࿔Capítulo 4
࿔*:・゚ Capítulo 4
“Não se meta comigo.” Mesmo sem essas palavras de Ji Wonwoo, Geon Yeong não tinha mais intenção de se importar com ele. Aquele sujeito que ele ignorara como um inseto de repente o encarava nos olhos e dava ordens. Seu orgulho foi ferido.
Mas não é da natureza humana querer fazer justamente o que mandam não fazer? Assim que entrou no escritório, sem perceber, seu olhar foi até a mesa de Ji Wonwoo. Estava vazia. Ué, ele não veio?
— Saia da entrada, por favor.
Geon Yeong se sobressaltou com a voz de Ji Wonwoo de repente atrás dele e quase mordeu a língua. Porra, praguejou por dentro e se afastou, e lá estava Ji Wonwoo, todo vestido de preto, com uma mochila nas costas.
— Você vai aonde? Digo… o senhor vai aonde?
— Recebi uma mensagem. Foi emitido um alerta de eclosão de monstros na fazenda D41, e vão realizar uma operação de limpeza nos dias 14 e 15, então era para participar.
— …Você também vai? Digo, o senhor?
— Tenho que ir. Sou da equipe.
Diante das palavras de Wonwoo, todos no escritório ergueram a cabeça e olharam para ele. Recebendo olhares que misturavam incredulidade e desagrado, ele ia se sentar quando ergueu os olhos de relance. Um Esper virou o rosto bruscamente ao cruzar o olhar com ele. Wonwoo o olhou por um momento e se sentou, mas logo ouviu reclamações.
— Que saco, porque inventou de ir.
O resmungo, alto o bastante para todos ouvirem, veio de um colega Guia. Depois que Chang-hee morreu por descontrole, os outros Espers pareciam ter deixado de se importar com Wonwoo, mas os dois Guias eram diferentes.
— Mesmo indo, nem vai trabalhar direito, porra.
— Exato. Desta vez também não pretendo trabalhar.
Diante da réplica de Wonwoo, o Guia que xingou ficou boquiaberto. Como podia dizer aquilo com a própria boca, sem vergonha nenhuma? Diante do espanto nos olhos dos dois, Wonwoo acrescentou com indiferença.
— Se eu não trabalhava quando a equipe tinha cinco Espers, não há por que trabalhar agora que são quatro.
Quando o encarou diretamente, o Guia estremeceu e desviou o olhar. Era o Guia que tinha atraído Wonwoo para a sala de descontaminação. Era cúmplice do Esper, mas Wonwoo não pretendia cobrar aquilo. Sendo ambos Guias, era melhor deixá-lo em dívida. Dito e feito, o outro Guia, talvez sentindo-se culpado, falou com a voz um pouco mais branda.
— A fazenda para onde vamos desta vez é longe, então temos que ir pelo portal de transporte. Naquele acidente, o senhor Wonwoo caiu bem no meio de uma fazenda, não foi? Consegue usar?
— Consigo.
O Guia que perguntou fechou a boca, como se não tivesse mais o que dizer. Então, como se lembrasse de algo, voltou a apontar, ríspido.
— Ah, esse comunicador no seu ouvido não é fornecido pelo Centro, então tem que tirar. Nas operações, por questões de segurança, só se pode usar equipamento do Centro.
Ao mesmo tempo, o chiado no ouvido de Wonwoo aumentou.
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[— Porra, nem conseguem controlar o pau dos próprios Espers e vêm falar de segurança. Esses vermes do Centro Leste.]
Diante dos palavrões que fluíam baixos do alto-falante, Sang Cheon não aguentou e perguntou de volta.
— Não, proibir aparelho externo é algo que pode acontecer, ué. O que isso tem a ver com controlar o pau dos Espers?
[— Porque tudo o que esses incompetentes que nem controlam o pau de dentro fazem é inútil.]
— Sei lá. Restringir comunicadores externos é até uma medida sensata.
[— Ha, estou dizendo que não adianta.]
Ué, não ouviu que mandaram tirar? Sang Cheon arregalou os olhos e ia gritar de novo quando ouviu a voz entediada do bruto.
[— Como se houvesse algo mais fácil de conseguir do que um comunicador do Centro.]
— Bom, é verdade. O problema é que é caro. Espera, não vai me dizer que é para conectar você a um comunicador do Centro?
[— É.]
— Tá, bom, é possível, mas…. Não, não pode. Equipamento do Centro só circula no mercado negro. Se me pegarem comprando, vou fazer sessenta anos na cadeia. De jeito nenhum.
[— Quem disse que é para o senhor fazer?]
Ah, achei que fosse. Sang Cheon se aliviou, mas só por um instante:
[— Eu consigo o comunicador do Centro, o senhor só conecta.]
— Isso é mandar eu fazer!
[— Baixo os juros em 5%.]
Sang Cheon prendeu a respiração para que não percebessem que suas mãos tremiam. Cinco por cento?!
— Bom, se for só mexer no aparelho… Se eu não souber que é coisa do Centro, não deve ter grande problema, mas…
[— Se não quiser, tudo bem.]
— Eu faço.
Assim que aceitou, uma dúvida lhe veio tarde.
— Mas por que você quer tanto ficar grudado no Ji Wonwoo?
[— É óbvio que é vigilância.]
— Tem algo para vigiar? Por causa da semente Alfa? Aquilo não pode ser verdadeiro. Se não for isso, não vai me dizer que… está preocupado porque um tarado entrou na casa do Ji Wonwoo?
Ouviu-se um grande suspiro do outro lado do alto-falante. Normalmente vinham palavrões em seguida, então Sang Cheon ia baixar o volume com antecedência. Mas nas palavras ditas baixinho não havia palavrão.
[— Porque eu ficaria puto se ele morresse nas mãos de um tarado desgraçado antes que eu pudesse usá-lo. Satisfeito?]
Sei lá. Acho que não. Pouco tempo atrás dizia que não ligava se Ji Wonwoo morresse ou não, e agora ele não pode morrer. Tem algo estranho, não tem? Mas, como não conseguia identificar exatamente o que era estranho, só inclinou a cabeça.
— Mas pode ser engano dele essa história de tarado invadir a casa. Vendo que trouxe aquilo dizendo que era uma semente Alfa, acho que o Ji Wonwoo tem um pouco de mania delirante.
[— Senhor.]
— Hã?
[— É por desconfiar assim do mundo inteiro que a sua vida é uma merda.]
Que injustiça. De qualquer outra pessoa, tudo bem, mas dele não queria ouvir aquilo. Se existia um ícone da desconfiança, era o Bruto. Ele mesmo não disse que era loucura quando falaram da semente Alfa?
— E você acredita em tudo o que o Ji Wonwoo diz?
[— Não.]
…Ei. Sang Cheon mal conteve as grosserias que quase saíram. O outro era o Bruto. O temível cão da família Gye.
[— O Ji Wonwoo já foi chamado para a sala de descontaminação por um tarado desgraçado daquela equipe. É bem possível que outro tarado grude nele.]
— É verdade. Com aquele rosto do Ji Wonwoo.
Sang Cheon assentiu quando parou.
— Esse tarado é alguém da equipe?
[— Não sei. Mas é Esper.]
— Mesmo assim, ele não vai mexer com o Ji Wonwoo durante a operação, né? Os outros Espers vão estar todos lá.
[— Outros Espers? Já é bom se não ficarem balançando o pau juntos.]
Sang Cheon achou inesperado. Como era muito comum Espers acharem que podiam tratar Guias como quisessem, as palavras do Bruto, também um Esper, eram bastante surpreendentes.
[— Mesmo pegos em flagrante, se disserem que precisavam de guiamento, os Espers nunca são punidos.]
É, é verdade. Espers são seres a quem se deve gratidão por protegerem os humanos dos monstros, então tudo o que fazem é tolerado. Eles mesmos sabem disso e acham que podem fazer qualquer coisa. Mesmo que a vítima seja um Guia.
— Mesmo assim, ele é da família Ji, não vão abusar descaradamente, vão?
[— Se escolhesse hora e lugar, não seria tarado.]
Ah, ele não entende muito de tarado. Sang Cheon, frustrado, ia logo explicar.
— Quem gosta de atormentar os outros é justamente do tipo que se rebaixa aos fortes e pisa nos fracos…
Trrrim― De repente o telefone tocou e um nome surgiu na tela. Ji Wonwoo. Sang Cheon se sobressaltou e, antes de atender, advertiu o alto-falante.
— É o Ji Wonwoo. Shh, fica quieto! Hum, hum, a-alô? Ah, claro que sei. Senhor Wonwoo. …Sim, ah… não vai poder vir por dois dias? Tudo bem. Se tem que participar da operação, é normal. …Hã? Não, e-eu não sei. Não fazia a menor i-ideia de que você ia participar da operação!
Sem que o outro tivesse dito nada demais, Sang Cheon se sentiu culpado e levantou a voz.
— …Hã? A-achou que o Nani tinha me contado tudo?
Sang Cheon, sem perceber, olhou de relance para o alto-falante. Pelo alto-falante ouviu-se, fraco, o som de um estalo de língua: “tsc”. Sang Cheon é que queria estalar a língua. Quem mandou você me dedurar tudo?
— Não, e-eu não ouvi n-nada. Claro. Então, o que queria? …Aqueles gângsteres do agiota? Faltam uns três dias para o dia da cobrança. …Hã, ficou preocupado comigo? Com medo de eles virem antes?
Sang Cheon ficou sem palavras por um instante.
— Obrigado, mas não precisa se preocupar comigo. …O quê? Conseguiu um Esper para ajudar? Vem junto? Quem é? …Ah, tá. Me conta depois. Se é urgente, vai logo. Espera, senhor Wonwoo!
Sang Cheon chamou depressa Wonwoo, que ia desligar, e advertiu com voz firme.
— Cuide-se. Não dos monstros, das pessoas. As pessoas podem ser mais perigosas.
Depois de desligar, Sang Cheon ficou olhando para o celular por um tempo. No começo, como ele chorava ao vê-lo, achou que era só um louco. Mas, vendo que continuava cuidando dele e se preocupando assim, não dava para classificar aquilo simplesmente como atitude de um louco. Também fazia muito tempo que ninguém se preocupava com ele.
[— O que ele disse?]
— Hã? Ah… Parece que ficou preocupado que aqueles gângsteres voltassem. Disse que a operação vai até amanhã, então vem depois de amanhã, e que, como os gângsteres podem aparecer nesse meio-tempo, é melhor eu fechar a loja.
[— E?]
— Disse que conseguiu um Esper para ajudar. Acho que a senhorita Han Seona?
[— E?]
— Só isso.
Por um instante, houve silêncio no alto-falante. Sang Cheon repassou a conversa pensando se tinha esquecido algo e, de repente, percebeu. Com a habilidade do Bruto, ele devia ter ouvido até a voz de Ji Wonwoo do outro lado da linha, não? Por que fica confirmando? Como alguém que suspeita ter deixado algo escapar. Foi então que ouviu a pergunta.
[— Ele não perguntou de mim?]
— De você?
[— Eu também vou ficar dois dias longe.]
— …Você é uma máquina.
[— Você não sabe o quanto o Ji Wonwoo tagarela com essa máquina.]
E daí? Ainda é uma máquina. Sang Cheon ficou tão pasmo que olhou para o alto-falante por um bom tempo.
— Por acaso se apegou ao Ji Wonwoo?
[— Por que eu me apegaria ao filho do Ji Geuno?]
É. Ji Geuno é o inimigo, se apegar ao filho do inimigo seria meio complicado.
— E eu achando que você estava preocupado com o Ji Wonwoo.
[— Não estou.]
— Que insensível.
[— O quê?]
— Mesmo sendo filho do inimigo, ele está te ajudando, não pode se preocupar um pouco com ele?
[— Ha, porra. Está me sacaneando?]
O palavrão saiu ameaçador, mas, pela experiência, ainda dava para provocar mais um pouco.
— Falei porque também fico preocupado, já que o Ji Wonwoo vai ficar dois dias sozinho num lugar sem ajuda nenhuma.
[— E por que o senhor se preocupa?]
— Ora, por quê? É natural querer me preocupar com quem se preocupa comigo. Ele ligou só porque vai se ausentar dois dias e me disse com tanto carinho para tomar cuidado com os gângsteres. Francamente, ele gosta tanto assim de mim?
[— Que irritante.]
Um murmúrio escapou. Era uma voz monótona, sem emoção, mas o sexto sentido de Sang Cheon disparou a sirene. Um arrepio percorreu a espinha dele. Ah, se eu passar um pouco mais do limite, vai ser perigoso. Pressentindo que o Bruto chegara ao limite, Sang Cheon endireitou as costas e fechou a expressão.
— Hum, hum, se você me trouxer o comunicador do Centro, posso trabalhar nele na hora. Hum, hum, pensando bem, já tinha conseguido uma coisa parecida com um comunicador do Centro, que tal testar?!
Depois que Sang-cheon fugiu para o depósito fazendo esse barulho todo, uma voz baixa se misturou ao chiado no alto-falante.
[— Eu até ouvia a tagarelice dele na hora de dormir, merda.]
✧˖°. ༄ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby