Capítulo 08
Deep Pivot Side Story — Capítulo 8
— Jeongwoo.
Enquanto Yeonwoo conversava com a Doutora Yoon sobre os resultados dos exames de Jeongwoo, Seo-joon perguntou com delicadeza, pegando Jeongwoo no colo com um braço só.
— Você não tem medo de dormir sozinho no quarto do hospital?
— No começo dava um pouco de medo, mas agora não dá mais, porque os médicos passam lá toda hora.
— Seria bom se nós três morássemos juntos, né?
— Disseram que, quando eu ficar bom, a gente vai poder morar junto.
— …Se você tiver um quarto só seu, qual é a primeira coisa que você quer ter nele?
Jeongwoo sorriu, envergonhado. Um dentinho da frente, novo em folha, despontava onde outro tinha caído havia pouco.
— Um beliche.
— Um beliche? Só para você?
— Eu quero dormir na cama de cima e dar a de baixo para um cachorrinho.
— Você quer ter um cachorrinho?
Seo-joon riu baixinho e acariciou de leve a bochecha macia. Ele parecia bem mais saudável agora, depois de ter ganhado um pouco de peso. Logo depois, Yeonwoo voltou e pegou Jeongwoo nos braços.
— Um cachorrinho branco.
— Um cachorrinho?
Sem saber no meio de que conversa tinha caído, Yeonwoo lançou um olhar confuso diante daquele papo repentino sobre cachorros. Jeongwoo apenas murmurou “Cachorrinho branco é fofo” e encostou a bochecha no ombro dele.
Ainda sorrindo, Seo-joon pegou o fio do monitor respiratório de Jeongwoo e os acompanhou, lado a lado. O sol, já baixo, lançava um brilho carmesim pelo corredor do Centro.
— Tenente, vamos jantar fora hoje? Dizem que esse lugar é muito bom.
De volta em casa, Yeonwoo ergueu os olhos do celular e estendeu a tela para Seo-joon. A noite já tinha caído, e uma escuridão violeta cobria o céu.
Seo-joon assentiu sem hesitar, passando os olhos pela postagem do restaurante que ele mostrava. O perfil concentrado de Yeonwoo enquanto lia a tela prendeu seu olhar. De repente, ele se lembrou de algo que Songhee tinha dito mais cedo naquele dia.
Como seria ouvir Cha Yeonwoo chamá-lo de outra coisa que não “Tenente”? Fosse do que fosse, seria adorável… insuportavelmente fofo, provavelmente.
— ……
Talvez sentindo o olhar dele, Yeonwoo levantou a cabeça e o encarou. Sem dizer uma palavra, inclinou-se, deu-lhe um beijo rápido e voltou a atenção para o celular. A essa altura, parecia que toda vez que os olhares deles se encontravam, um beijo vinha automaticamente em seguida.
Depois de uma pausa, Seo-joon abriu a boca com cuidado.
— Yeonwoo… até quando você vai continuar me chamando de ‘Tenente’?
— Hum?
Yeonwoo ergueu os olhos, um pouco surpreso. Seo-joon se recostou no encosto do sofá e se virou para ele.
— Eu me aposentei. Então, tecnicamente, não sou mais tenente.
— …Ah.
Yeonwoo deixou o celular virado para baixo sobre a mesa e se virou para ele direito. Com uma expressão séria, disse:
— Na verdade, eu já pensei nisso…
Claro que tinha pensado. Não havia a menor chance de Cha Yeonwoo não ter considerado aquilo. Desde o momento em que Ji Seo-joon se aposentou, ele provavelmente tinha pensado nisso dezenas — não, centenas — de vezes.
— Mas ainda não encontrei um jeito adequado de te chamar.
Isso é coisa para pensar por tanto tempo? Apelidos de casal eram mais ou menos todos iguais. Não era como se houvesse opções infinitas. Seo-joon riu, como se não fosse nada demais.
— Você pode simplesmente me chamar pelo nome. Ou… sabe, ‘hyung’ também serve.
— …Hyung?
Yeonwoo franziu a testa, claramente contrariado.
— Isso é meio estranho. O Jeongwoo me chama de hyung. A gente não é irmão, então não quero usar isso.
Mas teria sido tão fofo se ele chamasse… Escondendo a decepção, Seo-joon assentiu, compreensivo.
— Então, do que você quer me chamar?
— Hmm… a gente ainda nem casou, então ‘querido’ parece cedo demais… e ‘bebê’…
Naquele instante, Seo-joon inclinou a cabeça, duvidando dos próprios ouvidos, como se tivesse sido atingido por um estrondo sônico.
— …parece mimado demais, então não gosto muito.
Yeonwoo continuou, completamente alheio à reação dele, perdido em pensamentos.
— Hmm… Eu só não encontrei um tratamento respeitoso o bastante.
Acalmando o coração acelerado, Seo-joon respondeu com gentileza.
— Não precisa ser formal. A gente está namorando, sabia?
— Mesmo assim… Eu sempre te chamei de ‘Tenente’ desde o começo, então mudar de repente parece estranho.
— Se você quer tanto algo formal, por que não vai de ‘Mestre’ ou coisa parecida?
A sugestão mesquinha e impulsiva escapou, movida por uma pontada de nervosismo. Mas Seo-joon nem se deu ao trabalho de voltar atrás. Comparado a “Mestre”, “bebê” soava bem inofensivo.
Virando o rosto, Seo-joon tentou disfarçar.
— ……
No silêncio repentino, ele se pegou torcendo para ouvir algo como “pensando bem, ‘bebê’ soa melhor”. Mas então — inesperadamente —, Yeonwoo assentiu devagar.
— …Acho que pode dar certo.
— …O quê?
Seo-joon virou a cabeça bruscamente para encará-lo. Yeonwoo, com uma expressão totalmente séria, assentiu outra vez e falou com a maior sinceridade do mundo.
— ‘Mestre’. Acho que está bom… Soa meio parecido com ‘Tenente’, então não parece uma mudança tão grande.
— …….
Eu ouvi isso mesmo? Boquiaberto, Seo-joon ficou sem palavras.
— V-você sinceramente não sente nenhuma resistência em me chamar de Mestre?
Deveria sentir. Tinha que sentir. O pensamento praticamente escapou por reflexo. Mas Yeonwoo não dava nenhum sinal de estar brincando.
— Escuta. ‘Tenente’. ‘Mestre’. ‘Tenente’. ‘Mestre’. Viu? São parecidos. Acho que vai ser fácil me acostumar.
— …Como é que é?
— Quanto mais eu penso, melhor soa.
Percebendo o quanto aquilo estava saindo do controle, Seo-joon balançou a cabeça, desesperado.
— Não, não. Só porque as duas palavras terminam parecido não quer dizer que esteja tudo bem—
— Mestre.
— ……
Mestre. Tenente. Mestre. Tenente. Mestre. Tenente…
Com a cara mais séria que se possa imaginar, Yeonwoo ficou repetindo as duas palavras, alternando uma e outra, como alguém possuído. Lá pelo final, já não soava como nenhuma delas — mais como “Tenestre” ou algum híbrido bizarro ecoando nos ouvidos de Seo-joon.
Os olhos azuis dele cintilaram de um jeito ameaçador enquanto o encaravam. Apavorado com a possibilidade de ele realmente começar a chamá-lo assim, Seo-joon se apressou em protestar.
— Isso é estranho, Yeonwoo. Sinceramente, acho que eu nunca ia me acostumar. Vamos fingir que essa conversa nunca aconteceu.
— Até parece que você ia conseguir notar a diferença.
— …O quê?
De repente, Yeonwoo ficou vermelho e abriu um sorrisinho tímido. Parecia tão ardiloso que Seo-joon se perguntou se uma raposa de nove caudas não tinha acabado de possuí-lo.
— Vamos logo, Tenente. Estou com fome.
Quando ele se levantou, Seo-joon agarrou depressa sua mão e o seguiu, cada vez mais aflito.
— Você disse ‘Tenente’ agora, certo?
— ……
— Disse, né? Yeonwoo?
Tenho quase certeza de que ele me chamou de Mestre agora há pouco… Talvez minha audição tenha pifado com o choque.
Yeonwoo, que tinha pegado a chave do carro e seguia em direção à porta da frente, virou-se de repente. Seo-joon, que vinha atrás dele pressionando por uma resposta, parou no mesmo instante. O rosto de Yeonwoo se abriu num sorriso inocente.
— Do que você acha que eu te chamei?
— …Hã?
— Adivinha.
Seo-joon congelou no lugar. Seu namorado atrevido exibia o sorriso mais convencido e adorável do mundo. Depois de soltar aquela bomba como se não fosse nada, ele calçou os sapatos com toda a calma.
— Tenente, vamos.
Ele até tinha virado os sapatos de Seo-joon para facilitar na hora de calçar. Espera aí, ele não acabou de me chamar de “Mestre” de novo? O eco daquela palavra maldita soava nos ouvidos de Seo-joon como uma alucinação.
— …Yeonwoo. Esse tipo de apelido só vale em casa. De brincadeira. Uma ou duas vezes. Nunca em público. Nunca. Sério, não tem graça.
Meio suplicante, meio exasperado, Seo-joon tentou desesperadamente argumentar com ele. Por fim, Yeonwoo caiu na gargalhada, passou o braço pela cintura dele e abriu a porta.
— Eu pareço tão sem noção assim? Não se preocupe, Tenente.
Ding. Os números do elevador começaram a subir.
— Você disse ‘Tenente’ agora, certo?
Ele continuou perguntando, de novo e de novo, mas Yeonwoo só sorria, sem nunca dar uma resposta clara. Cada vez mais nervoso, Seo-joon declarou com firmeza:
— Tudo bem. Vou ser o seu ‘Tenente’ para sempre.
Ding. As portas do elevador se abriram. Os dois homens altos entraram, e o elevador começou a descer. Observando os números diminuírem, depois de um tempo, Yeonwoo riu baixinho para si mesmo.
— Você é mesmo uma pessoa estranha, Tenente.
O Mestre é mesmo um bobo.
Seo-joon abriu os olhos na escuridão. Aquele debate ridículo sobre apelidos, de alguns dias antes, devia ter deixado uma bela marca, porque até nos sonhos aquela palavra maldita, “Mestre”, o perseguia.
— ……
Sem se mexer, ele moveu apenas os olhos ao redor, soltando o ar devagar enquanto verificava Yeonwoo, que dormia ao seu lado. Levou um bom tempo para, com todo o cuidado, tirar de cima do peito o braço pesado que o envolvia.
Movendo-se com a cautela de um agente secreto, Seo-joon finalmente conseguiu sair do quarto sem acordá-lo. Sozinho, bebeu um pouco de água e olhou ao redor da casa, envolta pela noite.
De repente, algo que Hee-min tinha lhe dito veio à mente — e, por mais que tentasse, aquilo não parava de mexer com seu coração.