࿔Capítulo 2
࿔*:・゚ Capítulo 2
A família Gye. Quando Wonwoo se mudou para o Norte, a família Gye já havia caído. Mas, mesmo depois que os senhores do Norte desapareceram, as pessoas lembraram o nome deles por muito tempo. No Norte, muitas famílias acreditavam que o grande poder dos Espers era transmitido pela linhagem materna, e a família Gye era uma delas.
Gye era, havia gerações, o sobrenome da linhagem materna daquela família, e quem a chefiava também era sempre uma mulher. Essas líderes eram mais generosas e rigorosas que ninguém, mas respeitavam o pensamento livre do Norte e contribuíram muito para criar uma base social na qual até pessoas comuns pudessem ter sucesso se tivessem oportunidade.
Por isso, mesmo quando todos da família Gye morreram num acidente inesperado, as pessoas que não esqueceram seus feitos, ao contrário, se reuniram no Norte. O Norte tornou-se uma cidade livre, os Purificadores afluíram para lá e, assim, ele se tornou a base do governo livre. Mas, para Wonwoo, que nunca tinha encontrado a família Gye, as histórias deles eram como lendas.
— A família Gye ainda está firme e forte. –
Wonwoo murmurou sem perceber, e logo veio uma contestação.
— Não, dizer que está firme e forte é um pouco demais.
— Por quê? Não é como se tivesse havido uma guerra.
Será que só é queda quando estoura uma guerra e pessoas morrem e se ferem? Para a família Gye, a situação atual é praticamente uma guerra. E alguém da família Ji não está em posição de falar com tanta tranquilidade, está?
— Para quem está de fora, a briga entre as duas famílias parece uma guerra.
— Briga com qual família?
— …Está brincando, né?
Não. Wonwoo ia negar, mas fez cara de quem se deu conta de algo.
— Ah, a família Ji. O Guide One não fornece Guias à família Gye?
A expressão dele era de quem realmente não sabia, e Seona, embora desconfiada, assentiu.
— Sim. Por causa dos Guias, a família Gye range os dentes só de ouvir falar da família Ji. Por isso, a família Gye jamais vai firmar contrato com você, senhor Ji Wonwoo. A família Gye se tornou cruel assim por culpa da família Ji.
Cruel? A família Gye? A família Gye de que Wonwoo se lembrava, havia uma pessoa que todos louvavam. Uma chefe sábia e grandiosa.
— Pelo que sei, a chefe da família Gye é sábia e não faz discriminação.
— Ah, essa era a chefe anterior. A chefe atual, hum, assumiu a família numa época difícil. Além disso, como não há fornecimento adequado de Guias, ela não teve escolha senão se tornar alguém de sangue frio. A família Gye tem uma frequência tão atípica que chamam de maldição. Por isso, não é que eu não entenda o que a família Gye está fazendo agora, mas mesmo assim…
Seona deixou a frase no ar, mas era como se a palavra “cruel” soasse de novo. A família Gye de hoje é cruel.
— De qualquer forma, nem pense em entrar em contato com a família Gye. Para ser sincera, se souberem que você mencionou a família Gye, senhor Wonwoo, o bruto daquela família pode aparecer. Ainda bem que agora ele está preso.
— Bruto?
— A atual chefe da família Gye é uma Esper de nível A. Enquanto todas as outras famílias têm Espers de nível S como chefes, a chefe da família Gye assumiu o posto por ser mulher. Mas ninguém podia menosprezar a família Gye por causa do irmão mais novo da chefe, que se apresentou como o bruto.
— Ele é forte?
Se é forte? Seona engoliu uma risada incrédula.
— Forte a ponto de dar arrepios.
— A atual chefe da família Gye tem uma filha. É a próxima sucessora. Mas ela também não escapou da maldição, então o guiamento é um problema. Há cerca de um ano, a família Gye firmou pela primeira vez algo parecido com um acordo com a família Ji, e o motivo foi a sucessora. Na época, a família Ji cedeu apenas um Guia, mas impôs uma condição.
— O Desgov… hum, hum, o irmão mais novo da chefe tem alta probabilidade de descontrole, então devia ser isolado pela segurança das pessoas. O pretexto era a segurança, mas a intenção era amarrar os pés do bruto da família Gye. E todas as famílias de Espers apoiaram a família Ji.
A voz de Seona carregava aversão pelos Espers que apoiaram aquilo. Os Espers são mais fortes que qualquer um, mas demonstram uma inveja repugnante de quem é mais forte que eles.
Ver os Espers desconfiando da família Gye e apoiando a família Ji era algo familiar para Wonwoo. Fora essa a atitude dos Espers quando os Purificadores surgiram. E como apoiaram Ji Geun Woo, que ficou do lado deles. Wonwoo achou graça.
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[— Parece que o encontro com a senhorita Han Seona hoje deu certo?]
Interpretando mal a risada de Wonwoo, Nani perguntou. Wonwoo, que estava abrindo o portão para entrar em casa, assentiu.
— Deu. Ela ainda desconfia de mim, mas felizmente vai seguir a minha opini… –
Wonwoo parou sem terminar a frase. Ao mesmo tempo, parou de andar. Em sua mão havia uma adaga curta que ninguém saberia dizer quando ele tinha sacado. Prendeu a respiração e examinou o interior escuro da casa como se o encarasse.
[— O que foi?]
Nani perguntou, mas Wonwoo entrou em casa ainda de sapatos, sem fazer barulho. Encostou o corpo na parede e espiou com cuidado o outro lado da quina. Não se ouvia nenhum som e, com as cortinas fechadas, o interior estava mergulhado em breu, mas Wonwoo mobilizou todos os sentidos para examinar cada canto.
Só depois de um tempo, convencido de que não havia ninguém, soltou a respiração presa. Mas não baixou a guarda. Acendeu a luz e percorreu a casa devagar, verificando tudo com os olhos.
[— Tem sinais de que alguém entrou?]
— Não há sinais visíveis, mas com certeza alguém entrou.
[— Como sabe?]
— Pelo cheiro. Ficou com cheiro de perfume dentro de casa.
Claro, era um aroma estranho para Wonwoo. Ele não usava fragrância nenhuma. Até sabonete e xampu escolhia sem perfume sempre que possível e, quando não tinha jeito, não usava o mesmo por muito tempo, trocando com frequência.
Talvez por confiarem cegamente nas próprias habilidades, os Espers às vezes fazem coisas estúpidas. Como invadir descaradamente usando um perfume forte desses. Então foi por isso que Ji Wonwoo tinha denunciado à administração que tinha um stalker.
[— Quem e por quê?]
— Não sei. A maioria dos Espers é tarado.
[— …É mesmo?]
— É. Quando o guiamento é satisfatório, os Espers ficam com os olhos revirando.
[— Só de a dor sumir já é tão bom que os olhos reviram, né.]
Devia ser uma opinião geral sobre os Espers, mas, estranhamente, soou como experiência pessoal. Wonwoo balançou a cabeça diante do próprio engano. Vivo esquecendo que o Nani é uma máquina.
— Isso não justifica uma obsessão pervertida.
[— E uma obsessão normal pode?]
— Nem deveria haver obsessão, para começo de conversa.
[— Não se deve falar levianamente sem ter sentido a dor.]
Wonwoo hesitou de novo.
— Você está falando como um Esper.
[— …Impressão sua.]
Ah, deve ser. Wonwoo assentiu e perguntou, brincando:
— Então, se você fosse um Esper, seria obcecado pelo Guia que aliviasse a sua dor, é claro?
[— Não.]
— Você não disse que a obsessão dos Espers é inevitável por causa da dor?
Pareceu ouvir um leve suspiro. Wonwoo curvou os lábios sem fazer som. Uau, ele parece mesmo gente.
[— Como a sobrevivência depende disso, eu continuaria rastreando o paradeiro do Guia, mas obsessão é outra coisa. Eu tenho gosto próprio, não sou burro a ponto de ficar obcecado por qualquer um.]
— Você tem gosto?
[— …Talvez.]
Ele não entendia muito de IA, mas era espantoso, a ponto de se perguntar até onde aquilo era possível. Será que Sang Cheon usou os dados de alguém específico? Então até uma IA pode ter gosto? E assim, mais uma vez, acreditou na teoria de que Hwang Sang Cheon era um gênio.
— Então você ficaria obcecado se a pessoa aliviasse a sua dor e fizesse o seu tipo?
[— De qualquer jeito, não existe ninguém do meu tipo.]
Diante da voz que cortou friamente, Wonwoo inclinou a cabeça.
— O chefe Hwang não é o seu tipo?
[— Ha. De jeito nenhum.]
Saiu uma resposta enojada, como se estivesse indignado. Era uma reação tão humana que Wonwoo se assustou.
— Você parece mesmo gente.
[— Não posso?]
— Não pode.
Wonwoo respondeu com leveza e voltou a andar, verificando se tinha deixado passar algo na casa.
— Porque, com você, eu vivo baixando a guarda. Tenho medo de acabar dizendo o que não devo.
[— …É isso que eu quero……]
— O quê? Chiou e não ouvi direito.
[— Eu disse para não se preocupar. Se baixar a guarda e falar besteira, eu aviso.]
— Hã? Você usou a palavra besteira? —
Assim que Wonwoo apontou, veio a réplica, como se ele engolisse um suspiro.
[— Não é palavrão, é?]
— Mesmo assim, é uma palavra que pode ser desagradável, não deveria usar.
[— …Se eu usar de um jeito que não soe desagradável, posso?]
Wonwoo parou e perguntou, intrigado:
— E como faria para não soar desagradável? — O breve silêncio pareceu com Nani refletindo.
Quando Wonwoo contraiu os lábios para não rir, veio a resposta de Nani.
[— Se o senhor Ji Wonwoo falar uma besteira fo… fofa, eu aviso.]
Besteira fofa. Você é que é mais fofo. Wonwoo não aguentou e curvou os lábios, mas logo cobriu o rosto com a mão.
Porque Nani às vezes percebia, como um fantasma, mesmo quando ele ria sem som. Mas, desta vez, nem ele percebeu.
[— Isso também é desagradável?]
A pergunta séria só o fez rir mais. A mão de Wonwoo não saía do rosto. Quer tanto assim usar a palavra besteira? Aprendeu que precisa usar o máximo de palavras possível?
— Acho que não é ruim.
Respondeu quase num murmúrio e, com medo de rir de novo, mudou de assunto.
— Então, qual é o seu tipo?
[— Não tenho.]
Diante da resposta indiferente, Wonwoo quis provocar.
— E eu?
[— …Quer fazer amor com uma máquina?]
Desta vez não aguentou e caiu na risada. Pensando na situação, Wonwoo mordeu os lábios à força e tentou se acalmar. Quem diria que ia rir à toa mesmo depois de confirmar sinais de invasão. Mas, mesmo não sendo nada demais, quando Nani falava, era muito engraçado.
— Não. Sexo tem que ser com gente. — Wonwoo respondeu sem pensar muito e, esquecendo Nani, que não respondia, voltou a examinar a casa minuciosamente, para ver se algo tinha sumido. Felizmente, nada sumira. Foi então que ouviu de Nani um nome inesperado.
[— Hong Seung Wook?]
— O que tem ele?
[— Perguntei se você transou com o Hong Seung Wook.]
Wonwoo, que ia para o banheiro, parou e piscou. Por que a pergunta soou contrariada? Intrigado, respondeu sem dar importância.
— Sei lá. Não lembro, mas o eu de antes talvez tenha transado.
Wonwoo se lembrou de Ji Wonwoo morrendo. Aceitando a morte com alegria, com o rosto dele próprio. Era uma paz que só alguém sem nenhum apego poderia ter.
Ele, por mais habilidoso que fosse, ficara completamente vazio de perda e saudade, mas Ji Wonwoo, mesmo infinitamente frágil, era mais firme que ninguém diante da morte.
Como um buscador que encontrou a paz depois de largar tudo.
Embora tivessem se encontrado por pouco tempo, pôde perceber. Não conseguia esquecer aqueles olhos que enfim tinham encontrado a paz. Como todos vivem carregando apegos e arrependimentos, por um lado ele invejava aquela morte. Wonwoo sabia o quanto era difícil resistir na pior das situações.
Um mundo sem nenhum motivo para não morrer. Que sentido tem viver à força num lugar assim? Carregando essa angústia, avança-se dia após dia, a duras penas. Por ter sido uma morte alcançada assim, talvez para Ji Wonwoo ela tenha sido uma vitória, como um presente.
Comparado a isso, como ele era pequeno e miserável. Era mais forte que ninguém, tinha escapado da família Ji e podia fazer o que quisesse. Mesmo assim, só porque todas as pessoas dele tinham morrido, viveu de forma tão impotente.
Precisava preencher sozinho o vazio no coração, mas não conseguia largar as lembranças e se apegava a elas. Mas, mesmo que seja fraqueza, não tem jeito. A oportunidade chegou, não chegou? A oportunidade de tornar aquelas lembranças realidade outra vez. Enquanto se justificava, ouviu a voz seca de Nani.
[— Deve ter sido ruim, por isso não lembra.]
Ruim o quê? Intrigado, percebeu que era a continuação da conversa de antes. Ah, o Hong Seung Wook é ruim?
— Não. O Hong Seung Wook deve ser bom.
[— Não disse que não lembra?]
— Lembrando ou não, dá pra saber só de olhar. É Esper, então deve ter força, e dizem que é popular entre os Guias.
[— …Pqp, força quem tem sou eu…]
De novo ouviu chiado e palavras incompreensíveis, mas Wonwoo, com um clique, acendeu a luz do banheiro e não deu atenção porque olhava o interior. Nada tinha sumido do banheiro também. Mas havia algo que incomodava. A parte de dentro do vaso sanitário estava molhada. Como se alguém tivesse dado descarga havia pouco.
— Por que alguém entraria escondido na casa dos outros para dar descarga?
[— Vai ver estava apertado.]
Graças à resposta ingênua de Nani, Wonwoo desfez a expressão fria e rígida.
— Seria bom se todos os humanos fossem simples como você.
[— Não sou tão simples assim.]
Depois da negação firme, Nani perguntou, como se tivesse o orgulho ferido.
[— Então que outro motivo teria?]
— Sei lá. Estava apertado, ou então. –
Wonwoo ligou o exaustor do banheiro e deu outra opinião com calma.
— Para gozar.
O cheiro de sêmen no banheiro era fraco, mas mais repugnante que qualquer cheiro de excremento. Vuuum, o som do exaustor girando preencheu o silêncio por um tempo.
✧˖°. ༄ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby