࿔Capítulo 7
࿔*:・゚ Capítulo 7
Quando voltou depois de deixar o quarto vazio de propósito por cerca de uma hora, Wonwoo soube, assim que abriu a porta, que estava certo. Havia um leve cheiro de perfume. O stalker, que não aguentou e invadiu o quarto nesse meio-tempo, era ridículo e, por outro lado, ele até lhe era grato. Graças à dedicação dele, parecia que, se armasse uma armadilha, conseguiria pegá-lo facilmente.
— Algum problema com o quarto?
Ao virar a cabeça para a voz vinda da esquerda, viu Il-hae, Esper da mesma equipe. A pessoa que fora ao hospital lhe estender os documentos para assinar. Parecia ter treinado e tomado banho nesse meio-tempo, pois tinha o cabelo molhado e uma toalha comprida em volta do pescoço. Quando Wonwoo o encarou fixamente, Il-hae perguntou, na defensiva:
— O que foi, não vai me dizer que não lembra de mim de novo?
— O senhor usa perfume?
— Que história de perfume é essa de repente…. Não uso.
Ele franziu os olhos e balançou a cabeça. Mesmo com a resposta, Wonwoo continuou a observá-lo por um momento, e ele murmurou, incomodado.
— Francamente, eu pergunto o que houve e vem com isso.
— O senhor usa o quarto ao lado?
— Sim. Uso este quarto. Nenhum Esper quis ficar no quarto ao lado do senhor Ji Wonwoo, então acabei forçado a ficar com ele.
— Um Esper tem que ficar necessariamente no quarto ao lado do meu?
Ha, uma risada escapou da boca de Il-hae.
— Você diz o que eu queria dizer. O Centro definiu como diretriz que os Espers devem ficar no quarto ao lado dos Guias para poder ajudá-los em caso de perigo. Por isso, mesmo um Guia que eu não quero salvar, sou obrigado a salvar. Que saco, sério.
— Ah, entendo.
Entende? Quando Il-hae, sem entender, perguntou de volta, Wonwoo respondeu sério.
— O Guia também tem que salvar à força um Esper de quem não gosta em caso de perigo, não é? Que saco, sério.
Il-hae, deixando de lado que Wonwoo imitara sua fala, se perguntou o que tinha acabado de ouvir.
— Está dizendo que não quer dar guiamento? Que Guia diz uma coisa dessas?
— Você pode dizer uma coisa dessas e eu não?
— Ora, você é um Guia que existe para os Espers.
Os lábios de Wonwoo se torceram lentamente para cima. Il-hae, que erguia a voz, prendeu a respiração sem perceber ao ver aquele sorriso. As pupilas claras e transparentes como bolinhas de vidro o fitaram com nitidez.
— Ninguém existe para os outros. Nem eu, nem você.
Por um instante, os olhos de Il-hae se arregalaram levemente. Por que ele disse “nem você”? Intrigado, cerrou os dentes para conter o coração assustado com aquelas palavras. Tipo mental, com físico igual ao de uma pessoa comum e, ainda por cima, Esper de nível B.
Até os outros Espers evitavam fazer amizade com ele por ser do tipo mental, então Il-hae vivia à margem. Naturalmente, dentro do Centro, os do tipo mental não podiam ser protagonistas. Eram coadjuvantes que davam suporte por trás de outros Espers mais habilidosos. Sempre achou natural viver para alguém. Que até os Guias, inferiores a ele, deviam viver para os grandiosos Espers.
Sentiu como se Ji Wonwoo tivesse chutado para longe o critério que ele mal consegue aceitar, depois de desistir dos sonhos e reprimir a ambição. Sentiu-se como se, com apenas aquela palavra, tivessem descoberto o que ele escondia lá no fundo, e ficou surpreso, envergonhado e com o orgulho ferido.
— Ha, depois que machucou a cabeça, só fala coisa estranha… Porra, pensando bem, você nem tem capacidade de salvar Espers com guiamento, tem?
