࿔Capítulo 21
࿔*:・゚ Capítulo 21
— Solta! Estou mandando soltar!
Um Guia de uns quarenta anos se enfurecia e afastava com brusquidão as mãos que o seguravam pelos lados. Ele carregava uma mala de viagem enorme e tentava sair a todo custo, como alguém fugindo de casa.
— Senhor Guia, acalme-se. A senhorita ainda é pequena, e o guiamento é doloroso para ela toda vez, então…
— Porra, acha que pra mim o guiamento é bom toda vez? Eu também estou morrendo por causa daquela frequência de merda! Você sabe o quanto eu fico com o coração na mão porque aquela pirralha apronta toda vez?! E hoje aquela pirralha usou o poder!! Fui atingido por estilhaços de vidro voando e me machuquei a ponto de sangrar pelo corpo todo, droga!
O Guia ergueu o braço ferido, mas, na maior parte, eram só arranhões vermelhos. Mesmo assim, ninguém conseguia dizer nada diante da teimosia dele. Ele era um Guia precioso, trazido a duras penas em troca de pôr o vice-chefe na prisão.
Por isso, todos faziam todas as vontades dele. Ele já tinha armado escândalo dizendo que ia embora inúmeras vezes, mas, até então, era tudo encenação, e ele acabava ficando, como quem não tem jeito, quando os outros o seguravam. Mas hoje, por mais que tentassem acalmá-lo, não funcionava. Como se estivesse decidido, fizera as malas e parecia mesmo prestes a partir.
— Se algo o incomoda, diga, por favor. Vamos consertar tudo…
— Consertar? Por mais que vocês consertem, aquela pirralha não vai mudar, vai? Haa, eu cansei. Quero sair desta casa amaldiçoada. Entendeu?
O Guia afastou de novo com o braço quem tentava detê-lo e seguiu em frente. Mas, poucos passos depois, alguém lhe barrou o caminho. Era Jae-hak, ofegante como se tivesse vindo correndo, mas sorrindo.
— Doutor Park. Ah, aonde o senhor vai? Já arranjei aquela bebida que eu tinha mencionado e estou assando com todo o capricho o pato defumado de que o senhor gosta, para comermos hoje. Vamos, vamos.
Assim que Jae-hak deu um tapinha amigável no braço do Guia, ele ficou sério e o empurrou.
— Não toque em mim. Acha que eu não sei que quer me comprar com uma mera bebida? E pato assado? Ha, porra, quer compensar todo o sofrimento de cão que eu passei com um mero pato. É, eu fui um idiota esse tempo todo. Mas agora não caio mais.
Mesmo diante das palavras do Guia, Jae-hak conseguiu manter o sorriso bondoso e o impediu de avançar.
— Ah, quem disse que é para compensar? Fico magoado. Não sou tão sem-vergonha assim. Joias, dinheiro, posso dar tudo o que for necessário como recompensa.
Só então o Guia parou. E, examinando Jae-hak de cima a baixo, perguntou:
— Mas você não tem muito poder na família Gye.
— Mesmo não tendo, é para salvar a minha filha, então tenho que fazer qualquer coisa acontecer. Diga o que quer.
Quando Jae-hak perguntou sem rodeios, o Guia ergueu o queixo e disse uma coisa.
— Me dê a fazenda do setor OO.
Nos olhos dos que tinham se aglomerado ao redor surgiram, ao mesmo tempo, incredulidade e fúria. A fazenda que o Guia mencionou era a maior fazenda de monstros do Norte. Tão grande que correspondia a um décimo das fazendas que a família Gye possuía. Até Jae-hak, que não perdia o sorriso, não pôde deixar de fechar a expressão. Então o Guia soltou uma risada curta, “ha, ha”, e ironizou:
— Viu? Não pode me dar, né? Sinceramente, eu estou salvando a sua pirralha, e nem é uma pirralha qualquer, é? Eu tenho nas mãos a vida da próxima chefe da família Gye. Então é graças a mim que esta família pode continuar, não é? E nem isso eu posso ter?! Se não fosse por mim, já tinham todos batido as botas por causa da maldição… kugh!
O Guia, que falava, de repente cuspiu sangue e tombou para a frente.
— Doutor Park!
Jae-hak, assustado, ia correr até ele, mas alguém, atrás, o deteve.
— Deixa.
Jae-hak estremeceu, virou a cabeça, surpreso, e arregalou os olhos. Um homem de roupa preta que vinha caminhando devagar lá de longe puxou o capuz da cabeça diante dos olhares assustados das pessoas. Os inúmeros piercings cravados em sua orelha brilhavam sob a luz forte, como se alertassem sobre o perigo que ele representava. Jae-hak puxou o ar e chamou o nome dele.
— Y-Yoon. Por que você está aqui…
— Desde quando esse desgraçado está assim?
A voz de Gye Yoon era baixa e calma. Jae-hak, rígido de tensão, não conseguia abrir a boca com facilidade. Sabia que o cunhado, praticamente um irmão mais novo, falava justamente naquele tom indiferente quando estava furioso.
— Yoon, volte.
— Está me fazendo perguntar duas vezes. Acha que eu não consigo te matar?
— Yoon… hã!
Jae-hak, que o chamava de novo, foi lançado ao ar e voou rápido como uma bola até se chocar contra a parede.
Bam!
Com um estrondo, Jae-hak caiu no chão e se encolheu, todo amassado. Algumas pessoas correram até Jae-hak, mas ninguém gritou nem chamou o nome dele. O vice-chefe voltara depois de um ano, e o medo dele tomou todos num instante.
Todos, por instinto, prenderam a respiração e fecharam a boca. Mas Gye Yoon precisava de alguém que abrisse a boca e respondesse. Ele voltou os olhos para alguém que estava por perto.
— Você, responda.
O funcionário apontado fechou os olhos com força. Sabia que, dependendo da resposta, Gye Yoon poderia ficar ainda mais furioso, mas também não podia mentir.
— …O doutor Park se comporta assim desde o início.
Ouvida a resposta, Gye Yoon olhou de cima para o Guia, que cuspia sangue, ofegante, buscando o ar.
— Enquanto eu estava preso numa caverna de merda, esse lixo andava à solta pela casa.
Tac. Quando Gye Yoon deu um passo à frente, o Guia ergueu os olhos, assustado.
— Hã, s-se me matar, a família Ji não vai ficar parada! E a filha da chefe dos Gye também vai morrer!
Gye Yoon olhou para ele de cima e chamou alguém.
— Chefe de gabinete Jeong.
Ele, que acabara de chegar correndo ao saber da notícia, se aproximou com o rosto rígido. Deveria perguntar primeiro por que ele viera para cá, mas, vendo o estado de Gye Yoon, não podia perguntar nada. Apenas baixou a cabeça e respondeu com cautela.
— Sim.
— Aonde foi a chefe Gye?
Era um modo desrespeitoso de se referir à irmã, mas o chefe de gabinete Jeong percebeu a raiva contida nele. A casa está nesse estado, e por que ela não endireita as coisas e nem aparece?
O chefe de gabinete Jeong conteve um suspiro e abriu a boca. Na verdade, oficialmente se dizia que ela tinha viajado para longe a trabalho, mas, na realidade, ela tinha ido encontrar um Guia, depois de descobrir informações sobre um Guia compatível em cerca de um terço com a frequência da filha.
— …Foi procurar um Guia. Do outro lado exigiram que a chefe fosse pessoalmente para ele aceitar o encontro.
— Um desgraçado que faz uma exigência dessas não pode ser um Guia de verdade. Desde quando a chefe da família Gye virou uma imbecil?
— Vice-chefe…
— Avise a família Ji. Que o Guia que eles mandaram morreu.
— I-isso…
— Yoon, não!
O grito de Jae-hak tentou detê-lo, mas, com um pequeno “pof”, não conseguiu impedir que a cabeça do Guia explodisse.
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O incidente de Hong Eun-tae abalou a sociedade dos Espers o dia todo, mas, também para a família Ji, que ocupava a posição máxima entre os Guias, era uma notícia bastante problemática. Hong Eun-tae era praticamente uma parceira colaboradora da família Ji, então Ji Dong Hyun tentou até a noite descobrir o estado dela. Mas não havia jeito de conseguir a informação.
— Ainda não descobriram onde a família Hong escondeu a Hong Eun-tae?
Quando Ji Dong Hyun perguntou ao diretor Shin, que trabalhava como um secretário, este balançou a cabeça.
— Como a família Hong está agindo em sigilo absoluto internamente, nem o nosso informante consegue saber.
— Porra, como diabos está a Hong Eun-tae para fazerem isso? E ainda não sabem quem fez?
— Não. Mas parece ser um problema da própria Hong Eun-tae, e não um ataque.
— Ou seja, por causa da semente Alfa, não é?
Maldição. Isso não podia acontecer de jeito nenhum. Com as sementes Alfa eles tinham dominado os Espers. Como as sementes Alfa estavam envolvidas, o pai estava fora de si de tanta fúria, e Dong Hyun estava prestes a ir até ele com os dados para o relatório.
— Não foi mesmo um ataque? E a família Gye?
— A chefe da família Gye ainda está presa à isca que jogamos.
Ah. Só então Dong Hyun se lembrou da brincadeira que tinham armado contra a família Gye. Como as sementes Alfa tinham diminuído recentemente, o pai, Ji Geuno, estava obcecado em encontrar sementes Alfa nas fazendas. Por isso, tinham vasculhado todas as fazendas do Leste e do Oeste, mas não acharam nada.
As únicas fazendas que restavam eram as do Norte, e não dava para vasculhá-las à vontade. O melhor jeito era receber da família Gye as fazendas do Norte.
Por sorte, havia no Norte um Guia muito útil. Mas, por mais que a guiamento da filha estivesse em jogo, a exigente chefe da família Gye jamais atenderia a uma exigência descabida. A família Ji pretendia atrair a chefe dos Gye para fora, armar uma confusão contra os membros restantes da família Gye e arrancar a fazenda.
Por isso, disfarçaram a frequência de um Guia e vazaram a informação. A chefe dos Gye, sem saber que era isca, foi pessoalmente, como um cão com fogo nas patas.
— O que a chefe dos Gye está fazendo agora?
Quando Seong Hyun perguntou, o diretor Shin soltou um sopro de riso, como se só de pensar já achasse graça.
— Dizem que aquela orgulhosa chefe dos Gye está de joelhos há dias.
✧˖°. ༄ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby