Capítulo 10
Deep Pivot Side Story — Capítulo 10
— Qual o problema com ‘gato’? Não existe apelido mais fácil de falar nem mais comum do que esse.
Por baixo dele, uma pressão firme o pressionava sutilmente. Yeonwoo, com as orelhas vermelhas, murmurou baixinho:
— É constrangedor… Parece sujo demais.
Então “Mestre” pode, mas “gato” é constrangedor demais? Seo-joon simplesmente não conseguia acompanhar a lógica emocional do seu jovem namorado.
— …Mestre.
Yeonwoo murmurou baixinho, como se falasse sozinho, e de repente enterrou o rosto no pescoço de Seo-joon. Os braços que envolviam o corpo dele estavam cheios de tensão.
— Mas eu gosto muito desse. Posso te chamar assim só quando estivermos em casa?
— Pare de falar besteira, Yeonwoo.
Do que você está falando, afinal… Tsc. Seo-joon estalou a língua, exasperado.
— Mas, Tenente…
Yeonwoo levantou a cabeça de repente e fez uma pergunta que Seo-joon não esperava.
— Por que você ainda me chama de ‘Yeonwoo’ desse jeito tão formal?
Seo-joon passou os dedos com delicadeza pelos cabelos de Yeonwoo, que se enrolavam entre eles, e respondeu, perplexo:
— Ué, do que mais eu te chamaria, se não de ‘Yeonwoo’?
Yeonwoo abaixou a cabeça outra vez. Chu, chu, chu… Os lábios dele subiram roçando o pescoço de Seo-joon, percorreram a linha do maxilar e pousaram suavemente na borda da orelha. Então, com uma voz pouco mais alta que um sopro, sussurrou, tímido:
Eu gosto mais quando você me chama de Yeonwoo-ya.
Seo-joon deu uma risadinha baixa diante do pedido, que o atingiu em cheio no tímpano. Como se ele já não soubesse.
Fazia tempo que tinha percebido que, sempre que o chamava de Yeonwoo-ya, a sensibilidade de Cha Yeonwoo aumentava. Mesmo quando ele segurava teimosamente o próprio clímax, bastava ouvir o nome ser chamado algumas vezes para que lágrimas surgissem em seus olhos e ele chegasse ao limite.
Como que por hábito, Seo-joon enfiou a mão na calça de moletom de Yeonwoo e envolveu seu pênis. Em resposta, Yeonwoo começou a mover os quadris devagar contra aquela mão.
Quanto mais eles compartilhavam o corpo, mais as paredes invisíveis entre os dois iam desmoronando. Embora o contato físico entre eles tivesse avançado de forma lentíssima em comparação ao tamanho de seus sentimentos, agora, finalmente, estavam se tornando um casal mais parecido com os outros.
Envolvendo a cintura de Yeonwoo com as pernas, Seo-joon beijou seus lábios e sussurrou, docemente:
— Yeonwoo-ya.
— Sim, Mestre.
Diante daquela resposta — capaz de apagar até um desejo de mil anos —, Seo-joon puxou de leve o cabelo de Yeonwoo.
— Ai, isso dói.
Yeonwoo riu, fingindo dor com um exagero brincalhão.
— Eu não curto esse tipo de fetiche, Yeonwoo. Pare de enrolar e me chame direito.
Deslizando a mão para baixo, Yeonwoo puxou a calça de Seo-joon, tirou-a pelos tornozelos e ergueu as duas pernas dele sobre os próprios ombros.
— Então… que tal ‘Professor’?
Seo-joon soltou uma risada seca. De Mestre para Professor agora? Incapaz de largar a formalidade, Yeonwoo escolhia apelidos cada vez mais distantes de qualquer coisa que um namorado usaria.
Yeonwoo espremeu uma quantidade generosa de lubrificante no próprio pênis — quase acabando com o tubo, que tinha acabado de ser aberto —, espalhou bem e colocou a camisinha com a destreza de quem já tinha prática.
Jogou o tubo, agora vazio, no chão e abriu outro, espremendo mais na mão.
— Argh…
A sensação gelada fez Seo-joon franzir a testa por instinto e soltar um gemido baixo, suportando o desconforto.
— Precisamos pedir mais lubrificante, Professor.
— Acaba rápido quando você usa essa quantidade absurda toda vez, aluno Yeonwoo.
— …Então o seu fetiche é fazer isso com um aluno?
Yeonwoo franziu a testa, sério, com as sobrancelhas unidas. Professor, você é muito estranho… Por que faria uma coisa dessas com um aluno?
Seo-joon soltou uma risada impotente — tinha entrado na brincadeira só para agradá-lo e acabara sendo tratado como algum tipo de pervertido.
— Foi você que começou, Yeonwoo— ugh, ah… Yeonwoo, por favor… um pouco mais devagar…
Schlk, schlk. Cada vez que os dedos dele entravam e saíam, vinha junto um som constrangedoramente obsceno. Seo-joon detestava aquele barulho vulgar.
Por causa do lubrificante, o componente afrodisíaco que o corpo de Cha Yeonwoo secretava naturalmente acabava diluído, ficando bem menos eficaz do que o normal. Para piorar, depois que Yeonwoo gozava algumas vezes, tudo ficava tão encharcado lá dentro que levava um tempão só para limpar depois.
— Ugh, já chega… só vai logo.
Seo-joon não conseguia entender por que, sendo naturalmente tão molhado, Cha Yeonwoo estava sempre tão ansioso para despejar mais lubrificante. Ergueu um pouco os quadris para aliviar o leve desconforto.
— Nisso não existe ‘ir logo’. Tenente, você precisa tratar o seu corpo com mais cuidado… Se continuarmos assim, pode ser que realmente não— ai.
Por fim, sem conseguir se conter mais, Seo-joon agarrou de novo os cabelos do seu precioso namorado.
— Você vai continuar falando coisas que acabam com o clima?
— Desculpe, Mestre… É que o Yeonwoo se preocupa muito, só isso.
A ponta arredondada do pênis grosso pressionou com facilidade a entrada macia e relaxada. Ahh… Enquanto gemia com a invasão — muito mais grossa que os dedos —, Seo-joon de repente endireitou a cabeça.
— Você acabou de me chamar de ‘Mestre’ de novo, não foi?
— Não, não chamei.
Nhec, schlk… O pênis, que tinha recuado um pouco, avançou um pouco mais fundo.
— Ugh, ah… Yeonwoo…
Os cabelos pretos, desgrenhados sobre o travesseiro, balançavam devagar para cima e para baixo. Yeonwoo movia os quadris com dedicação, abrindo caminho lá dentro. Ah, ah. À medida que a união se aprofundava, gemidos involuntários escapavam dos lábios de Seo-joon.
— Haa… Tenenteee…
As palavras arrastadas se acumulavam, úmidas, na nuca de Seo-joon.
— Hngh… Ah.
Seo-joon abriu bem as pernas, agarrando com força os quadris de Yeonwoo, como se quisesse recebê-lo ainda mais fundo. Os corpos, colados sem deixar nenhum espaço, se agarravam um ao outro, famintos por mais contato.
— Ah, aah… está gostoso, Yeonwoo… hngh… tão gostoso…
As pernas de Seo-joon, que estavam enroscadas na cintura de Yeonwoo, fincaram-se nos lençóis. Yeonwoo, entrando o mais fundo possível, girou os quadris num movimento lento e soltou um gemido baixo.
— Mestre.
Os olhos azuis se arregalaram. Em meio ao prazer que formigava no fundo da barriga, Seo-joon franziu as sobrancelhas. A essa altura, tanto fazia se ele o chamava de “Mestre” ou de “Tenente”.
— Yeonwoo, ah, hngh…
Pressionado contra o abdômen duro como pedra, o pau dele se esfregava e se contraía, soltando jatos espessos de sêmen turvo. Quanto mais frequente o sexo, mais ralo ele ficava, e logo se espalhou, escorrendo pelos sulcos dos músculos definidos de Yeonwoo.
Com as sobrancelhas bem franzidas, Yeonwoo soltou o ar e enterrou o rosto no ombro de Seo-joon.
— Haa… Está tão apertado… ngh, está gostoso demais, Tenente…
Um gemido carregado de prazer se agarrava à respiração ofegante que se derramava, desordenada, contra a nuca dele.
— Eu quero ir mais fundo.
A voz dele, rouca e turva de desejo, tremia baixa sobre os lábios úmidos. Eu continuo querendo mais, Tenente.
— Porque eu quero ser completamente engolido por você…
Estava ficando cada vez mais difícil se segurar. As últimas palavras, pouco mais que um sussurro para si mesmo, nunca chegaram aos ouvidos de Seo-joon. Tudo o que ele conseguia sentir era o pau enterrado fundo em sua barriga, empurrando, empurrando — avançando sem trégua, cada vez mais para dentro.
Yeonwoo, que antes ficava aflito demais por não conhecer os próprios limites, agora, preso por um anel de silicone da largura de três dedos, estocava com voracidade, quase com desespero.
A cada dia que passava, a intensidade só ficava mais brutal. Nesse ritmo, parecia que ele acabaria entrando por inteiro — até o talo — sem nem querer.
— Ugh, Yeonwoo, e-espera… ahh—
Uma pontada aguda de prazer subiu pela nuca, arrepiando seus cabelos. Era diferente do prazer tranquilo que ele normalmente conseguia segurar nas mãos e controlar à vontade. Tentando instintivamente afastar a pressão, Seo-joon levou as mãos ao peito largo de Yeonwoo — mas Yeonwoo as segurou e as prendeu acima da cabeça dele.
— Porque eu vivo ansioso.
Os ombros largos de Yeonwoo e as linhas esculpidas do peito musculoso preenchiam todo o campo de visão de Seo-joon. Sombras se acumulavam e se moviam violentamente ao longo das linhas definidas do trapézio tenso, das clavículas e dos deltoides.
— Por favor, fique do meu lado quando eu dormir.
Seo-joon sentiu-se completamente preso por aqueles olhos azuis que o fitavam de cima. Era como ser subjugado por uma fera enorme — uma sensação sinistra e eletrizante que lhe causou arrepios.
— ……
Apenas respirações curtas passavam entre os lábios dos dois, separados por um palmo de distância.
Yeonwoo absorveu tudo o que estava em seu campo de visão: o cabelo preto desgrenhado, a testa levemente franzida logo abaixo e os olhos cinzentos que tinham perdido toda a compostura à beira do prazer.
— Você tem que ficar num lugar onde eu possa te ver… Tenente.
Para Cha Yeonwoo, Ji Seo-joon era como uma onda de calor escaldante em pleno inverno. Alguém que derreteu com delicadeza sua pele congelada, despertou calor bem no fundo do seu corpo e, por fim, fez sua mente girar numa névoa febril.
Se todo o calor do mundo fosse reunido e moldado na forma do amor, ele se tornaria “Ji Seo-joon”. Para Yeonwoo, Seo-joon não era só calor — era o próprio calor. Se ele desaparecesse, o mundo inteiro de Yeonwoo congelaria, sem deixar nada para trás.
— Haa…
Mesmo agora, não era Seo-joon quem o mantinha vivo desse jeito, fazendo seu sangue ferver? Aquele que fazia seu coração bater até quase explodir, que o deixava sem fôlego de tanta emoção — seu amante mais lindo, seu milagre.
Respirações curtas roçavam o nariz de Seo-joon. Enquanto traçava o contorno do rosto dele com os lábios, como se quisesse gravá-lo na própria pele, Yeonwoo entrou mais fundo.
— Ah…!
Seo-joon soltou um gemido, os olhos se apertando em desespero. Uma onda de prazer quase dolorosa percorreu Yeonwoo quando as paredes internas trêmulas se contraíram com força ao redor dele. Engolindo a vontade intensa de gozar, Yeonwoo engoliu em seco, o pomo de adão subindo e descendo, e umedeceu com delicadeza os lábios ressecados de Seo-joon.
— Ngh… hngh… Yeonwoo…
Mordendo o lábio inferior, Seo-joon soltou um gemido ofegante, e a compostura em seus olhos foi se desfazendo aos poucos. Cada vez que aquele rosto perfeitamente controlado se desmanchava com o menor movimento seu, Yeonwoo sentia uma onda incontrolável de desejo.
Mais — ele queria desmanchá-lo ainda mais e se enterrar mais fundo. Queria arrombar a fechadura hermeticamente trancada, sem uma única falha, e encharcar cada fresta que se abrisse do jeito que quisesse.
Para que ele nunca mais pudesse ir a lugar nenhum.
Para que só ele pudesse vê-lo naquele estado, completamente desfeito.
Tão encharcado que, aonde quer que fosse, os rastros permanecessem — pegajosos e inconfundíveis — até que, no fim,
ele não conseguisse mais sair daquela cama.