Capítulo 07
Deep Pivot Side Story — Capítulo 7
— Aigoo… Yeonwoo, venha cá. Você ficou ainda mais bonito desde a última vez que te vi.
Assim que entraram no laboratório, o Doutor Kang Hee-min cumprimentou Yeonwoo como um avô coruja, puxando-o para um abraço caloroso.
Yeonwoo, ainda segurando desajeitadamente uma caixa pesada, inclinou-se para a frente com um sorriso tímido e retribuiu o abraço.
— Doutor Kang, ouvi dizer que o senhor foi a um encontro às cegas — disse Seo-joon, pousando a caixa sobre a mesa que Songhee havia indicado. Ele sorriu e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
Enquanto Yeonwoo ajudava Songhee com uma copiadora quebrada, Hee-min puxou Seo-joon discretamente para um canto.
— É sobre o último check-up de Cha Jeongwoo.
O tom sério dele provocou uma onda de inquietação. O peito de Seo-joon se apertou.
— Não houve nenhum sinal de melhora. Parece que o novo medicamento não está funcionando. Alguns dos níveis dele até pioraram — provavelmente teremos que interromper o tratamento.
Seo-joon se forçou a manter a calma.
— Então… há mais alguma coisa que possamos tentar?
— Estamos analisando outras opções — disse Hee-min, lançando um olhar para Yeonwoo através da porta aberta do laboratório. Em seguida, levou Seo-joon mais adiante no corredor e baixou a voz.
— A Doutora Yoon descobriu algo ao revisar estudos de caso internacionais.
— …
— Existe a possibilidade… de que a doença de Jeongwoo tenha sido diagnosticada errado desde o início.
O rosto de Seo-joon empalideceu.
— Erros podem acontecer num hospital local, claro. Mas, mesmo depois de ser transferido para cá, ele foi testado de novo. Está dizendo que até a Doutora Yoon errou?
— Não é tão simples assim. Os sintomas das duas condições são quase idênticos — isso não é incomum em doenças raras. Os médicos anteriores provavelmente fizeram o melhor que podiam com o que tinham.
— …
— A Yoon só começou a suspeitar disso muito recentemente.
Por um momento, Seo-joon ficou sem palavras. Aquela esperança leve e flutuante à qual vinham se agarrando nas últimas semanas despencou de repente como uma pedra.
Todos os anos que Jeongwoo passou lutando contra um inimigo invisível — o corpo frágil e franzino, os tubos de oxigênio sempre presos ao rosto — tinham sido em vão. Era injusto.
Se dinheiro não fosse um problema, talvez a família pudesse ter tentado outros tratamentos antes. Talvez até tivesse encontrado uma resposta. Mas, para o Yeonwoo de antes, coisas assim nem sequer eram uma opção.
— E agora? Existe um caminho real a seguir?
— Ainda estamos em negociação com um hospital no exterior — disse Hee-min. — Se a teoria da Doutora Yoon estiver correta, um transplante pode curá-lo completamente.
Aquelas palavras drenaram todo o sangue da cabeça de Seo-joon — e depois o trouxeram de volta de uma vez. O coração dele subia e descia a cada frase, como se estivesse preso numa montanha-russa.
Antes que percebesse, ele já tinha agarrado o braço de Hee-min, com a respiração presa em algum lugar entre o alívio e a descrença.
Hee-min deu um sorriso fraco — preocupado, cauteloso.
— Se estivermos certos, então não é uma doença terminal. Chega de tratamentos intermináveis e inúteis. Se o transplante der certo, Jeongwoo pode se recuperar em um ano. Ele pode até começar a ir à escola.
Supondo, é claro, que tivesse mesmo sido um erro de diagnóstico.
— Não diga nada ao Yeonwoo por enquanto — avisou Hee-min.
— Guarde isso só para você.
Seo-joon assentiu. Ele sabia exatamente por que aquilo tinha sido compartilhado apenas com ele.
A queda que vem depois de uma falsa esperança é uma das coisas mais difíceis que uma família pode suportar. A maioria das famílias de pacientes crônicos passa por esse sobe e desce emocional várias e várias vezes. Era cruel.
E agora, Seo-joon percebeu, aquela crueldade estava acontecendo com ele.
Hee-min observou o rosto dele, a oscilação de emoções que não esperava ver em alguém tão equilibrado quanto Seo-joon. Tinha presumido que Seo-joon não se deixaria levar pela esperança com tanta facilidade.
— Ainda vai haver uma longa espera, mesmo que consigamos colocá-lo na lista de transplantes — acrescentou Hee-min.
— Você sabe quantas pessoas estão esperando por doadores com morte cerebral? O caso do Jeongwoo é complicado — é difícil encontrar um doador compatível. E ele não está no topo da lista de urgência, então não vai ter prioridade.
Trazendo-o de volta à terra com uma dose de realidade, Hee-min deu um tapinha no ombro de Seo-joon.
— Conversamos de novo quando tivermos algo concreto.
Do laboratório, Yeonwoo e Songhee vinham caminhando na direção deles, conversando. Seo-joon assentiu em silêncio.
Até agora, Yeonwoo tinha carregado esse fardo sozinho.
Mas agora Seo-joon estava ali — pronto para carregá-lo junto com ele. A esperança, a espera, até mesmo a dor da decepção — ele aceitaria tudo. Por Yeonwoo. Sem hesitar.
E, ainda assim, apesar de tudo, a esperança cresceu em seu peito — tão grande que parecia que ia explodir.
Jeongwoo poderia melhorar.
Poderia ir à escola.
Poderia deixar o hospital para trás e finalmente voltar para casa — para a casa deles.
— Tenente, sobre o que vocês dois estavam conversando? — perguntou Yeonwoo, inclinando a cabeça.
— Parece que você ouviu alguma coisa boa.
Seo-joon não conseguiu conter o leve sorriso que repuxou seus lábios. Em vez de responder, entrelaçou os dedos nos dele e disse, casualmente:
— O encontro às cegas do Doutor Kang. Você vai rir quando ouvir.
Do lado de fora da janela do corredor, o céu se estendia limpo e sem nuvens.
E, pela primeira vez em muito tempo, Seo-joon sentiu que dias bons realmente poderiam estar por vir.
Os cinco se sentaram ao redor de uma mesa no refeitório do Centro com Jeongwoo e começaram um almoço um pouco atrasado. Enquanto Yeonwoo, sentado bem ao lado de Jeongwoo, pegava no pé dele por ser enjoado para comer e discutia com ele, Hee-min estava totalmente absorto contando sobre sua recente viagem à NASA.
Seo-joon, que de vez em quando tomava o partido de Yeonwoo ou de Jeongwoo para apaziguar os ânimos, respondeu às palavras de Hee-min.
— E quando está marcada a próxima visita?
— Ainda não sei.
Dos doze Sem-Nome do mundo, quatro tiveram a morte confirmada e um retornou com vida.
Recentemente, mais duas mortes haviam sido confirmadas, reduzindo o número oficial de Sem-Nome restantes para cinco.
Com exceção dos EUA, todas as nações que possuíam Sem-Nome haviam se calado. Ninguém sabia que escolhas elas fariam, e os outros países não tinham o direito de interferir. Tudo o que podiam fazer era ficar de braços cruzados, observando.
— Avise quando a data estiver definida. Eu e o Yeonwoo também precisamos nos preparar.
Hee-min assentiu. A base de pesquisa da NASA aguardava ansiosamente a visita de Seo-joon e Yeonwoo.
Para os inúmeros pesquisadores dos Portais — e até para os Sem-Nome de outros países, que observavam em silêncio a situação se desenrolar —, aqueles dois eram nada menos que milagres ambulantes.
Ji Seo-joon, o Sem-Nome sobrevivente, e Cha Yeonwoo, o Guia que o trouxe de volta da beira da morte — ambos eram recursos inestimáveis para as pesquisas que viriam.
— Ei, agora que o tenente se aposentou, como a gente vai chamá-lo?
Inesperadamente, foi Jeongwoo quem respondeu à pergunta repentina de Songhee.
— Hyung. Seo-joon hyung.
Songhee caiu na risada. Graças à persistente lavagem cerebral que Seo-joon vinha fazendo ao longo do tempo, Jeongwoo tinha sido o mais rápido a abandonar o “Tenente”. A palavra “hyung” saiu com naturalidade, como se ele sempre o tivesse chamado assim.
— Chame do jeito que você sempre chamou. Não precisa mudar. Ele continua sendo o Seo-joon, aposentado ou não.
— Então, Seo-joon-ssi.
— Nossa, que intimidade é essa? Agora o Seo-joon é seu amiguinho, Songhee?
Hee-min e Songhee ficaram discutindo por causa daquela conversa sem sentido.
— Você pode simplesmente me chamar de ajusshi.
Diante do comentário seco de Seo-joon, Hee-min franziu o rosto em protesto.
— Ei, se você é ajusshi, então o que eu sou, hein? Seu moleque.
— Mas, para a Songhee, ele é ajusshi, sim.
Seo-joon, que não se importava muito com o jeito como ela o chamava, respondeu preguiçosamente aos resmungos de Hee-min enquanto ajudava Yeonwoo a lidar com Jeongwoo.
— O Cha Jeongwoo ainda é um bebê?
— Eu não sou bebê! Sou um adulto de dez anos!
— Adultos não odeiam salsicha.
Yeonwoo colocou um pedaço de pimentão verde na colher de Jeongwoo.
— Você tem que comer de tudo.
Jeongwoo devolveu o pimentão ao lugar de onde tinha saído, fazendo beicinho.
— Eu como depois.
— Depois quando? Aish, nosso Jeongwoo ainda é um bebê… não come pimentão, só gosta de salsicha…
Seo-joon quase disse “Você também gosta de salsicha, Yeonwoo”, mas se conteve.
— Se eu gosto de salsicha, então sou bebê?
— Claro. Adultos não fazem diferença entre salsicha e pimentão.
— Na verdade, eu não gosto de salsicha… Eu gosto de pimentão. Gosto tanto que estou guardando para o final.
Jeongwoo, de bochechas estufadas, cutucou o pimentão verde com o garfo. Observando-o, Yeonwoo estufou os lábios exatamente do mesmo jeito. Eram tão parecidos que poderiam ser gêmeos.
De qualquer forma, ver o bebê grande e o bebê pequeno discutindo por causa de um pimentão verde era divertido, mesmo que não ajudasse em nada a corrigir a mania que os dois tinham de ser enjoados para comer.