Capítulo 13
Deep Pivot Side Story — Capítulo 13
…Tenente, você realmente não faz ideia do quanto é bonito.
Talvez seja o jeito como o seu nariz reto e alto se encaixa com tanta perfeição, ou as suas sobrancelhas fortes e escuras. Mesmo quando o tinha bem à sua frente, em carne e osso, Yeonwoo sempre sentia como se estivesse vendo uma cena de um clássico do cinema em preto e branco.
A essa altura, Yeonwoo podia dizer com segurança que já tinha visto muitos filmes com Seo-joon — mas nem uma única vez tinha visto um ator mais bonito que ele.
Sempre que aqueles lábios, sempre bem fechados, se curvavam num sorriso relaxado e encantador, a garganta dele secava sem motivo. E aqueles olhos cinzentos, sob órbitas profundas, o faziam pensar em galáxias girando nas profundezas do espaço — bastava encontrá-los para o coração dele dar um salto.
Ele tinha certeza de que não era o único que se sentia assim.
Tsc… Com ciúme sem nenhum motivo, Yeonwoo de repente puxou Seo-joon para os braços. Seo-joon piscou, confuso, e lhe deu um leve sorriso. Até aquele sorriso despretensioso era bonito demais — e isso só deixou Yeonwoo ainda mais emburrado.
— Por que esse bico, Yeonwoo? Ficou chateado com o quê agora?
— Não sei… Você é bonito demais, Tenente.
Yeonwoo puxou o capuz para baixo para esconder o rosto e resmungou, emburrado, contra o ombro de Seo-joon. Seo-joon soltou uma risada incrédula.
— Você não estava dizendo agora há pouco que eu saio mal em foto? E agora eu sou ‘bonito demais’?
— Quando foi que eu disse que você sai mal? …Eu só disse que a câmera não te faz justiça.
— Dá no mesmo.
Yeonwoo, recusando-se a dar corda para as bobagens de Seo-joon, continuou enfiando bolo na boca. Até o pouquinho de chantili espalhado perto dos lábios parecia uma escolha deliberada de estilo — como algo saído de um ensaio fotográfico ou de um comercial.
Por mais fotos que tirassem — centenas, milhares —, jamais conseguiriam capturar tudo aquilo. Claro que não. Nada se comparava à versão em carne e osso do seu Tenente. Yeonwoo simplesmente gravou o rosto dele na memória, absorvendo cada detalhe com os olhos.
— Mesmo que um dia você tire os óculos cor-de-rosa… já é tarde demais. Sou seu para sempre, Yeonwoo. Não vou a lugar nenhum.
Não aceitamos devolução, viu? Seo-joon sorriu, completamente alheio ao tumulto que estava causando, soltando uma piada tão ridícula. Yeonwoo, encarando em silêncio aqueles lábios irritantes, enfiou o último pedaço de bolo na boca.
— Tenente, você é mesmo impossível.
Ele nem sabe a cara que tem…
Um pôr do sol tênue começou a se espalhar pela vasta superfície da água. Já estava na hora de se mexerem, antes que o sol baixasse ainda mais.
A areia afundava suavemente sob os tênis. O ar fresco e limpo enchia os pulmões a cada respiração. Com os dedos entrelaçados, os dois caminharam por um trecho tranquilo e isolado da praia, planejando a próxima viagem.
Na época da visita à NASA, o tempo provavelmente estaria bem mais quente, então combinaram que seria ótima ideia ir direto para Los Angeles depois e aproveitar umas férias de verdade. Enquanto olhava os pontos turísticos de Los Angeles no celular, Yeonwoo virou a tela para Seo-joon.
— Então… eu também quero ir aqui.
Seo-joon deu uma olhada e assentiu sem protestar. Era aquele parque temático famoso — onde, por algum motivo estranho, todo mundo acabava usando uma tiara de orelhas de rato, não importava a idade nem o gênero.
Seo-joon já se imaginava tirando centenas de fotos de Cha Yeonwoo com uma tiara ridícula na cabeça.
— …Você acha que a gente poderia levar o Jeongwoo também?
— Podemos perguntar à Doutora Yoon.
— Ele ia adorar poder ir.
— Vou tentar ajudar a convencê-la.
— Tenente…
— …
— Dá para parar de tirar fotos agora?