— Porra, você, que só fala merda, é muito pior, então fecha essa matraca.
Diante do palavrão ríspido que interrompeu de repente, os dois viraram a cabeça. Seona estava diante do quarto vizinho, à direita do de Wonwoo. Il-hae se irritou e fechou a cara.
— Não falei com você, o que tem a ver?
— Ah, é? Como estava latindo feito cachorro para todo mundo ouvir, achei que queria que todo mundo ouvisse. Mas eu já ouvi e meus ouvidos ficaram sujos, o que eu faço?
Il-hae olhou incrédulo para Seona, notou Wonwoo sorrindo de leve e seu rosto endureceu. Os dois são próximos? É, se não fosse isso, quem seria louco de ajudar tanto um Guia de nível D?
Mas nem por isso ela devia falar assim comigo, com quem nunca trocou uma palavra…. Il-hae ia retrucar quando viu a orelha de Seona. Cinco piercings supressores. Assim que percebeu que ela era uma bomba ambulante, fez careta e recuou.
— Porque eu perderia tempo com gente assim.
Quando ele se virou e saiu pelo corredor como quem foge, Seona logo deixou escapar uma voz contrariada.
— Por que fica ouvindo essas merdas?
— Estava verificando um cheiro.
— Que cheiro?
Seona fungou.
— Hã? Parece mesmo ter um leve aroma. Perfume? Não, amaciante?
Ao vê-la tentando captar o cheiro com toda seriedade, Wonwoo não aguentou e sorriu. Seona, sentindo-se pega, recuou meio passo.
— Que foi? Pareci demais com um cachorro?
— Sim.
— …É que o cheiro estava fraco.
— Isso também, mas pensei que a senhorita continua fazendo até as pequenas coisas com dedicação e empenho.
O rosto de Seona endureceu aos poucos. Só então Wonwoo percebeu que tinha errado. Seona, agora inexpressiva, perguntou baixo.
— Pelo que sei, nunca nos encontramos antes. O senhor Ji Wonwoo fala como se me conhecesse bem.
— Conhecia bem. A Han Seona que a própria Han Seona não conhece.
Que conversa é essa. Seona voltou a desconfiar dele. Será que de vez em quando ele perde o juízo? Bom, sendo um Guia super ultra mega S, qualquer coisa era compreensível. Com uma habilidade super ultra mega, é normal o juízo balançar um pouco.
— Bom, digamos que sim.
Diante da reação tranquila dela, foi Wonwoo quem a olhou intrigado. Vai deixar passar assim?
— Mas, se alguém falar xingando você, não deixe passar. Xingue também.
— Prometi a alguém que não falaria palavrões.
Que promessa mais inútil. Seona olhou para ele com pena. Wonwoo contraiu os lábios para segurar o riso e pediu.
— Então a senhorita Han Seona xinga por mim.
— Isso é o que você quer como pagamento?
— Não.
Seona hesitou, sem conseguir responder facilmente. Se fosse pagamento, seria mais simples, mas nem isso era; soava como se ele quisesse se aproximar dela. Mas ela não era do tipo que fazia amizade com facilidade. Por isso, respondeu de propósito, seca:
— Bom, vou ver.
Depois de responder, por algum motivo envergonhada, Seona ia entrar depressa no quarto. Mas Wonwoo a chamou.
— Não está curiosa sobre o que vou fazer hoje à noite?
Claro que estava. Foi por isso que até se oferecera para vir a este alojamento.
— Não é como se você fosse me contar.
Wonwoo balançou a cabeça com cara de confuso.
— Não. Vou explicar.
Ah, não era segredo? Diante de Seona, sem graça, Wonwoo sorriu.
— A senhorita vai entrar logo na fazenda por causa da operação, não é? Vou explicar rapidamente.
𓂃˖˳·˖ ִֶָ ⋆ ͙🍃⋆ ִֶָ˖·˳˖𓂃 ִֶָ
Il-hae saiu do alojamento e, sem ter para onde ir, seguiu de novo para o acampamento da operação. O acampamento ficava na entrada da fazenda, e do alojamento até a entrada via-se o limite da fazenda, delimitado por uma cerca longa e alta. Com o esforço humano para obter sementes, surgiram fazendas que cultivavam aquelas perigosas árvores de monstros, mas o momento em que os ovos estouravam não podia ser previsto por método algum.
Afinal, ovos do tamanho de um punho às vezes cresciam enormemente e estouravam em poucas dezenas de minutos. Como a velocidade de crescimento era algo que os humanos não podiam controlar, só restava reunir todo tipo de indício com sensores instalados nas árvores, gerar dados e fazer previsões. Como o alerta tinha sido emitido, talvez algum ovo estivesse crescendo numa velocidade anormal.
Por isso, uma equipe avançada entra antes para eliminar os ovos problemáticos e, se a situação parecer de perigo, a equipe principal é enviada. Talvez nesta operação nem chegassem a ver uma pata de monstro. Por isso, todos resmungavam que seria sem graça, mas Il-hae pensava o contrário.
Como não era fisicamente excepcional, as operações de extermínio de monstros sempre lhe pesavam. Mas sua família trabalhara por muito tempo para o Centro, e Il-hae também aceitara desde pequeno que trabalhar no Centro era algo natural.
— Ninguém existe para os outros.
A voz monótona de Ji Wonwoo não saía facilmente de sua cabeça. Um mero Guia. Ousar dizer isso a mim, um Esper. Ficou com raiva, mas não a ponto de encobrir os outros sentimentos.
Eram palavras que qualquer um poderia dizer e qualquer um poderia pensar. Mas, no momento em que foram dirigidas a ele, tornaram-se especiais.
Il-hae balançou a cabeça, esforçando-se para não lhes dar significado. É o Ji Wonwoo. Não preciso ligar para o que diz alguém que ainda por cima ficou com a cabeça estranha…
— Você não tinha ido para o alojamento?
Diante da voz familiar, Il-hae parou e reconheceu o colega.
— Só saí de novo.
— Por quê? Aconteceu algo no alojamento?
Il-hae hesitou, mas logo balançou a cabeça.
— Nada. É só que o quarto ao lado do meu é do Ji Wonwoo, e isso me incomoda.
— Ah, o Ji Wonwoo. Ele disse alguma coisa estranha?
Il-hae desviou o olhar e falou como quem se justifica.
— Não. Parece que ele se dá bem com a subchefe Han Seona, da equipe de suporte, e isso é meio desagradável de ver.
— …Com aquela mulher, a Han Seona?
A expressão sumiu do rosto do colega, mas Il-hae, sem perceber, ia seguir para o acampamento. Então, como se lembrasse de algo, ergueu a toalha do pescoço.
— Ah, obrigado por me emprestar a toalha.
𓂃˖˳·˖ ִֶָ ⋆ ͙🍃⋆ ִֶָ˖·˳˖𓂃 ִֶָ
A cerca diante dos olhos de Wonwoo era tão alta que a maioria das pessoas não conseguiria escalá-la. Era preciso inclinar a cabeça para trás para ver o topo, mas era uma altura que os monstros pulariam de uma só vez. Para conter os monstros, provavelmente passava também uma corrente forte. Mas, se fossem adultos completos, mesmo queimando até ficarem pretos, atravessariam a corrente com o próprio corpo e sairiam de qualquer jeito.
Afinal, eram insetos que andavam em bando, como gafanhotos. Com aqueles corpos enormes e duros como pedra, eram incrivelmente ágeis, e pessoas comuns jamais poderiam enfrentá-los. Wonwoo vira à exaustão monstros desaparecem num instante e, como se se teletransportasse, matarem pessoas que estavam bem longe.
Por isso, os monstros eram o próprio terror para as pessoas comuns. Os Espers, que podiam enfrentá-los, tratavam o perigo dos fracos como coisa leve. Usando como pretexto os benefícios das sementes.
Mas, diante da morte, pesar perdas e ganhos não tinha sentido algum. Por melhor que a semente fosse como fonte de energia, de que adiantaria se a pessoa morresse sem poder usá-la? No mundo de Wonwoo, isso era considerado mais importante, então o critério para a vida era ajustado aos fracos. Por isso, as árvores de monstros se tornaram alvo de eliminação.
No início, porém, muitos defendiam os Espers dizendo que, sem as sementes, a vida desmoronaria. O que os fez mudar foi, ironicamente, perceberem que dava para viver bem mesmo sem as sementes de monstros.
O sacrifício que os Espers alegavam não era grande. Bastava suportar um pouco de inconveniência e se acostumar. Wonwoo pensava que a vida também não seria assim. É preciso soltar o que se tem nas mãos para encontrar algo novo e, talvez, agarrar algo maior. Assim como, como todo Purificador, Wonwoo despertara um poder completamente diferente quando largou e esvaziou tudo diante da morte.
𓂃˖˳·˖ ִֶָ ⋆ ͙🍃⋆ ִֶָ˖·˳˖𓂃 ִֶָ
— Subchefe Han!
Ouviu alguém chamar seu nome bem alto, mas Seona, ainda com a cabeça confusa, não reagiu de imediato.
— Subchefe Han Seona!
Só ao ouvir o nome de novo, Seona ergueu a cabeça e ouviu o superior gritar a plenos pulmões.
— Disseram que o bloco 22 está limpo, então leve dois dos rapazes e vá finalizar.
Sim, respondeu ela, e se virou, mas, mesmo se movendo, não conseguia se livrar do que ouvira de Ji Wonwoo. Era uma história totalmente absurda, impossível, mas não sabia por que o coração batia tanto. Como se seu sexto sentido tivesse percebido que era verdade.
[— Eu sou um Purificador. Os Guias têm habilidades diferentes de acordo com o nível, mas os Purificadores não têm limite. A forma de lidar com a energia é diferente. Por isso, não só estabilizo a energia, como posso influenciá-la de modo mais direto.]
[— Como?]
[— Extraindo a força para fora do corpo, ou amplificando-a.]
[— …]
[— Seja qual for o nível do alvo. Seja ele humano ou não.]
Seona, que remoía aquela história inacreditável, parou de repente. Havia algo que não percebera na hora. Naquelas palavras inacreditáveis, havia uma a que devia prestar atenção.
Seja humano ou “não”. Não humano? Os olhos de Seona, que tinha parado, foram subindo pouco a pouco. Lá em cima, viu os frutos pendurados na árvore de monstros.
…Monstros?!
Bum!
O estrondo dos ovos de monstro explodindo ecoou pela fazenda como fogos de artifício. O sol estava quase posto e já caía uma escuridão vermelho-escura, então a operação de hoje provavelmente terminaria logo. Mas Wonwoo ainda não pretendia deixá-los descansar. Por isso, fechou os olhos e, como quem inspira o fôlego contido, detectou a energia ao redor. Captou dezenas, centenas de ovos de monstro com energia forte. O mais próximo ficava logo do lado de dentro da cerca.
Sejam Espers ou monstros, os seres que nascem com grande poder têm dentro de si um núcleo que gera energia como um motor. Despertar esse poder é extremamente fácil. Mesmo fazendo isso depois de tanto tempo, era tão fácil que dava vontade de rir. Mas, como era a primeira vez, precisava ir de leve. Bem de leve. A protagonista de hoje era Seona.
E quantos segundos se passaram? No instante em que Wonwoo abriu os olhos, alarmes estrondosos começaram a disparar ao mesmo tempo, fazendo a fazenda inteira vibrar. Eram dezenas de alarmes avisando que ovos de monstros tinham despertado.
✧˖°. ༄ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby