Capítulo 12
Deep Pivot Side Story — Capítulo 12
— Daqui não dá nem para ver o mar.
— Então você é do tipo que faz questão de vista para o mar, hein, Yeonwoo…? Hmm, mas ficar num lugar desses deve dar medo à noite.
— …É por isso que a gente teria que ficar ainda mais grudadinho.
Seo-joon deixou escapar uma risadinha. A resposta fofa do namorado veio acompanhada de um raciocínio igualmente encantador.
— Você conhece a história dos Três Porquinhos, né? Qual casa sobrevive no final? A do porquinho mais novo. A de tijolos. É resistente, mantém os lobos longe… e ainda vem com café da manhã.
Tocando no anúncio do hotel na tela, Seo-joon defendeu seu ponto com uma lógica duvidosa. Yeonwoo fez beicinho e, em seguida, tocou a tela do tablet com um olhar pensativo.
— …Mas o porquinho Yeonwoo ainda prefere a cabana de madeira.
A tela voltou para a escolha de Yeonwoo — uma pousada aconchegante, com um quarto em tons quentes e vista panorâmica para o mar através de janelas de vidro do chão ao teto. Passando as fotos, Yeonwoo olhou de canto para conferir a reação de Seo-joon.
— ……
Os olhares se encontraram, e os olhos curvados de Yeonwoo se iluminaram num sorriso radiante.
— É romântico, não é?
Seo-joon assentiu, impotente, como se estivesse enfeitiçado. O que ele podia fazer? Se o porquinho Yeonwoo queria, era para lá que iriam. Quando se deu conta, a reserva da pousada com vista para o mar na floresta já estava confirmada, e uma notificação de pagamento apitou no celular.
— Satisfeito agora?
Yeonwoo assentiu, sério. Não se preocupe — se aparecer um lobo, o porquinho Yeonwoo dá conta. Seo-joon riu da piada boba e se inclinou para beijar a bochecha dele. Para quem visse de fora, poderia parecer uma cena constrangedoramente melosa, saída direto de uma comédia romântica.
— Ah, Tenente, eu pesquisei. Parece que esse lugar é ótimo para tirar fotos. Superbonito, né? Podemos parar aqui primeiro, depois…
Seo-joon contemplava o rosto adorável de Yeonwoo, que tocava animado no tablet e tagarelava sem parar.
Tudo bem. Vamos. Faça tudo o que você quiser, porquinho…
De algum modo, ele tinha a forte sensação de que passaria o resto da vida perdendo — feliz da vida — para aquele namorado adorável.
O calor que o sol forte tinha impregnado em seus corpos era suavemente aliviado pela brisa. De repente, Yeonwoo apoiou o queixo no ombro de Seo-joon.
— Tenente, quando você tirou isso?
Seo-joon, sentado num terraço com vista para o mar e tomando seu americano, tirou os óculos escuros, deixou-os sobre a mesa e olhou para o celular na mão de Yeonwoo.
Dezenas de fotos — todas tiradas de um ângulo parecido — mostravam Cha Yeonwoo agachado à beira da estrada, fazendo carinho num gato esparramado de barriga para cima.
— Quando você acha? Hoje, óbvio. Você me ignorou completamente e ficou tão entretido brincando com aquele gato que, juro, alguém podia ter te pegado e sequestrado, e você nem teria percebido — respondeu Seo-joon, pegando um pedacinho de bolo do prato e levando-o à boca de Yeonwoo. Eles tinham chegado ao destino, perto do Porto de Mukho, no fim da tarde, e agora descansavam num café conhecido pelas sobremesas.
Yeonwoo, ainda com os olhos grudados no celular, abriu a boca para aceitar o pedaço de bolo e ficou um tempo olhando o gato na foto. Parecia ter esquecido completamente a flor de cerejeira que Seo-joon tinha prendido em seu cabelo mais cedo, de brincadeira — ainda aninhada ao lado da cabeça. Seo-joon, de propósito, não disse nada e a deixou lá.
— Se você gosta tanto de gatos, por que não adota um?
— Acho que não dá. O Jeongwoo tem alergia.
— ……
— Se ele receber alta, a gente provavelmente vai acabar morando junto… E não seria justo nem com o gato, nem com o Jeongwoo.
Seo-joon endireitou a postura e olhou para Yeonwoo. Fosse lá o que tivesse visto naquele olhar, Yeonwoo o interpretou um pouco errado e baixou os olhos com um sorriso sem graça.
— Eu sei que uma recuperação completa é improvável. Mas… nunca se sabe…
Talvez as coisas realmente aconteçam do jeito que você espera, Yeonwoo. Seo-joon só agora começava a entender por que as pessoas deixam escapar as coisas antes de terem certeza. Estava louco para contar a boa notícia a Yeonwoo — mesmo que nada estivesse definido ainda.
— Um dia, vai acontecer. Afinal, a Doutora Yoon é incrivelmente talentosa.
Yeonwoo deu um sorriso suave com as palavras de Seo-joon e voltou a apoiar o queixo no ombro dele.
— Se isso acontecer mesmo… acho que não vou precisar de mais nada.
Nesse momento, outros clientes saíram para o terraço e começaram a se acomodar. Naturalmente, Yeonwoo puxou o capuz para cobrir a cabeça. A flor de cerejeira presa junto à orelha caiu, levada pela brisa.
— Você deve gostar muito de usar esse capuz — disse Seo-joon.
Com pena de ver aquele rosto bonito escondido, Seo-joon puxou o capuz de Yeonwoo um pouco para trás enquanto falava. Yeonwoo, com o canudo da limonada entre os lábios, apoiou o queixo no ombro dele.
— É costume. As pessoas me encaram muito porque sou alto.
— ……
Será que é só por causa da altura? Seo-joon, plenamente ciente de que seu namorado era deslumbrante por qualquer critério, nem se deu ao trabalho de expressar a dúvida.
— Depois que eu despertei, passaram a me encarar ainda mais por causa da cor do meu cabelo, então acabo me cobrindo bastante.
…Será que era mesmo só a cor do cabelo? Seo-joon olhou para as outras mesas e confirmou que estavam longe demais para que o vissem. Ainda assim, por algum motivo, sentiu de repente um ciúme possessivo por Yeonwoo estar tão exposto e rapidamente colocou os óculos escuros nele.
Mesmo com os olhos cobertos, era impossível esconder aquela beleza.
Cha Yeonwoo era tão bonito que Seo-joon achou melhor ficar atento, fosse com homens ou com mulheres. Não havia nele um único traço sem graça, da cabeça aos pés. Era quase sobrenatural.
Um maxilar tão perfeito que parecia esculpido por um artista, lábios carnudos e vermelhos como suco de romã, pele lisa como pérola, bochechas macias e fofinhas…
Yeonwoo, que não estava acostumado a ter coisas no rosto, logo tirou os óculos escuros e lançou a Seo-joon um olhar confuso diante daquela insistência em encará-lo. Uma brisa suave desarrumou seus cabelos, e Seo-joon os afastou com delicadeza, admirando aquele rosto lindo.
— Você me lembra um personagem — disse Seo-joon.
— Quem?
— O Cachorrinho Boorrroo.
— O que é isso?
— Não conhece? Era muito famoso quando eu era criança.
A diferença de idade era realmente tão grande assim?
— …É um personagem legal?
Seo-joon não conseguiu segurar o riso. O que Yeonwoo esperava de um personagem cujo nome significava literalmente “Cachorrinho”? Enquanto isso, Yeonwoo devia ter pesquisado, porque seus lábios se projetaram num beicinho.
— O que é isso…? Eu não me pareço nem um pouco com isso.
— Do que você está falando? A sua cara de choro na cama é igualzinha.
— ……
— Da próxima vez, eu tiro uma foto e te mostro.
Yeonwoo o fuzilou com o canto do olho. Tenente, você é mesmo estranho… Era uma frase que Seo-joon vinha ouvindo muito de Yeonwoo ultimamente, e ele apenas voltou a se recostar nele, satisfeito.
Nesse momento, os celulares dos dois tocaram ao mesmo tempo. Tenente Hong Yeong-gyo e Capitão Jin Cheong-oh — não foi nenhuma surpresa ver o convite de casamento digital deles.
Ding, ding. Irritado com as notificações sem fim, Seo-joon tocou na mensagem e rolou até o chat em grupo da SAU, para o qual tinham acabado de ser convidados de novo, franzindo levemente a testa. Yeonwoo, ainda com o queixo no ombro de Seo-joon, se inclinou para olhar o celular junto com ele.
[Ei, vocês dois]
[Parem de sair do grupo]
[Toda vez eu tenho que mandar o convite duas vezes]
15h41
[Seo-joon-ah]
[S]
[S]
[S]
[S]
[Bebê]
[Kang Chaewon enviou ₩100 para Cha Yeonwoo!]
[G]
[aah]
[Por que vocês não respondem o grupo]
15h42
Eles sempre davam um jeito de saber quando Seo-joon e Yeonwoo estavam se divertindo — e estragavam tudo como um relógio. Seo-joon abriu a câmera, tirou uma foto dos dois e mandou no grupo.
[Foto]
15h43
[Ugh… isso é irritante demais..?]
[O que vocês querem que a gente faça com isso]
[Nenhum dos dois parece estar se esforçando]
[Cadê o empenho? Cadê a emoção?]
15h44
[Qual é, pessoal]
[Leiam o clima]
[Eles pediram para não serem incomodados, kkk]
15h45
A SAU — embora, a essa altura, “clube dos desempregados” fosse provavelmente um nome mais preciso — aproveitava algo que só com muita boa vontade poderia ser chamado de licença prolongada.
Desde que os Portais se fecharam, todos os membros despertos das forças especiais estavam numa situação parecida com a da SAU: flutuando no limbo. Esperava-se para breve uma grande reestruturação do sistema militar, mas, por enquanto, eles eram apenas pessoal altamente qualificado sem função definida.
[Um novo aviso foi publicado.]
[Reunião sobre o deslocamento para a NASA
Data: 1º de maio, 13h
Local: map.url
Quem não comparecer será excluído desta viagem]
15h46
Finalmente, uma missão oficial: Ji Seo-joon e Cha Yeonwoo tinham sido escolhidos para uma missão de segurança acompanhando uma visita à NASA. Ao contrário da viagem secreta anterior de Seo-joon com Hee-min, disfarçado de pesquisador, esta era uma missão pública e formal.
Na verdade, a NASA não precisava de tanta escolta — os preparativos para os dois já tinham sido meticulosos. Mas aquele excesso de pessoal de segurança era uma pequena concessão de Hee-min, feita em benefício da SAU.
Para os despertos, que ainda estavam proibidos de viajar para o exterior, era uma oportunidade rara. Em outras palavras, uma chance legal de sair do país.
O grupo explodiu com dezenas de mensagens. Seo-joon, que já tinha silenciado o chat, simplesmente aceitou o pedaço de bolo que lhe ofereciam. Yeonwoo, depois de enfiar na boca mais dois pedaços, tocou na tela do celular e ficou olhando em silêncio para a foto que tinham acabado de tirar.
— Você não sai nada bem em foto, Tenente.
— Acho que ficou boa.
A resposta de Seo-joon foi casual, mas Yeonwoo fez um pequeno beicinho e estudou o rosto dele com atenção.