com a atendente perto da vitrine de bolos. Não dava para ouvir o que diziam, mas, para sorte dele, precisava de um pouco mais de tempo.
— Talvez seja melhor registrar um boletim de desaparecimento, só por precaução.
A sugestão cautelosa veio do outro lado da linha. Normalmente, em casos de desaparecimento no mar ou nas montanhas, a justiça presume a morte da pessoa se passarem cinco anos sem nenhum contato.
Os olhos cinzentos de Seo-joon, ainda fixos em Yeonwoo, se estreitaram levemente.
— Onde o senhor Cha Kyungsoo foi visto pela última vez?
— …Na balsa para Taipa. Mas não há registro de que ele tenha desembarcado.
— ……
Uma onda de emoção subiu de repente dentro dele. Seo-joon virou a cabeça e chutou de leve o pneu do carro com a ponta do pé. Franzindo a testa, soltou um leve riso de escárnio, sem conseguir esconder a incredulidade.
A mente dele começou a trabalhar depressa. O parente próximo fictício listado no novo registro de Cha Kyungsoo — o filho imaginário, que não existe no mundo real — seria quem receberia o seguro de vida e a herança. E todos os arranjos necessários para garantir que esse dinheiro, de um jeito ou de outro, fosse parar na conta de Cha Yeonwoo.
Era um cenário que ele já tinha previsto. Mas tinha chegado muito antes do esperado.
O investimento feito em Cha Kyungsoo logo voltaria — com o principal e tudo —, ainda adoçado por um bônus na forma de indenização por morte.
— Gostaria de usar o nosso serviço de entrega de bolos?
Yeonwoo, que estava distraído olhando para Seo-joon lá fora, voltou depressa a atenção para a pergunta da atendente.
— Ah… então vou mudar um deles para entrega.
Sorrindo com gentileza, a atendente lhe entregou um bloquinho. Yeonwoo anotou o endereço do Centro e escreveu o nome de Jeongwoo no campo do destinatário. Em seguida, voltou a olhar para Seo-joon.
Parecia que a ligação ainda não tinha terminado. Seo-joon, apertando os olhos sob o sol direto da tarde, ergueu a mão para fazer sombra sobre eles. Deixou os óculos escuros no carro, pensou Yeonwoo, apertando os próprios olhos, por empatia.
Até aquela expressão tão pequena — os olhos semicerrados sob a luz forte, a silhueta dos dedos projetando sombras no rosto — parecia uma cena de filme. Fosse o que fosse que tivesse acabado de ouvir na ligação, Seo-joon de repente soltou uma risada fraca.
Mas a amargura sutil naquele sorriso só deixava o rosto dele ainda mais frio. Era a mesma impressão afiada que um dia tinha intimidado Yeonwoo, quando se conheceram.
— O senhor vai levar um dos bolos?
O galã clássico de um antigo filme em preto e branco. Agora Yeonwoo sabia exatamente como descrevê-lo. Era quase como se o mundo inteiro ao redor dele se apagasse em tons de cinza.
Toc, toc. Ainda ao telefone, Seo-joon cutucava distraidamente o pneu do carro com a ponta do sapato. Então ergueu os olhos — direto para Yeonwoo.
— O senhor vai levar um deles?
— …Como?
Yeonwoo virou depressa a cabeça para a atendente, só então percebendo que ela estava falando com ele. Mesmo já tendo repetido a pergunta duas vezes, o tom dela continuava paciente e gentil.
— Ah… desculpa. Sim, sim. Vou levar. Obrigado.
Enquanto respondia com toda a seriedade às perguntas da atendente — quantas velas colocar no bolo, qual a distância da entrega —, a mente de Yeonwoo continuava voltada para Seo-joon, que ainda estava lá fora.
— Os dois americanos estão prontos. Quanto ao bolo…
Assentindo e agradecendo à atendente, Yeonwoo finalmente pegou a caixa do bolo e saiu. Não tinham ficado separados muito tempo, mas, por algum motivo, seu coração estava impaciente.
— ……
Um calor cintilou nos olhos cinzentos que encontraram os dele. Yeonwoo amava aquele momento mais do que qualquer coisa.
Aquele instante em que o tom desbotado do mundo explodia em cores. Quando os olhos que sempre pareciam trancados se abriam por completo, cheios apenas de afeto por ele.
Antes que percebesse, Yeonwoo se pegou sorrindo de volta para ele feito um bobo.
— Depois te ligo de novo.
Seo-joon encerrou a ligação com um sorriso e guardou o celular no bolso, os olhos fixos no namorado adorável. A possibilidade de Cha Kyungsoo ter se afogado no mar, ou de ter perdido os órgãos para a máfia russa — esses pensamentos sombrios já tinham ficado bem para trás.
Uma leve ardência pinicou os olhos de Seo-joon. Os cabelos loiro-platinados de Yeonwoo brilhavam ao sol, balançando suavemente com a brisa. Os olhos dele se curvavam em duas luas crescentes felizes. Como alguém pode ser tão bonito? É como se uma flor estivesse caminhando na minha direção.
Quando Yeonwoo finalmente chegou até ele, entregou-lhe um dos americanos.
— Era sobre o que a ligação?
— Golpe por telefone.
Seo-joon respondeu secamente enquanto ajeitava o cabelo bagunçado de Yeonwoo. Yeonwoo sorriu, com um olhar confuso, e perguntou:
— Então por que demorou tanto?
— Fiquei curioso para saber como os golpistas estão ganhando a vida hoje em dia.
Então, do nada, ele segurou a nuca de Yeonwoo e o beijou. Os olhos de Yeonwoo se arregalaram de surpresa. Ele olhou ao redor, desconcertado com aquela demonstração repentina de carinho em público.
Por sorte, foi tão rápido que ninguém percebeu, mas, ainda assim, não era algo típico de Seo-joon.
— Aconteceu alguma coisa boa?
— Você é fofo demais, Yeonwoo. Não consigo impedir minha boca de ir até você.
Com um sorriso provocador, Seo-joon tentou pegar a chave do carro da mão de Yeonwoo.
— Daqui em diante, eu dirijo.
— Nada disso.
Yeonwoo ergueu a mão acima da cabeça, deixando a chave fora de alcance.
— Vamos jogar pedra, papel e tesoura. Quem perder dirige.
Que teimoso. Seo-joon tomou um gole do americano e, obediente, levantou a mão. Pedra, papel, tesoura. A tesoura de Yeonwoo encontrou a pedra de Seo-joon.
— Eu dirijo.
Yeonwoo tinha perdido, mas, de algum modo, parecia todo satisfeito com isso. Sem conseguir aceitar o resultado, Seo-joon protestou.
— Você jogou atrasado. Mais uma.
E depois outra. E mais outra. Depois de perder cinco vezes seguidas, com uma consistência risível, Yeonwoo abriu a porta do passageiro para Seo-joon e colocou o bolo no banco de trás.
— Você perdeu de propósito, não perdeu?
— Não existe perder de propósito no pedra, papel e tesoura, Tenente — respondeu Yeonwoo, sorrindo enquanto dava a partida. Seo-joon estreitou os olhos para ele.
— Tem alguma coisa estranha nisso…
— Não pergunta. É vergonhoso.
Seo-joon não fazia ideia de que Yeonwoo sempre alternava entre pedra e tesoura. Rindo, Yeonwoo pegou a mão livre dele e entrelaçou os dedos.
Ligou a playlist — uma que, ultimamente, vinha refletindo cada vez mais o gosto dele. Seo-joon ouvia a música suave que preenchia o carro enquanto observava o perfil de Yeonwoo dirigindo.
— ……
Ainda havia tantas coisas boas esperando por Cha Yeonwoo na vida.
Seo-joon queria afastar qualquer sombra que pudesse se aproximar. Chega de esperar por esperanças incertas, de desastres repentinos ou de verdades feias — só momentos claros e cintilantes.
— …Por que você está me olhando assim? Está me deixando nervoso.
Yeonwoo apertou a mão dele com mais força.
— Porque eu te amo, Yeonwoo.
Seo-joon se inclinou e beijou a bochecha dele. Yeonwoo, com os olhos ainda fixos na estrada, mordeu o lábio enquanto as orelhas ficavam vermelhas.
— Não fala isso enquanto eu estou dirigindo. Posso ficar nervoso demais e bater o carro.
Quando Seo-joon riu alto, Yeonwoo acabou rindo também. Nas mãos dos dois, delicadamente entrelaçadas, dois anéis idênticos brilhavam à luz do sol.
Um dia, pensou Seo-joon, ele passaria aquele anel para a mão esquerda de Yeonwoo. Imaginou os dois caminhando por um corredor ladeado de flores brancas e, embora fosse um pensamento incomumente digno de conto de fadas para alguém como ele, sorriu baixinho para si mesmo.
A luz do sol do meio-dia entrava pelo para-brisa. O carro preto seguia tranquilo pela estrada aberta.
— FIM.