— Não se incomode comigo. Continue fazendo o que você estava fazendo.
Seo-joon respondia obedientemente às divagações de Yeonwoo enquanto continuava apertando o botão da câmera sem parar.
Yeonwoo com o cabelo bagunçado pela brisa do mar. Yeonwoo fofo sem motivo nenhum. Yeonwoo cobrindo o rosto com as mãos. Yeonwoo sem conseguir pegar o celular de volta. Yeonwoo se escondendo dentro do moletom. Yeonwoo fugindo…
Cada toque no botão capturava dezenas de fotos quase idênticas no modo sequência.
Depois que começou, não conseguiu mais parar. Naquele dia, Seo-joon estava descobrindo todos os recursos do aplicativo de câmera em que normalmente nunca mexia. Se somasse todas as fotos que tinha tirado na vida, elas ainda não superariam o número de fotos que salvou na galeria naquele dia.
— Ah! Tenente! Sério, para!
As reclamações de Yeonwoo e as risadas de Seo-joon se espalhavam suavemente pela praia aberta. Enquanto persuadia e provocava Yeonwoo para que ele posasse, Seo-joon soltou um suspiro repentino.
— Acho… que eu encontrei o meu sonho para o futuro, Yeonwoo.
A essa altura, o mar estava banhado de carmesim. Um véu dourado cintilava sobre a superfície infinita e ondulante, como se alguém tivesse triturado barras de ouro até virarem pó e as espalhado sobre as ondas.
Seo-joon capturava sem parar o Yeonwoo de vinte e um anos diante daquele cenário de tirar o fôlego. Como Yeonwoo era tímido demais para ser fotografado, o processo todo parecia um meio-termo entre uma perseguição em alta velocidade e uma luta livre.
Aquela paixão tardia — “virar o fotógrafo pessoal de Cha Yeonwoo” — só se acalmou depois que Yeonwoo finalmente conseguiu arrancar o celular da mão dele.
A pousada com vista para o mar, aninhada na floresta — a escolha de Yeonwoo —, acabou sendo muito melhor do que Seo-joon esperava. Embora não tivesse todas as comodidades de um hotel, o ambiente acolhedor e até o kit de boas-vindas eram de uma qualidade surpreendente.
Seo-joon jogou na cama o kit, cuidadosamente embrulhado com uma fita, o laço de cetim azul ainda perfeitamente amarrado, e percorreu o quarto verificando a limpeza.
— Tenente, vem cá um segundo.
Yeonwoo tinha escancarado as cortinas e admirava a vista lá fora. Seo-joon se aproximou por trás, abraçou-o pela cintura e inclinou a cabeça para ver o que ele observava. Uma vista ampla e desimpedida do mar se estendia diante deles — sem barcos de pesca, sem nada para distrair.
— É lindo.
— Não está feliz por termos vindo para cá?
Um sorriso se espalhou pelos lábios de Seo-joon enquanto ele segurava delicadamente o queixo de Yeonwoo e depositava ali um beijo leve. Ainda era começo de noite, e a vista estava deslumbrante — mas ele sabia muito bem que, quando a noite caísse, aquela mesma paisagem se transformaria num vazio escuro como breu, sem muito o que admirar.
Mesmo assim, Seo-joon não se deu ao trabalho de dizer isso em voz alta. Afinal, àquela altura, ele e Cha Yeonwoo estariam envolvidos demais um com o outro para dedicar um pensamento sequer à paisagem lá fora.
Ele observava com carinho o perfil de Yeonwoo, os olhos fixos na vista diante deles. Ver o namorado tão encantado com algo tão simples quanto o mar fez Seo-joon se sentir um pouquinho culpado por quantas vezes já tinha pensado em jogá-lo na cama.
Fez uma promessa silenciosa a si mesmo: mostrar a Yeonwoo mais do mundo, mais coisas bonitas. Aqueles olhos claros e brilhantes fitaram por um longo tempo o mar riscado pelo pôr do sol. Mas, para Seo-joon, as ondas no olhar de Yeonwoo eram ainda mais bonitas do que o mar de verdade do outro lado do vidro.
— ……
Ao cruzar o olhar com o de Seo-joon, Yeonwoo sorriu suavemente e se inclinou para beijá-lo nos lábios. Depois, puxando-o para perto num abraço frouxo, deixou beijos lentos e ternos em sua bochecha, na curva da orelha e na nuca.
— Tenente…
Palavras suaves foram sussurradas entre os lábios que se tocavam.
— Quando você me olha desse jeito… eu fico muito envergonhado.
As pernas entrelaçadas se moveram desajeitadas enquanto eles se afastavam da janela. Seo-joon foi conduzindo Yeonwoo discretamente em direção à cama, sorrindo.
— E como eu estava te olhando?
— Com esses olhos sujos.
— Isso é só porque você é lindo demais, Yeonwoo.
As pernas compridas de Yeonwoo bateram na beirada da cama com um baque suave. Quando ele se sentou, Seo-joon subiu no colchão, com os joelhos afundando nos lençóis, e se inclinou para um beijo.
Chup, chup. Os sons baixos de lábios e pele se encontrando ecoavam suavemente sobre a cama aconchegante. Enquanto mordiscavam e sugavam os lábios um do outro, a respiração e o calor se misturavam, e a tensão entre eles só aumentava.
Yeonwoo, soltando um suspiro trêmulo entre as bocas coladas, tateou o cós da calça de Seo-joon. Clique. O som do cinto se abrindo foi seguido por dedos curiosos deslizando por baixo da camisa.
Como se fosse uma competição para ver quem despia o outro mais rápido, Seo-joon puxou depressa a camiseta de Yeonwoo pela cabeça. Os lábios, separados só por um instante durante o movimento, se uniram de novo com avidez, como se não suportassem nem aquela breve separação.
— Haa… Tenente…
O corpo largo de Yeonwoo desabou na cama com um baque macio. Seo-joon subiu por completo em cima dele, entrelaçou os dedos nos dele e prendeu suas mãos acima da cabeça, enquanto colava os lábios num beijo profundo.
— Nn— Tenente, espera um segundo—
Deviam proibir de vez palavras como “espera” ou “para” na cama. Escondendo a impaciência crescente, Seo-joon calou o protesto de Yeonwoo com a boca. Aprofundou o beijo de propósito, deslizando a língua pelo céu da boca de Yeonwoo, enroscando-a na dele até que as bocas transbordassem de calor e respiração.
— Ngh— e-espera um pouco. Eu… eu preciso ir rapidinho até o c-carro!
— ……
Yeonwoo se contorceu e desviou do beijo, gritando em pânico. Seo-joon, que vinha se esfregando nele devagar, parou de repente. Passou a mão pelos cabelos, tentando engolir a frustração que crescia.
— …Por que o carro, assim de repente?
A voz saiu mais grave do que ele pretendia, calma demais — um esforço evidente para esconder o quanto estava abalado. Yeonwoo, remexendo as mãos ainda presas pela de Seo-joon, falou com uma vozinha baixa.
— Eu deixei o gel… e, hum, a outra coisa… no carro…
Ele devia estar louco. Estava mesmo prestes a ir até o estacionamento — uma ida e volta de dez minutos — por causa daquilo. A essa altura, era como se o namorado achasse que aconteceria uma catástrofe se não tivessem lubrificante e o amortecedor.
Seo-joon sorriu de um jeito que só poderia ser descrito como benevolentemente ameaçador e sussurrou: “Entendi…”
— Eu vou rapidinho buscar—
Seo-joon assentiu, como se fosse concordar, enquanto continuava beijando suavemente os lábios de Yeonwoo, a mão passeando pela cintura dele. Os beijos gentis e carinhosos foram aliviando aos poucos a tensão do corpo enrijecido de Yeonwoo.
Como se quisesse tranquilizá-lo, Seo-joon continuou com os beijos — até que, de repente, sua mão deslizou para dentro da cueca de Yeonwoo.
— Para que se dar ao trabalho de ir buscar essas coisas — murmurou ele, os lábios roçando a orelha de Yeonwoo —, se o seu frasco pessoal e ambulante de lubrificante está bem aqui?
— Nn….
A carne inchada, apertada dentro da cueca úmida, tremia e escapava para fora, como se derramasse lágrimas sob a pegada implacável de Seo-joon.
— No começo, você não se importava de fazer sem nada, lembra?
— Nnh… mesmo assim…
— Mesmo assim o quê? Não está vendo que o seu pau já está tão encharcado que está todo inchado e sensível?