࿔Capítulo 6
࿔*:・゚ Capítulo 6
Será que se incomodava só porque não o tinha nas mãos? Seung Wook sabia muito bem a criancice idiota que acabara de cometer. Não devia ter reagido daquele jeito a Ji Wonwoo. Sabia disso racionalmente, mas não conseguiu se controlar. Por isso se sentia uma merda.
Seung Wook andava sem rumo quando percebeu que tinha chegado à cerca que delimitava a fazenda e parou. Ah, porra. Até ter andado assim, sem pensar, era patético. Desgraçado maluco, não toma jeito.
Haa. Soltou um suspiro incrédulo e tentou acalmar o humor. Por que fiz aquilo? Por que fiquei tão sensível olhando para o Ji Wonwoo?
Claro que sabia o motivo. Porque ele tinha mudado. Tinha voltado a ter aqueles olhos brilhantes que primeiro roubaram o olhar de Seung Wook. Mais calmos que naquela época, mas com a vivacidade de antes.
Tudo tinha mudado, como se fosse outra pessoa. Os olhos que encaravam diretamente, a voz baixa mas nítida, eram coisas que não se viam no Ji Wonwoo de antes.
— Ele quase morreu e voltou. Dizem que foi por isso que mudou. A gente vê monstros com frequência, mas ele realmente passou entre a vida e a morte, então não é que eu não entenda.
Concordava com Geon Yeong. Mesmo assim, não sabia por que sentia que havia outro motivo. Os outros podiam não saber, mas Seung Wook acreditava conhecer Ji Wonwoo melhor que ninguém. Embora tivesse sido um relacionamento curto, de apenas um mês, ele o vira de perto e o tocara.
Podia fechar os olhos e desenhá-lo, percorrendo-o com as pontas dos dedos. Seung Wook apertou as mãos, como se recobrasse a razão diante do corpo dele que lhe vinha à mente.
Analisou com mais detalhes por que estava tão irritado. Durante o mês em que esteve com Ji Wonwoo, fez o melhor que pôde. Sorria olhando nos olhos dele, dizia palavras carinhosas, falava coisas positivas. Mesmo assim, ele não reagia, como uma boneca sem alma. Mesmo com Seung Wook estendendo a mão, ele não foi salvo.
E agora, por causa de um mero monstro. Mudou daquele jeito por ter encontrado um monstro? Seung Wook reprimiu a irritação. É, isso não é apego ao Ji Wonwoo. É desagrado por uma conquista que eu não alcancei.
Definir objetivamente o próprio estado de espírito surtiu efeito. Desde o primeiro momento em que viu Ji Wonwoo, havia algo de que se precavia. Não confundir esse sentimento com amor.
Desde pequeno, Seung Wook vira muitas pessoas desmoronarem por obsessão por Guias. Por mais racional que alguém fosse, uma vez afundado no amor, costumava tomar decisões incompreensíveis, como se fosse outra pessoa. Então ele ainda estava bem.
— Ah? Não é o líder Hong Seung Wook?
Ao ouvir a voz que o chamava, Seung Wook virou a cabeça e viu um Esper da fazenda que vigiava a cerca. Normalmente, ali trabalhavam Espers contratados abaixo do nível B inferior; talvez por isso, nos olhos do Esper que reconheceu Seung Wook surgiu um brilho de admiração.
— Olá. Soube que o senhor viria. Veio verificar a cerca?
Seung Wook olhou de relance para a cerca, alta como um muro, e assentiu.
— Algum problema?
— Não, estou verificando agora e não há problema.
O Esper da fazenda ergueu o detector de frequência de monstros que tinha na mão e sorriu, nervoso.
— Ah, mas como foi emitido alerta dentro da fazenda, está passando uma corrente forte pela cerca, então é melhor não se aproximar. Ah, claro, a área do alerta é bem no centro da fazenda e ainda não está em nível de perigo, mas, quando sai alerta em um lugar, o efeito se espalha ao mesmo tempo, então não dá para saber onde um ovo pode estourar de repente.
— Verificamos minuciosamente sobretudo os arredores da cerca. Mas não precisa se preocupar muito. Claro, ao eliminar ovos de monstro em alerta, eles podem acabar despertando como adultos, mas, com a habilidade do líder Hong, o senhor vai esmagar o monstro de uma vez! Eu acompanhei muito as atuações do líder Hong Seung Wook…
— Obrigado. Bom trabalho.
Seung Wook o interrompeu, virou-se e desapareceu, mas o Esper da fazenda não conseguia esconder a alegria por ter conversado com ele. Preciso ir me gabar logo. Empolgado, virou-se sem ver direito o lado de dentro da cerca ali perto. Por isso, não viu um ovo se contorcendo numa árvore de monstros que se erguia alta do lado de dentro da cerca.
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Toc, toc.
Mal tinha desfeito a bagagem, ouviu batidas na porta. Quando Wonwoo abriu, um Guia jovem da mesma equipe estava parado numa postura desconfortável. Sem olhar nos olhos de Ji Wonwoo, falou depressa.
— Tem uma reunião sobre a escala de guiamento. Os Espers estão reunidos no acampamento discutindo a operação. Claro, com ou sem Espers, o senhor Ji Wonwoo disse que não vai trabalhar, então não precisa ir. Mas, por procedimento, tenho que avisar…
— Certo, vamos.
— Hã?
O Guia franziu os olhos e virou a cabeça.
— Vai vir?
Sim. Wonwoo assentiu e saiu do quarto. Estava mesmo prestes a deixar o quarto vazio, então era uma boa desculpa.
— Por que vai?
— Não posso ir?
Sem ter o que dizer, o Guia engoliu um suspiro e se virou.
— Faça como quiser.
O tom era ríspido, mas, vendo que ele continuava sem conseguir sustentar o olhar, parecia ainda sentir culpa pelo episódio da sala de descontaminação. Já o outro Guia, de uns trinta e poucos anos, que estava na pequena sala de reunião, xingou de novo assim que viu Wonwoo.
— Porra, se não vai dar guiamento, por que diabos veio?
— Não tenho nada para fazer, então vim assistir vocês trabalhando.
Wonwoo respondeu com indiferença e se sentou à frente dele, que fez careta.
— Você é mesmo o Ji Wonwoo?
— Não sei. Não me lembro.
— Se nem você sabe…
Ah, é, amnésia. O Guia de trinta e poucos lançou um olhar sufocado.
— Era muito melhor quando você ficava de boca fechada, quietinho feito rato morto.
— Você não entende nada.
— Não entendo?
— Ficar quieto feito rato morto é mais perigoso. Todo mundo baixa a guarda, então é perfeito para cortar a garganta de alguém.
Ha. O Guia de trinta e poucos soltou uma risada incrédula.
— Como você cortaria a minha garganta…!
No instante em que ele parou de falar, algo passou rápido roçando seu rosto e voou para trás. Ele se sobressaltou e virou o corpo, mas aquilo já tinha passado. Só ouviu o som do vento, fiu, sem ver o que tinha roçado nele. Ainda assim, arrepiou-se inteiro.
Quando enfim virou a cabeça e viu o que era, o arrepio virou espanto. Uma pequena adaga, do comprimento de meia palma da mão, estava cravada no batente da janela. Meu Deus, o que é aquilo…?
— Você ficou louco?! Jogou uma faca em mim?!
Quando o Guia de trinta e poucos se levantou num pulo e gritou, o outro Guia segurou o braço dele para contê-lo.
— Hyung, calma.
— Me solta, porra! Aquele desgraçado acabou de jogar uma faca em mim! Só se for louco… hã!
De novo, fiu, o som do vento passou rente ao ouvido dele. Desta vez, sentiu até a lâmina fria tocar a orelha. O Guia de trinta e poucos cobriu a orelha com a mão e se esquivou para o lado, atordoado. Ia xingar no automático, mas da boca aberta não saiu som algum. Entre os dedos de Wonwoo havia três daquelas pequenas adagas.
— Não fiquei louco. Você estava curioso para saber como eu cortaria uma garganta, então mostrei. Precisa de mais alguma confirmação?
— Ei, como diabos você jogou a faca…
— Não lembro, então não sei ao certo. Vai ver, entediado de ficar quieto feito rato morto, eu treinava cortar gargantas.
O Guia de trinta e poucos agora fechou a boca com força. Deixando-o ali, pálido, Wonwoo se levantou, e ele estremeceu e fugiu para o lado oposto.
— Você, não me diga… está querendo dizer que quer me matar?
Wonwoo arrancou as adagas cravadas no armário e no batente e se virou para ele. Só tinha as adagas entre os dedos e os braços caídos, mas o medo se espalhou no rosto do outro.
— Fez algo que mereça a morte?
— E-eu, o que eu…
— Então não vou matar. Mas.
O Guia, que sem perceber se aliviava, se sobressaltou de novo. Mas?
— Se continuar falando informalmente comigo, vou entender que está arrumando briga, e não vou ter escolha a não ser me importar.
Wonwoo levou a cadeira para perto da janela, sentou-se e lançou um olhar impassível. O Guia ficou rígido e enfim abriu a boca.
— …É só eu não falar informalmente?
— Isso.
Como Wonwoo concordou facilmente, foi ele quem fez cara de incredulidade.
— É só isso que incomoda o senhor?
— Sim.
— E eu te xingando e falando grosserias… ah, esquece.
— Se for um colega que entrou pela influência da família e nem trabalha, é normal sair palavrão.
Ele olhou de novo para Wonwoo, sem palavras. Admitiu com a própria boca que é normal sair palavrão?
— Xingar pode, e falar informalmente não?
— Não somos próximos a ponto de falarmos informalmente. Usando a linguagem formal, surge certa cortesia adequada à distância.
Não conseguia entender, mas dava para perceber que ele traçava uma linha clara. Antes traçava a linha com silêncio; agora a expressava em palavras. De qualquer forma, continuava sem querer ter pontos de contato com os outros.
— Não virou completamente outra pessoa.
Diante disso, Wonwoo deu um sorriso estranho. No rosto que só era inexpressivo surgiu uma expressão, e a atmosfera mudou completamente. Com um leve sorriso, a impressão dele se suavizou num instante, como se soprasse uma brisa de primavera. Os dois Guias ficaram por um momento cativados, atônitos, por aquela expressão.
— É verdade. Não sou completamente diferente.
Era uma voz amarga e, ao mesmo tempo, aliviada. Mas logo, como se o sorriso e a voz baixa tivessem sido uma ilusão, ele voltou à inexpressividade.
— Se terminaram, não se importem comigo e façam o seu trabalho.
Wonwoo virou a cabeça para a janela, mas os dois Guias não conseguiram tirar os olhos dele por um bom tempo.
✧˖°. ༄ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby